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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 97

A Caixa Selada e a Lesma de Lodo

Capítulo 97 – A Caixa Selada e a Lesma de Lodo

Pulo por cima da muralha do castelo e, olhando de canto de olho pros soldados caídos por todo o pátio interno, vou atirando com a Brunhild nas pernas dos militares que avançam pra cima de mim, um atrás do outro. Já que [Paralyze] não funcionou nesses aqui, bala de paralisia também não deve funcionar. Vão ficar quietinhos por um tempo.

O [Demon's Lord] se vira pra mim e dispara dos dois olhos algo parecido com um raio de calor. Essa foi por pouco!? Desvio no reflexo, e o chão fica chamuscado pelo calor. Sério que é raio de calor mesmo?

O raio de calor vem voando na minha direção de novo, em seguida. Esse aqui… para com isso, hein.

Com [Accel] e [Boost] ativados, corro pela parede do castelo numa velocidade absurda e salto direto até acima da cabeça do [Demon's Lord], que flutua no ar. Ergo a espadona de mithril e desfiro um ataque de super peso na cabeça dele.

— Fica quietinho aí um tempo.

Um som de "goki!!" ecoa, e o [Demon's Lord] despenca de cabeça pro chão. Anulação de magia ou não, isso não tem nada a ver. Afinal, o único efeito mágico foi só na espada.

Bum! O demônio gigante cai no chão, mas mesmo assim tenta se levantar, apoiando o braço no solo.

— [Slip].

O braço apoiado no chão escorrega, e o demônio cai de novo, de ombro. Sem deixar passar essa brecha, corto fora, com a espadona, as asas que cresciam nas costas dele.

— Guauaaaaa!!

Enquanto ouço o grito ensurdecedor do demônio, disparo, como toque final, as balas de escorregão infinito aos pés dele.

Resultado: o demônio fica caindo sem parar. Toda vez, o corpanzil desaba no chão fazendo tremer a terra, bum, bum. Isso deve ter incomodado a vizinhança, hein.

Deixo o demônio de lado e salto até uma sacada ampla e com boa vista do castelo imperial. Lá estava o General Bazur, com o rosto pálido.

— Bom, é hora do castigo.

— V-você é quem, afinal?! Aquele é um demônio de nível superior! Não deveria ser possível derrotar sozinho…!

— Bom, mesmo que você fale isso… só posso dizer que consegui.

Respondo isso enquanto olho pro [Demon's Lord], que ainda continua caindo sem parar.

— Argh… Mas essa jogada não vai funcionar comigo. Com a "Pulseira de Barreira", ataque físico é inútil, e ataque mágico também tem a "anulação de magia". Mesmo que você me faça cair, na hora eu absorvo com a "Pulseira Suga-Magia" a energia mágica do efeito de magia!

O general começa a dar uma risada estridente, sei lá do que achando graça. Como é mesmo que se chama isso… "sapo no fundo do poço"? Acho que tem um provérbio melhor pra isso, mas qual era mesmo…

Pra calar a boca do general, tiro do [Storage] aquele apetrecho que preparei. Bum! Um cubo de três metros de lado é colocado na sacada. Fora a base, tudo transparente feito vidro; dá pra ver tudo o que tem dentro.

Dentro tem uma caixa com algumas lesmas de cor suspeitosamente venenosa. Apesar da cor, elas não têm veneno nenhum; parece que é um tipo de lesma que vive principalmente na água. Basicamente, é um monstro inofensivo. Isso, "basicamente".

— Q-que negócio é esse?!

— Bom, explicando: aquilo se chama "Lesma de Lodo", uma lesminha bondosa que limpa a água. Só que tem um defeito: cerca de uma hora depois de morrer, ela solta um fedor tremendo. Bom, dizem que também some depois de umas duas horas. E, aliás, essas lesmas de lodo aí dentro morreram há mais ou menos uma hora, sabe.

Enquanto explico, dou uma olhada de canto de olho pro general.

— N-não pode ser…

— [Gate].

Um círculo mágico surge aos pés do general, e ele desaparece, sumindo feito quem cai num buraco de armadilha. Já que isso também não tem o próprio general como alvo, a "anulação de magia" não funciona. Afinal, é uma magia que conecta um lugar a outro. E, então, o general que sumiu reaparece dentro do cubo. No mesmo instante,

— Guufooooooohooohoooooo!!!!?

Dentro do "vidro" (na verdade, uma chapa de ferro transparente), o general grita e tapa o nariz. Na hora, o rosto dele fica lívido, e um suor em cascata começa a escorrer.

— Fe… fedeeeee!? Fede! Que cheiro é esse?! Aaaaargh!!

Deve estar muito fedido mesmo. O rosto dele está ficando roxo. No mundo de onde eu vim, também tinha uma coisa de cheiro terrível chamada surströmming, mas dizem que isso aqui fede muito mais que aquilo. É de assustar, já teve gente que desmaiou e ficou com sequela. Opa?

O general começa a concentrar energia mágica pra tentar quebrar essa "vidraça" de ferro com magia. Só que, com o nariz tapado desse jeito, não tem como fazer um encantamento decente. Ele desiste na hora e, logo, fica parado num canto da caixa, segurando o nariz. Parece estar aguentando, mas é inútil. Dou a volta pra ficar de frente pra ele e faço uma careta; ele cai na risada e acaba respirando fundo aquele fedor todo.

— Ograaaaaargh!!

Ooh, já tá enfraquecendo. Suor, lágrima e ranho não param, o rosto dele é uma bagunça só. No teto tem uns furinhos de [Gate] pra respirar, então não deve sufocar. Conectei pra um fundo de monte deserto, por precaução, mas deve ser um transtorno e tanto pros bichos que moram por lá.

Ah, ele começou a tremer. Os olhos já nem focam mais em nada. Cai de joelhos e desaba, largado. Os olhos completamente revirados, só o branco aparecendo. Parece que desmaiou.

Bom, sem precisar fazer isso, tinha outros jeitos, tipo teletransportar ele pro meio do mar… Mas ele podia invocar outro demônio e se salvar de novo. Também pensei em enterrar vivo no fundo do mar ou dentro da terra, mas, como nunca fui a esses lugares, nem consigo abrir [Gate] lá pra começo de conversa.

Por enquanto, vou teletransportar o general, que já não se mexe mais, pra cá. Abro um [Gate] e teletransporto pra cá, do mesmo jeito que antes,

— Feeedeeeee?!

Que negócio é esse?! Parece o cheiro de lixo orgânico concentrado umas centenas de vezes…!! Aaaaargh!!

Fecho o [Gate] na hora, mas isso não é do [Gate], não — é o próprio general que tá fedendo! Argh!

Tiro rapidinho as pulseiras dos dois braços do general e mando ele de volta pra dentro da caixa com [Gate] de novo. Aquele fedor de dar náusea também vinha das pulseiras. A própria Lesma de Lodo para de feder umas duas horas depois de morta, mas o cheiro que gruda não some. Era um fedor tão forte que dava até a impressão de que nunca mais ia sair.

Quando percebo, todos os demônios da capital imperial já tinham sumido. O [Demon's Lord], que continuava caindo sem parar, também desapareceu. O fornecimento de energia mágica deve ter sido cortado.

Já não deve ter mais problema com os demônios. Falta só os soldados.

Por enquanto, abro um [Gate] e chamo o Imperador e os outros pra cá.

— Quem diria que ele resolveria tudo sozinho mesmo…

O Imperador, com um tom de quem não acredita, olha pro general desmaiado dentro da caixa, com os olhos revirados.

— Tá com um cheiro estranho aqui…

O Lion-san franze o rosto, tapando o nariz.

— Foi mal, é o cheiro de cadáver de Lesma de Lodo. Olha, daquelas ali dentro. Vazou um pouquinho pra fora.

O vento já dispersou bastante, mas ainda vem um cheirinho fraco das pulseiras que deixei ali. A "Pulseira de Barreira" e a "Pulseira Suga-Magia", né. São práticas, mas, se eu ficar com elas, vou levantar suspeita à toa; acho melhor descartar. E fedem, também. Até o dedo que tocou nas pulseiras parece que ficou com um cheirinho…

Se até as pulseiras ficaram assim, o general lá dentro deve estar numa situação terrível…

Os cavaleiros de Belfast vão até a masmorra do castelo libertar os cavaleiros do Império.

Enquanto isso, levo Sua Majestade a um canto da sacada e decido transmitir de novo um vídeo pra avisar os moradores da capital imperial de que a situação foi resolvida. Dessa vez, ao vivo. Preparo o smartphone e dou a deixa pro Imperador.

— Moradores da capital imperial. Peço desculpas pelo transtorno. O mandante da rebelião já foi capturado, e a capital imperial voltou às nossas mãos. Fiquem tranquilos.

Faço a câmera do smartphone panear pra mostrar o general desmaiado dentro da caixa, olhos revirados, escorrendo ranho e baba. Vendo essa imagem, os outros soldados provavelmente vão se render. …Fui eu que fiz isso, mas talvez tenha sido meio cruel demais…

— Para que isto nunca mais se repita, vou me policiar. Mais uma vez, gostaria de expressar meu pesar. Sinto muito.

Sua Majestade curva a cabeça de leve. Nossa, ele pede desculpas mesmo. Pelo que eu tinha ouvido, achei que fosse uma pessoa mais soberba. Será que ficou mais dócil depois de adoecer?

Ao terminar a transmissão, o Imperador fica olhando pro general dentro da caixa, com um olhar melancólico.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não… É que sinto pena dele. Dizem que ele entrou pro Exército vendo o eu jovem que eu era, avançando sem olhar pra trás rumo a um Império forte, sem se importar com sacrifícios. É como se ele fosse um espelho de mim mesmo, quando jovem. Se eu não tivesse adoecido, talvez tivesse tido o mesmo destino. Pensando assim, sinto pena dele…

— Mesmo assim, o crime que ele cometeu não é algo perdoável, viu?

Um número daquele tamanho de demônios foi invocado. Se cada um exigiu dez vidas de sacrifício, dá pra ver que, no mínimo, umas 500 pessoas foram sacrificadas. Não sei se todas eram condenados à morte, mas, mesmo que fossem, não é como se isso tornasse tudo aceitável.

— Eu sei disso. Crime é crime. Precisa ser reparado. Com este incidente, acabei criando toda sorte de transtorno e dívida. Devo assumir a responsabilidade por isso.

O Imperador sorri, meio triste. É verdade, ele também é uma vítima nisso tudo.

— Sua Majestade!!

Cavaleiros ainda de armadura preta entram correndo, aos tropeços, na sacada. Ah, devem ser os cavaleiros do Império que estavam presos na masmorra. Entre eles, um cavaleiro de rosto carrancudo, um olho só e cabelo preto se ajoelha diante de Sua Majestade.

— Sua Majestade… Que bom vê-lo bem! E o senhor até parece estar mais saudável… O que houve…?!

— Ah, Comandante Gaspar. Foi graças ao Touya-dono ali. Ele não só me curou como também derrotou o General Bazur pra mim.

— Como assim…?!

O tal Comandante da Ordem de Cavaleiros do Império olha, surpreso, alternando entre mim e o general desmaiado na caixa ao lado. Não sei bem se Sua Majestade ficar mais saudável foi mesmo graças a mim, mas enfim.

Nisso, a Elsie e a Yae chegam montadas no Kohaku. Um pouco depois, o Kokuyō e o Sango também chegam flutuando de leve, já no modo tamanho mini.

— Por enquanto, já limpamos tudo. Os soldados alistados estão quase todos desmaiados.

A Elsie relata isso descendo do Kohaku. Parece que os soldados restantes também foram resolvidos. As duas estão bem também; fico aliviado.

— Certo, prendam os soldados caídos. Não toquem nos que já se renderam antes.

— Sim, senhor!

Por ordem do Imperador, os cavaleiros saem da sacada, liderados pelo Comandante Gaspar.

Com isso, acho que esse tumulto todo já chegou ao fim. Bom, ainda bem que nada de grave aconteceu. Vou deixar o resto com o pessoal do Império.

Ah, preciso mandar de volta as bestas que invoquei.

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