Capítulo 154
Acordei com o brilho ofuscante do sol da manhã.
Aliás, ontem, assim que voltei pra cabana, caí no sono na hora. Parece que eu estava bem cansada.
Levantei da cama e soltei um pequeno suspiro.
No final, não consegui encontrar o tio Will… quando será que todos esses problemas vão se resolver, afinal?
De alguma forma, minha cabeça está pesada… Será que eu treino uns movimentos de espada?
Peguei a espada, alonguei o corpo, e saí da cabana.
— Alicia?
Ouvi uma voz que eu conhecia. Olhei na direção da voz.
…Entendo que o Jill tenha acordado antes de mim e esteja lá fora. E também entendo que o Henry-nii-sama esteja lá.
O problema é: por que ele está aqui?
Não seria estranho ele estar aqui, mas… a combinação de pessoas é esquisita.
— Quanto tempo.
Paul-san sorriu pra mim.
Mesmo o Paul-san tendo aquele jeito calmante, estando junto do Jill e do Henry-nii-sama, de alguma forma ele parece sombrio.
— Você ficou muito bonita, Alicia. …O olho, está tudo bem?
Paul-san disse isso, apontando de leve pro próprio olho esquerdo.
Devia ser um reencontro depois de muito tempo, mas de alguma forma tive a sensação de que sempre nos encontrávamos. Ele tem esse jeito de se encaixar em qualquer lugar.
— Sim, está tudo bem. …Por que o Paul-san está aqui?
Henry-nii-sama fez uma cara levemente incomodada diante da minha pergunta.
Será que o Paul-san fazia algo além de trabalhar na loja de plantas? Sendo nobre, ele não deveria ter nenhum outro papel além de dono de loja de plantas. Ultimamente os mistérios só aumentam, sem se resolverem de jeito nenhum.
Aliás, será que ele já encontrou a Liz-san… A afeição da Liz-san pelo Paul-san deve ser bem alta. Ah, tenho um monte de coisas que quero perguntar.
— …Quando o Jill e o Paul-san se conheceram?
Assim que eu disse isso, Jill riu de leve. Parecia um garoto pego numa travessura.
— O Henry me apresentou.
— Desde quando vocês ficaram tão amigos assim?
— Mais do que isso, vamos ouvir a história do Paul juntos, Alicia.
— Antes disso, eu tenho uma coisa que quero perguntar ao Paul-san.
— O que é?
Paul-san disse isso, me dirigindo um sorriso refrescante.
Refrescante demais, o que já é suspeito por si só. …Antes eu nunca pensava assim.
— Você já encontrou a Liz-san?
— Ah, sim, já.
Paul-san disse isso, arregalando um pouco os olhos visíveis através dos óculos.
— Qual foi sua primeira impressão dela?
— …Acho que ela é fofa e boazinha.
Paul-san disse isso com uma expressão levemente confusa.
…Entendo por que ele fez essa expressão. Afinal, isso virou de repente um interrogatório.
— Ali, o Paul está nos dando informações.
Henry-nii-sama disse isso, interrompendo minha pergunta.
— Informações?
— Isso mesmo.
Henry-nii-sama disse isso e assentiu.
Corretor de informações… será que é o trabalho secundário dele? Ou será a loja de plantas que é o secundário?
— Ou seja, o Jill ouve sobre o que acontece na academia através do Henry-nii-sama, sobre o que acontece na cidade através do Paul-san, e vai ao vilarejo da pobreza com os próprios pés, tendo controle de todas as informações.
Assim que eu disse isso, Jill ergueu levemente os lábios, com orgulho.
…Que menino é esse. Está além do que eu consigo controlar. Só posso dizer que é incrível.
Bem, claro, eu não vou elogiar em voz alta.
— Vilarejo da pobreza?
Paul-san ficou paralisado, com os olhos arregalados.
…É verdade, as pessoas ao meu redor já sabem que eu vou ao vilarejo da pobreza, então acabei falando naturalmente sem perceber.
Ou seja, será que o Paul-san não sabia que o Jill era do vilarejo da pobreza?
— Antigamente, usei o Josiah que ganhei do Paul-san pra curar a doença do Jill.
— Hã?
Diante das minhas palavras, quem exclamou não foi o Paul-san, e sim o Jill.
Ah, é verdade, o Jill também não sabia que foi a erva medicinal da loja do Paul-san que curou a doença dele.
De alguma forma, parece o sucesso de uma pegadinha que durou anos.
— Parece que a gente já estava conectado desde aquela época.
Paul-san disse isso e abriu o sorriso calmante de sempre.
Mesmo sendo o mesmo tipo calmante, eu prefiro o sorriso do Paul-san ao da Liz-san.
— Nunca imaginei que uma senhorita de uma das cinco grandes famílias fosse ao vilarejo da pobreza, que surpresa.
— Sim, sempre surpreendo as pessoas. Já me acostumei.
Paul-san deu um sorriso amargo diante das minhas palavras.
— O Jill é… um garoto do vilarejo da pobreza, então.
Paul-san disse isso calmamente, olhando fixamente pro Jill.