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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 28

Noivado e Visitas Inesperadas

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Capítulo 28 – Noivado e Visitas Inesperadas

Agora, o que esta menina disse? Casar? Caçar? Cansar? Ah, rachar. "Com este Mochizuki Touya-sama aqui, eu gostaria de me rachar." É, não faz sentido.

— …Desculpa, dá pra repetir, Yumina?

— Como eu disse, gostaria de me casar com este Mochizuki Touya-sama. Pai.

— Ora, ora.

Às palavras do rei, a Princesa Yumina repete a mesma coisa. A Rainha Yuel, sentada ao lado do rei, arregalava os olhos, fitando a filha.

O duque também se espantou; o olhar vai e volta entre o irmão e a sobrinha.

— Qual o motivo?

— Sim. Por ter salvado o senhor, também… mas o Touya-sama deixa as pessoas em volta sorrindo. O tio Alfred, a Charlotte-sama, ele faz todos felizes. O caráter dele é muito agradável, e eu quis trilhar a vida ao lado dele… foi a primeira vez que pensei assim.

— …Sei… Se você diz isso, não me oponho. Seja feliz.

— Pai!

— Peeera aí um pouco!

Ergo a mão e corto a conversa de pai e filha. Se eu não intervier aqui, a coisa pode complicar. Não, já está bem complicada!

— Olha, me incomoda que decidam tudo sozinhos!

— Ah, desculpa. Touya, então, cuide bem da minha filha.

— Não, não, não, não, não, não! Que isso! Rei, o senhor está doido!

Chamei o rei de "o senhor está doido", mas não dá pra ligar pra isso agora. Está em jogo a minha vida!

— Casar a princesa de um reino com um joão-ninguém, pode? Talvez eu seja um facínora!

— Quanto a isso, sem erro. Como a Yumina o aprovou, no mínimo você não é mau. Esta menina sabe distinguir esse "quilate".

Hã? Distinguir o "quilate"? Como assim?

— A Yumina tem o "olho mágico". O poder de enxergar o caráter das pessoas. Bom, é parecido com intuição, mas, no caso da Yumina, nunca errou.

O duque explicou; resumindo, instintivamente ela distingue boa e má pessoa? Aqueles olhos díspares tinham esse poder. Bom, um tipo como o Conde Balsa até eu vejo que é mau, mas, se o poder é real, ela não cai em homem ruim.

Ser chamado de boa pessoa por uma princesa dessas não é desagradável, mas uma coisa não tem a ver com a outra.

— …Afinal, a Princesa Yumina tem quantos anos?

— Doze.

— Ainda é cedo demais pra casamento…!

— Que nada, os da Casa Real costumam se prometer e escolher o par até os 15. Eu também tinha 14 quando me prometi à minha esposa.

Tch. É por isso que outro mundo é complicado. Enquanto eu fazia uma cara de quem mordeu algo amargo, alguém agarrou firme a manga do meu casaco.

— O Touya-sama não gosta de mim……?

A Princesa Yumina me fita com olhos tristes. Pera, isso é golpe baixo! É covardia!

— Ah… não é que eu não goste, mas……

— Então não há problema nenhum!

Num instante, a Yumina abre um sorriso. Que fofa. Não é isso!

E agora? De fato, eu não desgosto desta menina, e também não tenho ninguém de quem eu goste. Os pais aprovam, e dinheiro pra viver não vai faltar. Ué? Não tenho motivo pra recusar?

Não! Casamento é o túmulo da vida! Foi o meu primo que disse isso!

O meu primo casou às pressas porque a namorada engravidou e, em três anos, do nada, levou os papéis do divórcio na cara. Sem motivo. E foi sumariamente posto pra fora da casa que, a pedido da esposa, comprou no maior aperto, parcelado. Depois disso, pelos filhos que passaram a morar longe, pagou pensão alta sem parar. Mas a ex-esposa, pelo visto, gastava esse dinheiro quase todo com ela mesma, fazendo o que bem entendia. No Ano-Novo, quando a parentada se reunia, o meu primo era consolado por todos enquanto lhe enchiam o copo.

A cara cansada desse meu primo me vem agora à mente.

Pronto, vou bancar o solteiro convicto! Convicto, não nobre!

— …No meu país, homem só pode casar com 18, e mulher, com 16. Além disso, eu não sei nada sobre a princesa, e ainda não dá pra pensar em casamento.

— O Touya-san tem quantos anos?

— Quinze. Logo faço dezesseis.

À pergunta da Rainha Yuel, respondo assim. Acho que em uns dois meses faço aniversário. Embora eu não tenha certeza se as datas batem com as do outro mundo.

— Quer dizer que o casamento é daqui a dois anos. Até lá, basta que a senhorita conheça a Yumina. Por ora, fica como noivado, e damos ao Touya-san um tempo pra pensar.

Não, não, não, daqui a dois anos a Yumina vai ter 14! Essa não, esta rainha também é doida!

— Touya.

— Uháai?!

Ao chamado do rei, saiu uma voz esquisita. Fazer o quê, neste caso! Até eu percebo que estou em pânico!

— Por dois anos, conheça a Yumina; e, se mesmo assim você não puder pensar em casamento, desistimos. Que tal começarmos por aí?

— Tá… bom, se é assim……

É várias vezes melhor que casar de imediato, e, com o tempo, o entusiasmo dela pode esfriar e ela olhar pra outro. E, encarando a realidade, se ela perder a vontade de casar, ótimo. Não adianta discutir mais……

Resignado, decidi aceitar o que eles propunham.

— Que bom, Yumina. Nesses dois anos, conquiste o coração do Touya-san. Se não conseguir, prepare-se pra passar a vida toda num convento.

— Sim! Mãe!

— Pera! Que isso?!

Me precipitei mesmo! Que peso! Pesado demais! Que negócio é esse, sinto que aos poucos vão fechando as minhas saídas!

Por que, se eu der um fora nesta menina, ela fica solteira pra vida toda? É só procurar alguém melhor!

— De agora em diante, conto com o senhor. Touya-sama.

O sorriso radiante da princesa. A ele eu só pude devolver um riso seco. Senti como se o meu primo me dissesse "não acabe como eu"……

— O que você foi fazer, hein?

— Sei lá, nem eu entendo o que aconteceu……

De volta à "Lua de Prata", quando contei toda a confusão pro pessoal, a Elsie me lançou um "francamente".

— O Touya, noivo……

— Que surpresa……

A Yae e a Lindsey, com cara de espanto, olham pra menina pendurada no meu braço esquerdo.

Pois é. Ela veio junto. A princesa deste reino.

A senhorita Yumina Ernea Belfast.

— Sou Yumina Ernea Belfast. Pessoal, conto com vocês.

Educada, ela faz uma reverência diante de todos e cumprimenta. O sorriso de quem não cabe em si de alegria me pesa no peito.

— E aí? Por que a princesa está aqui?

— Sim. Por ordem do meu pai, vou morar com o Touya-sama. Chamam isso de "preparo de noiva". Como sou muito ingênua, devo causar transtornos, mas peço encarecidamente a compreensão de todos.

Pois é. Depois daquilo, empurraram a princesa pra mim. O que esse rei tem na cabeça. Pra conhecer bem o outro, o mais importante é estar perto, blá-blá-blá. Pelo menos manda uma escolta! Não fica preocupado com a filha? Não me diga que tem um ninja de escolta no forro do teto.

Bem na hora em que pensei nisso, tec, veio um barulho do forro. …É rato, né?

— Morar junto, aqui? Sendo princesa, tudo bem… senhor?

A observação da Elsie faz sentido. Eu também acho. Alguém que sempre viveu cercada de criadagem, fazer tudo sozinha — não me parece possível.

Sinceramente, há uma parte de mim que torce pra ela sentir o aperto e fugir de volta pra casa…

— Por favor, parem com a formalidade, Elsie-san. Por ora, começando pelo que eu consigo, quero ajudar o Touya-sama. Vou me esforçar pra não atrapalhar!

Diante do peito, ela cerra os dois punhinhos numa pose toda animada. Que fofa. Não é isso.

— …Como assim, na prática?

A Lindsey levanta a mão pra perguntar.

— Primeiro, me registrar na guilda como vocês e conseguir cumprir pedidos.

— Hã?! — em quatro vozes.

A voz de todos sai em uníssono. Registrar na guilda… ela pretende virar aventureira?!

— Pe-pera, princesa? Aceitar pedido na guilda, você entende o que é?! Tem muita coisa perigosa…

— Eu entendo. E, por favor, pare com o "princesa". Me chame de Yumina, meu marido.

— "Meu marido", para!

— Então, "Yumina".

A princesa… ou melhor, a Yumina sorri risonha. Hmpf. Mais esperta do que parece, esta menina.

Por ora, consegui derrubar o "meu marido" e também o "Touya-sama". Ficou Yumina, e Touya-san.

— Aprendi com a Charlotte-sama noções de magia e tiro com arco. Eu até que sou forte, viu.

— Arco e magia… ataque a distância de fato ajuda. Quais são os seus atributos de magia?

— Vento, terra e trevas. Mas ainda só consigo invocar três tipos de criatura.

Vento, terra e trevas. Justo os atributos que a Lindsey não usa. A força dela eu ainda não sei…

— Hmm, o que a gente faz?

A Elsie cruza os braços, virada pra Lindsey e a Yae. "O que a gente faz" deve ser sobre incluir ou não a menina no grupo.

— …Por ora, em caráter de teste, aceitar algum pedido, que tal…?

— Saquei. Ver a força dela primeiro, é?

— Isso aí. Bom, se ficar perigoso, o Touya protege, né. Então está decidido.

Tinha um monte de coisa pra retrucar, mas, como pode dar pano pra manga, fico calado. Aliás, pelo clima, sinto que eu nem tenho direito a voto aqui.

Por ora, ficou decidido que amanhã a gente vai à guilda registrar a Yumina.

Depois disso, a Mika-san arranjou um quarto pra ela (a Yumina chegou a dizer que podia ser no meu quarto, mas eu recusei terminantemente), jantamos todos juntos e fomos dormir pra encarar o amanhã.

De volta ao quarto, enfim sozinho, eu desabei na cama. Cansado… cansadíssimo……

Aos meus ouvidos, que queriam dormir feito uma pedra, chegou um toque que eu não ouvia havia tempos. A "Cavalaria Ligeira", de Suppé. Uma música alegre, que, pra mim agora, soa um tanto irritante.

Tiro o smartphone do bolso, e estava escrito "Chamada — Deus".

— …Alô.

— Ô, quanto tempo. Touya, parabéns pelo noivado.

— …Como o senhor sabe. …Bom, sendo Deus, não seria estranho saber, né…

— Ha-ha-ha. Foi coincidência. Faz tempo que eu não dava uma olhada em você, e olha que coisa engraçada aconteceu.

A voz divertida de Deus me chega.

— Não tem graça nenhuma… Casar com essa idade, eu não consigo nem pensar.

— Não é uma boa menina? Está insatisfeito?

— Não, a Yumina é fofa e, no futuro, vai ser uma baita mulher; o temperamento é franco e agradável. Mas uma coisa não tem a ver com a outra.

— Que durão. Nesse mundo, poligamia é normal, então, se tem uma moça de quem você gosta, é só ir fazendo dela esposa.

Era isso……? Como o duque e o rei tinham só uma esposa, eu achei que… Não, não, não é essa a questão. Eu não tenho fantasia de harém.

— Bom, todo mundo está curioso pra ver o que vai ser de você, então capriche, viu?

— Que abuso… hm? …Todo mundo, quem?

— Os deuses deste mundo. Quando mostrei você a eles, pareceram todos interessados. Por brincadeira, deve ser.

Hã? Como assim? Deus não é um só?

— "Deuses"? Tem outros, além do senhor?

— Tem, sim. Em via de regra eu sou o Deus do Mundo, o mais alto, mas há os deuses menores: o deus da arte, a deusa do amor, o deus da espada, o deus da agricultura, e por aí. A deusa do amor, em especial, estava muito interessada.

Não mete o nariz nos casos de amor dos outros, deusa do amor.

— No seu casamento, todos resolveram ir como a parentada, e a empolgação foi geral. Ah, eu vou no papel de avô.

— Olha aqui, o senhor……

Será que os deuses não têm o que fazer. Os convidados do lado do noivo serem todos deuses, que história é essa. De fato, parente eu não tenho nenhum neste mundo, mas.

— O senhor não disse que, depois de me mandar, não podia mais interferir?

— A rigor, foi "como Deus do Mundo, não posso interferir muito". Se eu descer ao mundo como humano, não tem problema.

Tem problema, sim, eu acho… Mas, se eu retrucar, sinto que perco. Os deuses da mitologia também desciam à terra à vontade.

— Bom, de todo jeito, estou na torcida. Pense bem e viva sem se arrepender. Eu quero que você seja feliz. Então, até mais.

— Tá……

Dou uma resposta vaga e desligo. Viver sem se arrepender, é.

Noivar com uma menina de 12, como é que fica isso… Pensando num garoto do primeiro ano do ensino médio com uma menina do sexto ano, sinto uma baita diferença de idade; mas, pensando em quatro anos de diferença, será que não é tanto…? Os meus pais têm seis de diferença. E tem famoso por aí com casamento de 30 anos de diferença.

Aliás, eu nem namorei uma menina ainda; casamento não me entra na cabeça de jeito nenhum.

Aff, não dá pra entender nada. Hoje, vou dormir.


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