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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 86

Entrada por Voz e Mudança de Gravidade

Capítulo 86 – Entrada por Voz e Mudança de Gravidade

Com tudo a postos, só faltava, até o dia da inauguração, treinar e conferir as funções de cada um.

Na divisão de tarefas, duas no atendimento do balcão: a Slas-san e a Belue-san. As duas são castanhas; a Slas-san tem cabelo curto e a Belue-san, longo e ondulado fofo. Como essas duas têm um trato agradável e são alegres, pus elas nesse posto.

Na cozinha, a Shia-san e a Mia. Irmãs de cabelo preto. Como essas duas já cozinhavam até certo ponto, a Claire-san ensinou mais um tanto a elas e deu uma treinada geral.

E nas garçonetes, pra atender e tal, a Silvie-san, a Marika e a Wendy. A Silvie-san é a mais velha das sete (apesar de ter só 21), e faz o papel de líder, coordenando todo mundo. Segundo ela mesma, não é que faça por querer, mas, pelo jeito ágil com que trabalha, é de se confiar mesmo.

A Marika é a segunda mais nova depois da Wendy, mas é uma menina cheia de pique e energia. Às vezes isso sai pela culatra e ela apronta confusão, mas compensa de sobra com o trabalho que entrega.

A Wendy é a caçula do grupo, mas dá conta de tudo sem tropeço. O temperamento quieto me preocupa um pouquinho, mas não deve ter problema. Essas três a Lapis-san martelou o beabá do atendimento, então devem estar prontas.

Os trajes de todas eu encomendei ao Zanack-san. Garimpei várias roupas na rede e mostrei pra elas, mas o que escolheram foi, surpreendentemente, um traje parecido com o das "haikara-san" da era Taishō. Segundo elas, as outras roupas eram quase todas ousadas demais no peito, na saia, essas coisas. Será? Bom, não tenho motivo pra ser contra.

Por ora, vamos começar a operar com essa formação. Folga às quartas e domingos. Horário das nove da manhã às seis da tarde. Na entrada, a pessoa faz uma carteirinha de membro e a gente registra a hora de entrada. Depois, ela paga adiantado pelo tempo de uso e, se estender, paga a diferença na saída. Uso de quarto privado tem custo extra. A conta de comida e bebida também é tudo de uma vez na saída.

Fora isso, distribuo um monte de panfletos que copiei à exaustão na "Oficina" e invisto na divulgação. A inauguração é depois de amanhã.

Como já tinha conferido tudo, hoje eu comecei, lá em casa, uma rotina dos últimos tempos.

Ponho o smartphone em cima da mesa e me sento numa cadeira afastada.

— Iniciar.

Quando murmuro isso, o smartphone liga "sozinho".

— Buscar. Quantas pessoas há dentro desta casa?

— …Busca concluída. Dez pessoas. Dois homens, oito mulheres.

Os homens são eu e provavelmente o Lime-san, então o Fullio-san tá no jardim. Como busquei por "pessoas", a Shesca e a Rosetta não entram na conta.

— Buscar. Quantos no jardim da casa?

— …Busca concluída. No jardim, uma pessoa. Homem.

— O Tom-san e os outros estão fora do portão, então foram excluídos. Mostra a imagem da pessoa no jardim.

— Entendido.

Da tela do smartphone, projeta-se algo como uma imagem tridimensional do Fullio-san. É a combinação de [Long Sense] e [Mirage]. O Fullio-san, que trabalhava no canteiro, se levanta e estica as costas. Tá meio cansado, talvez.

— Fixar nele como alvo. Ativar [Cure Heal] e [Recovery].

— Entendido. Ativando [Cure Heal] e [Recovery].

Sobre a cabeça do Fullio-san na imagem surge um círculo mágico, e uma luz suave se derrama. Ele fez uma cara de espanto por um instante, mas, mexendo o corpo já sem cansaço, vira o rosto pra direção do meu quarto. Quando abro a janela e aceno pra ele, ele me devolve o aceno.

É, tá ficando mais fluido.

Fui encaixando os [Program] um a um e evoluí até aqui. Pra saída de voz, uso a voz da Shesca que gravei. No começo tentei com a minha própria voz, mas ficou uma coisa tão esquisita que desisti. Será que minha voz é assim mesmo?

Diferente da Paula, este aqui tem função de gravação, então não foi tão difícil. Como é preciso mesmo ensinar uma coisa de cada vez, deu um trabalho e tanto, mas já dá pra usar de forma razoável. Como não dá pra ficar operando o smartphone no meio de uma luta, se virar entrada por voz, ajuda demais.

— Busca na rede. Acontecimentos de hoje.

A imagem tridimensional do Fullio-san some e aparecem as notícias da rede de hoje, do mundo de onde eu vim. Eleição pra Câmara dos Conselheiros, é. Bem que eu queria ter usado o direito de voto pelo menos uma vez.

— Encerrar. Desligar.

A tela do smartphone apaga e ele desliga. Beleza, tá tudo certo. Guardo o smartphone no bolso e saio do quarto.

Quando desço pro térreo, bem na hora o Will chegava.

— Caiu como uma luva. Vou fazer um experimento com a magia do seu avô agora; quer ver?

— A do meu avô? Mas aquilo é uma magia que só deixa um tiquinho mais pesado, de verdade. Não vai servir pra nada…

— Não é bem assim. Pelas minhas contas, dependendo de quem usa, talvez seja uma magia de classe das mais fortes.

— Hã?!

Sem acreditar nas minhas palavras, o Will fez uma cara estranha, mas, ainda assim curioso, veio atrás de mim.

Passamos pelo terraço e saímos pro jardim. Como sempre, o Fullio-san cuidava do canteiro. Vou caminhando até mais ou menos o meio do jardim.

— Will, me empresta sua espada?

— Hã? Ah, pode ser…

Ele tira do bainha a espada presa à cintura e me entrega. Bom, é uma espada comum. A peça não é ruim, mas, como sempre, é grande demais pro Will brandir.

— Eu já vinha pensando, mas essa espada não combina com você, né? É grande. De onde tirou isso?

— Ah, é, isso eu achei. Estava caída no deserto. Devia ser de algum aventureiro engolido por um Sand Crawler ou coisa assim.

Eca. Como você teve coragem de usar uma coisa dessas… Bom, pra aventureiro iniciante equipar arma e armadura também é difícil. Fazer o quê.

Finco a espada no chão do jardim.

— Tenta puxar.

— Hã? Tá…

O Will puxa, sem esforço, a espada cravada. Sai tranquilo. Depois de confirmar, mando ele fincar de novo no chão. Sem entender nada, o Will coçava a cabeça.

Pois bem, é daqui que começa o experimento. Ponho a palma da mão no pomo da espada fincada no chão e vou concentrando magia.

— [Gravity].

Tchanc, a espada afunda mais um tanto. Pelo visto mudou direitinho.

— Agora tenta puxar.

— ?

O Will pega o punho e tenta arrancar, mas não vem nem um milímetro.

— O quê…?! Hngh, qu-que peso…!

Quando faz força pro lado, com um tum surdo a espada tomba. O Will tenta erguer, mas não move nada.

— Essa magia, pelo visto, consegue mudar o "peso" do que se toca. Seu avô só conseguia deixar pouco mais pesado, eu acho, por causa da quantidade de magia.

Pra ser exato, talvez seja "mudança de gravidade", mas, como não é uma magia de área, dá pra dizer que muda o "peso", o que encaixa melhor. Nesse caso, mais do que [Gravity], parece que caberia mais um [Weight], mas não adianta ficar remoendo isso.

O ponto fraco é que só dispara por contato, mas, conforme a magia injetada, dá pra aumentar o peso, e desfazer é livre também. Não só objetos: dá pra mudar o próprio peso de forma localizada. Ou seja, se eu carregar de magia no instante do impacto, dá pra produzir um megatonelada de soco. Só que, nessa hora, o estrago vem pro meu punho também, então de mão nua é perigoso.

Mudar o peso da arma e lutar deve ser o mais eficiente. Usando isso em conjunto, talvez dê até pra estilhaçar aqueles Phrase.

E também dá pra deixar meu próprio peso mais leve e aumentar a velocidade do [Boost] ou do [Accel]. Opa? Se encantar numa arma, dá pra fazer uma arma absurdamente leve? Mas, tipo, deixar leve uma machado de guerra ou uma maça não adianta. Aquilo tem força justamente por ser pesado.

Enfim, é uma magia bem prática.

— Seu avô sabia usar uma magia incrível. Só que, como a quantidade de magia dele não era muito grande, o efeito não aparecia de forma marcante.

— Pensar que a magia do meu avô era uma coisa tão fantástica…

Graças ao Will, surgiu um meio de enfrentar os Phrase. Preciso retribuir de algum jeito. Tiro do [Storage] um bloco de mithril, transformo com o [Modeling] e faço um peitoral e manoplas no tamanho do Will.

— Isso… eu posso ficar mesmo?

— É a retribuição pela magia do seu avô, então aceita. E a espada também é bom dar um jeito.

Desfaço o [Gravity] e pego a espada do Will. Aplico [Gravity] por encantamento e, desta vez, ao contrário, deixo ela só um pouco mais leve. A força que vinha do peso pode ter caído um tanto, mas acho que ficou mais fácil de manejar.

Quando devolvo a espada, ele a brande duas, três vezes e arregala os olhos com a espada mais leve.

— Tá fácil de usar. Com essa armadura e essa espada, acho que vou derrubar as bestas mágicas com mais folga que antes.

— Mas nem por isso pode bobear. …É, pra ficar mais forte, é só te mandar pra um treinamento puxado.

— Hã?

— Sendo assim, será que dá pra dar uma surra de treino nesse aqui?

— Saquei.

Levei o Will até o campo de treinamento da ordem de cavaleiros. À minha frente, o vice-comandante Neil. Ao lado, o jovem Will, tremendo dos pés à cabeça de pura tensão.

— Caiu bem a calhar. Na verdade, nós da ordem também, depois daquele incidente, achamos que era problema só nobre entrar pra ordem, e decidimos abrir um recrutamento amplo.

— Veja só. Então, se o senhor treinar o Will e ele se mostrar útil, autorizaria a entrada dele na ordem?

— Depende dele.

Dizendo isso, o vice-comandante Neil encara o Will de cima a baixo, quase fulminando.

— Will, é? Deixando de lado se vai entrar pra ordem ou não, você quer ficar forte?

— Isso… eu quero. Tem uma pessoa que eu quero proteger. Por ela, eu quero ficar mais forte. Não só em força; quero ser um homem capaz de protegê-la de todo tipo de coisa.

As pernas tremiam que nem vara verde, mas o Will respondeu isso ao vice-comandante com toda a clareza. A pessoa que ele quer proteger é ela, claro, óbvio. Ao ouvir aquilo, o vice-comandante Neil abriu um sorriso de canto, satisfeito.

— Muito bem! Lutar pra proteger alguma coisa, alguém, é o dever de um cavaleiro. Parece ter aptidão. De manhã ou de tardezinha, quando tiver tempo, venha aqui. Vou te deixar participar do treino. Fique forte à vontade.

— Sim!

O Will responde com firmeza. Vagamente, me lembrei de um livro que li tempos atrás, onde estava escrito: "Havendo um menino corajoso e uma menina dedicada, um país não chega a se arruinar".

Rapaz, fique forte.

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