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Silent Witch – Volume 2 Capítulo 17

O Segredo de Sua Alteza

Capítulo 17 – O Segredo de Sua Alteza

— Ei, Monica. Acorda.

Ela ouviu a voz de Nero, junto com a sensação suave de uma pata pressionando sua bochecha.

Ao abrir os olhos, Monica percebeu que estava deitada em uma cama limpa. Sua cama estava cercada por cortinas e tinha um leve cheiro de desinfetante. Era a enfermaria.

Virando-se na cama, ela viu Nero, o gato preto, sentado na mesinha de cabeceira. Animais eram estritamente proibidos ali, então ele devia ter entrado escondido pela janela.

— Nero, eu tive um sonho incrível. No meu sonho, eu fui nomeada tesoureira do conselho estudantil…

— Escute e se surpreenda, Monica. O que você viu ali não foi um sonho, mas a realidade.

Nero então cutucou a gola de Monica com a pata.

Um broche decorativo, desconhecido, estava preso à lapela de Monica. Era a prova de sua filiação ao conselho estudantil, semelhante ao que Felix e os outros membros usavam na lapela.

Monica se levantou da cama e encarou a própria gola.

— I-I-Isto é…

— Sua Alteza colocou isso na sua lapela. As pessoas adoram esse tipo de coisa, não é? Aquela coisa chamada autoridade.

Assentindo em aprovação, Nero então deu uma pancadinha na coxa de Monica com a pata.

— De qualquer forma, você fez um bom trabalho. Agora, como membro do conselho estudantil, você pode ficar orgulhosamente ao lado do príncipe.

— É-É mesmo?

Considerando o fato de que ela precisava proteger o segundo príncipe em segredo, sua nomeação como tesoureira era uma grande bênção, mas… naturalmente, ninguém gostaria da ideia de uma garota sem graça como Monica sendo eleita para o conselho estudantil.

Naquele momento, Monica estivera praticamente se arrastando pelo chão, então não vira o rosto de todos os membros do conselho estudantil. Mesmo deitada no chão, ainda conseguia sentir a hostilidade fria deles.

Especialmente o vice-presidente, Cyril Ashley, que parecia prestes a usar magia ofensiva.

— El-Eles com certeza vão me perseguir… tipo, colocar percevejos nos meus sapatos, esconder meu material de escrever, e jogar água no meu uniforme… Não, eu realmente não quero mais ir à aula…

— Ah, eu já li situações assim em romances! Mas, você tem certeza de que eles chegariam a esse ponto?

— Por que você parece tão feliz?

Bem quando Monica lamentou com voz triste, as orelhas de Nero se ergueram.

— Ei, alguém está vindo.

Com isso, Nero rapidamente se escondeu embaixo da cama.

Quem será? Será a equipe da enfermaria?

Enquanto Monica pensava nisso, a cortina ao redor da cama foi puxada para o lado.

Não era a equipe da enfermaria, mas Felix.

Monica, por reflexo, puxou o cobertor por cima da cabeça. Ela sabia que era falta de educação, mas não conseguia evitar, porque seu corpo se movia sozinho. Isso se chama instinto de defesa.

Felix não pareceu incomodado, e sim sorriu, achando graça.

— Ah, você está acordada? Peço desculpas por vir sem avisar. Achei que ainda estivesse dormindo.

— Is… Is… Isto…

— Hm?

— A-Acho que isso seria falta de respeito da minha parte.

Quando Monica forçou as palavras para fora, com uma expressão de quem estava prestes a morrer, Felix apenas respondeu “Ah” com um sorriso, antes de se sentar na cama de Monica e cruzar as pernas.

Monica queria abrir alguma distância entre eles, então se enrolou no cobertor e se moveu até a beirada da cama, mas… perdeu o equilíbrio e caiu da cama.

— Kyaah!

Felizmente, como estava enrolada no cobertor, ela não se machucou, mas ainda assim doeu.

Ao mesmo tempo, quando Nero, que se escondia embaixo da cama, lhe lançou um olhar como quem diz “O que você está fazendo?”, isso também doeu.

Enrolada no cobertor, ela se perguntou se deveria simplesmente se arrastar para debaixo da cama, mas então ouviu uma voz acima dela.

— Esquilinho, por que você está tão enrolado no seu cobertor? Já está se preparando para hibernar no inverno?

— S-Shim, p-porque hoje está muito f-frio.

Infelizmente, a estação acabara de mudar do verão para o outono, tornando-a um período muito agradável para passar ao ar livre.

Ainda assim, Monica se agarrou ao cobertor e insistiu desesperadamente que o usava porque estava com frio.

Então Felix envolveu a mão no cobertor que estava enrolado em Monica.

— Ah, coitadinha. Certo, então deixe-me aquecê-la.

Monica rapidamente largou o cobertor e recuou de Felix, mas… usando um passo para trás desajeitado, suas pernas se enrolaram, e ela acabou rolando para o chão.

Mais uma vez, seus olhos se encontraram com os de Nero debaixo da cama. Eu quero chorar.

Ainda assim, ela não podia ficar se arrastando pelo chão para sempre, então Monica, escondendo-se atrás da cama, se levantou preguiçosamente para olhar para Felix.

— Er, Vossa Alteza…

— Você pode me chamar de presidente do conselho estudantil, Felix, ou do que quiser. Porque, a partir de hoje, você é uma membra do conselho estudantil, como eu.

As palavras de Felix trouxeram a realidade de volta à mente de Monica.

Monica tocou o broche decorativo em sua lapela e disse a Felix, trêmula.

— O-O cargo de tesoureira… é demais para mim…

— Você está descontente com a minha decisão?

Sua voz continha só um traço de frieza, o que o fez parecer muito mais intimidador.

Sentindo que estava prestes a se estilhaçar em mil pedaços, Monica balançou a cabeça, mas Felix segurou a mão de Monica com um sorriso e disse: “Então, vou considerar isso uma aceitação.”

Depois, ele virou a palma de Monica para cima e colocou algo nela. Era um doce assado, recheado com castanhas.

— Aqui está sua recompensa por hoje. Você se saiu bem.

— Receio que isso não sej— hmpf!

Felix pegou um dos doces e o colocou na boca gaguejante de Monica.

Lembrando que ainda não havia almoçado, Monica mastigou o doce em silêncio. Ele era um pouco duro, por causa das muitas castanhas, mas estava recheado com mel, um sabor novo para ela. Era a primeira vez que provava uma guloseima tão deliciosa.

Monica, que tinha a tendência de se concentrar na comida assim que começava a comer, esqueceu que deveria recusar a oferta para se tornar tesoureira; em vez disso, agora estava focada em saborear o doce.

— Está bom?

Em resposta à pergunta de Felix, Monica assentiu com a cabeça enquanto mastigava o doce.

Felix deu a Monica mais doces para segurar na mão e então se levantou calmamente.

— Se você trabalhar duro, vou recompensá-la com mais destes, esquilinho.

Felix acenou para Monica e deixou a enfermaria depois de dizer “até amanhã.”

Monica, que ficara para trás, engoliu o doce na boca e finalmente recobrou os sentidos.

— Aaaah, eu esqueci de recusar a oferta para ser tesoureira, o que eu faço, Neroooo?

— Dizer isso enquanto segura essa bala com tanto carinho não vai me convencer de nada.

Fungando, ela guardou o doce no bolso.

Felix talvez não a deixasse escapar tão fácil.

Para Felix, manter Monica por perto para vigiá-la era algo que ele desejava desde que ela o vira saindo à noite.

Por falar em segredos de Sua Alteza…

Monica colocou a mão na bochecha inchada e olhou para Nero com uma expressão séria.

Monica descobrira o incrível segredo do segundo príncipe.

— Nero, escuta. Eu descobri um segredo enorme sobre Sua Alteza.

— O que é? Tem a ver com uma fraqueza dele?

O rabo de Nero balançou de um lado para o outro, com os olhos brilhando, e Monica assentiu com uma expressão séria.

— Sua Alteza… tem uma pata.

— Ele não tem.

— Mas, há pouco, na sala de arquivos, eu senti uma pata macia na minha bochecha, e, quando me virei, Sua Alteza estava lá…

Monica insistiu, acariciando a bochecha, mas Nero lhe disse com mais seriedade do que nunca.

— É melhor você esquecer isso, Monica. Escuta bem. Você tem que esquecer o que aconteceu lá, entendeu?

— Ahn? Ah, tá bem.

* * *

Depois que Felix voltou ao seu quarto no dormitório, um lagarto branco-azulado saiu rastejando do bolso do peito de seu uniforme.

Assim que o lagarto pousou no chão, sua figura foi envolta por uma névoa leve e se transformou em um jovem com uma cor de cabelo semelhante à de suas escamas. Ele tinha um rosto bonito, mas parecia um tanto sombrio e apático. O que vestia era uma libré de mordomo bem talhada. Seu cabelo azul-claro, uma cor incomum em humanos, estava penteado totalmente para trás.

O jovem fez uma reverência respeitosa antes de retirar o paletó de Felix. Então, enquanto colocava o paletó em um cabide, ele abriu a boca.

— Tem certeza disso, Vossa Alteza?

Nem é preciso dizer que o que esse camareiro queria comentar… era a nomeação de Monica Norton como tesoureira.

Felix se sentou no sofá e deu de ombros levemente.

— Acontece que ela não tocou na chave que eu deixei cair de propósito na sala de arquivos. Também não havia sinal de que os outros armários tivessem sido abertos… Neste momento, não consigo pensar em nenhum motivo para culpá-la.

Depois que Monica desmaiou, ele conferiu todos os documentos que ela havia revisado na sala de arquivos, e todas as suas observações estavam corretas. Ela revisara todos os registros de setenta anos em apenas meio dia.

Sua capacidade de cálculo era perfeitamente adequada para servir como tesoureira.

— Claro, eu não acredito que ela seja uma pessoa comum. Tenho certeza de que ela tinha seus motivos para se aproximar de mim.

Neste momento, não havia como saber a qual grupo Monica Norton pertencia, ou qual propósito ela tinha ao se aproximar dele. Mas ele estava convencido de que havia algo nela.

Ele inclinou levemente a cabeça e ergueu os olhos para o jovem que era seu camareiro.

— Por que eu a tornaria nossa tesoureira, se sei que ela não é uma civil comum? É isso que você quer dizer?

— Sim, Vossa Alteza. Para começar, o senhor já sabia das irregularidades do ex-tesoureiro Aaron O’Brien desde o início, não é?

Como não poderia puni-lo com severidade se o deixasse cometer fraude apenas uma ou duas vezes, ele o deixou fazer isso por um ano inteiro… foi para garantir que Aaron O’Brien fosse expulso da escola.

— Depois de ter ido tão longe para finalmente conseguir a expulsão de Aaron O’Brien… por que quer que ela o substitua?

Ele não respondeu de imediato à pergunta do assistente, mas estendeu a mão para o tabuleiro de xadrez que deixara sobre a mesinha baixa. Então pegou um peão branco do tabuleiro antes de brincar com ele na mão.

— Isto é só um jogo, Will.

— Um jogo, é?

— Sim. É um jogo de como domesticar um esquilinho tímido e fazê-lo confessar seu plano.

Ele beijou a peça de peão e a colocou no tabuleiro.

— Você viu, não viu? Ela não tem o menor interesse em mim.

— Bem…

O jovem assistente se calou, mas não negou.

Ele testemunhara tudo aquilo do bolso do peito de Felix.

Monica, que observava os documentos tão atentamente, não prestava a menor atenção em Felix.

Quando ele se aproximou dela na enfermaria, ela empalideceu, recuou e caiu da cama… Ela não fez isso por vergonha, mas porque estava genuinamente apavorada com ele.

— Não seria bom se um esquilinho desconhecido fosse simpático só comigo?

— No entanto, com a eleição do próximo rei se aproximando, acho que seria sensato não brincar demais.

— Willdean.

Felix pronunciou o nome de seu camareiro — o verdadeiro nome de Will.

Olhando para Will, que endireitou o corpo, Felix falou com voz brincalhona.

— Minha vida vai durar até que o próximo rei seja decidido. Sendo assim, por que não me deixa me divertir um pouco com ela…

Felix baixou levemente as sobrancelhas, antes de lhe mostrar um sorriso fraco.

Só Will conseguia compreender os verdadeiros desejos daquele jovem.

— Ainda assim, Vossa Alteza…

Mas Will balançou a cabeça suavemente e fez uma reverência educada.

— Se esse é o seu desejo, então eu obedecerei com prazer.

Felix assentiu, satisfeito, e moveu a rainha branca até a borda do tabuleiro.

— Aquele esquilinho é mais perceptivo do que eu pensava. Parece que vou ter que adiar meu plano de visitar a casa de Madame Cassandra por um tempo.

— Espero que o senhor simplesmente se atenha a isso e evite sair à noite.

— Bem, talvez descobrir uma forma de domesticar o esquilinho me impeça de ficar entediado.

Rindo baixinho de seu próprio pensamento, Felix então deu um peteleco no peão branco. E a forma como ele caiu do tabuleiro foi semelhante a quando Monica caiu da cama.

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