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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 24

O País dos Semi-humanos e o Assassinato do Rei

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Capítulo 24 – O País dos Semi-humanos e o Assassinato do Rei

Alguns dias depois, terminei de copiar o mural das ruínas subterrâneas pra umas folhas.

O que ajudou foi a magia de nulo [Drawing]. Uma magia que transcreve o que eu vejo, tal e qual, pro papel e afins. Bom, é uma copiadora.

Não sou eu que escrevo com a caneta; as letras vão surgindo no papel, então é mesmo uma copiadora. Olhando a tela de fotos do smartphone, transcrevi pro papel.

Com essa magia, ganhei uma impressora externa. De teste, imprimi algumas receitas de doces e levei pra Ael-san; ela ficou superfeliz. Só que, quanto aos ingredientes, eu precisava achá-los usando o [Search]. As quantidades eu calculei pelo peso das moedas de cem ienes que eu tinha. Devia ter sacado isso antes, eu.

Bom, vou levar pra Capital. Por via das dúvidas chamei o pessoal, mas, encarar o duque ainda os intimida, então fui eu sozinho. Nessas horas dá pra sentir o descompasso na noção que eles têm de nobres e tal. No meu mundo não tinha nobre. Bom, a rigor, talvez tivesse, mas.

Com as folhas copiadas na mão, abro a [Gate].

Cruzo o portal de luz e saio diante do portão principal da casa ducal.

— Uau!

— Ah, desculpa.

O porteiro se assusta com a minha aparição repentina. Na verdade, toda vez que venho, eu o assusto. Já era pra ele ter se acostumado, mas, pelo visto, ainda falta.

Ué?

O portão principal se abre e, de dentro, sai uma carruagem. Vão sair? Cheguei em má hora?

— Touya?! Que bom! Suba!

— Hã? Pera… hã?! O que foi?!

O duque, que saiu abrindo a porta da carruagem, num piscar me puxa pelo braço e me arrasta pra dentro. Que isso, que isso?!

— Olha, justo nesta hora você aparecer, Touya……! Provavelmente Deus o enviou. Tenho que agradecer.

O duque, agitado, começa a rezar à minha frente. De fato, quem me mandou pra cá foi Deus. Mesmo assim, essa aflição não é normal. O que terá acontecido.

— O que houve, afinal?

Quando pergunto isso ao duque, com suor na testa e a voz aflita, ele fala.

— Envenenaram o meu irmão.

……Como é que é?

O irmão do duque é o rei… né? Tentativa de assassinato do rei?

— Por sorte agiram rápido, então ele ainda resiste. Mas……

Apertando as mãos e cabisbaixo, a voz que ele forçou pra fora tremia. O irmão dele quase morto — claro que está preocupado.

— Suspeita de quem foi?

— …Tenho um nome em mente. Mas não há provas. Você deve lembrar do ataque à Sue. Acho que é o mesmo culpado.

— Mas por que o rei? Ah, um assassino de outro país, esse tipo de…

— Se fosse isso, seria até mais fácil de entender……

Soltando um suspiro, o duque ergue o rosto. Nele havia uma expressão amarga.

— O nosso Reino de Belfast é cercado por três países. A oeste, o Reino Sacro de Refreese; a leste, do outro lado da Cordilheira de Melicia, o Império de Regulus; ao sul, do outro lado do Grande Rio Gau, o Reino de Mismede. Destes, com o Reino Sacro de Refreese, a oeste, temos longa relação de amizade.

Aham, aham.

— Com o Império, desde a guerra de vinte anos atrás, temos um tratado de não agressão, mas, sinceramente, é difícil chamar de amistoso. A qualquer momento podem voltar a invadir este país. E o Reino de Mismede, ao sul — aqui é que está o problema.

— Problema?

— Mismede é um país novo, fundado em meio à guerra com o Império de vinte anos atrás. O meu irmão quer firmar aliança com esse país novo, pra conter o Império e gerar novo comércio. Mas há nobres que se opõem a isso.

— Por quê?

Se não dá pra saber quando esse tal Império vai invadir, quanto mais aliados, melhor, eu acho. Será que não é tão simples assim.

— Porque o Reino de Mismede é o país dos semi-humanos. Um país onde vivem muitos semi-humanos, governado por um rei ferino. É isso que os nobres antigos não engolem.

— …Que história é essa?

Atrapalhar até o que é bom pro país só porque não engolem? E o "porque são semi-humanos" eu não entendo. Se fossem feras irracionais, com quem não dá pra conversar, vá lá, ainda entenderia. Mas os ferinos conversam normalmente, e a Alma, que conheci, era uma menina super gente boa.

— Antigamente, os semi-humanos eram tidos como seres inferiores, alvo de desprezo. Uma raça vil e selvagem. Mas, na geração do nosso pai, ele criou leis pra mudar essa visão, e aos poucos esse costume foi morrendo. De fato, na cidade ao pé do castelo, os ferinos andam normalmente, e, na aparência, não há discriminação. Mas, por trás, há muitos nobres cabeça-dura que não aceitam isso.

— Discriminação, é.

— Sim. "Por que temos que firmar aliança com um país de ferinos imundos? Pelo contrário, devíamos invadir e fazer deles nosso protetorado." Pra os nobres que defendem isso, o meu irmão não é nada além de um estorvo.

Saquei. Então esse nobre antigo pode ser o mentor de tudo. Mas chega a tanto? era o que eu pensava. Matar o próprio soberano. E, afinal, se o rei morrer, quem se ferra não são eles mesmos?

— Se o meu irmão morrer, o trono passa pra Princesa Yumina, filha única. Provavelmente esse nobre vai pressionar pra que a princesa aceite o filho dele, ou alguém do clã, como marido. Pensando assim, quem sequestrou a Sue pra usá-la de chantagem talvez mirasse não em mim, mas no meu irmão.

"Se preza a vida da sobrinha, não firme relações com Mismede", é? Ela é a princesa de um reino; a guarda dela deve ser rígida. Por isso miraram na Sue… talvez. Não, animados, talvez quisessem até "ponha meu filho como marido da princesa". Mas, sei lá, parece um plano meio porco.

Se for descoberto, é rota direta pro cadafalso, isto aqui. Veio à cabeça um vilão de novela de época.

— E então, o que eu faço?

— Quero que você apague o veneno do meu irmão. Com aquela magia que usou na Ellen.

A magia de recuperação de estado anormal, [Recovery]. Aquela. De fato, com aquela dá pra remover veneno e sequelas, tudo. Então foi por isso que o duque me arrastou pra cá. Tudo se encaixa.

Nisso, a carruagem ducal cruza o portão do castelo, atravessa a ponte levadiça e chega ao castelo real.

Levado às pressas pelo duque, ao entrar no castelo, um saguão de pé-direito alto, forrado de tapete vermelho, nos recebe. Do centro da frente, uma escadaria desce em curvas suaves pros dois lados, e no teto se vê um lustre suntuoso, brilhando como um céu estrelado. Aquilo são pedras mágicas de luz?

Subindo com o duque a longa escada de tapete, num patamar no meio cruzamos com um homem.

— Ora, ora, Vossa Graça o duque, há quanto tempo.

— Tch! …Conde Balsa…!

Com um olhar de quem fuzila, o duque encarou o homem à frente. Um sujeito atarracado, de roupa espalhafatosa, careca. De algum jeito lembra um sapo. Com um sorrisinho debochado, nos observa.

— Fique tranquilo. Os miseráveis que atentaram contra a vida de Sua Majestade já foram detidos.

— O quê?!

— A embaixadora do Reino de Mismede. Sua Majestade bebeu vinho e caiu. Descobriu-se que esse vinho foi presente da embaixadora de Mismede.

— Impossível……

O duque se espanta, com cara de quem não acredita. Se aquilo for verdade, é certo que se abre um fosso entre os dois países; não, não seria estranho estourar uma guerra.

Mas tem algo que não me cheira bem. Conveniente demais.

— A embaixadora está detida em outra sala. Olha o que uma ferina reles foi capaz de fazer. Cortar-lhe a cabeça e mandar a Mismede……

— De jeito nenhum! Tudo é o meu irmão quem decide! À embaixadora, que apenas a mantenham na sala por ora!

— É mesmo? Palavras boas demais pra uma ferina reles… Pois que seja assim. Mas, se algo acontecer a Sua Majestade, eu não poderei conter os demais nobres. Provavelmente dirão o mesmo que eu, sabe?

O Conde Balsa, com um sorriso repugnante. É este. O nobre antigo que discrimina ferinos e se opõe à política do rei. Não, quem envenenou o rei também talvez seja……

Pelo jeito como o duque fuzila o sapo, parece que a minha suspeita não está errada. É, este aqui é o culpado. Sem dúvida.

— Então, com licença. Daqui pra frente vou ficar ocupado.

Dizendo isso, o sapo começou a descer a longa escada, pesadão. Ficar ocupado? Porque o rei vai morrer? A mão do conde careca, que o duque acompanhava com o olhar, estava cerrada e tremia. Beleza, vou dar uma castigada nesse sapo.

— [Slip].

— Uoouá?!

O sapo pisa em falso e despenca, rolando com tudo escada abaixo. Sem parar, vai até o último degrau e é jogado no chão.

— Gguá!

Logo o sapo, fingindo serenidade, se levanta cambaleando e começa a andar. Em volta, as criadas e os cavaleiros da guarda tremem segurando o riso. Tch. Saiu ileso.

O duque, que estava boquiaberto, se vira pra mim, que tinha estalado a língua, e pergunta.

— Foi você?

Em silêncio, ergo o polegar e devolvo um sorriso tranquilo.

O duque fez uma cara de exasperado, mas logo me devolveu um sorriso igual.


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