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Silent Witch – Volume 2 Capítulo 9

A Arte da Negociação, Estilo Filha Tirana

Capítulo 9 – A Arte da Negociação, Estilo Filha Tirana

A Academia Serendia era uma escola frequentada por filhos de famílias nobres, e por isso tanto seu prédio quanto seu dormitório pareciam magníficos.

Do ponto de vista de uma plebeia como Monica, que havia estudado na Minerva, a melhor instituição para magos, apenas olhar para aquele prédio já era o suficiente para fazê-la sentir o quanto era grandioso, mas agora, ao olhar para a Academia Serendia, a sensação era ainda maior. Era muito mais suntuosa e grandiosa do que as mansões dos nobres de classe inferior.

Os alunos que doassem mais do que um determinado valor, tivessem notas excelentes, ou fossem ativos em alguma atividade, como ser membro do conselho estudantil, seriam designados para um quarto privativo. Quanto aos demais, seriam basicamente designados para um quarto de duas pessoas, dividido com outra pessoa.

Naturalmente, Monica também receberia esse tratamento, que era dividir um quarto com outra pessoa, mas, ao saber disso, Monica: “Isso é impossível para mim! Eu morreria se fizerem isso comigo…” — choramingou, importunando Louis.

Considerando sua missão atual, o ideal seria que ela ficasse no mesmo quarto que sua colaboradora, a Senhorita Isabelle. Mas, como Isabelle era uma caloura de dezesseis anos e Monica era uma veterana do segundo ano de dezessete anos, elas seriam designadas para quartos diferentes, de acordo com suas respectivas séries.

O fato de Isabelle ser caloura e Monica ser uma aluna transferida que a acompanhava tornou difícil que fossem designadas para o mesmo quarto.

Por isso, Isabelle faria sua jogada para cumprimentar o diretor, ou seja.

Diferente dos calouros, uma aluna transferida como Monica precisava se encontrar com o diretor antes de começar as aulas. Então, para comparecer a esse encontro, ela havia se metido à força.

Depois de se sentar sozinha no sofá em frente ao diretor, ela sorriu com orgulho, deixando Monica de pé atrás de si.

— Ohohohoho! Diretor, nem preciso mencionar meu quarto privativo, é claro, não é mesmo? Espero que o senhor não tenha a falta de tato de me pedir para dividir um quarto com esta mulher.

Ao dizer “esta mulher”, Isabelle apontou com o queixo para Monica, que estava de pé atrás dela.

Em sua terra natal, a família do Conde Kerbeck podia ser considerada uma das cinco mais ricas entre as famílias nobres locais. Naturalmente, eles haviam doado uma quantia razoável de dinheiro, então o diretor disse: “Claro que não”, esfregando as mãos enquanto sorria afetuosamente para ela.

— Preparamos um quarto adequado para uma filha do Conde Kerbeck como a senhorita.

— Nossa, obrigada pela sua consideração. Mas sinto pena de quem tiver que dividir o quarto com esta cabeça-de-vento! Ela é realmente uma vergonha para a nossa família Kerbeck!

Isabelle virou a cabeça e elevou o tom de voz de forma levemente exagerada, antes de olhar de relance para Monica, que estava atrás dela com a cabeça baixa, e então disse isto com um sorriso maldoso.

— Acho que um sótão combinaria perfeitamente com você… Não concorda?

Monica só conseguiu concordar com a cabeça, trêmula, enquanto Isabelle dizia: “até ela mesma concorda comigo”, para pressionar o assunto junto ao diretor.

Sua habilidade diplomática resultou em Monica sendo designada para um pequeno quarto de sótão no último andar do dormitório, acima do depósito.

Para uma jovem de boa criação comum, esse tratamento a faria desabar em lágrimas, mas, para Monica, nada poderia ser mais gratificante do que isso.

Afinal, um lugar pequeno e mal iluminado a faria se sentir em casa, e, como seu quarto ficava em um andar diferente do das outras garotas, ela não precisaria esbarrar com elas no corredor.

Depois de deixar a sala do diretor, os olhos afiados de Isabelle de repente se encheram de lágrimas.

Olhando para Monica, que ficou desconcertada, Isabelle tirou um lenço e enxugou os olhos.

— Para falar a verdade, eu gostaria de poder ser designada para o mesmo quarto que você, Irmã Monica… Mas eu não quero atrapalhar sua missão. E disso eu tenho plena consciência!

— Er… Um… Muito… obrigada…

Quando Monica agradeceu com voz entrecortada, Isabelle se agarrou ao pescoço dela.

— Ai, Irmã Monica! Posso ir até seu quarto de vez em quando? Espera! Ou melhor, por favor, venha me visitar no meu quarto! Vou me esforçar ao máximo para lhe oferecer a melhor hospitalidade!

— T-Tá bem…

Bem nesse momento, ela avistou figuras que pareciam ser estudantes no corredor. Não conseguia distinguir os rostos por causa da distância, mas presumiu que provavelmente eram alunos do sexo masculino.

Com esse pensamento, Isabelle imediatamente endireitou a postura, olhou para baixo, para Monica, como se estivesse olhando para lixo, e então falou em tom elevado.

— Ei, o que você está esperando?! Ai, meu Deus! Você é realmente uma vergonha para a família Kerbeck! Cuidado com o que fala, nunca mencione o nome do Conde Kerbeck dentro da escola!

Com isso, Isabelle jogou para trás seus cachos alaranjados e recolheu o queixo.

Só para aperfeiçoar essa pose, ela havia praticado inúmeras vezes na frente do espelho. O ponto-chave era o ângulo em que erguia o queixo.

— Eu comparecerei à cerimônia de matrícula. Você é uma aluna transferida, então deveria estar indo para a sua aula, presumo? E cuide para nunca mencionar o nome do Conde de Kerbeck! Afinal, eu jamais a reconheci como membro da família do Conde Kerbeck!

Apesar de dizer para ela não mencionar o nome do Conde Kerbeck, ela mesma repetia esse nome em voz alta o suficiente para que todos ao redor ouvissem, a fim de dar a impressão de que Monica era uma pessoa de baixo status dentro da família Kerbeck.

Qualquer um que visse aquela cena, com a Senhorita Isabelle encarando Monica e dizendo “Cadê a sua saudação?”, enquanto esta acenava com a cabeça, trêmula, entenderia o significado daquela relação.

Uma garota chamada Monica tinha uma situação complicada dentro da família do Conde, e Isabelle, filha do Conde, a detestava profundamente.

* * *

— Viu aquilo, Vossa Alteza?

A uma certa distância, duas pessoas observavam a troca entre a Senhorita Isabelle e Monica.

Um deles era um jovem de cabelos castanhos levemente ondulados. O secretário do conselho estudantil, Elliot Howard.

E o outro era um jovem de cabelos loiros cor de mel e olhos azuis. O presidente do conselho estudantil, Felix Ark Ridill.

Pelo que Elliot lhe contou, a garota de cachos alaranjados que estava fazendo alvoroço no corredor era uma caloura.

— Então ela era uma caloura. E a garota ao lado dela… está em uma série diferente, será?

Os uniformes das garotas consistiam em um vestido inteiriço arrumado que cobria os pulsos e os tornozelos, mas a cor dos enfeites das mangas variava conforme a série. Assim, mesmo a certa distância, era possível saber em que série cada uma estava só de olhar para a cor das mangas.

Elliot pareceu se lembrar de algo e bateu palmas.

— Ah, será que ela é aquela aluna transferida? Acho que era a outra aluna que se transferiu junto com o discípulo de Louis Miller. Er, acho que o nome dela é…

— Monica Norton.

Felix, que respondera imediatamente, recebeu a admiração de Elliot, que arregalou seus olhos caídos.

— Sua memória é boa como sempre, Vossa Alteza.

— Já vi a moça de cabelos alaranjados algumas vezes em festas na capital, ela deve ser a Senhorita Isabelle Norton, da família do Conde Kerbeck.

Isabelle Norton e Monica Norton. Em circunstâncias normais, elas seriam consideradas irmãs, mas suas aparências eram diferentes demais.

Elliot bufou, “Hum”, e levou um dedo ao queixo.

— Suspeito que a nova aluna também seja da família do Conde. Mas, pela forma como foi tratada, talvez seja uma filha nascida de uma amante dele.

— Coisas assim são fadadas a acontecer em nossa sociedade.

— Suponho que tenha razão. Ainda assim, não é muito agradável de se ver.

Elliot franziu a testa, desconfortável, ao dizer isso.

O sorriso gentil de Felix permaneceu intacto, mas ele olhou para Elliot com olhos um tanto frios.

— Não é muito agradável? Está se referindo à Senhorita Isabelle, que trata a Senhorita Monica com dureza?

— Não. Eu me senti muito incomodado com o fato de uma pessoa que nem sequer é considerada parte de uma família nobre estar matriculada nesta Academia Serendia.

Como filho legítimo de um conde, Elliot Howard parecia ser um jovem alegre e magnânimo. Mas, por mais tolerante e bondoso que parecesse, ele ainda era um aristocrata orgulhoso.

Os olhos de Elliot estavam muito frios enquanto observava as costas da figura de Monica, andando timidamente atrás de Isabelle.

— Não acha o mesmo, Vossa Alteza?

— Será?

Felix observava as costas da figura de Monica, com uma expressão um tanto pensativa sobre algo.

A única coisa que conseguia perceber daquela distância era que se tratava de uma garota pequena, de cabelos castanho-claros. Claro, ele não conseguia ver o rosto dela.

No entanto, havia algo estranhamente preso em sua mente.

— Tenho confiança na minha memória para pessoas que já cumprimentei uma vez, mas por que não consigo me lembrar dela?

— Como uma pessoa dessas poderia já ter conhecido Vossa Alteza? Quer dizer, ela não passa de uma garota do interior.

Elliot negou categoricamente, mas Felix continuou a fitar em silêncio as costas da figura de Monica.

Ele observava como ela encurvava as costas enquanto caminhava timidamente.

……

….

..

Porém, ele não percebeu que aquelas costas pertenciam à Bruxa Silenciosa, que, na cerimônia, vestira as vestes dos Sete Sábios com o capuz bem baixo para cobrir o rosto.

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