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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 22

O Cavaleiro sem Cabeça e as Ruínas

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Capítulo 22 – O Cavaleiro sem Cabeça e as Ruínas

— Yae, foi pro seu lado!

— Entendido!

Usando como escudo a muralha em ruínas, aquilo some do meu campo de visão.

Um som metálico ressoa do outro lado do muro. Quando contorno a muralha, aquilo cruzava lâminas com a Yae.

Armadura de cavaleiro negra como breu e uma espadona sinistra. O corpo descomunal transpira força. As duas pernas que o sustentam fincam o chão e não largam; nos braços que brandem a espadona não havia um pingo de misericórdia.

Não, talvez o sentimento chamado misericórdia já nem exista. Pois aquele cavaleiro das trevas não tem cabeça.

Dullahan. Um cavaleiro que teve morte injusta na guilhotina e vaga em busca de uma cabeça que lhe sirva, caçando sem parar as cabeças dos vivos — esse é o monstro. A lenda difere da do mundo de onde vim, mas é o alvo do extermínio desta vez.

Em formação de pinça com a Yae, encaro o Dullahan. Faço um sinal pra Yae com o olhar e, quando ela confirma que a magia de luz se reúne nos meus dedos indicador e médio erguidos, se afasta depressa dali.

— Luz, perfure; sacra lança fulgurante: [Shining Javelin].

Das pontas dos dedos apontados pro Dullahan, uma lança de luz ofuscante voa reta. A lança atravessa com precisão o ombro esquerdo, e o braço preto se desprende e voa.

Mas, da ferida, não esguicha sangue como num humano. Em vez de sangue, um miasma negro vaza do ferimento enquanto, com a espadona na mão direita que sobrou, ele desce o golpe na minha direção.

Nesse instante, um vulto entra de lado e finca o punho no flanco do cavaleiro sem cabeça. Em seguida, o vulto crava um chute giratório afiado no adversário desequilibrado.

— Elsie! E os lobos-de-um-chifre?!

— Consegui dar conta! Francamente, eram quase vinte!

De longe, a Lindsey também vem correndo. Beleza, agora começa pra valer.

Diante do ataque inesperado da Elsie, o Dullahan cambaleou por um instante, mas logo varre a espadona de lado, mirando o pescoço de quem o golpeou. A Elsie se agacha, esquiva e, em sucessivas cambalhotas pra frente, rola até onde estou.

— Fogo, venha; bola de fogo do purgatório: [Fire Ball].

A bola de fogo que a Lindsey dispara acerta as costas do Dullahan. Aproveitando a brecha, o fio da lâmina da Yae reluz, mas é barrado pela espadona erguida.

— Que teimoso! Se virar guerra de resistência, complica.

Diferente dele, do nosso lado, se levarmos um só golpe direto daquela espadona, é morte na hora, ou, na melhor das hipóteses, perde-se um braço.

O Dullahan já perdeu a vida, é um morto, um dos chamados mortos-vivos. Os mortos-vivos, em geral, são extremamente fracos contra magia de atributo Luz. Luz a Lindsey também usa, mas não é o forte dela. Só me resta a mim. ……Vou de aquilo.

— Lindsey! Prende os pés dele com magia de gelo. Bastam alguns segundos.

— Hã? T-tá, entendi!

Ao ouvir isso, a Yae e a Elsie entram em ação. É pra atrair a atenção do Dullahan e desviá-la de mim e da Lindsey. Entenderam — o nosso trabalho em equipe é bom.

— Gelo, enlace; grilhão congelante: [Ice Bind].

A magia da Lindsey ativa, e os pés do Dullahan se congelam num piscar. Tentando escapar do grilhão, o cavaleiro sem cabeça concentra força nas pernas; o gelo racha e começa a se soltar aos poucos. Não vai dar tempo.

— [Multiple]!

Minha magia de nulo ativa. Quatro círculos mágicos pairam no ar à minha volta. Em seguida, recito a magia de Luz.

— Luz, perfure; sacra lança fulgurante: [Shining Javelin].

Logo depois, dos quatro círculos saem, com ímpeto, quatro lanças de luz. Todas seguem em linha reta pro Dullahan. A magia de nulo que dispensa recitar várias vezes e permite ativação simultânea — esse é o [Multiple].

Diante das lanças de luz, o cavaleiro sem cabeça tenta de algum jeito escapar, mas o gelo da Lindsey não deixa.

Recebendo toda a luz no corpo inteiro, o Dullahan perde o braço direito, perde o flanco, perde a perna esquerda e, então, perde o peito e tomba devagar.

De dentro da armadura em frangalhos, um miasma negro transborda e se dispersa ao vento.

O cavaleiro sem cabeça não voltou a se mexer.

— Resolvido.

— Que cansaço…

A Elsie solta um murmúrio de alívio, e a Yae senta de vez no chão. É de se esperar. Quem ficou o tempo todo esquivando quase todos os golpes e segurando o Dullahan foi ela.

— Ter aquela horda de lobos-de-um-chifre junto foi um imprevisto. Foi por pouco…

A Lindsey também parece aliviada, com a mão no peito.

Nestes últimos meses, o nosso rangue na guilda chegou ao verde. Preto > roxo > verde > azul > vermelho > prata > ouro — o terceiro de baixo pra cima. Com este, a gente é reconhecido como aventureiro feito.

Íamos logo pegar um pedido verde, mas a Elsie sugeriu: por que não pegar, de vez em quando, um pedido na guilda de outra cidade?

Aí, dentre os pedidos verdes da sede da guilda na Capital, escolhemos o extermínio dos monstros que infestam estas ruínas.

Estas ruínas, originalmente, foram a Capital Real de mais de mil anos atrás. O rei da época, pelo visto, abandonou esta terra e optou por construir uma nova capital. Deve ter sido uma transferência de capital.

Como era na época, não sei, mas hoje são muralhas esburacadas tomadas de hera, um calçamento e construções que mal guardam o formato da cidade, e os escombros do que parece ser o castelo real, completamente desmoronado. Hoje é mesmo uma ruína.

Nessas ruínas, em algum momento, monstros e feras passaram a habitar; gente como a gente, com pedidos, extermina; mas, passado um tempo, voltam a habitar; e de novo extermínio — pelo visto, formou-se esse ciclo.

De fato, se monstros vão se instalando um atrás do outro, há o risco de eles formarem uma horda. Melhor exterminar de tempos em tempos.

— Mas, mesmo sendo a antiga Capital, não tem nada aqui……

Por mais que eu olhe ao redor, muros caídos, muros, muros. Aqui, no alto desta colina de boa vista, dizem que um dia se ergueu o castelo real. Será que os ancestrais do duque e da Sue viveram aqui também.

Mas não dá pra entender por que, depois da transferência, esta capital decaiu a este ponto. Foi uma transferência forçada, com fogo em castelos e casas, tipo o Dong Zhuo dos Três Reinos?

— Se tivesse um tesouro escondido do rei, seria divertido, né.

— Não, isso não há de ter. Se o reino tivesse sido destruído, vá lá; mas, como foi só uma transferência, levaram todos os tesouros consigo.

— Eu sei, falei só por falar.

Diante da réplica da Yae, a Elsie faz bico. Tesouro, é.

No meu mundo também tinha o ouro enterrado dos Tokugawa, dos Takeda; pelo visto esse tipo de coisa existe aqui também. Eu também não desgosto. Caça ao tesouro é sonho de todo homem.

De repente, me ocorreu. Talvez aquela magia funcione.

— [Search]: tesouro.

Testo a magia de busca. Se houver por perto algo que eu reconheça como tesouro, dá pra saber assim. ……É, não tem. Bom, era de esperar.

— Usou o [Search]?! E-e aí, deu o quê?

— Pelo menos por aqui perto não tem tesouro.

À Elsie, que pergunta meio empolgada, respondo com um sorriso amarelo.

— Sei… que pena.

— M-mas, pode ser que algo valioso exista e o Touya-san só não reconheça como tesouro, né?

Ora, a irmã caçula também era do time que vê romance na caça ao tesouro. Coisa de gêmeas.

De fato, a Lindsey tem razão. Por exemplo, suponha que exista um quadro de altíssimo valor de algum pintor. Mas, se eu olhar e achar "isso é só um rabisco", então, ao buscar por "coisa valiosa", não dá hit. É só a percepção do conjurador; essa grosseria é a qualidade e o defeito desta magia. Depois que eu soubesse do valor do quadro, talvez reagisse.

Faz sentido. Por "tesouro" eu imaginei joias, coroas de ouro, espadas preciosas, montes de moedas, esse tipo de coisa. Hmm, sendo assim……

— [Search]: relíquia histórica.

Por "coisa de valor histórico", quem sabe dá hit. Ah, mas isto também é inútil se eu não tiver o conhecimento… Ué?

— …Deu hit.

— Hã?! — os três.

Tem, sim, coisa de valor histórico. Estas ruínas em si também reagem, mas há algo além disso, perto. Apuro os sentidos. É, sinto mesmo.

— Pra-pra que lado?!

— …Por aqui. Sinto por este lado. É grande, o que é isto?

— Grande? — os três.

Avanço pelas ruínas conforme sinto. Todos vêm atrás, e logo chegamos diante de um trecho de escombros desmoronados. Ué?

— De baixo? Embaixo destes escombros?

O que fazer com escombros de construção que parecem pesar toneladas. Enquanto eu estava sem saída, a Lindsey deu um passo à frente.

— Fogo, estoure; explosão de carmesim: [Explosion].

Com um estrondo absurdo, os escombros voam em mil pedaços. Pera, não exagerou, Lindsey-san?!

— …Resolvido.

Ignorando o meu espanto, a Lindsey já começa a vasculhar o lugar onde estavam os escombros. Que entusiasmo é esse.

Quando me posto onde estavam os escombros, sinto mais forte ainda. Aqui embaixo… é?

No calçamento sob os meus pés não há nada… hm? O que é isto?

Uma parte do calçamento está faltando, e dá pra ver algo embaixo. Chamo todos e, removendo pedra por pedra, era um portão de ferro de duas folhas, do tamanho de uns dois tatames. Num lugar destes……

Juntando forças, abrimos o portão de ferro. Por algum motivo não estava enferrujado, e abriu fácil. Talvez nem seja ferro.

E, lá embaixo, uma escada de pedra que descia ao subterrâneo nos recebeu, sinistra……


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