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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 8

Magia e Aptidão

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Capítulo 8 – Magia e Aptidão

— Quer que eu te ensine magia… Touya, você tem aptidão?

— Aptidão?

— A magia depende muito da aptidão com que a pessoa nasce… Quem não tem aptidão não consegue usar magia de jeito nenhum…

Entendi. Então não é uma habilidade que qualquer um usa. Bom, faz sentido. Se todo mundo pudesse usar, não seria estranho a civilização mágica ser bem mais avançada.

— Aptidão, é? Mas acho que comigo está tranquilo. Uma pessoa me garantiu que eu logo ia conseguir usar magia.

— Quem foi essa pessoa?

— Ah… alguém muito importante.

Foi Deus. Se eu falar isso, será que duvidam da minha sanidade? Melhor ficar quieto.

— Não tem como saber se a pessoa tem aptidão ou não?

À minha pergunta, Lindsey tira da bolsinha na cintura algumas pedras meio transparentes. Vermelhas, azuis, amarelas, incolores, brilhando feito vidro. O tamanho deve ser por volta de um centímetro. Aliás, tinha umas parecidas presas na varinha de prata da Lindsey também. As dela eram maiores, mas.

— O que é isso?

— …Isto é uma pedra mágica. Ela amplifica, acumula e libera energia mágica. Dá pra usá-la pra investigar a aptidão. De forma grosseira, mas.

— "Água" é mais fácil de entender, né… — murmura Lindsey, pinçando uma pedra transparente azulada. E a leva por cima da xícara de chá já vazia.

— Venha, água.

Quando Lindsey pronuncia essas palavras, da pedra escorre, fininha, uma pequena quantidade de água, que pinga na xícara.

— Ó.

— …Isto é a magia ativada. A pedra reagiu à minha energia mágica e gerou água.

— A propósito…

Ao lado, Elsie pega a pedra da irmã e recita o mesmo encantamento.

— Venha, água.

Mas a pedra não dá reação nenhuma, e não sai uma gota de água sequer.

— Quem não tem aptidão pra água fica assim. Por isso eu não uso magia de água.

— Mesmo sendo gêmeas, a Elsie não usa.

— Não precisa dizer bem na lata o que me incomoda… Mas, tá, tudo bem.

Vacilei. Escapou da boca. Mas a Elsie não estava brava de verdade, mais emburrada, então fiquei um pouco aliviado.

— A maninha, em compensação por não usar magia de água, usa magia de fortalecimento corporal pela energia mágica… Eu, ao contrário, não consigo fazer fortalecimento corporal. Pra isso também é preciso ter a aptidão.

Entendi. Então a fonte daquele poder de destruição absurdo é isso. O corpo dela parece fino, era um mistério de onde vinha tanta força, mas o enigma foi resolvido.

— Energia mágica todo mundo tem, mas, sem aptidão, não dá pra usar a técnica.

Tudo depende da aptidão, é? Dizer "é porque você não tem talento" encerra o assunto, mas o mundo é injusto mesmo.

— E aí, se eu fizer isso também dá pra saber se tenho aptidão?

— Sim. …Segure na mão, concentre a atenção na pedra e diga "Venha, água"… Se tiver aptidão, a água deve nascer.

Recebo a pedra azul da Elsie e, pra não molhar a mesa quando ativar, levo a mão que segura a pedra por cima do prato.

Concentro a atenção na pedra e recito as palavras que me ensinaram.

— Venha, água.

No instante seguinte, da pedra jorrou água feito uma torneira quebrada.

— Uoouá?!

Assustado, solto a pedra e a água para na hora. Mas a mesa estava encharcada, a toalha toda ensopada.

— …Como assim?

Diante de um quadro claramente anormal, peço explicação às duas na minha frente. Mas as gêmeas estavam de olhos arregalados, atônitas. As expressões eram tão idênticas que quase me fizeram rir.

— …Acho que a quantidade de energia mágica do Touya-san era absurdamente grande… Com uma pedra tão pequena e só um fragmento de encantamento, e ainda por cima logo de primeira… E mais, a qualidade da energia mágica está limpa de um jeito impossível. Inacreditável…

— …Você leva mais jeito pra mago, com certeza. Nunca vi uma coisa dessas.

Então eu tinha aptidão mesmo. Bom, é aval de Deus, né. Mas essa quantidade de energia mágica também deve ser efeito-Deus… provavelmente. Mais vale do que menos, enfim. De todo jeito, eu consigo usar magia.

Pedindo desculpas pela mesa que encharquei, saímos depressa da cafeteria.

Quando chegamos à pousada já era fim de tarde, então a questão da magia ficou pra depois de amanhã.

Terminado o jantar, ali mesmo no refeitório a Lindsey me ensina a ler e escrever. Pedi permissão à Mika-san antes, por garantia.

Primeiro a Lindsey escreve palavras simples e eu, ao lado, escrevo o significado em japonês.

— …São caracteres que eu nunca vi. De onde são?

— Hmm, são caracteres que só se usam numa região bem específica da minha terra. Por aqui, fora eu, ninguém deve usar.

Por aqui? Neste mundo inteiro não deve ter ninguém que use. É tipo um código secreto.

Lindsey ficou intrigada, mas, por ora, pelo visto entendeu.

Depois disso, ela continua me ensinando palavras com paciência e eu vou convertendo uma a uma pro japonês. Deve ser porque a Lindsey ensina bem; as palavras vão entrando rápido na minha cabeça. Ué? Eu tinha uma memória tão boa assim? Será que é efeito-Deus também?

Mas, se é assim, podia ter me deixado já sabendo ler e escrever desde o começo, que era mais fácil — não que eu não tenha pensado nisso, mas Deus também deve ter suas razões. Não é pra ser exigente.

Num ponto conveniente, encerro o estudo, me despeço da Lindsey e volto pro meu quarto.

Anoto no smartphone os acontecimentos de hoje e dou uma espiada nas informações do outro mundo. Hum, então aquele cara ganhou a Comenda Nacional. Ah, eu queria ter assistido a esse filme.

Ah, isso. Vou conferir no mapa a tal Ishen, que ficou na minha cabeça. Aí descubro que fica bem a leste, um país insular além dos confins do continente. Parecido com o Japão até nisso. Se um dia tiver chance, queria conhecer.

Hoje, devia estar cansado de exterminar feras e tal; logo me deu sono. Sem resistência inútil, me enfio logo na cama. Boa noite. Zzz.


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