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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 81

A Libertação e o Terceiro

Capítulo 81 – A Libertação e o Terceiro

Existe uma coisa chamada "coleira de escravização". Originalmente era um Artefato, e, pelo visto, é um objeto mágico que um grande mago de Sandra conseguiu produzir em massa há alguns séculos.

Em princípio, foi criada pra subjugar bestas mágicas ferozes, impossíveis de domar, mas, em algum momento, passou a ser usada em humanos.

No começo, em criminosos, dizem. Mas essa coleira acabou, com o tempo, gerando neste país a existência dos "escravos".

"Coisas" despojadas de todos os direitos, tratadas como propriedade.

Em geral, viram escravos de forma legal (apenas neste país, claro): por serem criminosos, por se venderem ou serem vendidos. Mas, no meio disso, sempre há canalhas.

Bandos de salteadores e mercadores de escravos se associam: os salteadores atacam vilas e roubam dinheiro e bens. E o mercador de escravos obtém ilegalmente as moças jovens — esse esquema, pelo visto, corria solto nas sombras.

Seja de que forma for, uma vez posta a "coleira de escravização", acabou-se a liberdade. A pessoa é registrada na corporação dos mercadores e tratada como propriedade pessoal, patrimônio.

As pessoas que a Rebecca-san levava também foram escravizadas desse jeito, pelo visto.

O mercador de escravos que levava essas mulheres tinha contratado, como escolta da viagem, os três: a Rebecca-san, o Logan-san (o homem do machado) e o Will (o garoto). Como era um trabalho que não passou pela guilda, eles não sabiam que era um mercador de escravos, dizem.

Ao longo da viagem, os três ouviram a história das escravas e, tomados de indignação, tentaram se rebelar contra o mercador de escravos. Mas, justo nesse momento, o mercador foi atacado por salteadores e morreu sem mais.

A primeira flecha do ataque se cravou na cabeça dele; um fim de uma banalidade, dizem. Um homem que fez maldades associado a salteadores ser morto por salteadores — será que é o que chamam de carma.

Tendo derrotado os salteadores que atacaram, a Rebecca-san e os outros, aproveitando a oportunidade, tentaram fugir deste país com as escravas, sem serem vistos. Porque, se fossem pegos pela corporação, elas seriam apenas vendidas a um novo dono.

Mas, no meio da fuga pro exterior, evitando os olhares, foram apanhados por uma tempestade de areia e acabaram à deriva…

— É isso?

— Bom, é mais ou menos isso.

Saquei. Mas tem cada canalha, hein… Tráfico de pessoas, é. Neste mundo também existe esse tipo de coisa. Pelo visto, o Reino de Sandra não tem muito intercâmbio com outros países e mantém uma cultura própria. Bom, vir até aqui atravessando o Grande Mar de Árvores a partir de Mismede e cruzando o deserto escaldante deve ser difícil mesmo.

— "Coleira de escravização", hein…

Se tentam tirar, dizem que uma dor lancinante percorre quem a usa, e, na pior das hipóteses, leva à morte. Que mau gosto. A pessoa fica incapaz de ferir quem virou seu dono e incapaz de desobedecer a ordens. Mesmo que tente fugir, basta o dono desejar "volte aqui" e fim de papo. Se desobedecer, sente dor.

Só o dono pode tirar a coleira. Mas o mercador, que era o dono, morreu. Ou seja, a coleira delas não pode mais ser tirada. A menos que voltem à corporação, ganhem um novo dono e esse dono liberte a escrava, ela não sai. Outro jeito de tirar, seria… aquilo.

Puxar com [Apport] e arrancar… mas o tamanho é meio delicado, né. É pescoço de mulher, então não deve ser muito grosso, mas. Será que cabe na palma da mão?

Agarro o próprio pescoço com as duas mãos pra conferir a grossura. Deve ser mais fino que isto, então mais ou menos do tamanho de um CD, é. Será que dá. Se não der, simplesmente não acontece nada, então vou ao menos tentar.

— Essa coleira, talvez eu consiga tirar.

— O quê?

— É sério?!

Mais do que a Rebecca-san, foi o garoto Will quem se agarrou a essas palavras. De olhos arregalados, me lança o olhar.

— Bom, sem testar não dá pra saber. Se não der, simplesmente não acontece nada, então mesmo que eu tente…

— Por favor! Liberte a Wendy!

Wendy? O garoto Will, segurando a mão de uma das garotas de coleira, vem a passos rápidos na minha direção.

Deve ter 13 ou 14 anos… mais ou menos a idade do Will? Pele morena, cabelo loiro fosco trançado e caído à frente dos dois lados do peito. É a mais nova das sete escravas. Escondida atrás do Will, me espreitava, tremendo de medo. Parece estar com medo de mim, e isso me dá um certo choque. Bom, eu deixei o Sand Crawler daquele jeito, né…

— [Apport].

Como assustá-la mais que isso não ia adiantar, puxei a coleira sem aviso. Na minha mão já estava agarrada a coleira preta reluzente. Deu certo, é.

— Hã?! A-ué?!

Vendo que eu segurava a coleira, o Will se vira pra Wendy, escondida atrás. Claro, ali não havia mais coleira.

— Saiu! Saiu, Wendy!

— Hã…?

A garota chamada Wendy passa a mão no próprio pescoço. Ao perceber que foi libertada da coleira, derrama lágrimas em fio dos olhos e leva a mão à boca. O Will a abraça com firmeza. Aah, então é isso. Pudera o garoto se desesperar tanto. É a juventude, hein.

— …Ei, ei, o que diabos você fez?

— A magia de nulo [Apport]. Uma magia que puxa objetos.

Deixando o Logan-san congelado com cara de espanto, vou tirando, uma após a outra, as coleiras das outras também. Logo, com as sete coleiras todas na minha mão, queimei tudo com magia de atributo fogo.

Olhando as coleiras se consumindo e olhando pra mim, a Rebecca-san murmura, pasma.

— …Quem diabos é você, afinal?

— Eu também sou aventureiro. Olha, o cartão da guilda.

— Vermelho?!

Diante da cor do cartão que mostrei, os três aventureiros se agitam. Todos conferem o cartão que entreguei, como que espiando, e soltam mais um grito de espanto.

— Dragon Slayer e Golem Buster?! Tá de sacanagem?!

— Com razão derrotou o Sand Crawler numa boa…

— Uáá… é a primeira vez que vejo um…!

Obrigado pelo espanto de cada um dos três, cada um do seu jeito. Reavendo o cartão, pergunto à Rebecca-san o que eles vão fazer agora.

— Mesmo libertadas da escravidão, o registro não foi apagado. Ficar neste país vai dar encrenca. No fim, eu pretendo levá-las pra outro país, mas…

— Então, querem ir pra Belfast? É um bom país. Por um tempo, podem ficar lá em casa também.

— Não, peraí. Você tem ideia de quão longe fica Belfast daqui…

Cortando as palavras do Logan-san, abro uma [Gate] à frente. Enfio a cabeça na porta de luz e chamo a Yumina do "Jardim".

— Q-quem é?!

— Prazer em conhecê-los. Sou filha do rei do Reino de Belfast, Tristwin Ernes Belfast: Yumina Ernea Belfast.

— Hã?! — os três.

Os três congelaram por completo. Bom, é o esperado. Em horas dessas, sou lembrado de que a Yumina é uma princesa de verdade. Mesmo sem trajar um belo vestido, dá pra ver que a boa criação e os modos dela são autênticos. De fato, os quatro à frente já estão dominados pela presença da Yumina.

— Eu ouvi toda a situação de vocês. O nosso país pode acolhê-los; o que acham?

Sorrindo, a Yumina vai voltando o olhar pra cada um deles. Deve estar usando o olho mágico. Se houver entre eles alguém com más intenções, mesmo levando pra Belfast, vamos ter de pôr vigilância por um tempo.

Depois de voltar o olhar pra todos, a Yumina abre um sorriso pra mim também. Pelo visto, não há problema.

A Rebecca-san, que estava congelada, de repente dobra os joelhos e fica numa reverência ao chão diante da Yumina.

— S-sim, senhora! E-escute, c-conto com a senhora!

Por contágio, talvez, o Logan-san, o Will, a Wendy e as outras mulheres também vão se prostrando, um após o outro. Que isso? Parece cena de drama de época, do "curvem-se!"…

— Então, levemos todos pra Belfast. Touya-san, por favor.

— Pode deixar~.

Fazer cada um atravessar a [Gate] dava trabalho, então faço todos se levantarem e abro uma [Gate] no chão sob os pés deles. E a saída, abrindo a um centímetro do solo, no jardim da minha casa em Belfast, vou movendo a [Gate] pra cima pra fazê-los atravessar…

Eu tinha imaginado um deslocamento tipo o teletransportador de série de ficção científica estrangeira, mas deu errado. Talvez seja melhor parar com isto. Dá uma sensação ruim.

É aquilo: a sensação daquele "tranco" quando você sobe a escada, já chegou ao topo, mas achava que tinha mais um degrau? O chão sumir, mesmo que por um instante, dá uma sensação extremamente desagradável.

Bom, quem pensou tanto assim fomos só eu e a Yumina; o resto do pessoal estava de cara parva diante da paisagem que mudou de repente.

— O-onde é isto…?

— É a capital do Reino de Belfast. E aqui é a minha casa. Podem morar aqui por um tempo. Lime-saaan.

Quando chamo o supermordomo da minha casa, ele surge na hora pelo terraço, trazendo a tropa de maids: Lapis-san, Cecile-san e Rene.

— Cuidem da hospitalidade dessas pessoas até a gente voltar, por favor.

— Pois não, patrão.

Baixando a cabeça bem fundo, o Lime-san faz um sinal com os olhos pra tropa de maids, e a Lapis-san e companhia conduzem todos pra dentro da casa. Olhando em volta, espreitando, a Rebecca-san e os outros seguiram as maids em fila.

— Por ora, deixemos que eles pensem depois o que vão fazer da vida. E a gente, vamos voltar pro "Jardim".

— É mesmo.

A Rebecca-san e os outros são aventureiros, então, cumprindo trabalhos da guilda, podem mudar a base pra uma pousada da capital. As outras pessoas… eu não tenho como contratar sete, né. Tomara que consigam achar algum trabalho.

— Senhor!

— ? Kohaku?

A telepatia veio de repente e me assustou um pouco. O que foi?

— O que foi, Kohaku, aconteceu algo?

— Apareceu de repente uma criatura esquisita no deserto, viu~. Brilhando, reluzindo, tipo um cristal…

Quem respondeu não foi o Kohaku, mas a voz do Kokuyō. Monstro de cristal… não me diga?!

Abro uma [Gate] e me teletransporto pra diante do monólito do "Jardim". Na tela do monólito, pra onde todos olhavam, um monstro de cristal gigantesco pairava sobre o deserto, emitindo um som agudo, como uma ressonância.

O que nós encontramos tinha forma de grilo, o que a Leen encontrou era uma cobra, e o terceiro monstro de cristal, o Phrase, tinha a forma de uma raia-jamanta — uma manta.

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