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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 92

A Princesa do Império e o Demônio

Capítulo 92 – A Princesa do Império e o Demônio

Sigo a Carol-san, que sobe correndo as escadas do castelo, até chegarmos a um grande salão. Ela ia atravessar direto por ali, mas eu paro. Tive a impressão de ouvir um grito fraco vindo de algum lugar.

Aguço os ouvidos. Misturado ao som de explosões distantes, aos gritos dos soldados e ao choque das espadas, dá pra ouvir, sim. Uma voz de mulher… não, de uma menina.

— Buscar! Mostrar, num raio de 100 metros, uma garota e quem estiver prestes a machucá-la agora!

— …Busca concluída. Exibindo.

Achei. No fundo da sala à minha frente!

Chuto a porta pra arrombar, e a porta seguinte também, do mesmo jeito.

Quando a porta grossa voa longe, lá dentro tinha um homem de uniforme militar montado em cima de uma garota de cabelo prateado, segurando o pescoço dela e prestes a cravar uma adaga no peito dela.

— Guhoah!?

Assustado com minha invasão, o homem de uniforme se vira pra mim, e eu não hesito em cravar uma bala de paralisia nele. Essa foi por pouco! Se eu tivesse chegado um pouco mais tarde, ela teria sido morta.

Sem controle do próprio corpo, o homem desaba e cai por cima da garota.

— Hiii!?

A garota empurra o homem pra sair de baixo dele e, abraçando o próprio corpo, treme feito vara verde. Não tem como não tremer. Ela quase foi morta.

— Você está bem?

Falo com ela com a voz mais calma possível, tentando acalmá-la. A garota percebe e, pela primeira vez, vira o rosto na minha direção.

Olhos profundos como jade e pele branca feito porcelana. Cabelo prateado liso, embora desalinhado, e um vestido branco que parecia seda. Devia ter mais ou menos a idade da Yumina. Que tipo de gente tenta matar uma criança tão pequena assim?

Olhando bem, o vestido estava rasgado em vários pontos, e havia cortes nos braços dela também. Preciso curar logo, senão vai deixar cicatriz.

— Luz, venha; cura serena: [Cure Heal].

Ao ouvir meu encantamento, ela se assusta por um instante, mas, ao ver os cortes do próprio braço se fechando dentro de uma luz suave e quente, aquela cara vira uma de espanto.

— Vo… você é…?

— Sou Mochizuki Touya. Aventureiro. Não tenho nada a ver com aqueles caras do Exército, viu?

Deixo isso bem claro por precaução. Não quero passar de novo pelo que passei com a Carol-san e levar outro ataque.

— Mochizuki… Touya-sama…

— Consegue ficar de pé?

— Sim…

Seguro a mão dela pra ajudá-la a levantar. Ué? Só agora reparo, mas essa garota não é uma menina qualquer. A roupa que ela usa também é chique demais. Será que…? Ué?

Meu olhar cruza com o dela. Ela fica me encarando de volta, sem piscar, fixamente.

Fixo……

Fiiixo……

Fiiiiixo……

Fiiiiiiiixo……

Pera aí, que déjà vu é esse? A garota, corando, agora dava uma espiadinha discreta antes de abrir a boca baixinho.

— …O senhor não gosta de mais novas…?

Uoi! Igualzinho ao que rolou com a Yumina! Que história é essa?! Bem na hora em que começo a pensar que isso vai dar em confusão, alguém entra correndo pela porta que arrombei.

— Princesa!

— Carol?

A Carol-san, que entrou correndo na sala, corre até a garota. Ah, então é isso mesmo. Ela era a princesa do Império.

— A senhorita está bem?! …E esse aí?

A Carol-san lança um olhar desconfiado pro homem de uniforme caído do lado.

— É quem tentou me matar. O Touya-sama me salvou.

— Que absurdo…! Tentar matar a princesa! Não vou perdoar! Vamos matá-lo!

— Ah, qual é!

A Carol-san saca a espada pra dar o golpe final no homem caído. Apressado, seguro ela pela nuca e puxo de volta. Cara, essa mulher é complicada demais!

— Então você era uma princesa mesmo. Explica por que o clima era diferente.

Falo isso com a princesa do Império enquanto arrasto a Carol-san. Eu meio que já desconfiava disso.

— Sou a Terceira Princesa Imperial de Regulus, Lucia Rea Regulus. …O senhor não parece muito surpreso, não é? A maioria das pessoas muda de atitude assim que descobre que sou princesa imperial.

— É que eu já conheço mais umas duas princesas, então já estou meio acostumado.

Sendo que uma delas é minha noiva, e a outra é uma autora meio perigosa.

— Conhecer tantas princesas assim… quem é você, afinal?

A Carol-san me olha com uma cara de espanto. Quem eu sou, hein. Sinto que nem eu mesmo tenho minha posição bem definida ainda. Dizer que sou "ligado a Belfast" também não é bem exato. E mesmo casando com a Yumina, não pretendo virar rei.

— Bom, sobre mim eu explico depois. Por enquanto, o que a gente faz? Dá pra tirar pelo menos a princesa Lucia daqui agora mesmo com magia de teletransporte.

— É verdade…

A cavaleira fica pensativa. Deve estar pensando pra onde mandar ela. Só que a própria pessoa que seria retirada recusou.

— Eu posso ficar por último. Mais do que isso, estou preocupada com meu pai e meu irmão. Vou junto.

A princesa Lucia disse isso com uma firmeza corajosa. Hmm, mas é perigoso, viu. Bom, talvez com ela junto o Imperador e o príncipe herdeiro dêem mais ouvidos. Por enquanto, vou levá-la pra nossa casa se refugiar, e depois mando ela pra onde quiser ir.

Deixo a escolta da princesa Lucia com a Carol-san e cuido de vigiar os arredores. Voltamos ao salão de onde eu e a Carol-san tínhamos nos separado antes, e seguimos mais pra dentro.

— Só tirar o Imperador e o príncipe herdeiro tá bom?

— Por enquanto, sim. Se o chanceler e os ministros estiverem lá, gostaria de tirar eles também de quebra.

A Carol-san responde correndo pelo corredor. Ué? Pensando bem, a princesa Lucia disse que era a terceira princesa; e as duas irmãs mais velhas, tão bem?

Pergunto sobre isso, e fico sabendo que a primeira princesa já se casou com a família real de outro país, e a segunda princesa está estudando fora, num país distante. Os dois países parecem ser amigáveis com o Império, então, por ora, alívio. Mas depende de como o Império ficar daqui pra frente. Quem armou o golpe pode muito bem exigir a entrega delas.

Corremos pelo corredor e, ao virar a esquina no fim dele, cinco ou seis soldados esperavam parados diante de uma porta grande, com sabres desembainhados em punho.

— É a princesa Lucia! Capturem! Não, pode matar também!

Assim que notam a gente, os soldados avançam todos de uma vez, erguendo os sabres.

— Que perigoso, hein.

Saco a Brunhild e disparo balas de paralisia em todos. Ta-ta-ta-ta-ta-ta! Os tiros ecoam, e os soldados vão caindo um atrás do outro. Pronto, obrigado pela atenção.

— Matar seis num piscar de olhos, assim, sem mais nem menos…

— Que absurdo. Só paralisei eles. Mais importante: o Imperador está lá na frente?

Respondo assim pra Carol-san, que fica boquiaberta, e pergunto pra princesa Lucia.

— Sim, o quarto lá na frente é o dormitório do meu pai. Desde que ele adoeceu, eu quase não entro lá.

— É uma doença contagiosa?

— Não… Acho que ele não quer que eu veja ele definhando assim. Pelo que ouvi, ele ficou tão debilitado que nem parece mais ele mesmo…

Entendi. Mas, e agora… Se o inimigo já invadiu até aqui, provavelmente também tem inimigo lá dentro. Sinceramente, é bem provável que o Imperador já tenha caído nas mãos dos rebeldes. Mostrar o corpo do pai pra uma criança tão pequena assim não é lá muito bom…

Talvez tenha percebido minha hesitação, porque a princesa Lucia agarra firme a minha manga.

— Já estou preparada. Mesmo assim… se eu não confirmar como meu pai está, com certeza vou me arrepender depois… Por isso…

Se ela está com tanta determinação assim, não tenho nada a dizer. Tomo coragem e escancaro a porta.

No fundo de um quarto bem espaçoso e luxuoso, havia uma cama de casal extra-grande. Dentro do quarto, vários homens de pé viram a atenção pra gente, que acabou de entrar.

Pelos uniformes, dá pra ver que são três soldados rasos, dois de patente de oficial, e um que parece ser general. E, espalhados pelo quarto, alguns cadáveres — de armadura, provavelmente os cavaleiros da escolta.

No meio disso tudo, dava pra ver a figura de um velho caído no chão ao lado da cama. Cheguei tarde demais…

— Quem é você? Não é da Ordem de Cavaleiros, é?

O homem que parecia general pergunta quem eu sou. Olhos afiados como os de um falcão e nariz adunco davam a ele um rosto que lembrava uma ave de rapina. Devia ter uns 40 anos.

— General Bazur! Enlouqueceu, pondo as mãos no Imperador?!

— …Papai…!

Atrás de mim, ouço a voz da Carol-san enfurecida e da princesa Lucia, que prende a respiração. Um general, é? Deve ser esse aqui o mandante que instigou o Exército e armou o golpe.

— Hm, mas se não é a princesa Lucia e a garota abestada da família Liet. Que estranho, eu tinha ordenado matarem as duas assim que fossem encontradas.

O general do Império dá uma risada nojenta. Quer dizer que ela é abestada mesmo, afinal? Dou uma olhada de relance pra Carol-san.

— Então você é o mandante dessa confusão toda. Só por perguntar, mas por que fez isso?

Questiono o tal General Bazur, de frente pra ele. No fim das contas, eu sou um estranho nessa história. Sem entender bem a situação, não consigo decidir se é certo tomar partido de um lado só.

— Sua Majestade adoeceu, e a doença também lhe corroeu o espírito. Justo agora seria a hora de romper o tratado de não agressão com Belfast e Lodmea e invadir de uma vez, e mesmo assim ele hesita… O antigo Imperador teria decidido sem titubear. Velhice e doença são coisas assustadoras, viu.

— …E você matou ele só por isso?

— O Imperador precisa ser sempre forte. Quem perde essa qualificação tem que descer do palco. Pra erguer um novo Imperador e construir um novo Império.

Não é nada além disso. Usurpação. Isso é golpe pra tomar o país. Mas, pelo menos dentro do Exército, esse general deve ter mais carisma que o próprio Imperador. Senão não teria como armar uma revolta desse tamanho.

Um Imperador doente sem futuro, e um príncipe herdeiro sem confiança. Em comparação, um grande general forte e cheio de ambição. Nem precisa dizer em qual dos dois as pessoas depositam esperança.

Mas romper o tratado de não agressão? Esse povo quer fazer guerra com Belfast e companhia?

— Belfast tem aliança com os países vizinhos, Mismede e Refreese. Acha mesmo que consegue vencer uma guerra contra esses três países?

— Consigo, sim. Acha mesmo que ficamos parados de braços cruzados esses vinte anos todos desde o tratado de não agressão?

O General Bazur ergue a mão direita em direção à janela e começa a concentrar magia. Esse cara também usa magia? E mais, que magia é essa…?

É enorme. Está se concentrando uma quantidade de magia maior do que a de qualquer mago que eu já encontrei até agora. E o que é isso? Meu corpo está ficando pesado…?

— Trevas, venha; o que busco é o duque dos demônios: [Demon's Lord].

No instante em que o General Bazur termina o encantamento, a parede inteira de janelas explode, e tudo é engolido por um clarão. Quando a luz se apaga, a parede onde estavam as janelas tinha sumido por completo, e o que se via dali era a figura de um demônio gigantesco, alto o bastante pra alcançar o terceiro andar onde estávamos.

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