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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 33

Manoplas e Gothloli

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Capítulo 33 – Manoplas e Gothloli

— Hmm… que perrengue……

A Elsie, com cara fechada, estava aflita. Sentada à mesa do refeitório, diante dela, as manoplas prateadas de brilho baço que ela tanto usa. Só que a parte do punho de uma delas estava arrebentada.

Culpa do monstro contra quem a gente lutou ontem. Um monstro de corpo de pedra: a Gárgula. Pra ser exato, havia, num bando de ladrões, alguém que manejava magia de trevas, e o que foi invocado foi aquilo.

Cercados por várias Gárgulas, com aspecto de demônio de pedra, a gente penou. Afinal, são duras e espada não pega. Magia tem pouco efeito, flecha não atravessa. O único a causar dano de verdade era o golpe de impacto da Elsie.

A Lindsey também, a certa altura, começou a destruir as Gárgulas com magia explosiva tipo [Explosion] e [Bubble Bomb], e eu, aproveitando a brecha, usei o [Paralyze] e paralisei o conjurador, e a coisa se resolveu. Os ladrões e o mago capturados a gente entregou à guarda do reino.

O pedido da guilda foi concluído, mas as manoplas queridas da Elsie ficaram nesse estado.

— Não tem jeito a não ser comprar outras……

— Que tal? Eu posso consertar com [Modeling], mas provavelmente não conserta o desgaste do metal, então deve quebrar de novo.

— E olha que essa era a que melhor tinha caído na minha mão até hoje.

A Elsie fala com pesar. Bom, quando uma coisa de estimação quebra, dá tristeza.

— E aí? Vai à "Armas Urso-Oito" comprar uma nova?

— Já fui. Disseram que manopla do mesmo tipo só chega de novo daqui a cinco dias.

Demora bastante. Bom, manopla, num sentido — diferente da manopla de armadura completa —, manopla de combate pesada, feita desde o começo pra socar, tem pouca procura, naturalmente.

Gente que luta com os punhos e o corpo, como a Elsie, os chamados "lutadores" neste mundo, parece que neste país é minoria. Já no reino dos semi-humanos, Mismede, há bastante, dizem. Como os ferinos têm capacidade física superior, dá pra entender.

— Touya, me leva à Capital. Não dá pra esperar cinco dias!

Que afobada. Por mim tudo bem. Comparada à Lindsey, a Elsie é do tipo que pensou, já age. Enquanto a Lindsey testa a ponte de pedra antes de atravessar, a Elsie atravessa correndo antes da ponte cair. Mais ou menos assim.

— Na Capital seria a "Berkut"… Aliás, tinha uma manopla com encantamento mágico, a "Manopla da Força Bruta".

A "Berkut" é a loja onde comprei este sobretudo com o encantamento absurdo de reduzir magia de ataque de todos os atributos.

— Manopla da Força Bruta?

— Se não me engano, tinha um encantamento de aumentar a força, algo assim.

— Que isso, fiquei curiosa!

De olhos brilhando, a Elsie se levanta, agarra a minha mão e me arrasta pro quintal dos fundos.

— Bora! Bora já! Partiu!

— Que rápido?! Você tem dinheiro?!

— Saquei da guilda agora há pouco, então tá tranquilo!

Pensou, já agiu, mesmo! Arrastado, eu pensava na cabeça que esta menina podia se acalmar um pouco.

— Bem-vindos à "Berkut".

A moça que me atendeu da última vez nos recebeu de novo. Diferente da outra vez, não pediu documento de identidade. Será que ela lembra de mim. Se for, é impressionante.

A Elsie, ao lado, deve ter sido considerada minha acompanhante, e também não pediram documento. Quanto a ela, olhava pra todo lado a loja de luxo inesperada. Melhor fechar a boca……

— E em que posso ajudá-los hoje?

— Ã, a "Manopla da Força Bruta" que vi aqui antes ainda tem?

— Lamento. Esse produto já foi vendido……

Aff, que pena. A Elsie, ao lado, soltou um "ééé~". Bom, equipamento com encantamento, a não ser que seja produto com história como o meu sobretudo, não fica encalhado.

— Procura manoplas?

— Sim. Manoplas de combate, de impacto.

Como é pra socar, talvez entre na categoria de arma, mas, por tipo, é equipamento de defesa. Não é estranho ter numa loja de armaduras. Aliás, é o óbvio.

— Manoplas de impacto, é. Temos algumas com efeito mágico imbuído.

— Tem com efeito mágico? Pode mostrar?

— Pois não. Por aqui.

A moça nos leva à seção dos fundos. É onde estava o meu sobretudo.

A atendente pega duas manoplas que estavam expostas ali e as alinha no balcão.

Uma, de cor verde metálico, de formato aerodinâmico belíssimo.

A outra, de cor dourado e vermelho, de design anguloso.

— Esta tem encantamento de atributo vento, que desvia flechas e afins que voam em sua direção. Infelizmente não chega a desviar magia de ataque a distância, mas combina com uma alta defesa mágica.

A atendente pega a verde metálico e explica. Desvia ataque físico a distância, é. Desviar magia parece que não dá, mas, se a defesa mágica é alta, mesmo levando o golpe o dano é menor.

— E esta, ao acumular energia mágica, tem o efeito de aumentar o poder de destruição de um golpe. Acumular a energia leva um certo tempo. Ao mesmo tempo, é ativado um encantamento de endurecimento, então a própria manopla não se quebra.

Desta vez, pegando a dourado-e-vermelho, a atendente explica. Ao contrário da verde, esta tem encantamento focado em ataque. Um ataque "carregado", tipo de jogo, deve ser.

Defesa ou ataque. Problema difícil. Eu prefiro fortalecer a defesa e abater o inimigo com segurança, então seria a verde metálico; mas a Elsie deve escolher a dourado-e-vermelho, focada em ataque.

— Fico com as duas.

— Hã?!

Ao ouvir isso, eu, que comparava as duas manoplas, sem querer viro o olhar pra Elsie ao lado.

— Vai comprar as duas?

— Ambas parecem úteis. É só equipar uma em cada mão, direita e esquerda, separadas.

— E o par que sobra?

— Guardo de reserva, claro. Pode acontecer de quebrar de novo, como agora.

De fato, enquanto usar pra socar, isso pode acontecer. Mas, quando eu disse que, na reserva, a mão dominante ficaria trocada, ela disse que não tem problema.

Pra começar, lutar usando só um lado não é muito o estilo dela, pelo visto. Tipo o "switch hitter" do boxe.

— Pois não. Se ao equipar sentir algum incômodo, é só avisar. Ajustamos.

— Nh, tá tranquilo.

A Elsie equipou as duas manoplas em sequência, conferiu o tato e respondeu assim.

— Então, a verde sai por 14 moedas de ouro, e a dourado-e-vermelho, por 17.

Total de 31 moedas de ouro. Três milhões e cem mil ienes. Caro como sempre… ou, com encantamento, isto é barato…? Toda vez o senso de dinheiro se desvirtua.

— …………Touya.

— Que foi?

— …Me empresta uma moeda de ouro. Faltou um pouco.

— Confere antes, né……

Tiro uma moeda de ouro da carteira e entrego à Elsie.

Pagamos à atendente três moedas de platina e uma de ouro, e fechamos a conta. Pus os dois pares de manoplas num saco e, como é volumoso, carreguei eu. Homem carregar sacola não muda em mundo nenhum……

— Muito obrigada. Esperamos o seu retorno.

Acompanhados pela atendente, saímos da "Berkut".

— É a Capital mesmo, né. Tem coisa boa. Em compensação é caro, mas.

A Elsie, andando ao lado, estava de bom humor. Bom, conseguiu o que queria, um pouco de empolgação é compreensível.

Mas quatro manoplas pesam, hein… Vamos entrar num beco qualquer e voltar logo pra pousada pela [Gate].

— Elsie, daquele beco ali a gen…

Quando vou falar com a Elsie ao lado, não tinha ninguém.

— Ué?

Procurando pra todo lado, a Elsie estava parada bem mais atrás, diante de uma loja. Olhava fixo algo pela vitrine. Que será?

Volto e, por cima do ombro dela, confiro. Ahá, é isto.

Um casaco preto com babados brancos. No peito, uma gravata-laço grande. E uma minissaia preta de três camadas de babados com renda.

Parece a tal roupa gothloli, mas sinto que é um pouco diferente.

A Elsie segue fitando a roupa pela vitrine.

— …Você quer?

— Hã? Háu?! T-Touya?!

Recuando de mim, que falei, ela grita, vermelha que nem pimentão. Que reação é essa.

— A-ah, é-essa daí! Isso, a Lindsey! Achei que ia ficar bem na Lindsey! Ela não parece gostar desse tipo de roupa? Diferente de mim!

A Elsie despeja as palavras. Ora, irmã coruja.

— Mas, se fica bem na Lindsey, acho que fica bem na Elsie também.

— Qu…!

A Elsie fica vermelha e abre e fecha a boca, muda. Que reação é essa, francamente. Tá agindo suspeito.

— Que isso você está falando, eu e a Lindsey não dá nem pra comparar…

— Será? As duas são bonitas, e são gêmeas, não tem isso.

— B-bo-bonit…?! E-ei, que papo é esse?!

Dosc! O punho da Elsie crava no meu flanco. Ugh! Doeu pra caramba!

— Não… é que… numa roupa dessas a Elsie ia ficar bem também……

Apertando o flanco, aguentando a dor, explico pra Elsie. Ué, começou a sair suor frio.

— Uma roupa dessas, em mim, não tem como ficar bem…

— Tem, sim.

— Não precisa ter consideração comigo. Quem me conhece melhor sou eu.

— Não, é que……

Por que ela nega tanto? Será que não acredita em mim. Fica linda, com certeza. Começou a me dar uma irritação.

— Eu não sou do tipo a quem essas coisas caem bem…

— Aah, francamente! É só vestir que você vê! Vamos experimentar!

— Hã?! Pera…! Touya?!

Puxo pela mão a menina que nega teimosa e, à força, entro na loja. Peço à atendente a roupa que estava exposta e, junto, empurro a Elsie pro provador.

— Pera! O que você tá fazendo?!

— Tá bom, tá bom, anda, veste.

Fecho a cortina do provador e me afasto pro canto da loja. Passo o tempo olhando os cintos e acessórios ali. Pouco depois, a cortina do provador se abre, hesitante.

— Ôoo.

Ali estava uma Elsie diferente da de sempre.

A roupa estilo gothloli combinava muito com a Elsie de longos cabelos prateados. Tá vendo? É o que eu disse. Menina a quem isto cai tão bem é raro.

— Olha, não combina, né. Eu não falei……

— Hã?! Que isso você tá falando?!

À menina que abaixa a cabeça sem confiança, soltei uma voz exasperada. Como é que chega a essa conclusão. Ainda não admite, esta menina!

— Combina demais. Né, atendente!

— Sim, ficou ótima. Está linda, senhorita.

Eu e a atendente, em coro, elogiamos a Elsie. Tem um espelho dentro do provador; será que ela não olhou a própria imagem.

— S-será……

Corando, ela ergue a barra da saia e gira devagar no lugar. É, combina mesmo. Bonita.

Pronto. Falo com a atendente.

— Com licença, dá pra levar esta roupa?

— Hã?

À revelia da Elsie espantada, pago à atendente. Três moedas de prata. Custa um bom dinheiro…

— P-pera, Touya?! Eu não tenho intenção de comprar!

— Não é isso. Eu que vou comprar. É um presente pra Elsie.

Uma roupa que cai tão bem, eu vou conseguir voltar sem comprar? E quero que todos vejam. Pego a sacola de papel e entrego à Elsie. É pra ela guardar a roupa que estava usando.

Ao sair da loja, a Elsie, que ia de cabeça baixa, envergonhada, ergue o rosto e agradece.

— Obrigada……

— Pronto, vamos voltar logo pra todo mundo ver!

— Hã?! Pe-pera, isso talvez seja vergonhoso……

Levando a Elsie toda enfeitada, saí correndo.

Quando mostro a Elsie de roupa nova a todo mundo, todas elogiam, dizem que ficou bem. Tá vendo? O meu olho não falha.

Só que, quando descobrem que a roupa fui eu que dei, por algum motivo todas ficam com uma cara complicada e, por algum motivo, acabei tendo que comprar, da próxima vez, roupa pra todas elas.

……Como é que foi dar nisso?


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