Capítulo 238
Nós, os membros da expedição, avançávamos a cavalo por uma estrada vazia e ampla, debaixo de um céu completamente limpo, sem nenhuma nuvem.
…Acordar tão cedo assim de manhã. Os soldados, tudo bem, mas até o príncipe Victor e os anciãos conseguiram acordar cedo desse jeito. Será falta de educação chamá-los de "anciãos"?
— Pirralha, aprende direito nessa expedição, hein.
De repente, Victor se virou na minha direção.
— Aprender o quê?
— Sei lá.
Ei, pensei internamente, meio irritada. Antes de mais nada, eu nem sei do que se trata essa expedição. Só sei que é perigosa.
Que expedição mais vaga é essa.
— A baixinha realmente conquistou a simpatia do príncipe, hein.
Diante das palavras do Capitão Marius, dei um sorriso amargo.
— Não, no começo ele parecia não querer ter absolutamente nada a ver comigo.
— Bom, é que você…
Ele começou a dizer alguma coisa, mas se calou no meio.
— Já que começou a falar, termina.
— Normalmente ninguém ia querer, né. Cuidar de uma aberração qualquer, sem saber nem de onde ela é.
— A aberração aqui não sou eu, viu.
Murmurei isso baixinho, em resposta à voz alta do Capitão Marius. Parece que ele não ouviu o que eu disse.
A verdadeira aberração é a Liz-san. Em termos de capacidade, eu devo estar mais ou menos na média alta.
Olhei na direção dos meus avôs.
Do que será que eles estão conversando? Sendo esses três, com certeza deve ser algo profundo e com bastante conteúdo.
Empolgada sozinha, fiquei prestando atenção na conversa deles.
— O Albert está de mau humor hoje, é melhor não falar com ele.
— Gente velha costuma estar cheia de energia logo de manhã, né.
Kate riu de leve diante das palavras do Mark.
Uma coisa que percebi ontem é que, entre os três, o Kate é o mais espontâneo. Mas, sendo assim, dá até mais medo, porque parece esconder mais coisas por trás.
E o meu avô parece ser o mais difícil de lidar de todos. …Mesmo o Otou-sama sendo tão tranquilo assim. Nem pai e filho se parecem sempre, hein.
Não sei bem qual é a personalidade do Mark, mas não parece ser do tipo de temperamento explosivo como o Eric.
Enquanto eu ficava balançada pelo cavalo, observando-os vagamente, sem perceber, já tínhamos entrado numa floresta um pouco escura.
Diferente das árvores perto da minha casa, os troncos aqui eram finos e frágeis. As folhas longas e pendentes chamavam atenção.
Se fosse pra comparar por assombração, essa floresta ganharia de longe.
— Não tem medo?
Victor me olhou com um sorriso maroto e um pouco malicioso.
— De jeito nenhum, muito pelo contrário, já estou acostumada.
Respondi com um tom tranquilo, e ele virou o rosto pra frente com uma expressão de quem achou aquilo sem graça.
Desde pequena, eu ficava indo e voltando o tempo todo, à noite, por uma floresta escura e assustadora que nem essa. Não tem como sentir medo com um negócio desses.
Pensando isso, olhei ao redor. Um sapo morto na raiz de uma árvore, uma cobra de olhos afiados num galho, insetos no chão.
De fato, uma nobre comum provavelmente desmaiaria de susto com um lugar desses.
…O número de insetos nas florestas daqui parece bem maior do que no Reino de Dulkis. Será que até os insetos se concentram nos grandes reinos?
— O que será que tem lá na frente, afinal?
O soldado Keres, que também nos acompanhava, murmurou isso sozinho. Havia um leve tom de ansiedade na voz dele.
Será que quase ninguém nunca entrou nessa floresta antes?
— Essa floresta é perigosa?
Me aproximei devagar de Keres e sussurrei isso. Não quero que o Victor perceba que não sei nada sobre este reino.
— Claro que é, a Chaleira é área proibida.
— …Chaleira? …Espera, uma chaleira!?
Nunca tinha ouvido falar que uma chaleira seria proibida de se aproximar. Ou melhor, o que cabe dentro de uma chaleira, no máximo, uns insetos?
Antes de mais nada, será que existe chaleira nesse mundo?
— Por que essa cara de espanto? Nunca ouviu falar da "Floresta que Leva à Morte", é a primeira vez?
Keres me olhou com desconfiança.
Ah, é isso que ele quis dizer. Ou melhor, então esse lugar é uma floresta, afinal.
— Não, nada não. Só não sabia que era chamada de "Chaleira".
Duvido muito do bom senso de quem escolheu esse apelido.