Capítulo 264
— Salvar, é?
Encarei-a com um olhar de desprezo.
Falar é fácil. Mas o que ela estava dizendo era completamente sem sentido, tarde demais.
Agora, o vilarejo da pobreza praticamente já desapareceu do mapa. Bom, isso ainda não foi anunciado publicamente.
Se a informação de que os moradores do vilarejo da pobreza foram libertados se espalhasse pelo mundo, com certeza causaria um grande caos.
— Eu vou estudar bastante, vou melhorar minha magia, e vou transformar o vilarejo da pobreza num lugar bom, com certeza!
Ela me encarava com olhos determinados.
Ela ainda não sabe de nada. Não é nada difícil transformar num "lugar bom" um vilarejo que já nem existe mais. Força aí, Kate Liz.
— Vou fazer dele um lugar cheio de sorrisos e alegria.
Só que agora é um vilarejo sem ninguém morando lá.
Mesmo sem ter o menor interesse na fala dela, a Kate Liz continuava falando por conta própria, e fui obrigado a ouvir um pouco do idealismo dela.
"Não quero que ninguém sofra", "quero criar um vilarejo capaz de purificar o coração das pessoas" — deixei aquelas fantasias entrarem por um ouvido e saírem pelo outro.
É justamente porque existe sofrimento que se consegue entender o valor da felicidade…
Quanto mais converso com ela, mais não entendo como ela consegue ser tão inocente assim. O ideal que a Kate Liz defende não é algo ruim. Muito pelo contrário, é até algo bom.
Mesmo assim, por que isso me irrita tanto?
— Você teria coragem de entrar sozinha num vilarejo dito o mais criminoso de todos?
Interrompendo a fala dela, abri a boca.
— Hã?
— Se você realmente se importa com a nossa felicidade, isso deveria ser moleza pra você, não deveria?
— Mas eu ainda sou inexperiente…
— Você sempre diz isso e nunca faz nada de verdade. …Isso é puro egoísmo seu. Que tal ir até o vilarejo da pobreza e ouvir diretamente o que os moradores precisam?
Diante das minhas palavras, dava pra ver ela se desestabilizar.
Talvez eu tenha pressionado demais, mas, ficar tão abalada assim só porque um garoto mais novo que ela disse algo um pouco duro, mostra uma força de vontade fraca.
A Alicia não parece odiar de verdade a Kate Liz. Muito pelo contrário, parece até considerá-la indispensável pra si mesma.
Mas, pra mim, ela não passa de um estorvo. Não me importo se ela quiser fazer o que quiser da própria vida, mas, por favor, não atrapalhe a pessoa que eu mais amo.
Bom, se a Kate Liz fizer o que bem entender, esse reino pode acabar indo à ruína, na verdade.
E, além disso, como o Duke disse antes, precisamos usá-la a nosso favor. Talvez seja melhor não plantar mais essa aversão nela.
— Bom, agora, isso já nem importa mais.
— …Como assim?
Kate Liz franziu as sobrancelhas em forma de arco, encarando meu rosto fixamente.
— Aquele vilarejo já não existe mais.
— Já não existe mais?
— Isso mesmo. Então não precisa mais se preocupar. …Um peso a menos nas suas costas.
Enquanto dizia isso, senti um certo desconforto comigo mesmo. Mas, bom, por enquanto, vou ser um pouco gentil.
— Então, e os moradores? O que aconteceu com eles!?
Por que você tem tanto interesse assim no vilarejo da pobreza? Talvez, sem eu saber, ela mesma tenha investigado várias coisas por conta própria, à sua maneira.
Bom, agora já é tarde demais.
Se alguém resolve o problema primeiro, por mais que outra pessoa tenha se esforçado, o mérito não é reconhecido. É como pesquisadores e cientistas correndo pra desenvolver um remédio.
Naturalmente, só quem inventa primeiro é elogiado.