Capítulo 66
— Alicia, conseguimos matricular o Jill, do vilarejo da pobreza, na academia de magia.
Alguns dias depois daquela conversa, Otou-sama me disse isso.
Consegui! Preciso ir avisar o Jill logo.
Ah é, será que posso contar pro Jill que estou interpretando o papel de vilã? Afinal, o Jill vai ser oficialmente meu assistente.
— Otou-sama, posso contar pro Jill que eu virei vigilante da Liz-san?
— Ah, esse garoto vai ter que estar sempre com você, então sim. E, além disso, vou te dar isto aqui.
Dizendo isso, Otou-sama me entregou um pequeno vidro. Dentro havia um líquido rosa-claro.
— O que é isso?
— Se você beber isso, consegue atravessar a barreira de névoa do vilarejo da pobreza.
Ah, então é assim. Então o Otou-sama sabia mesmo da existência da barreira.
— Muito obrigada.
Fiz uma reverência ao Otou-sama e tentei sair.
— Ali, você não está se arrependendo?
…arrependendo? Estou super feliz agora.
— De jeito nenhum.
Respondi sorrindo. Otou-sama franziu as sobrancelhas em forma de "hachi" e murmurou "entendo", indo embora.
Por que o Otou-sama fez essa cara? Realmente, ele deve estar preocupado com a filha querida.
Fica tranquilo, Otou-sama, estou completamente satisfeita.
Quando escureceu, fui em direção ao vilarejo da pobreza.
Aquela sensação sinistra da floresta já não me incomoda nem um pouco agora. Costume é impressionante.
Atravessei a névoa e fui em direção à casa do vovô Will.
Foi então que, de repente, alguém agarrou minha perna com força. Minha espinha gelou num instante. Olhei pra baixo, pros meus pés.
Uma mão magra e suja… Mesmo sendo uma mão fina, segurava minha perna com muita força.
— S… socorro…
Uma voz fraca implorava comigo. Era voz de mulher.
O corpo dela emanava um cheiro tão forte que quase esmagava o meu nariz. Acabei tapando o nariz com a mão, sem querer. Mesmo já acostumada com o fedor forte daqui, esse cheiro era demais.
O que eu faço com essa mão agarrada na minha perna?
Uma vilã não age por emoção, age pela razão. O que uma vilã faria numa situação dessas…
Girei a cabeça em velocidade máxima, pensando.
Uma vilã não machuca quem é mais fraco que ela, não é? Afinal, sempre dizem: gentil com os fracos, dura com os fortes. Por isso que eu sou dura com a Liz-san também.
Isso mesmo, é justamente ajudando essa mulher agora que eu sou uma vilã de verdade.
Segurei a mão daquela mulher.
— Está tudo bem.
Dizendo isso, ergui o corpo da mulher. Já que treino todo santo dia, carregar alguém no colo é moleza.
…ainda assim, ela era leve demais. Parecia mais velha que eu, mas era bem mais leve do que eu.
É estranho que ela ainda esteja viva.
Corri em direção à praça onde ficava a fonte.