Capítulo 251
No exato instante em que o Victor tentou pisar na água embaixo da cachoeira, algum tipo de força o repeliu de volta.
…O que foi isso agora? Poder da fada?
— Que droga é essa?
Ele tentou entrar na água com força de novo, mas foi repelido outra vez.
— Ei, pirralha, faz alguma coisa.
Eu não faço a menor ideia de como lidar com uma fada. Só descobri hoje que elas existem, sabia?
Achava que a única parte de fantasia deste reino fosse a magia. Pedir pra eu, que só sei usar magia, fazer alguma coisa aqui é tipo ir num restaurante italiano e pedir sushi.
De qualquer forma, tentei entrar na água também. O Victor ficou me observando fixamente.
Primeiro, preciso pensar por que ele foi repelido… …Espera? Eu consegui entrar.
Me virei rapidamente na direção do Victor. Ele também estava me olhando com os olhos arregalados.
— Por quê!?
— Sei lá eu!
Tanto eu quanto ele levamos um tempo pra processar a situação, de tanta surpresa.
O Victor foi rejeitado, e eu fui aceita? Será que essa cachoeira é exclusiva pra mulheres?
Enquanto eu pensava nisso, o Victor me olhou como se estivesse me atravessando com o olhar.
— Você tem um poder mágico bem forte, não tem?
— Hã?
— Já chega de fingir demência. Você conseguiu entrar aqui com facilidade porque tem um poder mágico mais forte que o dessa fada.
— Como você sabe uma coisa dessas?
— Existe uma lenda deste reino que diz… não, deixa quieto.
Por que ele parou justo aí? Esse é o pior tipo de interrupção possível. Se ia esconder, que não tivesse dito nada desde o início.
— Termina de falar.
— Você não está esquecendo que eu sou o príncipe?
— Não faça meias-palavras assim, sendo príncipe.
— Não posso simplesmente falar informação confidencial do reino.
— …Quer dizer que é algo mais importante até do que esse lago podre?
— Isso mesmo.
Ele quase deixou escapar isso com tanta naturalidade… devia tomar mais cuidado.
Uma lenda considerada mais importante até do que a condição pra virar rei sobre a fonte deste lago — o que será, afinal? Ah, francamente, agora fiquei curiosa demais!
De qualquer jeito, mesmo se eu pressionasse ele agora, com certeza ele não abriria a boca. Só me resta descobrir sozinha.
— Deixa isso de lado, se você conseguiu entrar, não seria você quem capturaria a fada?
— Se eu capturar a fada, eu me torno rei deste reino?
Diante da minha pergunta, o Victor fechou a boca. Ele não é do tipo covarde. Deve entender bem o que significaria eu conseguir a fada no lugar dele.
— Eu disse que aceitaria ser usada, mas isso aqui você precisa conseguir com as próprias mãos.
— Você sabe que eu não consigo ir até aí. O que você quer que eu faça?
Ele levantou a voz, um pouco irritado.
Pressa gera prejuízo. O objetivo já está bem na sua frente, por que tanta pressa?
— É por isso mesmo que eu vou te ajudar.
— …Como assim?
Victor franziu a testa.
— As pessoas apreciam a flor.
— Do que você está falando de repente?
— Ninguém aprecia o caule ou a raiz que sustentam a flor. …Ou seja, ninguém vai se importar nem um pouco com o processo de como você conseguiu a fada.
— Onde você quer chegar com isso?
— O feito brilhante será todo seu, príncipe.
Dizendo isso, tirei o pano que cobria meus olhos. Encarei o Victor firmemente com o meu olho direito.
Abri levemente os dois braços e liberei meu poder mágico do corpo, depois de muito tempo. Senti, pela sensação, meus próprios olhos brilhando cada vez mais.
Essa fada tem um poder mágico e tanto, hein.
Aos poucos, dava pra ver rachaduras se formando numa espécie de parede invisível. Dali, aquela luz ofuscante que eu tinha sentido ao chegar aqui começou a se espalhar.
Concentrei toda a força no corpo. Naquele instante, o local inteiro foi envolto por uma luz cegante. Tanto eu quanto o Victor fechamos os olhos com força.