Capítulo 25 – Uma Pequena Mão em Suas Lembranças
Depois de conter o surto de Cyril, Monica voltou ao seu quarto no dormitório, e, quando terminou de escrever o relatório para entregar a Louis, o amanhecer já havia caído por completo.
Na época em que vivia numa cabana na montanha, passar a noite em claro era coisa do dia a dia, mas, como vinha levando uma vida regular fazia um tempo, ela estava se sentindo com a cabeça pesada.
Depois de andar tonta até a aula, levar outro sermão de Lana por causa de um penteado ruim, e lutar contra o sono durante toda a aula, Monica arrastou os pés até a sala do conselho estudantil.
Parecia que ninguém havia chegado à sala do conselho estudantil ainda. Aparentemente, Monica era a primeira a chegar naquele dia.
Monica limpou brevemente a sala do conselho estudantil, como Cyril lhe ensinara, reabasteceu os suprimentos, e abriu o livro contábil.
Normalmente, olhar para os números a deixava mais desperta, mas, agora, ela simplesmente não conseguia fazer os números entrarem em sua cabeça.
Entendo. Usei muita magia ontem… estou com falta de açúcar…
Monica, que não era exigente com a comida, sempre consumia apenas a quantidade mínima necessária.
No café da manhã, comeu um pedaço de pão que sobrara do jantar, com café. No almoço, trouxe algumas castanhas e água. Normalmente, isso seria suficiente para ela, mas, depois de um dia usando tanta magia, ainda não era o bastante.
Executar magia consome muita energia. Por isso, dizem que muitos magos têm um fraco por doces.
Monica remexeu nos bolsos em busca de algo para comer, mas não havia nada, já que comera todas as castanhas no almoço.
Só mais um pouco de paciência até terminar o trabalho do conselho estudantil… foi o que disse a si mesma, mas Monica cedeu ao sono e desabou sobre a mesa.
* * *
Enquanto Monica dormia desabada sobre o livro contábil, alguém abriu a porta da sala do conselho estudantil.
A porta fora aberta pelo vice-presidente, Cyril Ashley.
Ele foi a segunda pessoa a chegar à sala do conselho estudantil, e, ao notar Monica dormindo sobre a mesa, ergueu as sobrancelhas.
Ele quase abriu a boca para gritar com Monica, mas… manteve-se calado.
— ……
Silenciando os próprios passos, inconscientemente, ele caminhou até a mesa, e então olhou para a figura de Monica.
— Ela é mesmo uma garota pequena.
Seu corpinho magricela não parecia o de uma garota de dezessete anos.
Seu semblante era sempre pálido, e seus olhos, que podiam parecer castanhos ou verdes dependendo da luz, estavam sempre baixos, com medo.
Sem nenhuma graça ou beleza nobre, ela era apenas uma garota sem graça, do tipo que se encontra em qualquer lugar.
Cyril observou a mão direita de Monica, que ainda segurava a pena.
Na Academia Serendia, as luvas fazem parte do uniforme. A maioria das garotas usava luvas feitas sob medida, normalmente com rendas ou laços nas bordas, mas as luvas de Monica eram brancas e sem enfeites.
As luvas não eram do tamanho certo, ou talvez fossem um pouco grandes demais. Era assim que suas mãos eram pequenas. Como as de uma criança.
— ……
Cyril retirou gentilmente a pena da mão de Monica e a colocou de volta no porta-penas.
No momento em que a pena foi retirada de sua mão, a mão direita de Monica perdeu a força, deixando a ponta dos dedos deslizar pela mesa.
Cyril cobriu a mão direita de Monica com a própria mão, como que para confirmar o quão pequena ela era…
— Ah, Cyril. Você já está aqui, não é?
No momento em que ouviu a voz de Felix atrás de si, Cyril saltou para longe da mesa como um gafanhoto.
— Vossa Alteza, o senhor está enganado, essa garotinha estava cochilando na sagrada sala do conselho estudantil, então achei que devia acordá-la! Vamos, acorde, sua garotinha!!
Cyril deu uma pancadinha na cabeça de Monica com a mão direita, que erguera de forma antinatural.
Monica, que estivera desabada sobre a mesa, ergueu o tronco com um resmungo abafado e olhou para Cyril com os olhos ainda meio sonolentos.
— …Sssenhor Ashh-ley?
— H-Humpf, que cara boba é essa? Você está na presença de Sua Alteza! Fique em pé, direito!
— …9129, 14771, 23900, 38671, 62571, 101242, 163813…
— Fale em língua humana!
Enquanto Cyril agarrava a cabeça de Monica, tremendo, ela apenas ergueu os olhos para o rosto dele e… sorriu amplamente.
— …não está mais frio… que alívio…
Os olhos azul-escuros de Cyril se arregalaram, e a mão que tremia sobre a cabeça de Monica parou. Inconscientemente, sua mão tocou o broche na lapela.
Enquanto a boca de Cyril se abria e fechava, prestes a dizer algo, a mão de Felix se estendeu de lado e… enfiou um dos biscoitos na boca de Monica.
Em um torpor sonolento, Monica mordeu o biscoito com um crocante.
Felix enfiou um pedaço do biscoito, que ia diminuindo gradualmente pelas bordas, na boca de Monica, e então tirou outro biscoito novo e o aproximou de sua boca.
Ao perceber o biscoito pressionando seus lábios, Monica, ainda atordoada, prosseguiu mordendo o segundo biscoito.
— Interessante. Ela está meio dormindo, mas a boca continua se mexendo.
— Er, V-Vossa Alteza…
— Quer tentar também, Cyril?
Seu tom de voz soava como se estivesse convidando alguém a interagir com seu bichinho de estimação, mas Cyril recusou, balançando a cabeça.
Bem quando Felix estava prestes a pegar o terceiro biscoito na mão, a cabeça de Monica se ergueu de repente, e seus olhos se abriram um pouco.
Monica esfregou os olhos e murmurou algo em voz indistinta, como se tivesse acabado de acordar.
Naquele momento, Monica pensava no relatório que passara a noite em claro escrevendo.
Para Monica, escrever relatórios era uma das tarefas em que era muito ruim.
Espero que o Louis não fique bravo comigo… era tudo que Monica conseguia pensar, e o jovem que gritava com ela à sua frente parecia se sobrepor a Louis Miller.
Então ela disse.
— Parabéns pela gravidez da sua esposa!
— De quem você está falando?!
Para o Cyril que gritava, Felix disse suavemente.
— Cyril, quem é ela? Você precisa assumir a responsabilidade pelos seus atos, sabia?
— Ah, Vossa Alteza! Não, é um mal-entendido. Essa garotinha só está falando bobagem dormindo…!
Ali estavam Cyril, gritando com os olhos injetados de sangue, Felix, sorrindo alegremente, e Monica, ainda cochilando.
Ninguém percebera, mas aquela cena fez Neil, o quarto a chegar à sala do conselho estudantil, parar na entrada com uma expressão perturbada no rosto.