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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 27

Línguas Antigas e uma Bomba Reveladora

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Capítulo 27 – Línguas Antigas e uma Bomba Reveladora

— Pelo relatório do general, os executores foram dois: o garçom e o provador de comida. Na mansão do Conde Balsa, acharam o mesmo veneno que estava passado na taça. Além disso, ele mesmo confessou que tentou sequestrar a Sue. Com isso, caso encerrado.

No aposento do castelo, sentado numa cadeira, o duque começa a contar, satisfeito.

Na sala, além do duque, estavam Sua Majestade o rei, a Princesa Yumina, a Rainha Yuel e a Charlotte-san, sentados em volta da mesa, tomando chá.

— O que vai ser do conde?

— Atentar contra o rei é nada menos que alta traição. Ele será executado; a casa terá os bens confiscados e será extinta, e o domínio será revertido à Coroa.

Bom, deve ser o normal. Por que será que eu não sinto… culpa nenhuma. É colher o que plantou. Não há espaço pra compaixão.

— E a família do conde?

— Executar todos por cumplicidade… também não. Os parentes perdem o título de nobreza e são banidos do país. Mas, no caso, ele não tem esposa nem filhos. E os parentes eram todos racistas contra ferinos, então vem a calhar. Com isso, os que atrapalham o meu irmão devem diminuir bastante.

O duque fala, satisfeito. Saquei. Usar este caso de exemplo pra intimidar os outros nobres racistas.

— De todo modo, você nos ajudou demais. Quero recompensar quem salvou a minha vida; tem algum desejo?

O rei me lançou isso, mas, sinceramente, no momento não tenho nenhum aperto.

— Não, por favor, não se preocupe. Eu só por acaso passei na casa do duque. E isso deu sorte pra Sua Majestade. Pense assim, só isso.

Sério, não fiz grande coisa. O [Recovery], no fundo, é graças a Deus. Receber recompensa por isso seria atrair azar. …Hm? Azar, no caso, viria de Deus? Raio, só isso eu peço que não.

— Como sempre, você não tem ambição, Touya.

O duque, com um sorriso amarelo, devolve à xícara o chá que bebia.

— Se um conhecido está em apuros, ajudar é o normal, não é? Não ajudo querendo recompensa. Ajudo porque quero ajudar. Só isso.

É sincero. Pelo contrário, se um tipo como o Conde Balsa viesse pedir "me ajuda~", eu não sei se ajudaria. Eu conheço o caráter do duque, e foi porque ele estava em apuros que dei a mão.

— Que pessoa curiosa você é. [Recovery] e [Slip], duas magias de nulo dominadas — não há muita gente assim.

A Charlotte-san, sorrindo, me dirige a palavra. Ser elogiado pela maga da corte dá um certo cosquinho.

— Que nada, o Touya usa outras magias de nulo também. Desta vez veio à Capital pela [Gate]. Detectar veneno, e fazer o shogi, também foi com magia de nulo, ele disse.

— Hã?

Às palavras do duque, a Charlotte-san congela. Ah… será que eu devia ser sincero.

— É, bom, mais ou menos. Magia de nulo eu uso todas. Acho.

Nunca falhei em aprender. Ah, no [Apport] eu falhei uma vez. Mas aprendi direitinho depois.

— Todas…?! Se for verdade… isso é uma coisa absurda! Pe-peraí, espera um pouco!

A Charlotte-san sai correndo da sala, desnorteada. …Será que falei alguma besteira…

— O shogi também foi você que fez? Comecei por sugestão do Al, e aquilo é divertido! Fiquei totalmente viciado. Mas como assim, fez com magia?

Ah, então o rei também se viciou. Irmãos farinha do mesmo saco.

Pego uma taça que estava na mesa e uso [Modeling]. O vidro muda de forma num instante e, em uns 30 segundos, fica pronta uma estatueta imponente do rei, de uns 10 centímetros.

— Mais ou menos assim.

Entrego a estatueta pronta ao rei. Como ele estava à minha frente, deu pra fazer realista até nos detalhes. É de vidro, então, se cair, quebra.

— I-isto é incrível… Havia no Reino Sacro alguém que usava magia parecida, mas… que minúcia…

O rei, ao receber, ergue contra o sol e se admira da estatueta cintilante.

Em seguida, com outras taças, começo a fazer mais duas. Família tem que estar completa, né.

Pouco depois ficam prontas as estatuetas da rainha e da princesa. Entrego cada uma à dona. As duas recebem felizes, comparam as estatuetas e alinham as três na mesa. É, com os três juntos vira um quadro.

— Olha, ganhei uma coisa magnífica.

— No fundo, eram as taças daqui. Aliás, desculpa por ter deixado as taças inutilizáveis.

Faço uma reverência ao rei. Quando ergo o rosto, vejo a cara cobiçosa do duque. Que pessoa fácil de ler.

— …A da família do duque eu faço da próxima vez.

— É sério?! Ah, que pena dar trabalho!

Já que vou fazer, com a Sue e a Ellen presentes fica melhor.

Enquanto eu ria da pidonquice do duque, bam!, a Charlotte-san irrompe de novo, carregando um monte de coisas.

Com um semblante assustador, ela se aproxima de mim e abre diante dos meus olhos um troço escrito numa espécie de pergaminho.

— V-você consegue ler isto?!

A Charlotte-san avança, fff. Que isso, que medo!

Tomado pela pressão, passo os olhos pelo pergaminho, mas está escrito numa língua que nunca vi, e não entendo nada.

— …Não consigo ler. O que é isto?

— Não consegue, né? Então, esta magia de nulo aqui, você usa?

Desta vez ela me mostra uma página de um livro grosso que trouxe junto. Esta eu consigo ler. Hmm, magia de nulo [Reading]? Magia que torna possível decifrar algumas línguas. Só que é preciso especificar a língua. Saquei. Com isto dá pra ler.

— Acho que consigo… Você sabe que língua é esta?

— É a língua espiritual antiga. Quase ninguém consegue decifrar.

Hmm, bom, vou testar.

— [Reading] / língua espiritual antiga.

Ativo a magia. Pego o pergaminho, passo os olhos. ……U… nh…

— Isto é……

— V-você consegue ler?!

A Charlotte-san me fita de olhos brilhando. E eu devolvo um olhar morto.

— Desculpa… eu consigo ler, mas não entendo o sentido……

— Consegue ler, mas… não entende? C-como assim?

— É… "O degomento que não possui um esquema dotado de sentido no éter mágico, na fórmula sômica em que se choca a energia mágica, a variação do edos……", está escrito um monte de coisa, mas não faço a menor ideia do que é……

Não entendo. "Ler" e "entender" são coisas diferentes. Pra minha cabeça é difícil demais.

— Você consegue ler! Que incrível, Touya-san! Com isto a pesquisa dá um salto……! Desculpa, dá pra ler este aqui também?!

— Pe-pe-pera um pouco!

Detenho, recuando, a Charlotte-san que avança com tudo. Você está bufando! Que medo!

— Charlotte. Não se acalma um pouco?

— Hã! D-d-desculpem! Acabei me empolgando…!

Às palavras do rei, a maga da corte cai em si, fica vermelha que nem pimentão e abaixa a cabeça.

— Bom, eu sei que você pesquisa a magia espiritual antiga há tempos, então até entendo o entusiasmo.

— Pois é! Até agora eu achava palavra por palavra pra tentar decifrar, e, mesmo com longos anos, às vezes a interpretação saía errada — e agora é num instante! Touya-san! Por favor, colabore com a decifração!

Hã? Ficar lendo uma coisa dessas…? Sem parar?

— Aliás, isso é mais ou menos quanto…?

— Deixa eu ver, é incontável, mas… primeiro, o que a antiga civilização Partheno deixou……

— Pronto, pode parar!

No "incontável" já basta. De vez em quando tudo bem, mas não tenho intenção de fazer disso um trabalho! Não quero virar tradutor.

Diante da minha recusa, a Charlotte-san faz uma cara de fim do mundo. Mas, mesmo com essa cara……

Ah, é mesmo.

— Desculpa, Majestade. Pode me dar mais uma taça?

— Pode, mas? Vai fazer outra coisa?

Bom, a parte de vidro serve esta, e a parte de metal… uma moeda de prata serve.

Aciono [Modeling] na moeda de prata e no vidro e vou ajeitando a forma. Faço a armação com a moeda de prata, encaixo o vidro nela, e pronto.

É uma construção simples, mas é um óculos. As lentes são só vidro comum, então é um óculos sem grau.

Só a Charlotte-san, que não tinha visto eu fazer as estatuetas de vidro, se espantou; mas não acaba aqui.

Agora, com [Enchant], imbuo nele o efeito mágico.

— [Enchant]: [Reading] / língua espiritual antiga.

O óculos emite uma luz fraca e logo apaga. Pego, ponho em mim mesmo pra mostrar, tiro logo e entrego à Charlotte-san.

— Põe do mesmo jeito.

— Hã? Ah…

Obedecendo, a Charlotte-san põe o óculos sem grau. Ôoo, ficou melhor do que eu esperava. Nasce uma beldade de óculos.

Charlotte com os óculos de tradução

Entrego o pergaminho à Charlotte-san.

— Então, leia isto assim mesmo.

— Hã? …"O degomento que não possui um esquema dotado de sentido no éter mágico, na…"… c-consigo ler! Eu também consigo ler!

Boa, deu certo. Óculos de tradução, nascem aqui.

Ela passa os olhos nos outros pergaminhos que trouxe e, de tanta alegria, sai aos pulinhos, numa figura tão fofa que não parecia uma mulher adulta.

— O efeito deve durar mais ou menos pra sempre, mas, se acabar, me avisa.

— Sim! A-ah, e-isto eu posso ficar?!

— Pode. É seu.

— Muito obrigada!

Ufa, com isto não preciso mudar de profissão pra tradutor.

A Charlotte-san, felicíssima, soltou um "vou começar a pesquisa!" e sumiu como o vento.

— Desculpe. Essa menina, quando se empolga, perde de vista o resto… Em magia, é a maior gênia do nosso país, mas……

— Ora, é justamente o que ela tem de bom, não é?

— …Bom, fico feliz que ela tenha gostado.

À cara de "que coisa, hein" do rei, a rainha ri baixinho ao lado. Vendo aquilo, sento na cadeira e bebo o chá já frio. Que mesmo frio seja gostoso deve ser porque é de primeira.

Fixo……

Fiiixo……

Fiiiiixo……

Fiiiiiiiixo……

…É, faz um tempão que estou sendo observado.

Por quem? Pela princesa. Os olhos díspares, azul e verde, me prendem e não largam. Tipo alvo travado. Será que fiz algo que a incomodou…? Acho que o rosto dela está meio vermelho……

Puf, o ataque por olhar para. Quando dou uma espiada na princesa, ela tinha se levantado, e o olhar se voltava pro rei e pra rainha.

— O que foi, Yumina?

— Pai, mãe. Eu decidi.

O que será que ela decidiu? penso, espiando de canto de olho, e levo de novo o chá frio à boca.

E então, com o rosto vermelho que nem pimentão, ela soltou aquelas palavras.

— C-com este Mochizuki Touya-sama aqui… eu… eu gostaria de me c-casar!

Bfuuuu!!!

Diante da bomba reveladora da princesa, o chá frio voou pelos ares.


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