Capítulo 20 – Confiança e Conclusão da Missão
No dia seguinte, pra concluir o pedido, fomos à loja do Zanack-san. Ele se espantou com a volta tão rápida, mas, quando contei que uso a magia [Gate], se convenceu.
— Esta é a carta de resposta do Visconde Swordrick.
O Zanack-san, depois de conferir o lacre da carta que eu trouxe, tira o conteúdo e passa os olhos de leve.
— Confere. Bom trabalho.
— E isto também. É a metade do dinheiro de viagem. Como não usei, devolvo.
Estendo o dinheiro ainda dentro do saco.
— Você é correto, hein. Bastava ficar calado sobre a [Gate] e não precisaria devolver esse dinheiro.
— Nesse tipo de serviço, confiança é o mais importante. O senhor, como comerciante, sabe disso, né?
— …É verdade. Confiança é o patrimônio do comerciante. Sem ela, não há negócio. Quem a pisoteia, uma hora colhe de volta.
Dizendo isso, o Zanack-san aceitou o saco de dinheiro.
E, como prova de conclusão do pedido, me deu um cartão carimbado com o número designado pela guilda. Agora é só entregar isso na guilda e receber a recompensa.
Agradeço ao Zanack-san e saio. Sigo então pra guilda.
Lá dentro, como sempre, um monte de gente encarando o mural de pedidos. Na primeira vez na guilda, a Yae olhava pra todo lado, mas vem com a gente ao balcão da recepção.
Entregamos ao funcionário o cartão que o Zanack-san deu, e reportamos a conclusão.
— Me entreguem os cartões da guilda, por favor.
Nos três cartões que estendemos, o funcionário carimba, tum-tum-tum, os selos mágicos.
— Então, aqui estão as sete moedas de prata da recompensa. Bom trabalho na conclusão.
Recebendo a recompensa posta no balcão, chamo a Yae, que estava atrás, à recepção.
— Com licença, eu queria também fazer o registro desta menina na guilda.
— Registro? Pois não.
Enquanto a Yae recebe a explicação do registro, dividimos a recompensa em duas pra cada, e a que sobrou combinamos de usar depois na comida de todo mundo.
— Mas, sabe… sentir que duas moedas de prata de recompensa é pouco, é uma tendência ruim, né.
— Pois é. Depois de ganhar moeda de platina e tal, o senso de dinheiro fica esquisito.
Ao murmúrio que a Elsie soltou baixinho, respondo com um sorriso amarelo.
Aquele dinheiro do duque é dinheiro extra, fora do previsto. Melhor viver sem depender dele.
— Me registrei!
Contente, a Yae vem balançando o cartão. Diferente do nosso, o cartão preto de iniciante.
Diante da diferença de cor pra dos outros, a Yae faz uma carinha meio decepcionada. Mas a gente também ainda é de nível baixo; cumprindo pedidos, logo a diferença se fecha.
Como a Yae quis logo pegar um pedido, fomos todos ao mural.
Quando pessoas de cartões de cores diferentes formam grupo, se a maioria for da cor mais alta, dá pra aceitar pedido daquela cor. Então, mesmo com a Yae, que é preta, não tem problema pegar um pedido roxo.
Todos juntos lemos os pedidos afixados.
— Ruínas ao norte… extermínio… Mega… Slime? Ainda tinha esse pedido. Ô, este aqui…
— Nem pensar. — em coro.
De novo recusa em uníssono, é? Tá. Aumentou um. Pelo visto a Yae também não vai com a cara de coisa mole e viscosa. Que pena…
No fim, escolhemos exterminar um Tiger Bear, uma fera que não dá pra saber se é tigre ou urso. Porque, pela [Gate], dava pra chegar onde ele vive andando só um pouquinho. Então, vamos lá.
Direto ao ponto: o Tiger Bear era um urso grande de listras de tigre. Ah, e as presas eram tipo as de um tigre-dentes-de-sabre.
Ele vive numa montanha rochosa; quando atacou de repente, levei um susto, mas a Yae derrotou ele quase sozinha.
Como prova, quebramos uma presa do Tiger Bear e voltamos pela [Gate] à guilda. Entregamos a presa, pedido concluído. Do momento em que pegamos o pedido até aqui, duas horas. E garantimos doze moedas de prata. Rápido até demais.
Como ainda tinha tempo, a Yae quis pegar mais um pedido, mas a gente a acalmou e foi comer.
Na cafeteria "Parent", comemoramos a conclusão do pedido, o registro da Yae e o primeiro extermínio dela.
Cada um pediu uma refeição leve e bebida, e todos pediram sorvete de baunilha. A Yae se espantou com o sorvete que provava pela primeira vez, mas logo começou a comer às colheradas.
Na saída, a Ael-san me pediu de novo pra pensar em alguma coisa pro cardápio. O que será que vai ser desta vez. Quando voltar, vou pesquisar alguma coisa.