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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 12

O Kanzashi e o [Apport]

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Capítulo 12 – O Kanzashi e o [Apport]

Como a gente também ia justamente comer, levamos a Yae junto pra um restaurante. Mas ela, dizendo não sei o quê sobre não poder receber esmola de desconhecidos, se recusava a comer.

— A gente quer ouvir histórias de Ishen, como lembrança de viagem. Em troca, oferecemos a comida. Isto não é esmola: é uma troca entre iguais.

…quando soltei essa, ela respondeu "se é assim" e começou a pedir. Mole, mole.

— …Nossa, então, Yae-san, você está numa viagem de aprimoramento marcial?

— Nhom, nhom… Por certo. Minha família é de linhagem guerreira, de geração em geração. A casa ficou com meu irmão mais velho; este servo partiu em viagem para aprimorar o próprio braço. Gulp.

— Saquei, você passa por dificuldades, né. Que admirável.

Comendo um espeto de carne, a Yae deixava a Elsie impressionada. Não que importe, mas acho que a Yae devia escolher: ou come, ou fala, uma das duas.

— E aí, Yae, o que você vai fazer agora? Tem algum destino?

— …Sluurp, nhom, nhom… À Capital Real… gulp, há tempos vive lá uma pessoa a quem meu pai muito deveu, e penso em procurá-la. Sluurp.

À minha pergunta, a Yae respondeu enquanto sorvia um udon de tofu. Eu já falei pra não responder comendo.

— Que coincidência, a gente também vai à Capital Real, a trabalho. Ô, se quiser, por que não vem com a gente? Ainda cabe mais um na carruagem, e assim fica mais fácil pra você também, né, Yae?

— Será… haf, haf… verdade? É mais do que este servo poderia desejar… haf… nhom, nhom, alguém como eu… gulp, seria bem-vindo?

De olhos arregalados com a proposta da Elsie, a Yae enchia a boca de takoyaki. Mas como ela come, hein?! Esse é o quê, o quinto prato?!

— Por mim tudo bem, né, Touya-san?

— Hã? Ah, por mim não tem problema, mas…

Lá estava eu com outra preocupação: levar essa menina junto não vai fazer a conta de comida disparar?

Enfim, como a Yae pareceu satisfeita (ela sozinha liquidou um hambúrguer, espeto de carne, espetinho de frango, udon de tofu, takoyaki, peixe grelhado, sanduíche e um bife), pagamos a conta (snif) e saímos.

No caminho de volta, combinamos de nos reunir de novo amanhã e, quando íamos voltar pra pousada — peraí? — uma dúvida que tinha me ocorrido fez eu perguntar à Yae.

— Yae, você vai dormir onde?

— Ah, é, vou dormir ao relento…

Pois é. A menina está sem um tostão…

— Dormir ao relento, que isso… Vem pra nossa pousada. A gente adianta o dinheiro pra você.

— Dormir sozinha ao relento é perigoso.

— Não, não, não posso abusar tanto da vossa bondade…

Esse recato, esse jeito, também é bem japonês. Bom, se eu simplesmente entregar o dinheiro ela não aceita, então… o que fazer… certo.

— Yae, você não me vende esse kanzashi seu?

— O kanzashi?

A Yae pega o kanzashi que prendia o cabelo. Padrão malhado de amarelo e marrom.

— É um kanzashi de casco de tartaruga, né? Eu queria um faz tempo. Quero dar de presente pra uma pessoa que me ajudou muito.

— "Casco de tartaruga"?

A Elsie se mete, diante da palavra que não conhecia.

— É um artesanato feito do casco de tartaruga. No meu país era artigo de luxo.

Sinceramente não sei direito, mas acho que antigamente era assim.

Claro, "queria faz tempo" é mentira. É só uma desculpa pra entregar dinheiro a ela. A Elsie e a Lindsey perceberam isso e ficavam, com insistência, recomendando que sim, que era pra fazer assim.

— Se uma coisa dessas serve, por este servo não há problema, mas…

— Negócio fechado. Então, aqui está o pagamento.

Recebo o kanzashi de casco de tartaruga e, em troca, ponho na mão dela uma moeda de ouro tirada da carteira.

— I-isto é demais! Este servo não pode aceitar tanto!

— Tá bom, tá bom. Fica com ele. O Touya queria muito esse kanzashi faz tempo. Anda, anda, vamos pra pousada.

— Mas, peraí… senhora Elsie?!

A Elsie, à força, puxa a Yae pelo braço e a arrasta. Vendo as duas se afastando, a Lindsey me perguntou.

— …Esse kanzashi é caro de verdade?

— Sei lá. Pelo menos, se for autêntico, no meu país era artigo valioso, mas a tabela de preços daqui eu não conheço.

— Sem saber, e mesmo assim uma moeda de ouro inteira?

— Bom, parece ser coisa boa, e deve valer um tanto, este aqui. Eu não acho que saí no prejuízo.

Rindo, guardo o kanzashi no bolso e nós também começamos a caminhar rumo à pousada.

Depois disso, a Yae arranjou um quarto na mesma pousada que a gente, dormiu a noite inteira que nem uma pedra e, na manhã seguinte, virou uma companheira de viagem na nossa carruagem.

Saímos da cidade de Amanesk, ainda mais ao norte.

Este país, o Reino de Belfast, fica a oeste do continente de Europa, e é o segundo maior reino do Ocidente.

Talvez por isso, assim que a gente se afasta de uma cidade, de repente as casas ficam raras e, em pouco tempo, não se vê nada além de montanhas e florestas. Será que a densidade populacional é baixa pro tamanho do país?

As carruagens e pessoas que cruzavam o caminho davam um a cada duas horas, no máximo; mas, quanto mais perto da Capital, dizem que aumenta.

Como sempre, sacolejando na carruagem, dou uma olhada de relance na Yae, sentada na boleia. A Yae também é craque com cavalos, e a partir de hoje o revezamento passou a ser entre as três. Cada vez fico mais sem jeito. Que sensação é essa de inutilidade……

Pra espantar isso — não que seja bem por causa disso —, estou estudando magia no livro de magias.

Uma coisa que ficou clara depois que a Lindsey começou a me ensinar: eu consigo usar várias magias de atributo nulo.

A deixa foi a magia nula da Elsie, [Boost], que parecia útil; quando testei se eu conseguia, ativou sem dificuldade nenhuma.

Ou seja, ficou claro que, sendo magia de atributo nulo, basta eu saber o nome da magia e o efeito direitinho que eu consigo ativar com quase 100% de sucesso. As gêmeas passaram do espanto direto pra estupefação. Bom, que é prático, é, então deixa pra lá. Obrigado, Deus.

Só que tinha um probleminha. As magias de nulo são, em geral, magias individuais. Ou seja, não se espalham muito pelo mundo. Por isso, pensei em comprar um livro com várias magias de nulo do passado registradas e aprender as que conseguisse usar.

Mas com isso veio outro problema. Tem magia demais. A quantidade rivaliza com uma lista telefônica.

Como só constam magias que uma única pessoa consegue usar, havia magias com utilidade bem limitada: magia pra fazer a fumaça do incenso durar mais, magia pra deixar a cor do chá mais viva, magia pra alisar madeira lascada… Ou melhor, é quase tudo desse tipo.

Não dá pra saber onde cada uma serve, então pensei: por que não decoro todas de uma vez? Mas, sinceramente, mesmo com a memória turbinada por Deus, não tenho confiança de decorar uma lista telefônica.

Procurar uma magia útil dentro de uma lista telefônica é, falando claro, um saco. É como procurar agulha no deserto. E enjoa. Mas, como não tenho mais nada pra fazer, fico assim, passando os olhos pelo livro… Oi?

— "Magia para puxar para perto um objeto pequeno que está longe"… é? Será que dá pra usar.

— Por que não testa?

A Lindsey se inclina pra espiar. É, vou testar.

— [Apport].

Mas não aconteceu nada. Ué? Eu até senti uma espécie de "puxão"…

A Elsie, sacolejando comigo no compartimento de trás, comentou ao me ver falhar na magia.

— O que você tentou puxar?

— A katana da Yae. Achei que ia ser engraçado ela sumir de repente. Hmm… ah, deve ser o tamanho, né? O livro fala em objeto "pequeno".

Mais uma vez, agora com uma imagem clara na cabeça, eu ativo.

— [Apport].

— Uá?!

Veio da boleia o grito assustado da Yae, sentada lá.

Na minha mão estava o cordão que prendia o cabelo dela.

— Deu certo. Dependendo do uso é prático, mas também é assustador.

— Assustador?

— Ora, as coisas somem da pessoa sem ela saber. Isso não é poder fazer batedor de carteira, esse tipo de coisa, à vontade?

— Tem razão… Pensando assim, é assustador. Dá pra roubar dinheiro, joias, esse tipo de coisa também…

— …Não vá fazer isso, viu?

— …Por favor, não faça, viu?

Elsie e Lindsey me fuzilam com o olhar. Que falta de educação.

— Não vou fazer uma coisa dessas. Mas, será que com isto dá pra puxar roupa de baixo também…?

Num átimo, a Elsie e a Lindsey se afastam de mim. Era brincadeira, gente.

— Ahn… os meus cabelos estão esvoaçando com o vento…

A Yae se vira, como quem diz "devolve logo o cordão". Ah, tinha esquecido.


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