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Silent Witch – Volume 2 Capítulo 11

A Bruxa e Sua Refeição Solitária Encontra um Assassino(?)

Capítulo 11 – A Bruxa e Sua Refeição Solitária Encontra um Assassino(?)

A maioria dos alunos de Serendia almoçava no refeitório da escola.

O refeitório da escola contava com cozinheiros e garçons de primeira linha. Na verdade, cada prato passava por teste contra envenenamento, para que pudessem comer tranquilos.

No entanto, um número de alunos abastados trazia seus próprios cozinheiros e garçons para o dormitório. Depois de mandá-los cozinhar na cozinha do dormitório, faziam suas refeições em seus próprios quartos. Até mesmo o segundo príncipe, alvo da proteção de Monica, tinha esse mesmo hábito.

E-Então, eu não preciso mesmo ir ao refeitório…

Depois de arranjar essa desculpa para si mesma, Monica saiu da sala de aula às escondidas assim que o intervalo do almoço começou.

Todos os alunos da turma de Monica se dirigiam ao refeitório, mas Monica foi contra a maré e saiu do prédio da escola.

Ela havia colocado um punhado de castanhas no bolso, para poder comê-las em um lugar menos cheio.

Para Monica, encontrar lugares tranquilos sempre foi sua especialidade. Na época em que ainda era aluna da Minerva, ela sempre passava muito tempo trancada em seu esconderijo secreto, lendo e fazendo cálculos.

Como o tempo hoje estava claro e não muito ventoso, Monica decidiu dar uma volta ao ar livre.

A Academia Serendia ocupava uma área muito grande, e seus jardins eram lindamente arranjados. Agora que as flores de verão haviam acabado, os botões das rosas de outono começavam a inchar.

Em geral, a temporada de matrículas das escolas frequentadas por nobres costumava ser no outono, enquanto para plebeus era na primavera.

O motivo disso era que os nobres ficavam ocupados com as atividades sociais da primavera ao verão, enquanto os plebeus ficavam especialmente ocupados com o festival da colheita no outono. Por isso, tendiam a evitar esses períodos na hora de definir as matrículas.

Embora Monica viesse de uma família plebeia, ela nunca havia estudado em uma escola para plebeus. Como seu pai era muito instruído, ele mesmo lhe ensinou tudo. Mas, depois da morte dele, ela passou por muitas voltas até ser adotada por alguém que fora discípulo de seu pai, e matriculada na Minerva, instituição de formação de magos.

Esse foi também um dos motivos pelos quais Monica não estava acostumada a viver em grupo. Mesmo depois de se tornar aluna de lá, ela não tinha ninguém que pudesse ser considerado amigo.

Apesar disso, por causa de seu talento para a magia, ela recebeu um lugar na Minerva. Só que isso apenas a fez se trancar ainda mais no laboratório.

Mas, apesar de ter estudado naquela escola, ela ainda era incapaz de exibir seu talento aqui. Embora a própria Academia Serendia tivesse um sistema que permitia aos alunos escolherem seu currículo… isso seria um problema, se ela tivesse que executar sua magia em público.

Monica, que sofria de transtorno de ansiedade social, só conseguia usar magia sem cântico.

Além disso, se ela executasse ali sua magia sem cântico, sua identidade como [Bruxa Silenciosa] seria exposta.

Monica soltou um suspiro e tocou o laço preso em seu cabelo.

Eu ainda… nem consegui agradecer a ela.

As palavras que ela queria dizer sempre ficavam presas na garganta de Monica, sendo engolidas sem nunca serem ditas.

Eu nem consigo conversar direito com uma colega de turma… e agora tenho que me aproximar do segundo príncipe? O que eu deveria fazer?

Para proteger o segundo príncipe, ela precisava se aproximar dele. Mas ele estava no terceiro ano, enquanto Monica estava no segundo. Já havia uma diferença de série, para começar.

Se Louis realmente queria que eu fosse a guarda secreta do segundo príncipe, ele deveria ao menos ter me transferido para a mesma série que ele. Aliás, se ele realmente precisava de um guarda confiável, deveria ter mandado um homem. Quer dizer, os dormitórios masculino e feminino ficam em lugares separados.

Embora Louis Miller agisse de forma tão escandalosa e tivesse uma personalidade terrivelmente ruim, ele mesmo era muito competente.

Ele também sabia que não podia falhar nessa missão.

E, ainda assim, havia buracos demais em todo o plano de “proteger o príncipe”. Desde o início, mandar Monica para aquela escola já era uma imprudência.

Talvez Louis tenha outros planos em mente…

Pensando nisso, Monica atravessou o jardim até chegar aos fundos do prédio da escola. Ali, encontrou uma grande cerca. Aquele lugar também deveria fazer parte do terreno da escola, mas, como o portão estava fechado, ela não conseguia ir além daquele ponto.

Havia uma placa no portão que dizia: “Jardim antigo, atualmente em manutenção.”

Se fosse este lugar…

Depois de ficar de cabeça baixa a manhã inteira, Monica ergueu o rosto para olhar a cerca de ferro.

Ela era bastante alta por si só, mas ainda assim não passava do dobro da altura de Monica.

Acho que essa altura ainda está de bom tamanho…

Monica se certificou de que não havia ninguém por perto antes de invocar sua magia sem cântico.

Um pequeno redemoinho de vento girou em torno de seus pés. Depois de manipular o vento com sua magia, ela deu um leve impulso no chão. Só com isso, seu corpo voou levemente por cima da cerca de ferro.

Essa era uma aplicação da magia de voo, frequentemente usada pelo Corpo de Magos. Originalmente, a magia de voo servia para voar em alta velocidade, mas Monica, que era fatalmente carente de equilíbrio e coordenação motora, era incapaz de usá-la para voar de verdade. No entanto, ela conseguia usá-la para saltar por cima de uma altura como aquela.

Mesmo nessa altura, fazer isso ainda dá medo.

Segurando o coração disparado, Monica caminhou rapidamente pelo jardim antigo. Esse tipo de espaço fechado era o lugar perfeito para se esconder.

Embora houvesse uma placa dizendo que a área estava em manutenção, as árvores não pareciam tão desoladas quanto o esperado. No entanto, quase não havia flores ao redor. Aparentemente, todas as flores haviam sido transferidas para os canteiros do lado de fora. O que florescia ali eram apenas flores silvestres de outono.

Mas é agradável e tranquilo.

Pensando que conseguiria relaxar ali, ela se sentiu um pouco melhor. Então começou a procurar uma boa pedra para se sentar.

No entanto, seus passos animados pararam quando ela virou o olhar para um dos arbustos de azaleia.

Atrás dele, alguém estava sentado na borda de uma fonte agora em desuso, lendo alguns papéis. A distância entre eles dificultava ver seu rosto, mas era possível ver seus belos cabelos cor de mel.

O homem percebeu Monica e virou a cabeça.

— Quem está aí?

— Hiiek!

Monica se virou rapidamente e tentou fugir dali, mas seus pés tropeçaram em uma pedra.

— Hyah!

Caindo com um gritinho alto, as castanhas escorregaram do bolso de Monica e se espalharam por todo o lugar.

— Eu…!

Enquanto Monica se atrapalhava tentando se levantar, ela ouviu uma voz rindo baixinho por perto.

— Este lugar deveria estar trancado… Parece que um esquilinho se perdeu por aqui.

Monica começou a pensar em meio pânico.

Por que há uma pessoa em um lugar interditado? (esquecendo-se de si mesma)
O fato de ele conseguir entrar e sair de um lugar onde não deveria estar era muito suspeito. (esquecendo-se de si mesma)
Será que esse homem era uma pessoa suspeita? (sem se incluir)

— Em sua confusão, o raciocínio de Monica acabou chegando a essas conclusões.

Não me diga que esse homem… é um assassino… que quer matar Sua Alteza!

Assim que começou a pensar dessa forma, a pilha de papéis na mão do homem passou a parecer uma ordem de assassinato.

Sim, esse cara devia estar planejando ali o seu método para assassinar o segundo príncipe, ou foi o que ela pensou.

Além disso, supondo que esse homem fosse um assassino, ele não deixaria passar Monica como testemunha.

Ela ouviu passos se aproximando cada vez mais perto.

— Hieek!

Monica, quase chorando, criou vento com sua magia sem cântico. Embora fosse uma magia não letal, a rajada de vento que ela criou fez o corpo do homem cambalear. O maço de papéis que ele segurava dançou ao vento e se espalhou bruscamente, como uma nevasca.

Ele segurou o cabelo de leve antes de se abaixar para pegar alguma coisa.

O que o homem pegou não foram os papéis espalhados, mas as castanhas que haviam caído do bolso de Monica.

— Acho que o vento derramou alguns dos seus lanchinhos.

O homem então ergueu gentilmente a mão trêmula de Monica e colocou nela as castanhas que havia recolhido.

— O que posso fazer por você é recolher essas castanhas de volta. Você me perdoaria com isso, esquilinho?

— ……

O homem continuou recolhendo as castanhas de Monica antes de fazer o mesmo com seus próprios documentos.

Se o homem fosse um assassino, ele não seria tão gentil assim.

De repente, Monica percebeu. Todos os documentos espalhados a seus pés estavam cheios de números. E não eram ordens de assassinato, e sim livros contábeis.

— Eu… Sinto muito… Sinto muito… Sinto muito…

Monica rapidamente se arrastou pelo chão e recolheu os documentos espalhados. Felizmente, os livros contábeis estavam marcados com as datas das despesas, então ela conseguia deduzir a ordem geral só de olhar o conteúdo.

Enquanto Monica remexia em seus papéis, o homem recolhia suas castanhas com tranquilidade. Aparentemente, ele não dava muita importância aos documentos.

Monica limpou a sujeira dos documentos e depois os reorganizou por ordem de data. No processo, seus olhos foram atraídos pelos números, o que era uma espécie de hábito. Sempre que Monica via uma sequência de números, não conseguia deixar de segui-la com os olhos.

Ah…

Depois de uma olhada rápida nos documentos, Monica sentiu o coração formigar.

Para Monica, que sempre valorizou os números mais do que qualquer coisa, encontrar cálculos que não fechavam era desconfortável. Era como uma única mancha em uma pintura perfeita.

E agora os documentos que Monica havia recolhido estavam cheios de “manchas”.

— Obrigado por recolher isso.

Com isso, o homem colocou o resto das castanhas na mão de Monica.

Só agora Monica percebeu. Esse homem — esse jovem —, assim como Monica, estava usando o uniforme da escola. Ele era aluno daqui.

Monica manteve a cabeça baixa, entregou ao jovem os papéis que havia recolhido, e disse com voz trêmula.

— Trinta…

— Sim?

— Havia trinta e nove erros neste cálculo.

Depois de dizer isso, Monica empurrou os documentos para o jovem e girou nos calcanhares para fugir dali.

O jovem que ficou para trás observou as costas de Monica em silêncio por um instante, mas, quando ela desapareceu de vista, ele folheou os documentos em mãos.

— …trinta e nove erros?

O jovem murmurou e estreitou levemente os olhos azuis.

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