Switch Mode

Silent Witch – Volume 1 Capítulo 1

Hongyarabubbo! (grito)

Capítulo 1 – Hongyarabubbo! (grito)

Monica Everett, que dormia sobre a escrivaninha, com uma caneta presa na mão direita e uma pilha de papéis na esquerda, despertou com a luz da manhã que entrava pela janela.

Pelo visto, ela havia esquecido de fechar as cortinas e acabara adormecendo de novo.

Como era costume, quando se concentrava em seus cálculos, os detalhes mundanos do dia a dia eram esquecidos. O fato de não ter fechado as cortinas sugeria que ela estivera absorta no trabalho desde o entardecer até que o sono a vencesse na noite anterior.

Enquanto se sentava preguiçosamente e esfregava os olhos, notou uma mancha de tinta na lateral da mão. Curiosa, levou-a até a bochecha, e foi então que uma voz estrondosa ecoou vinda de cima.

— Monica, você está em apuros terríveis! Um padrão estranho enfeita o seu rosto! Deve ser a maldição do Dragão Negro. As vítimas dessa aflição sinistra carregam esses símbolos amaldiçoados pelo corpo inteiro, até sucumbirem ao sono após três dias e três noites! Aprendi isso recentemente em um tomo que folheei!

O olhar de Monica, ainda pesado de sono, ergueu-se em direção à origem da voz estrondosa.

Olhos dourados e brilhantes a observavam do alto das vigas do teto, onde a luz do sol não ousava se aventurar. Piscando repetidamente, ela foi distinguindo aos poucos a silhueta de um gato preto que se confundia com a escuridão.

— …Nero, devo informar que isso não é nenhuma maldição…

Monica pegou o papel no qual vinha escrevendo uma fórmula e o ergueu até o rosto.

Comparado à bochecha, o mesmo padrão se revelava como em um espelho.

— Eu simplesmente adormeci sobre a fórmula que estava escrevendo, e isso não passa de tinta no meu rosto…

Enquanto Monica exibia o papel da fórmula, Nero, o felino empoleirado na viga do teto, saltou graciosamente para cima da escrivaninha.

Nero não era um felino comum. Ele era o familiar de Monica, dotado da capacidade de compreender a fala humana. Por ter aprendido a ler recentemente, andava absorto em romances divertidos enquanto Monica se debruçava sobre suas fórmulas.

Nero ergueu os olhos para Monica lá da escrivaninha e observou, com um desdém mal disfarçado: — Sua inteligência é realmente deficiente.

— Aliás, dizem que a maldição do Dragão Negro é quebrada com um beijo de um príncipe das fadas. Quer que eu experimente em você?

— Você não é uma fada, Nero… Hm… Acho que vou lavar o rosto…

* * *

Contornando os fundos da casa, Monica arrastou com afinco seu corpo miúdo até o poço para tirar água.

Apesar dos avanços consideráveis na tecnologia de encanamento, não só nos centros urbanos como também nas vilas vizinhas, esta cabana isolada em meio às montanhas continuava sem água encanada, como seria de se esperar.

No início, Monica, criada na cidade, achava esse incômodo irritante, mas foi se acostumando aos poucos com o ambiente silvestre. A tranquilidade e a solidão eram particularmente atraentes.

Depois de encher um balde de água para consumo, Monica voltou para dentro da cabana, e seu olhar recaiu sobre uma figura encolhida num canto, como se esquecida.

Motivada por uma sugestão bem-intencionada para melhorar sua aparência, Monica havia adquirido, a contragosto, uma penteadeira — um acréscimo pomposo à sua humilde morada.

Diferente dos espelhos feitos de bronze polido, aquele vidro de aparência magnífica era feito de vidro estanhado — nada menos que um espelho de corpo inteiro, uma extravagância cara. Se algum ladrão invadisse a cabana, esse espelho seria, sem dúvida, o prêmio cobiçado.

Refletida em sua superfície resplandecente estava uma garota magra e miúda, de cabelos desalinhados. Apesar de alegar ter dezessete anos, seu corpo abatido tinha a palidez de uma morta. Seus cabelos castanho-claros, trançados em duas tranças, estavam secos e sem brilho, parecendo um feixe de palha. Sob a franja crescida demais, seus olhos estavam sombreados por olheiras profundas. Pensando bem, ela percebeu que mal havia dormido na noite anterior.

Uma xícara de café era o mínimo necessário para clarear sua mente enevoada.

Monica pegou uma lata de grãos de café sobre a escrivaninha, meio soterrada por uma pilha de papéis, e despejou os grãos sem cerimônia dentro de um moedor.

Certificando-se de que o mostrador estava ajustado para a moagem mais fina, Monica girou a manivela com vigor.

Nero, empoleirado na escrivaninha, observava-a com ar divertido.

— Muitas vezes me pergunto por que os de estômago delicado consomem um alimento tão desconcertante… Esses grãos são torrados até ficarem escuros, não são? Devem ser terrivelmente amargos. Será que, por acaso, têm um sabor delicioso?

— É delicioso — respondeu Monica, pegando uma cafeteira de metal.

A cafeteira era incomumente longa e fina, dividida ao meio.

Água era despejada na câmara inferior, sobre a qual se colocava um funil com um filtro de metal. Os grãos de café moídos finamente eram adicionados até formarem uma massa em pó, e a parte superior da cafeteira era firmemente encaixada na inferior.

Monica ergueu a cafeteira e voltou sua atenção para a rudimentar lareira de pedra. Com um movimento do pulso, uma chama fina surgiu dentro do fogão.

Diferente de um fogo tradicional a lenha, aquela chama estranhamente alongada era fruto de um encantamento.

Monica colocou a cafeteira sobre o fogo e tirou um punhado de nozes do armário, jogando-as na boca. O pote de nozes conservadas estava quase no fim.

O fim do verão se aproximava, e em um mês a floresta estaria repleta de nozes. Quando esse dia chegasse, ela poderia contar com a ajuda de Nero para colhê-las.

Enquanto contemplava distraidamente essa possibilidade, a cafeteira sobre o fogo começou a emitir um gorgolejo. Com um movimento rápido, Monica apagou a chama e despejou o conteúdo da cafeteira em uma caneca de estanho.

No Reino de Ridill, o café era uma bebida incomum. Havia um punhado de cafeterias na capital, mas eram frequentadas principalmente por cavalheiros. As mulheres, em geral, preferiam chá preto.

O apreço de Monica pelo café vinha da influência de seu falecido pai. A peculiar cafeteira de metal fora feita especialmente por ele, que encomendara a um artesão para forjá-la. Agora, era uma lembrança querida que guardava dele.

Monica soprou a caneca de estanho e tomou um gole cauteloso do conteúdo.

Apesar do amargor pronunciado, o café havia sido coado rapidamente e tinha um sabor limpo e puro. Sua qualidade mais notável era a capacidade de espantar a sonolência.

— Monica, desejo experimentar essa bebida — implorou Nero, rodeando a escrivaninha.

Monica pingou as últimas gotas de café numa colher e a ofereceu a Nero.

Ela sabia que não devia dar café a um gato, mas Nero não era um gato comum, então provavelmente não faria mal… talvez.

— Você mesma disse que era amargo.

— Sabe, todo ser senciente que abre mão do espírito de aventura está fadado à decadência.

— …foi isso que o livro disse?

— De fato, as obras de Dustin Gunther. Sou particularmente apreciador delas.

Enquanto lambia o café da colher, Nero mencionou o nome de um romancista popular na capital.

Naquele instante, cada pelo de seu corpo se eriçou.

— Hongyarabubbo———!

Ilustração

Nero soltou um som peculiar, nem humano nem felino, e rolou sobre a escrivaninha. Como era de se esperar, o café não agradou ao seu paladar.

Nero respirou de forma entrecortada, como um guerreiro que retorna do limiar da morte, e ergueu os olhos para Monica.

— O sabor era estimulante demais até para minhas papilas aventureiras. Seu paladar deve estar transtornado para suportar uma bebida dessas.

— ……

Leite e açúcar teriam tornado o café mais agradável, mas ambos eram artigos preciosos ali na montanha.

Monica lembrou-se de repente de que aquele era o dia marcado para a entrega mensal.

Monica, sendo tímida e avessa a fazer compras, contava com moradores do vilarejo ao pé da montanha para lhe trazer comida e outros suprimentos. Talvez pudesse conseguir leite por esse meio.

Quanto ao açúcar… era impossível conseguir açúcar branco refinado, mas talvez lhe dessem mel se ela pedisse. A apicultura era popular na região, o que tornava o mel relativamente acessível.

A combinação de mel com café era uma questão de gosto pessoal, mas provavelmente agradaria mais ao paladar de Nero.

Com esses pensamentos em mente, ouviu-se uma batida na porta da cabana enquanto ela lavava a cafeteira.

— Monica, cheguei com os seus suprimentos!

— Uma visita. Suponho que devo assumir a postura de um gato comum. Miau.

— Muito bem.

Acenando para Nero, Monica abriu a porta hesitante.

Uma carroça estava parada diante da entrada, e uma garotinha de aproximadamente dez anos estava por perto.

Era uma menina de aparência enérgica, com cabelos castanho-escuros presos na nuca. Vinha de uma vila próxima, e seu nome era Annie.

Essa garota era a fornecedora habitual de Monica.

Monica espiou por trás da porta e murmurou — O-Olá — com o rosto tingido de nervosismo. Annie já estava acostumada ao jeito de Monica e, depois de descarregar as mercadorias da carroça, empurrou Monica para o lado e abriu a porta de vez.

— Vamos levar suas coisas para dentro. Pode me ajudar segurando a porta.

— T-Tá bem…

Monica deu um pequeno aceno nervoso, e Annie carregou as mercadorias para dentro com passos ágeis.

A cabana onde Monica morava tinha poucos móveis, mas a mesa e o chão estavam abarrotados de pilhas de papéis e livros, quase sem espaço para pisar. A cama também estava coberta de papéis, tornando-a inutilizável para dormir. Por isso, Monica havia passado a dormir em uma cadeira ultimamente.

— Sua cabana está uma bagunça como sempre! Diga-me, essas resmas de papel têm alguma importância? Posso jogar fora?

— T-Todos eles são importantes!

Annie olhou com desconfiança para a pilha de papéis espalhados pelo chão.

— Olha, isso aqui são fórmulas, não são? O que exatamente você está tentando calcular?

Como filha de um artesão, Annie fora criada para ser alfabetizada e tinha proficiência em matemática. Embora tivesse pouco mais de dez anos, seu intelecto era afiado se comparado ao de outras crianças da idade.

Ainda assim, Annie não conseguia decifrar o conteúdo dos papéis, reconhecendo apenas que estavam cobertos de números.

Monica se virou para responder, evitando olhar Annie nos olhos.

— Bem, aquele ali… é uma fórmula para calcular a órbita das estrelas.

— E esse aqui? Tem o nome de várias plantas.

— É… para calcular e tabular as misturas de fertilizantes para as plantas…

— E esse? São letras mágicas? Parecem um pouco com isso…

— É… uma nova fórmula para uma magia complexa proposta pelo Professor Minerva…

Os olhos de Annie se arregalaram enquanto ela remexia as mangas do robe largo, e sussurrou de volta para Monica.

— Fórmula mágica? Você é capaz de fazer magia, Monica?

— Hã, bem, isso é…

Monica gaguejou, o olhar disparando de um lado para o outro.

Nero, que fingia dormir na prateleira, soltou um miado como quem diz “Ei, ei, você está bem?”.

Enquanto Monica se remexia sem parar, torcendo os dedos, Annie tossiu de leve e riu.

— Claro, não tem como você ter habilidades mágicas. Se tivesse, não estaria vivendo isolada nas montanhas, e sim trabalhando na capital.

Magia ── Ao empregar certos métodos, é possível controlar determinados fenômenos para criar efeitos extraordinários.

Outrora, era uma técnica secreta monopolizada pela aristocracia, mas nos últimos anos o povo comum passou a ter a oportunidade de aprendê-la.

Ainda assim, para ingressar numa academia e estudar feitiços, é preciso um certo grau de riqueza ou talento, o que torna isso inacessível à pessoa comum.

De fato, para um plebeu se tornar mago, era considerado um feito notável.

Por exemplo, um mago de alto escalão poderia conseguir um cargo no Corpo de Magos, o caminho de carreira mais popular entre os magos. Um mago de nível intermediário ou superior poderia trabalhar em uma instituição especializada em pesquisa mágica ou a serviço de uma família nobre.

Mesmo que alguém optasse por uma vida dedicada à pesquisa, seria mais lógico fazê-lo em um lugar com instalações superiores na capital do reino, e não numa cabana decrépita no meio das montanhas como aquela.

Annie estava certa ao apontar que Monica, que morava numa humilde cabana nas montanhas, não tinha como ser uma maga.

— Ei, você ficou sabendo, Monica? Três meses atrás, a fronteira leste foi atacada por um dragão.

Os ombros de Monica se contraíram sob a capa, e Nero, que fingia dormir na prateleira, abriu um olho.

O rabo de Nero, pendendo frouxo por baixo da prateleira, balançava como o pêndulo de um relógio.

— Um bando enorme de wyverns desceu sobre uma vila! Ouvi dizer que eram mais de dez!

Como o nome sugere, o wyvern é um dragão alado. Embora tenham baixa inteligência e sejam considerados dragões inferiores, podem ser formidáveis em bando. Costumam atacar o gado, mas nos últimos anos, wyverns famintos passaram a atacar humanos também.

— E aí! E aí! O líder daquele bando de wyverns era… o lendário Dragão Negro! O infame Dragão Negro Wogan!

Entre os dragões, aqueles que têm uma cor no nome são classificados como espécies superiores e considerados extraordinariamente perigosos. O mais temível de todos é o Dragão Negro.

A chama especial exalada pelo dragão negro, conhecida como chama negra, é um fogo de outro mundo que atravessa sem esforço até as barreiras de magos de alto escalão. Quando um Dragão Negro entra em fúria, não é incomum que países inteiros sejam reduzidos a terra arrasada. De fato, uma criatura à altura de sua fama temível.

— Então! Ouvi dizer que os Cavaleiros do Dragão foram enviados para derrotar o Dragão Negro, e que um dos Sete Sábios foi junto! Você conhece os Sete Sábios? São os sete magos mais poderosos do reino. De qualquer forma, ela é uma maga extraordinária.

— A-Ah…

— É a mais jovem dos Sete Sábios, a Bruxa Silenciosa! Ela sozinha abateu todos os wyverns, e não só isso: também matou o Dragão Negro Wogan!

Para uma vila do interior, esse tipo de fofoca era uma forma valiosa de entretenimento.

Os olhos de Annie já brilhavam de empolgação… mas Monica estava longe disso. Para ser sincera, sentia náuseas.

— A Bruxa Silenciosa é a única maga em toda a existência que usa Magia Sem Cântico! Um mago normal precisa de encantamentos para lançar um feitiço, mas a Bruxa Silenciosa não precisa cantar absolutamente nada! Ela consegue liberar magias poderosas sem pronunciar uma única palavra!

Monica apertou o estômago em silêncio, sentindo como se estivesse sendo comprimido.

Apesar da agradável manhã de início de verão, Monica estava encharcada de suor.

— Eu queria poder ver um dos Sete Sábios com meus próprios olhos, nem que fosse só uma vez.

É raro que pessoas do interior encontrem um mago, quanto mais um dos Sete Sábios. Provavelmente era por isso que Annie era tão fascinada por magia.

Segurando o estômago dolorido, Monica pegou uma bolsa de couro na prateleira e tirou dela algumas moedas de prata para pagar pelas mercadorias e pelo trabalho de Annie.

— O-Obrigada por… s-sempre… trazer essas coisas para mim…

Agradecendo, Monica colocou as moedas de prata na mão de Annie.

Annie contou as moedas de prata e inclinou a cabeça.

— Está me dando mais do que o normal? Isso é quase o dobro do valor das mercadorias que você tem aqui.

— C-como você está entregando para mim… pode ficar com o extra… de mesada, Annie.

A maioria das crianças ficaria encantada em embolsar as moedas, mas Annie era uma menina esperta.

Annie ergueu os olhos para Monica, com um olhar perscrutador diante da recompensa imerecida.

— Que tipo de trabalho você faz, Monica?

— Hã… Contabilidade?

— Você é professora de matemática?

— Acho que… é… algo assim… é…

As pilhas de documentos arquivados ali eram todas distintas.

Além da órbita das estrelas e da mistura de fertilizantes, havia todo tipo de dado sobre demografia, arrecadação de impostos, venda de produtos, e todo tipo de número alinhado naquela cabana de forma aparentemente desordenada — tudo seguindo uma ordem que só Monica conseguia entender.

Annie pareceu razoavelmente satisfeita com a desculpa de “professora de matemática”.

— Hum, então a pessoa que veio à nossa vila ontem também é professora de matemática.

— Hã?

— Uma pessoa dizendo ser sua colega veio à nossa vila querendo vir até sua casa, então eu indiquei o caminho. Tenho certeza de que ele vai chegar logo.

— Colega.

Diante desse comentário, o rosto de Monica ficou pálido como cinza.

Monica perguntou a Annie com a voz abafada, o corpo tremendo sob o robe largo demais.

— Q-Q-Q-Que tipo d-d-d-de pessoa… e-e-e-ele é?

— Ele é igualzinho a mim.

Uma voz clara ecoou atrás de Monica.

O coração de Monica deu um salto.

Quando ela se virou, havia um homem bonito, de cabelos castanhos e lustrosos trançados, encostado na porta e sorrindo. Ao lado dele, uma bela mulher loira vestida de empregada.

O homem usava uma sobrecasaca refinada, trazia uma bengala e um monóculo. De qualquer ângulo, parecia um homem refinado e elegante. Acima de tudo, tinha um rosto fino e delicado, capaz de fazer a maioria das mulheres suspirar.

Mas, como se Monica tivesse encontrado um dragão maligno, ela arregalou os olhos e engoliu o grito em desespero.

— Aa, A-a-a-a, Lo-lo-lo-lo, Louis… -san… Hiiiiih!?

— Você poderia, por favor, parar de dar apelidos engraçados nas pessoas, tipo Lololô Lowlowis?

— Hiiiiih, desculpa, desculpa!

O homem sorriu para Annie, sem prestar atenção em Monica, que estava meio paralisada. Em seguida, pegou a mão da menina e colocou nela uma barra de doce.

— Obrigado por me mostrar o caminho, mocinha. Você me ajudou muito.

— O prazer é meu.

Annie sorriu e fez uma reverência elegante para o rapaz bonito, antes de guardar a barra de doce no bolso.

— Bem, não quero atrapalhar o seu trabalho, então vou indo. Até logo, Monica. Até o mês que vem!

Dito isso, Annie saiu da cabana, com passos mais elegantes do que o costume.

Enquanto ouvia, desalentada, o chacoalhar da carroça se afastando, Monica ergueu os olhos marejados para o homem à sua frente.

A aparência dele sugeria uma sobrecasaca e uma bengala, mas na verdade ele vestia um longo robe de mago com uma capa solta, e segurava um cajado magnífico. Quanto à bela mulher de uniforme de empregada atrás dele, tratava-se de seu espírito contratado.

— F-Faz tempo… Louis-san.

Assim que ela o cumprimentou com a voz trêmula, Louis colocou a mão direita sobre o peito e fez uma reverência graciosa.

— Sim, faz tempo mesmo, Srta. Monica Everett — Bruxa Silenciosa dos Sete Sábios.

Comentários

Opções

não funciona no modo escuro
Redefinir