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Silent Witch – Volume 3 Capítulo 24

Nero e Felix

Capítulo 24 – Nero e Felix

Nero, com Cyril sobre os ombros, corria pela floresta à noite, sem uma única luz. Apesar de estar em forma humana, Nero ainda enxergava claramente no escuro.

Além disso, ele era muito mais forte do que um humano, então, mesmo com Cyril no ombro, conseguia correr a toda velocidade.

Como será que esse cara friorento saiu do dormitório?

Tanto o dormitório masculino quanto o feminino eram cercados por muros altos. Os portões eram vigiados por porteiros que ficavam de guarda a noite toda, então não devia ser fácil sair escondido.

Seria outra história se ele pudesse usar magia de vento para saltar ou voar, mas a magia de voo não era tão fácil quanto parecia. Monica uma vez lhe dissera que só magos avançados conseguiam lidar com ela, porque exigia tanto técnicas de manipulação mágica extremamente precisas quanto habilidades físicas.

Tirando as habilidades mágicas, as habilidades físicas de Monica eram péssimas, então saltar bem alto era o máximo que ela conseguia fazer.

Pelo que estou vendo, esse cara friorento se destaca na magia de gelo, mas não parece ser lá muito bom nas outras magias.

Desde o nascimento, cada humano nasce com um conjunto de atributos nos quais é bom. Não é incomum que magos comuns só consigam usar seu atributo dominante de magia.

A capacidade de Monica de usar facilmente magia de alto nível, independente do atributo, era bastante excepcional de várias formas. Às vezes ele quase esquecia disso.

Acho que esse cara friorento não consegue usar magia de vento. Bem, ainda assim, usar tanta magia de gelo com essa idade já é impressionante o bastante.

Como Cyril, que não conseguia usar magia de voo, conseguira sair escondido do dormitório masculino?

A resposta foi descoberta rapidamente quando ele chegou aos fundos do dormitório masculino. Havia uma rachadura em um dos muros que cercavam o dormitório. Aparentemente, Cyril saíra escondido por ali.

— Acho que até as escolas mais prestigiadas são desleixadas na manutenção.

— Ouvi dizer que essa rachadura era usada por gerações anteriores de alunos para saírem escondidos do dormitório e relaxarem.

Uma resposta veio de trás de Nero.

Com Cyril no ombro, Nero virou a cabeça e viu um aluno familiar parado ali.

Esguio e alto, com uma estrutura facial perfeita e cabelos dourados que brilhavam suavemente ao luar — era o segundo príncipe do Reino de Ridill, Felix Ark Ridill.

Em seu uniforme, Felix segurava uma tábua um tanto grande na mão.

Assim que Nero voltou a atenção para a tábua, Felix a apoiou contra o muro, de forma que cobrisse a rachadura.

— Cyril normalmente coloca uma tábua para esconder essa rachadura, mas parece que não teve tempo suficiente para fazer isso dessa vez.

Então aquela rachadura era uma brecha com a qual até o príncipe estava familiarizado.

Convencido, Nero baixou Cyril do ombro.

— Sou só um viajante de passagem. Vim entregar esse cara friorento que desmoronou na floresta depois que seu envenenamento mágico saiu de controle. Sou gentil, não sou? Você devia estar grato.

— Sim, obrigado por se dar ao trabalho.

— Se esse cara friorento disser alguma coisa, é só dizer que ele estava tendo alucinações por causa do envenenamento mágico. Tudo que ele viu foi alucinação.

— Hum?

Felix olhou de relance para Cyril, e então rapidamente voltou o olhar para Nero.

Sua expressão gentil não mudou — mas seus olhos azuis observavam Nero com cautela.

— Um viajante gentil. Posso lhe perguntar o nome?

— Meu nome não vale a pena ser mencionado, mas, já que estou sendo legal, vou lhe contar. Sou Bartholomew Alexander.

Assim que Nero soltou aquela mentira descarada, Felix colocou a mão sobre a boca para segurar o riso.

— Não esperava que você tivesse o mesmo nome que o herói do romance de aventura.

— Você conhece o Dustin Günther?

Na mente de Nero, a simpatia por Felix aumentara um pouco. Nero acreditava firmemente que não existia cara ruim que gostasse de Dustin Günther.

Enquanto a voz de Nero ficava mais animada, Felix riu baixinho.

— Já desfrutei de todo tipo de entretenimento que este país tem a oferecer. Seja romances, jogos, teatro…

— Incluindo as mulheres?

Quando Nero, que testemunhara Felix saindo para a vida noturna, o provocou, Felix apenas sorriu vagamente e disse: “Será?”

Que humano assustador.

Ele nascera na realeza, abençoado com todo tipo de coisa — mas tinha olhos vazios, como alguém que não possuía nada.

Felix ergueu Cyril com leveza e então olhou para Nero como quem acabara de se lembrar de algo.

— A propósito, você sabia, viajante? A floresta nesta área é propriedade da escola, então é proibida para todos, exceto para os funcionários da escola.

— Ah, é mesmo?

A coisa que Nero mais odiava era ser forçado a seguir regras humanas.

Eu nem sou humano, para começo de conversa.

Sem se importar com que tipo de regra os humanos tinham criado, Nero apenas indicou Cyril com um movimento de queixo.

— Eu salvei esse seu cara friorento. Então me dê um desconto.

— Sim, claro. Eu não ousaria questionar você por ter salvado a vida de Cyril.

— Ah?

Nero franziu a testa com desdém e enfiou a mão no próprio manto.

Depois remexeu nas próprias roupas, fazendo um gesto como se estivesse tentando pegar algo.

— Você não precisa me questionar porque esse cara vai descobrir quem eu sou?

Com isso, Nero tirou a mão de dentro do manto.

Na ponta dos dedos, um lagarto branco, segurado pelo rabo, balançava placidamente.

Nero ergueu o lagarto branco até a altura do próprio rosto e ameaçou comê-lo, e o lagarto branco agitou os pequenos membros, debatendo-se descontrolado.

Nero riu maldosamente, mostrando os dentes afiados.

— Um espírito da água, eu acho? Tenho certeza de que você estava planejando infiltrar um espião nas minhas roupas, mas que pena. Eu sou muito sensível à mana.

Um espírito era algo como uma massa de mana. Então, quanto mais alto o escalão do espírito, mais facilmente Nero conseguia detectá-lo.

Aquele lagarto branco era um espírito da água de alto escalão. Provavelmente, o espírito contratado do príncipe.

Felix ainda sorria serenamente ao ser confrontado com o lagarto branco. E era isso que o tornava tão assustador.

Quanto a Nero, “O-O quê?!” ou “Quem diabos é você?” eram as reações que ele esperava. Mas aquele príncipe não parecia nem um pouco incomodado.

— Tchau.

Nero, entediado, jogou o lagarto branco no chão antes de virar as costas para Felix e se afastar.

Ei, príncipe brilhante. Por mais entediado que você esteja, é melhor não mexer com a minha favorita, tá?

Se continuasse tagarelando, sua verdadeira identidade poderia ser notada. Por isso, Nero apenas murmurou para si mesmo.

Ele mostrou os dentes afiados e riu maldosamente.

Se você tentar quebrar a Monica, eu arranco sua cabeça a mordidas.

* * *

O lagarto branco que fora jogado no chão — Will — fez uma reverência a Felix assim que se transformou de volta em forma humana.

— Peço desculpas pela minha falta de poder. Deixe-me ir atrás daquele homem agora mesmo…

— Não, tudo bem. Seria um problema se você fosse comido.

Diante do comentário brincalhão de Felix, Will baixou a cabeça, como se estivesse envergonhado de sua falta de habilidade.

Felix não tinha mais nenhuma intenção de perseguir aquele jovem de cabelos escuros.

Ele não fazia ideia de quem era aquele jovem… mas sabia instintivamente que não era alguém que pudesse perseguir e eliminar.

Com certeza não era humano. Mas… não era um espírito, e sim outra coisa.

No entanto, fosse quem fosse aquele não-humano, contanto que não tivesse intenção de prejudicar Felix, poderia ser deixado em paz por ora.

— Will, volte para sua forma de lagarto. Seria um pouco inconveniente se Cyril te visse agora.

— Como desejar.

Will, que tomara a forma de um lagarto branco, subiu deslizando pela perna de Felix e se acomodou em seu bolso. Depois de confirmar isso, Felix retomou o percurso, carregando Cyril nas costas.

Logo, Cyril gemeu baixinho às costas de Felix. Aparentemente, recuperara a consciência.

— Ugh… eu…

Felix falou com calma para Cyril, que murmurava em voz baixa.

— Está acordado?

— Vossa… Alteza…

Cyril piscou algumas vezes e olhou para Felix com os olhos embaçados.

— Você desmaiou na floresta depois de sofrer envenenamento mágico. Um viajante gentil o trouxe até aqui.

— Sinto muito pelo incômodo.

— Não, tudo bem.

Se fosse o Cyril de sempre, ele teria imediatamente dito que andaria sozinho. No entanto, o fato de não ter dito isso era porque estava exausto demais.

Depois que Felix carregou Cyril de volta ao quarto, deitando-o na cama, Cyril olhou para Felix com os olhos aturdidos.

— O viajante que me ajudou era uma figura pequena, encapuzada?

Felix balançou a cabeça.

— Não, era um homem alto, de cabelos escuros.

— En… tendo…

Murmurando, Cyril fechou os olhos.

Repentinamente curioso, Felix lhe perguntou.

— Que tipo de alucinação você teve na floresta?

Cyril ficou em silêncio por um momento, parecendo confuso. Atrás das pálpebras fechadas, provavelmente remoía o sonho que tivera.

Por fim, ainda de olhos fechados, Cyril lentamente abriu a boca.

— Aquele monstro na minha alucinação… era terrivelmente silencioso e terrivelmente forte… provavelmente nunca vou esquecer aquela cena pelo resto da minha vida.

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