Capítulo 25 – Desintoxicação e Busca de Veneno
— Opa, não dá pra ficar parado. Temos que nos apressar!
Subimos a escada de novo e cruzamos uma longa galeria. Diante de uma sala no fundo, um guarda real que vigiava rigorosamente, ao notar o duque, baixa a cabeça respeitoso e abre a grande porta atrás dele.
— Irmão!
Quando o duque irrompe na sala, em meio à luz do sol que entra pela janela que toma a parede inteira, algumas pessoas se reuniam em volta de uma cama de dossel suntuoso. Todas fitam, com semblante aflito, a pessoa deitada — provavelmente aquele é o rei.
Agarrada à cama, apertando a mão do rei deitado, uma menina. Ao lado dela, uma mulher sentada numa cadeira segurando as lágrimas; um velho de robe cinza, de expressão pesarosa; uma mulher de cabelos cor de jade que, segurando um báculo dourado, baixava os olhos; e um homem de bela barba, em uniforme militar, com os ombros tremendo de raiva.
Avançando a passos firmes até a beira da cama, o duque fala com o velho de robe cinza.
— Como está o meu irmão?!
— Tentamos de tudo, mas um veneno com sintomas assim eu nunca vi…… Deste jeito……
O velho fecha as pálpebras e balança a cabeça devagar. Nisso, com voz arrastada, o rei abre a boca.
— Al……
— Irmão!
— …Minha esposa… e minha filha… cuide delas… você… a aliança… com o Reino… de Mismede……
— Touya! Por favor!
Quando eu, que observava de longe, corro até lá, o homem de barba em uniforme tenta me repreender, mas o duque, ao lado, o impede.
O rei me fita com olhos turvos como os de um peixe morto e move a boca, "quem é?", mas não saía voz. Rosto pálido, lábios ressecados e respiração fraca — o semblante da morte estampado. Tenho que me apressar.
Concentro a energia mágica e estendo a palma sobre o rei.
— [Recovery].
Uma luz suave flui da minha palma pro rei. Quando ela se aquieta, a respiração dele vai virando algo calmo, e a cor do rosto melhora num instante.
Piscando os olhos repetidas vezes, a vida volta ao olhar dele e, de repente, ele ergue o tronco com tudo.
— Pai!
— Meu amor!
O rei, fitando a menina e a mulher que se agarravam a ele, abria e fechava a própria mão.
— …Não sinto nada. O sofrimento de agora há pouco sumiu, como se fosse mentira.
— Majestade!
O velho de robe cinza pega a mão do rei, mede o pulso, espia os olhos. Este aqui é médico. Saquei.
— …Saúde perfeita. Que isto fosse possível……
Ignorando o médico atônito, o rei voltou os olhos pra mim.
— Al… Alfred. Quem é este?
— É Mochizuki Touya, que curou os olhos da minha esposa. Por acaso ele veio à minha mansão, e eu o trouxe. Ele poderia salvar o senhor, pensei.
— …Ah, olá. Chamo-me Mochizuki Touya.
Sem saber como cumprimentar, soltei uma resposta de pateta. Será que foi falta de educação com o rei.
— Ah, o da Ellen…! Você me salvou, eu agradeço!
Recebido o agradecimento do rei, enquanto eu hesitava sobre como responder, o homem de barba bate, pá-pá, nas minhas costas. Ai, dói!
— Muito bem por ter salvado Sua Majestade! Touya, é? Gostei de você!
E continua batendo, pá-pá, o barbudo. Já disse que dói!
— General, calma. Mas, aquilo é a magia de nulo [Recovery]. Interessante.
A mulher do báculo dourado, sorrindo, conteve o barbudo. Ufa, me salvou.
— Irmão, e quanto à embaixadora do Reino de Mismede……
— O que tem a embaixadora?
— Está detida pelo Conde Balsa como mentora do atentado contra o senhor. Como proceder?
— Que absurdo! Que ganho Mismede teria em me matar?! Isto é obra de outro alguém que me vê como estorvo!
O rei afirma. Sendo assim, aquele sapo é mesmo o suspeito.
— Mas o fato é que Sua Majestade caiu após beber o vinho dado pela embaixadora. Muitos viram a cena. Enquanto essa suspeita não cair……
— Hmm……
Diante das palavras do general barbudo, o rei reflete. Bom, até provar a inocência, não dá pra soltá-la.
— Não sabemos nem que veneno foi usado. Pode ser um veneno especial dos ferinos. Primeiro temos que descobrir isso…
O velho médico murmura, aflito.
— Por ora, vamos ver a embaixadora. Tragam-na, General Leon.
— Sim.
O barbudo sai depressa da sala.
Provavelmente forjaram uma acusação contra a embaixadora. Matar o rei incômodo e jogar a culpa nela. Criar uma fissura entre os dois países e, com pretexto, declarar guerra…… é por aí. Bem na cara.
— Ã……
A mim, que cismava em silêncio, alguém se dirigiu, acanhada. Surpreso, ergo o rosto, e lá estava a princesa — (Yumina, se não me engano), me olhando, de pé.
Devia ter dois, três anos mais que a Sue. Uns 12, 13. De novo um cabelo louro igual ao da Sue, com olhos grandes e bonitinhos, mas, olhando bem, a cor dos olhos é diferente em cada lado. O direito azul, o esquerdo verde. Aqueles olhos díspares, é. Vestia um vestido branco fofo e, na cabeça, um enfeite de prata brilhava.
— Muito obrigada por salvar o meu pai.
Dizendo isso, ela fez uma reverência bem profunda. Que menina educada. Ainda bem que não é uma princesa mimada e arrogante.
— Que isso, não se preocupe. Que bom que ele melhorou.
Receber agradecimento de novo me dá um certo vexame, então, pra disfarçar, abri um sorriso. Mas a princesa fica me fitando, fixo. Hã, que foi?
Fixo……
Fiiixo……
Fiiiiixo……
Fiiiiiiiixo……
— Ã… o que foi?
Sem aguentar o olhar intenso, pergunto desviando os olhos. Aí a princesa, corando de leve, abriu a boca baixinho.
— …O senhor não gosta de mais novas?
— …Como?
Sem entender a intenção da pergunta, inclino a cabeça. Nisso a porta se abre e entram o general barbudo e, atrás, uma ferina de uns vinte anos. Ué? Essa pessoa……
— Olga Strand, a vosso serviço.
Diante do rei sentado na cama, ela apoia um joelho e baixa a cabeça. Na cabeça dela, espetadas, orelhas de bicho. Da cintura sai uma cauda. De raposa.
— Direto ao ponto. Vieste a este país pra me matar?
— Juro que não, jamais! Envenenar Sua Majestade, jamais!
— Imagino. Não és pessoa de fazer tamanha tolice. Vou acreditar.
Diante do sorriso seguro do rei, a embaixadora de Mismede esboça alívio.
— Mas é fato que o vinho dado pela embaixadora estava envenenado. Como fica isso?
— I-isso……
Diante das palavras da moça do báculo ao lado do rei, a ferina baixa a cabeça sem forças. Não deve ter prova da própria inocência. A moça do báculo também não parecia estar acusando-a; soava mais como "o que fazer quanto a isso". Hmm…
— Posso dar uma palavra?
— Touya?
— A-você……!
Ao me ver falar, a moça-raposa se espanta. Ah, é mesmo aquela moça. A irmã da Alma, a menina ferina-raposa que se perdeu na Capital. Olga-san, é o nome.
— Você conhecia a embaixadora?
— Fiquei amigo da irmã dela. Naquela hora, um pouco. Bom, deixa isso pra lá.
Driblando a pergunta do duque, faço o gesto de "pôr a caixa de lado", mas ninguém reage. Tch!
Pergunto ao general barbudo o que me intrigava desde agora há pouco.
— Onde o rei caiu?
— No grande salão de jantar, onde fazem refeições com gente importante… mas por quê?
— A cena está como estava quando ele caiu?
— Hã? Ah, está como estava… não, só o vinho foi retirado pra seguir o teste de identificação do veneno…
E até agora não detectaram, né. Deve ser aquilo. O truque clássico. Nem é truque, na verdade. Coisa que, se virem que não tem veneno no vinho, logo se descobre. Porco demais. Por garantia, vou verificar.
— Pode me levar a esse salão? Talvez dê pra provar a inocência da embaixadora.
Todos se entreolharam, mas, com a permissão do rei, fui guiado pelo General Leon até o salão.
Aquela sala era um grande salão, com uma lareira de tijolo branco e, na janela que toma toda a face voltada pro jardim, cortinas azul-marinho. Nas paredes, quadros provavelmente caros, e no teto um lustre deslumbrante. Numa mesa comprida, toalha branca, sobre ela um candelabro de prata e a louça com a comida ainda servida, tudo como estava.
Peço ao general que traga o tal vinho.
— Esse vinho é raro?
— Não sei bem, mas parece. Pelo que a embaixadora disse, é feito numa certa vila de Mismede, algo bem precioso.
— Saquei.
Deixa eu conferir.
— [Search]: veneno.
Aciono a magia de busca. Olho o vinho, depois percorro a sala, a mesa. Hum, era isso mesmo. Bom, uma hora todos perceberiam também, mas não dá pra usar magia de busca como eu.
Bom, e agora? Deste jeito, é bem provável que ele se faça de desentendido até o fim. Bom, talvez o crime tenha sido feito contando com isso. "Se falhar, no máximo levanto suspeita", algo assim?
— Já entendi mais ou menos. General, chame o rei e todos aqui. Ah, e o Conde Balsa também. E tenho um pedido……
— Pedido?
O general torceu o pescoço, intrigado, mas concordou em atender o meu pequeno pedido. Se não há prova decisiva, então é fazer ele confessar.
Bom, vamos encenar uma peça.