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Silent Witch – Volume 2 Capítulo 10

O Maior Obstáculo (Autoapresentação)

Capítulo 10 – O Maior Obstáculo (Autoapresentação)

Na Minerva, onde Monica estudava antes, os uniformes eram, em sua maioria, nas cores verde-escuro ou azul-marinho, mas os da Academia Serendia eram o completo oposto. O esquema de cores geral era claro e branco, com enfeites suntuosos em dourado e prateado.

O uniforme das alunas consistia em um elegante vestido até os tornozelos. Vale notar que tanto meninos quanto meninas eram obrigados pelo código de vestimenta a usar luvas.

Embora não houvesse essa exigência de luvas na Minerva, os filhos de famílias nobres sempre as usavam.

A Academia Serendia era uma escola reservada para a nobreza. Como tal, esperava-se que os alunos se vestissem e se comportassem de maneira condizente com seu círculo social.

Mas, é claro, Monica não conseguia acompanhar nada disso. Para ser sincera, já era quase um milagre que ela conseguisse ficar de pé e andar sem desmaiar.

Suas mãos, dentro das luvas brancas que lhe eram estranhas, já estavam encharcadas de suor frio.

— Esta é a nova aluna transferida que se juntará à nossa turma, Monica Norton.

Ficar de pé em frente ao pódio e ser apresentada aos colegas de turma fazia Monica se sentir como uma criminosa no banco dos réus.

Todos os olhos dos colegas de turma se concentraram apenas em Monica. Se ela fosse uma caloura, não seria a única a receber atenção.

— Certo, por favor, apresente-se.

A garganta de Monica começou a se contrair quando o professor a instou. Já era insuportável ser exposta na frente de todos, mas agora ela ainda tinha que se apresentar!

Eu preciso dizer alguma coisa…

Louis lhe dissera que, nessas situações, tudo o que precisava fazer era dizer seu nome, seguido de “Cuidem bem de mim”, e terminar com uma reverência.

Mas, para Monica, só isso já era um suplício grande demais.

Enquanto Monica mantinha a cabeça baixa em silêncio, os olhares dos colegas de turma mudaram sutilmente. Ficaram irritados com a falta de uma saudação em sua apresentação, e desdenhosos com seu nervosismo evidente. Era isso o que mais assustava Monica.

Quando Monica tentou abrir a boca para dizer algo, acabou apenas boquiaberta, incapaz de dizer qualquer coisa, e caiu em silêncio.

— …já chega. Sente-se. Seu lugar é no final, perto do corredor.

O velho professor soltou um longo suspiro de exasperação e indicou que Monica se sentasse em seu lugar.

Incapaz de responder, Monica se dirigiu até seu lugar com as pernas trêmulas. Seus colegas de turma a observavam com frieza, olhando seus passos instáveis.

Por fim, a aula começou, mas a explicação do professor não penetrou na mente de Monica em nada.

* * *

— Ei.

Mesmo durante o intervalo, Monica permanecia parada em sua cadeira, até que ouviu uma voz bem ao seu lado.

Será que ela estava falando comigo? Mas e se estivesse falando com outra pessoa? Com medo de erguer o rosto para olhá-la, acabou recebendo um toque no ombro.

— Ei, estou falando com você. Aluna transferida.

Ela estremeceu os ombros e ergueu a cabeça, nervosa.

Encarando Monica de cima estava uma garota de cabelos loiro-claros. Ela era pálida, tinha olhos grandes e parecia ser um tanto competitiva. Seus cabelos estavam trançados de maneira elaborada, e brincos dourados balançavam em suas orelhas.

— Meu nome é Lana Colette.

A garota, que se apresentou como Lana, encarou Monica da cabeça aos pés antes de colocar as mãos na cintura.

— Ei, por que você está com esse penteado de tranças presas? Ninguém nesta escola faz o cabelo desse jeito, feito uma garota do interior.

Como Lana havia dito, os cabelos castanho-claros de Monica estavam divididos em duas partes e presos em uma trança frouxa.

Louis lhe ensinara alguns penteados apropriados para uma dama da nobreza, mas ela estava tendo dificuldade em se lembrar de como fazê-los.

As damas que tinham criadas em seus dormitórios contavam com elas para se arrumar, mas, é claro, Monica não tinha nenhuma criada.

— Eu não sei… nenhum outro estilo… além deste…

Com essa única frase, os olhos dos colegas ao redor se voltaram para Monica, como se dissessem “Eu sabia”.

Ao dizer o que acabara de dizer, Monica expôs o fato de que não tinha uma criada. Qualquer um que não trouxesse uma criada para o dormitório era ou muito pobre, ou tinha o status mais baixo, sem título.

— Onde fica sua cidade natal?

Diante da pergunta de Lana, Monica engasgou com as palavras. Monica nascera e crescera em uma cidade relativamente próxima da capital real, mas agora precisava fingir ter parentesco com a Casa do Conde Kerbeck.

— Eu sou de Rennac.

Ao mencionar uma das cidades do domínio do Conde, Lana fez “Ai, meu Deus!” e arregalou os olhos.

— Ah, então você é de uma grande cidade na fronteira! Aposto que chegam muitas roupas raras dos países vizinhos por lá. Ei, que tipo de estampas estão na moda em Rennac agora? E os vestidos? Que lenços eles têm?

As perguntas incessantes de Lana finalmente estavam se tornando demais para Monica.

Monica nem sequer era de Rennac, para começo de conversa, e, mesmo que tivesse morado lá, não saberia nada sobre as últimas tendências.

— Sinto muito… eu não entendo muito bem… esse tipo de coisa…

Quando Monica se desculpou balbuciando, os lábios de Lana se contraíram em um bico de irritação.

— Ei, por que você não está usando nenhuma maquiagem? Você nem sabe passar pó branco, batom e tinta de sobrancelha? Olha a cor deste batom. É o mais novo lançamento da loja de cosméticos da capital.

Em seguida, Lana lançou sobre Monica uma série de críticas a respeito de suas roupas.

Por exemplo, disse a ela como eram fofas as luvas com bordados, como era absurdo não usar um único acessório, e como o design de seus sapatos era ultrapassado.

E tudo o que Monica conseguia dizer era “Não tenho certeza” e “Desculpe”, com a voz trêmula.

Porque ela realmente não entendia nada do que Lana estava dizendo.

O cabelo de Lana estava elaboradamente penteado, com belos enfeites presos a ele. Suas luvas eram adornadas com babados, e o laço no colarinho tinha um bordado suntuoso. Mesmo usando o mesmo uniforme que Monica, davam impressões completamente diferentes.

Ao ver o quanto Monica estava aflita, as garotas ao redor cobriram a boca com os leques e começaram a cochichar entre si.

— Ei, olha só como a filha daquele barão rico está se gabando das riquezas dela para aquela caipira.

— Quer dizer, mais ninguém escutaria ela, então está se metendo com essa caipira.

— Afinal, ela comprou o título dela com dinheiro. Isso sim é desespero.

Por mais que sussurrassem, era alto o suficiente para Monica ouvir. É claro que Lana também conseguiu ouvir.

As sobrancelhas finas de Lana tremeram, mas, por fim, ela jogou para trás os cabelos loiro-claros e bufou:

— Esquece isso. Falar com essas caipiras patéticas é chato.

— …Sinto muito.

A palavra “chata” era algo que Monica já estava acostumada a ouvir.

Monica tinha plena consciência de como era chata, a ponto de já estar cansada disso.

Ela não conseguia acompanhar os mesmos assuntos que todo mundo e não fazia ideia de quais eram as últimas tendências. As únicas coisas pelas quais tinha interesse eram números e magia.

Em vez de dizer algo que deixasse os outros desconfortáveis, ela preferia ser tratada como se nem estivesse ali.

Então, tudo o que Monica podia fazer era manter a cabeça baixa e ficar parada, evitando contato visual com qualquer pessoa.

Como estava fazendo agora, ela ficou paralisada no lugar como uma pedra, até que Lana, de repente, estendeu a mão e agarrou a trança de Monica.

Ao perceber que Monica arfava de susto, Lana disse bruscamente: “Fique parada.”

Em seguida, ela ajeitou com destreza as tranças de Monica de alguma forma e as prendeu no lugar. Como não havia espelho ali, Monica não fazia ideia de como sua cabeça havia ficado.

Mas Lana disse “Assim está melhor” e balançou a cabeça em aprovação.

— Viu? Isso é fácil! Você devia conseguir fazer isso sozinha!

Depois de dizer isso, Lana voltou a passos largos para o seu lugar.

Monica tocou a cabeça hesitantemente com a ponta dos dedos.

A parte que tocou era um laço preso, balançando ao toque suave.


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