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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 7

A Primeira Batalha e a Primeira Recompensa

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Capítulo 7 – A Primeira Batalha e a Primeira Recompensa

A floresta a leste ficava a umas duas horas de caminhada da cidade de Reflet. Pensei que, se passasse alguma carruagem, talvez nos desse carona, mas, infelizmente, não passou nenhuma, e, exatas duas horas depois, chegamos à floresta a leste.

Avançamos para dentro da floresta densa, atentos ao redor. A cada canto de pássaro que surgia de repente, a cada sinal de bichinho balançando as árvores, eu levava um susto, e, no começo, confesso que estava morrendo de medo por dentro — mas logo percebi uma sensação estranha.

É meio vago, mas… eu consigo sentir o que há ao meu redor. Onde está cada criatura, que tipo de criatura é, que tipo de sentimento ela dirige a nós… Isso eu percebo. O que será essa sensação? Um sexto sentido… seria isso? Talvez seja mais um dos presentes que Deus me deu.

Enquanto eu pensava nisso, senti, à frente e à direita, dois sentimentos agressivos. Hostilidade clara.

— Cuidado. Tem algo aí.

Às minhas palavras, as duas param na hora. Aponto com o olhar pro fundo da floresta e elas passam pra postura de combate. Como que medindo o momento, um vulto preto salta de dentro da mata e parte pra cima de nós.

— Opa!

Às pressas, torço o corpo e desvio. Tudo bem. Eu vi o movimento. Pelo cinza, um chifre preto saindo da testa. Do tamanho de um cão grande, mas a ferocidade não se compara à de um cachorro. Este é o lobo-de-um-chifre.

Enquanto eu encarava aquele que tinha saltado pra cima de mim, vi um segundo se lançando na direção da Elsie por outro lado.

Elsie encara de frente aquele que a atacava e crava um golpe com toda a força no focinho do lobo. Levando o soco da manopla em cheio, o lobo-de-um-chifre tomba no chão e logo para de se mexer. Morte com um golpe só, literalmente.

Enquanto eu admirava a luta da Elsie, aproveitando a brecha, o lobo à minha frente mostra de novo as presas e vem correndo.

Mantenho a calma, leio o movimento do lobo e, acompanhando, desembainho a katana na cintura. Um único corte ao nos cruzarmos. Naquele instante, a cabeça do lobo voa pelo ar e rola com força pelo chão.

A sensação de ter matado um ser vivo pela primeira vez traz um quê de culpa e repulsa. Mas, sem tempo pra mergulhar nisso, surge um novo bando de quatro lobos, e dois deles vêm pra cima da gente.

— Venham, chamas; projétil rubro: [Ignis Fire]!

No mesmo instante em que ouço essa voz, um dos lobos que me atacava de repente é envolvido em chamas e vira uma tocha. Pelo visto, a Lindsey, que tinha ficado pra trás, me deu cobertura com magia de fogo. Droga! Perdi à toa a chance de ver magia pela primeira vez desde que cheguei a este mundo! Aaargh.

Desviando do lobo restante como antes, golpeio com a katana. O lobo caído logo para de se mexer.

Quando olho pra Elsie, ela acertava um chute giratório na barriga de um lobo que saltava, mandando-o longe. Ao lado dela, o último lobo era queimado pelas chamas de novo. Aff, perdi a magia mais uma vez…

— Resolvido. O pedido era exterminar cinco, mas a gente acabou abatendo um a mais.

Dizendo isso, Elsie bate as manoplas uma na outra, tac-tac. Foram seis no total, dois pra cada um. Pra uma primeira batalha, acho que saímos muito bem. Ah, primeira só pra mim.

Bom, como prova do extermínio, temos que levar os chifres dos lobos. Corto os chifres dos seis e ponho na bolsinha. Agora é só entregar isso na guilda e o pedido está completo, missão cumprida.

Ao sair da floresta, foi como se toda a tensão que eu carregava nas costas se soltasse de uma vez. Senti um alívio, como quem se livra de um aperto no peito. Vou ter que me acostumar com esse tipo de coisa também, né.

Na volta, por sorte passou uma carruagem e nos deu carona. Que sorte.

Chegando à cidade bem mais rápido do que a pé, passamos direto na guilda; faço os trâmites de conclusão do pedido e entrego os cinco chifres de lobo-de-um-chifre à moça da recepção. O sexto resolvi guardar como lembrança do dia de hoje.

— Pronto, recebi os cinco chifres de lobo-de-um-chifre. Agora me entreguem os cartões da guilda, por favor.

Quando estendemos os cartões, a atendente carimba sobre eles algo parecido com um selo. Por um instante surge uma marca tipo um círculo mágico, mas logo some. Soube depois que o selo muda conforme o rangue do pedido. As informações dos selos vão se acumulando no cartão e, quando juntam o suficiente, o rangue sobe e a cor do cartão muda.

A propósito, nós somos do rangue iniciante, preto. Sobe assim: preto > roxo > verde > azul > vermelho > prata > ouro.

— Então, aqui estão as dezoito moedas de cobre da recompensa. Com isto o pedido está concluído. Bom trabalho.

Recebida a recompensa da moça, dividimos logo seis pra cada. Com isso garantimos três diárias da pousada. Comecei a achar que vou conseguir me virar neste mundo.

— Ô, ô, pra comemorar o sucesso do primeiro pedido, que tal a gente comer alguma coisinha em algum lugar?

Ao sair da guilda, a Elsie soltou essa. Ainda é meio cedo pro jantar, mas, pensando bem, a gente pulou o almoço. Pode ser uma boa. E ainda tinha um favor que eu queria pedir; caiu bem.

Decidimos entrar numa cafeteria no meio da cidade.

Eu pedi um sanduíche quente e leite; a Elsie, uma torta de carne e suco de laranja; a Lindsey, uma panqueca e chá preto. Quando o atendente se afastou, eu puxei o assunto.

— Olha, eu tenho um pedido pra vocês duas.

— Pedido?

— É, eu queria que vocês me ensinassem a ler e escrever. Não saber ler os caracteres é mesmo um inconveniente. Tá parecendo que vai ser difícil me virar daqui pra frente.

— Ah, é mesmo. Se você não entende o conteúdo dos pedidos, complica.

Elsie assente, balançando a cabeça. Ao mesmo tempo, a Lindsey também concorda com aceninhos. É nessas horas que dá pra ver que são gêmeas mesmo.

— Se é isso, é melhor a Lindsey te ensinar. Essa menina é inteligente, ensina bem.

— Q-que isso… não é bem assim… Mas, se servir eu…

— Obrigado. Você me salva.

Pronto, de algum jeito agora tenho como aprender a ler e escrever. Daqui é só estudar. Que bom que achei uma boa professora. …Ah.

— Isso, Lindsey. Já que estamos nisso, será que você também não me ensina magia? Eu também queria tentar usar.

— Hã?! — em uníssono.

Falaram juntinhas, essas duas. Quê? Foi tão estranho assim?


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