Capítulo 84 – A Oficina e a União das Babylon
— Parou, senhor?
— A duras penas…
Enfim o sangue do nariz parou. Pelo visto, ao menos a morte ridícula de morrer por hemorragia nasal eu consegui evitar.
Aliás, pedi pra Rosetta trocar por uma calcinha normal. Daquele jeito não ia fazer bem pra cabeça de jeito nenhum. Mas que fique claro: eu não fiquei vendo ela trocar, viu?
Aliás, faz um tempo que eu não consigo nem olhar direito pra cara dela!
— Pois então, vou guiá-lo até a "Oficina", senhor.
Dizendo isso, a Rosetta ia sair andando a passos firmes e me lançou um olhar de relance. …Que foi?
— O senhor quer ver eu trocar de calcinha também, senhor?

— Não foi por querer ver que eu vi! Anda, me guia logo!
— Entendido, senhor. …A propósito, o mestre prefere peito grande ou pequeno, senhor?
— Guia logo, vai!
— Sim, mestre.
Por que diabos com essas daí esse tipo de assunto pula pra fora?! É o tal "filho de peixe, peixinho é", é? Francamente, queria me poupar.
Seguindo a Rosetta, que saiu andando com seus passinhos, o prédio em forma de dado foi se aproximando aos poucos. Já que se chama "Oficina", imagino que seja um lugar de fabricar alguma coisa, mas.
O prédio branco, em tamanho, tem uns 50 metros de lado, é. Se não me engano, o Arco do Triunfo, na França, tinha uns 50 metros de altura. É como se transformassem aquilo num dado. Um cubo de quatro faces retas. E ainda por cima não tem nada parecido com uma janela? Não, mais que isso, nem porta tem?
Quando chegamos perto do prédio, a Rosetta, sem pressa, pôs a mão na parede.
No instante seguinte, na parede branca à frente correm várias linhas, que viram pequenos cubos e, num piscar de olhos, se rearranjam, reconstruindo-se numa entrada escancarada.
Será que este prédio é um aglomerado de pequenos cubos?! Pequenos cubos se juntam, dão forma a este prédio e, ao comando da Rosetta, se transformam em qualquer forma. Se for isso, é uma tecnologia incrível…
Entrando pela entrada que se formou, há uma escada que sobe, e, subindo uns degraus, logo se vê um espaço amplo. Mas que diabos é isto…
Ali era um espaço todo branco. Não tem nada. De verdade, não tem absolutamente nada. Só há paredes brancas, piso branco, teto branco. Ainda assim, é amplo. Amplo demais.
— Que é isto?
— Aqui é a "Oficina", senhor. É uma fábrica universal que gera toda e qualquer ferramenta de trabalho que se imaginar, monta bancadas de trabalho e dá suporte à fabricação, senhor.
Dizendo isso, quando a Rosetta põe a mão no chão, à frente surge na hora uma mesa branca, e dela saltam braços com várias ferramentas acopladas.
Saquei. Manipulando os pequenos blocos que formam o próprio prédio, dá pra transformá-los em toda e qualquer ferramenta e utensílio.
— Quem pode operar a "Oficina" são apenas este soldado e o mestre, senhor. Além disso, havendo um produto original como base, é possível fazer cópias, senhor. Desde que haja o material necessário, senhor.
Saquei. Sinceramente, pra fabricar coisas eu tenho o [Modeling], então não sentia muita necessidade, mas, se dá pra "produzir em massa" o que se fabrica, aí é outra conversa. Por exemplo, dá pra produzir bicicletas em massa e vender… Dá pra faturar.
Coisas complexas, tipo o smartphone, sinceramente, como não sei o material, copiar deve ser impossível. Só a forma, incluindo o interior, dá pra fazer igual, eu acho. Mas, por exemplo, um smartphone feito todo de "ferro" não tem como funcionar.
Mas, assim, mais do que "Oficina", é uma "fábrica de produção".
De teste, saco a Brunhild da cintura e peço pra ela copiar. Como material, por garantia, tiro um bloco de mithril do [Storage] e entrego à Rosetta.
A Rosetta põe a Brunhild sobre a mesa branca, coloca a mão na mesa à frente dela e profere as palavras.
— Escanear.
Embaixo da mesa onde está pousada, brilha um verde por um instante. Quando termina, ela retira a Brunhild e põe o bloco de mithril na mesa.
— Copiar.
"Gakon", o bloco de mithril cai num buraco que se abriu na mesa, e uma tampa se fecha. Lá dentro, de novo uma luz verde brilhou. E a tampa se abre, e aquilo, pronto, sobe à superfície.
Sobras de mithril estavam espalhadas em volta, mas aquilo à minha frente era uma Brunhild idêntica. Embora esta aqui reluza em prata.
Pegando na mão, depois de puxar o gatilho e tal, tentei esticar a lâmina, mas não esticou. Hmm. O [Program] em si não é copiado, então.
Refaço de novo todos os "[Program]", como o Reload, e guardo a antiga no [Storage]. A de mithril é mais prática de usar mesmo.
— Se, na hora de copiar, o senhor também desejar a quantidade, depois ela continua produzindo automaticamente, senhor.
— Saquei, que prático.
Por enquanto não tem nada que eu queira produzir em massa em especial, mas pode ser que venha a precisar mais pra frente. Opa, é mesmo.
— Rosetta, a Shesca tinha dito, mas existia uma coisa construída pra enfrentar os Phrase, né?
— A "Frame Gear", senhor. De fato, aquilo foi construído aqui, senhor. Este soldado também ajudava a doutora.
Era o que eu pensava. Foi desenvolvida na "Oficina" e, depois de pronta, guardada no "Hangar", então. Bem que podia ter deixado por aqui mesmo…
— Rosetta, você consegue construir essa "Frame Gear"?
— Pra este soldado é impossível, senhor. O que dá pra construir agora é, no máximo, equipamentos e afins, senhor. E também não há os projetos. Os projetos talvez estejam no "Depósito", senhor.
Hmmm. Achar o "Hangar", ou achar o "Depósito" e mandar a Rosetta construir. De um jeito ou de outro, no momento não dá pra fazer nada, né.
— Por ora, vou chamar todo mundo. A Shesca também deve querer encontrar a Rosetta.
— Será um prazer, senhor.
Pensando bem, eles estão largados no deserto. Depressa, abro uma [Gate] até onde está o pessoal.
— A "Oficina", é~…
— …Sei lá por quê, isso me irrita, senhor.
A Rosetta lança um olhar de canto, fulminante, pra Leen, que murmurou sem nem tentar esconder a decepção.
— É de longe mais útil que o "Jardim", que é só pra contemplação, senhor.
— Opa, o meu "Jardim", que é o sossego da alma, o espaço de cura, o Healing Garden, é justamente o amparo do coração do mestre. Que equívoco mais grosseiro.
Não se encarem, não se encarem. Fico no meio e separo as duas.
— Isso à parte, vamos juntar o "Jardim" e a "Oficina"?
— Sim. Já que a propriedade foi transferida ao mestre, é melhor assim.
— Como baixei o nível da barreira, o link com o "Jardim" se tornou possível, senhor. Daqui também dá pra operar o "Jardim", senhor.
Operando um monólito igual ao do "Jardim", erguido num canto da "Oficina", a Rosetta cede o lugar ao lado pra Shesca.
— Como deseja proceder, mestre?
— Faz o "Jardim" voltar pra Belfast. E a "Oficina" também parte rumo a Belfast. A gente faz a acoplagem lá.
— Acoplagem… — as duas.
? As duas me olham fixamente. Eu disse alguma coisa estranha?
— Soa meio safado… — as duas.
— Deixa pra lá, faz logo isso!
Olha só, aumentou mais uma encrenca! Por isso eu não queria procurar Babylon! Eu acho que essas daí, com certeza, foram modeladas no padrão de pensamento daquela doutora.
— Senhoor. O "Jardim" começou a se mover de repente, viu~?
Entra a telepatia do Kokuyō. Opa, depois preciso ir buscá-los.
— Sem problema. Tô operando daqui rumo a Belfast. A "Oficina" foi encontrada.
Abro uma [Gate] e todos nos mudamos pro "Jardim". A "Oficina" e o "Jardim" vão rumar pra Belfast em piloto automático, pelo visto, então pego o Kokuyō e a Sango e me teletransporto, um passo à frente, pro jardim de casa.
Passando pelo terraço e entrando na sala, a Rebecca-san, o Logan-san e o garoto Will, ao nos notarem, pulam das cadeiras e começam a se prostrar no chão.
— P-pera, para, para! Que exagero!
— Não! A gente soube pela Cecile-dono! Pela falta de respeito ao futuro rei, imploramos o seu perdão…!
Aah… falou o que não devia, é? A maid lá de casa. Quando lanço um olhar fulminante pra Cecile-san, junto à parede, ela me devolve uma carinha de "ops, escapou!". Não acha que tudo se perdoa com isso, hein?
— Enfim, não liguem muito pra isso, por favor. Eu também não curto formalidade.
— Tá…
A contragosto, os três se levantam. Faço-os sentar nas cadeiras e, de algum jeito, os acalmo.
— A gente vai tomar um banho.
A Elsie e as outras foram, em fila, pros próprios quartos. A Leen também, pelo visto, volta com a Paula pro palácio pra relatar a questão dos Phrase e tal. Reforcei, por garantia, pra ela manter segredo sobre "Babylon".
A Shesca foi pro próprio quarto levando a Rosetta. Ué? Aliás, a Rosetta também vai virar maid lá de casa…?
— E o resto do pessoal?
— Devem estar cansad… cansadas, estão dormindo feito pedra… senhor.
— Não precisa se forçar a usar tratamento formal, viu? Eu não sou nobre nem nada.
Sorrindo amarelo pra Rebecca-san, que se atrapalhava toda com palavras a que não está acostumada, bebo a água que a Rene trouxe.
— É mesmo? Então, deixa eu fazer assim.
— Ei, ei, tudo bem isso?
— O próprio cara tá dizendo que sim. Não tem problema.
Ignorando as palavras do Logan-san, atrapalhado, a Rebecca-san abre um sorriso de canto. Bom, o jeito mais descontraído combina mais com ela mesmo.
— E então, depois disto, o que vocês vão fazer? Os três, trabalhando na guilda, acho que dá pra se sustentar, mas e elas, que estão dormindo?
— É justamente isso. Elas eram moças de vila, então não têm nenhuma habilidade especial, e lutar e tal não dá. Até elas acharem algum trabalho nesta capital, você não as deixaria ficar…?
— Bom, por mim tudo bem, viu…
Trabalho, é. Cheguei a pensar em produzir bicicletas em massa na "Oficina" e fazer essas meninas venderem, mas isso deve ser difícil… Quero manter a "Oficina" em segredo, e, pra vender aquilo, em vez de eu mesmo vender, é melhor recorrer a um profissional da área. O Olba-san, o comerciante de Mismede, talvez. O pai da fox-ferina Olga-san.
Fora isso, em matéria de trabalho… uma barraca, será? A barraca em si eu até faço pra elas, mas tem o custo dos ingredientes, e será que dá pra ganhar o bastante pra sete pessoas viverem…
Hmm, parece que vai sair uma boa ideia, mas não sai. Comércio é difícil, hein.
Bom, o que será que eu faço.