Capítulo 263
Todos os moradores do vilarejo da pobreza foram libertados. Fora o primeiro homem, ninguém mais tentou nada de violento.
…O clima entre todos mudou bastante, hein. Algo impensável no vilarejo de antes da Alicia chegar.
O Nate está gerenciando tudo com rigor absoluto. Que alívio, tê-lo como capitão. Parece que até o Duke confia nele.
O vovô voltou pro palácio real. Parece que o rei preparou um quarto pra ele. Quando o Duke contou isso pra ele, o vovô ficou com uma expressão que quase chorava.
Faz sentido, aquele já era o lar dele originalmente… Acho que ele vai se acostumar rápido de novo à vida de lá.
Será que, agora mesmo, ele está tendo uma conversa animada com o rei?
Fiquei imaginando isso vagamente, esticando os dois braços pro céu, alongando o corpo no jardim interno da academia.
Aconteceram coisas demais ultimamente, estou cansado…
Mesmo com a Alicia exilada, não deveria estar cansado por coisas menores que isso… …Mas, conhecendo ela, sinto que ela também está se divertindo bastante no reino de Lavarre.
Mesmo sendo nobre de uma grande família, a capacidade de adaptação dela é impressionante demais.
Que tipo de vida turbulenta ela teria que ter vivido pra crescer desse jeito, afinal? Já vi várias nobres depois de entrar nesta academia, mas nenhuma se compara a ela.
Tem algumas mais inteligentes, algumas um pouco excêntricas. …Mas ela está num nível completamente diferente.
Nunca ouvi falar de outra nobre que empunhasse espada, e não tem ninguém que chegue a um nível de magia como o dela.
Depois de levar uma explosão gigante logo de início, pequenas explosões deixam de causar tanto impacto.
Bom, achei que finalmente a paz teria chegado pra mim… mas não foi bem assim.
Ela vinha caminhando direto na minha direção.
— Kate Liz.
Endireitei a postura e murmurei o nome dela, calmamente.
Nunca imaginei que chegaria o dia de eu enfrentá-la cara a cara, sozinho. Até agora, sempre tinha alguém por perto.
…Ou melhor, é raro ela também estar sozinha. Onde será que foi parar o grupo dela de sempre?
— Jill… kun.
Foi a primeira vez, acho, que ela chamou meu nome. Sempre fui eu quem dizia o nome dela.
Encarei-a, um pouco tímida. Não tenho a menor intenção de ficar amigável com ela. Muito pelo contrário, eu não gosto dela.
Não que eu tenha sofrido dano diretamente por causa dela, mas, vendo todo o comportamento da Kate Liz até agora, simplesmente não consigo gostar dela.
— O quê?
— …Você me odeia?
Aqueles olhos verde-esmeralda me encaravam diretamente. Se eu baixasse a guarda, sentia que poderia ser engolido por aquele olhar.
Dava pra perceber uma leve queda na minha capacidade de pensar.
Será que isso é a tal "magia da sedução"?
Experimentando na prática, é realmente algo complicado mesmo. Ela própria tem um poder mágico e tanto. A menos que a pessoa tenha um caráter muito firme, a maioria acabaria caindo nessa magia.
— Tem algum problema se eu te odiar?
— Será que eu fiz alguma coisa errada?
— Está tentando me conquistar?
— De jeito nenhum! Eu só queria conversar com você, o Jill-kun, e entender melhor a sua situação.
Não sei de onde vazou a informação de que sou do vilarejo da pobreza, mas, sem eu perceber, já tinha virado um grande boato.
Pra ser sincero, achei que fosse ser descoberto bem antes. Já era suspeito desde o início, mas, mesmo assim, consegui esconder por um bom tempo.
— Compaixão?
Diante das minhas palavras, a expressão da Kate Liz ficou sombria.
Talvez ela tenha dito isso com boa intenção, mas, agora, eu não preciso mais da ajuda de ninguém. Antes mesmo de a Santa aparecer, eu já tinha sido ajudado pela vilã (autoproclamada).
E, além disso, sendo eu mesmo quem diz isso, sou bastante complicado. Pra qualquer um em quem eu não confio, eu sou um tipo de pessoa bem chata de lidar.
— Sabe, eu realmente queria salvar o vilarejo da pobreza.
Ela disse isso, com os olhos ligeiramente marejados.