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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 94

As Duas Princesas e os Preparativos para o Plano

Capítulo 94 – As Duas Princesas e os Preparativos para o Plano

— Por ora, parece que passou do pior. Agora é só repouso, esperando a recuperação das forças. Logo, logo a consciência também deve voltar.

Dizendo isso, o Dr. Raul põe o estetoscópio sobre a mesa. Se não me engano, o Imperador devia estar doente, mas ele diz que não há sinal nenhum disso em lugar nenhum. Será efeito de [Recovery]? Mas aquilo é uma magia que cura anomalias de estado; não devia ter efeito pra curar doença. Já tentei uma vez, quando a Lindsey pegou um resfriado, e não funcionou.

Tem muita coisa que eu não entendo sobre [Recovery]. Não sou especialista, então não sei classificar doença direito. Será que muda dependendo se é vírus, tumor e tal? Não sei bem, mas, bom, deu certo no fim, então vamos deixar por isso mesmo.

— Mas, mesmo assim… quem diria que eu acabaria examinando Sua Majestade o Imperador do Império… A vida é mesmo interessante.

O Dr. Raul fala isso com um sorriso amarelo. Combinei que, por enquanto, isso seria segredo do palácio real. Quando Sua Majestade acordar, eu mesmo conto pro Rei.

Do ponto de vista de médico, ele concordou dizendo que não convém sobrecarregar demais o paciente.

Desde então, a princesa Lucia não larga do lado do pai, cuidando dele. Ao lado dela, a Carol-san também não sai de perto.

— Princesa Lucia. Que tal descansar um pouco já? Se você também desmaiar, não vai adiantar nada, né?

— Sim… Ééé, será que o senhor não poderia me chamar de Lu?

Ela faz esse pedido toda encabulada, remexendo-se e olhando de baixo pra cima. Bom, se é isso que ela quer, não tenho motivo pra recusar.

— Entendido. Lu. Assim tá bom?

— Sim. Fico feliz.

Dizendo isso, a Lu sorri. De repente, desvio o olhar e cruzo com outro par de olhos me encarando fixamente pela fresta da porta do quarto. Uoh, que susto! É a Yumina! Por que você tá espiando desse jeito, feito uma xereta…

A Yumina abre a porta, entra no quarto e, parando na frente da Lu, faz uma reverência elegante.

— É um prazer conhecê-la. Sou Yumina Ernea Belfast, filha de Tristwin Ernes Belfast, Rei do Reino de Belfast.

Ao ouvir a Yumina se apresentar, a Lu e a Carol-san arregalam os olhos, surpresas, mas logo a Lu se levanta às pressas e também faz uma reverência.

— Muito prazer, princesa Yumina. Sou Lucia Rea Regulus, terceira princesa imperial, filha de Zephyrus Roa Regulus, Imperador do Império de Regulus.

Ah, uma saudação entre princesas. As duas devem ter mais ou menos a mesma idade; são princesas mais fofas do que propriamente belas.

— Deve ter sido terrível dessa vez. Ainda bem que a senhorita está bem.

— Sim. Graças à ajuda do Touya-sama, consegui escapar de uma situação desesperadora.

A Lu mostra um sorriso que se abre feito uma flor desabrochando.

— Que bom, então. Como noiva do Touya-san, também fico feliz por isso.

— Ah… É-é mesmo…?

Ah, a flor murchou. Que menina sincera. Como foi a mesma reação que a Yumina teve, até eu já consigo imaginar mais ou menos o que a Lu está achando de mim.

— Princesa Lucia, tenho um assunto pra tratar; será que a senhorita poderia vir ao meu quarto?

— ? Claro, sem problema…

A Lu segue a Yumina. Depois que a porta do quarto se fecha, o Dr. Raul murmura baixinho.

— …Será que vai dar climão?

— Poxa, para com isso…

Não tem graça nenhuma essa piada. Bom, não consigo imaginar a Yumina perdendo a cabeça e gritando "sua gata ladra!" ou coisa parecida, mas enfim.

— Mais importante, doutor: se for voltar pro palácio, posso te levar com [Gate]. Vou lá relatar pro Rei sobre o Império mesmo.

— Então, vou aproveitar a carona.

Deixo a escolta de Sua Majestade o Imperador com a Carol-san, e atravessamos o [Gate] rumo ao interior do palácio real.

— Quem diria que o Império chegaria a esse ponto…

Explico a situação pro Rei e recomendo reforçar a defesa dos fortes que fazem fronteira com o território do Império. Se possível, acho melhor mandar bastante mago pra lá. Entrego alguns "[Gate Mirror]" que já tinha fabricado, pra manter contato próximo daqui.

Esses espelhinhos compridos, vendidos em par, ficam conectados um ao outro via [Gate]; então, se colocar uma carta de um lado, ela sai do outro. Ou seja, mandando um do par pro forte, dá pra manter contato imediato com a capital por carta.

— Mas quem diria que eu ouviria uma boa notícia e uma má notícia ao mesmo tempo… Que dia, viu.

O Rei murmura isso soltando um suspiro. Hã? A má notícia é claro que é o que eu contei. Então qual é a boa?

— Ah… A Yumina vai ganhar um irmãozinho ou irmãzinha.

— Hã?

Ele desvia o rosto pro lado, meio encabulado, mas com a boca se abrindo num sorriso besta.

— Aaah, parabéns. Espero que seja um herdeiro.

Com isso, a chance de eu acabar herdando este país cai ainda mais. Motivo de festa em dobro.

— É meio complicado, mas fico mais tranquilo se for o Touya-dono a herdar este país.

— Não, não, se nascer um menino, o certo é ele mesmo herdar, não é?

— Então, quer dizer que, se nascer uma menina, você herda o país?

— Não, essa lógica tá errada.

Deixo passar de leve a lógica torta do Rei. Não vem tentar arrancar promessa esquisita usando o próprio filho, não.

— Mas, e o Imperador do Império, o que será que aconteceu com ele depois…

— Ah… Dizem que, junto com a terceira princesa, ou foi morto, ou fugiu. Não se sabe nada ao certo.

Deixo uma resposta vaga assim. Pretendo explicar direito quando o Imperador recobrar a consciência, mas por enquanto quero manter em segredo.

— Por enquanto, pretendo dar um jeito naquele general que armou a rebelião. Acho que, se derrotar só ele, a invasão a outros países já para.

— Oh. Fala com bastante confiança. Tem algum plano?

— Bom, só vou saber tentando.

Deixando também essa resposta vaga, me despeço do palácio real.

Quanto ao [Demon's Lord] invocado, já que a habilidade dele é só "anulação de magia", acho que dá pra resolver com ataque físico. Não dá pra deixar o próprio demônio pesado com [Gravity], mas deve ser possível deixar uma rocha absurdamente pesada com [Gravity] e derrubar em cima dele.

Só que, mesmo derrotando o demônio, talvez a característica de "anulação de magia" do general não desapareça. Ele pode absorver energia mágica do entorno com a "Pulseira Suga-Magia" e invocar outro [Demon's Lord] de novo.

Dizem que energia mágica, mesmo que fraca, existe em animais, insetos e plantas também, e que bestas mágicas em especial têm energia alta. Se ele quiser, deve conseguir sugar até dessas coisas. Pulseira bem incômoda, viu.

Quanto à "Pulseira de Barreira", achei que fosse uma barreira só por ter parado a bala, mas não é bem isso. Acho que uma barreira invisível se ativa parcialmente só onde algo tenta ferir o general. Se atacar o corpo inteiro, deve se ativar no corpo inteiro. Na hora do [Slip] também, o fato de ele não ter se machucado deve ser porque a barreira impediu o impacto contra o chão. Bom, mesmo assim, [Slip] funcionou na barreira e ele ficou caindo sem parar. Defesa automática também é bem incômoda desse jeito.

No fim, pra resolver o general, só resta mesmo aquele método. Francamente… isso vai ser divertido. Aquele general deve odiar. Bom, espero que ele pelo menos ache bom eu não estar matando ele. Hmm, ei, tô ficando animado.

Por enquanto, vou me preparar. Ao voltar pra casa, pergunto pra Claire-san se existe, neste mundo, algo parecido com o que estou pensando. Infelizmente não tinha nada igual, mas fiquei sabendo que existe algo muito mais forte do que isso. Dizem que é perigoso se não passar por tratamento mágico.

Vou até o Reino de Sandra, o país do deserto, comprar aquilo, e consigo trazer. O velho comerciante insistiu bastante pra eu não usar aqui de jeito nenhum, então guardei no [Storage] já com o tratamento mágico feito. Dá até vontade de testar um pouquinho, mas vou deixar quieto. Se eu mesmo desmaiar, perde todo o sentido.

Depois vou até a "Oficina" e encanto [Invisible] numa chapa de ferro grossa que a Rosetta preparou; fica uma chapa de ferro transparente. Uma chapa transparente feito vidro. Isso dá pra substituir vidro temperado e afins.

Impressionante que, mesmo deixando 50 centímetros de espessura, a transparência não muda. Talvez até dê pra fazer um aquário. …Hmm, mas lidar com seres vivos dá um certo medo.

Por enquanto, uso isso pra fazer a coisa que eu tinha em mente. Não é nada complicado, então fica pronto fácil com [Modeling]. Guardo isso também no [Storage].

— Mas então, uma "Pulseira Suga-Magia" e uma "Pulseira de Barreira", é…

A Rosetta cruza os braços e inclina a cabeça, pensativa.

— Você tem alguma pista?

— Se não me engano, acho que tinha um Artefato com esse tipo de habilidade no "Depósito", sabe.

— …Como é que é?

Então quer dizer o quê? Que uma pulseira vazada do "Depósito" foi passando de mão em mão até parar com o general?

— Afinal, já se passaram 5.000 anos, então não dá pra garantir que o "Depósito" ainda esteja intacto. Pode ter caído por algum problema, e daí Artefatos e tesouros terem vazado por aí…

— …Pera aí. A "Joia da Imortalidade"… aquela joia que dá o atributo de imortalidade pro dono e permite controlar mortos-vivos…

— Ah, essa também, se não me engano, acho que tinha no "Depósito", sim.

Sabia! Então aquele caso em Ishen também tinha a ver com o "Depósito"! Sendo assim, é bem provável que o "Depósito" tenha mesmo caído. E, se for isso, também é bem possível que vários outros Artefatos tenham vazado por aí…

— O que será que aconteceu com a garota que administra o "Depósito"?

— Nós temos capacidade de teletransporte de curtíssimo alcance, então dá pra escapar antes de cair… Mas a administradora do "Depósito" é meio desligada, então não dá pra garantir nada.

Sério assim… Bom, agora não tem mais o que fazer mesmo. Ficar pensando é inútil. Talvez ela tenha sobrevivido na superfície por milhares de anos… Duvido, né.

Por enquanto, a contramedida contra o general está pronta. Já que estava anoitecendo, levo a Rosetta de volta e, ao chegar na sala de casa, a Carol-san vem falar comigo.

— Sua Majestade recobrou a consciência.

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