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Silent Witch – Volume 4 Capítulo 28

Fazer Churrasco atrás do Prédio da Escola é Sonho de Todo Homem

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Capítulo 28 – Fazer Churrasco atrás do Prédio da Escola é Sonho de Todo Homem

No dia seguinte, na hora do almoço, Monica saiu apressada do prédio da escola e se dirigiu ao pátio dos fundos.

Evitando o jardim antigo, onde se infiltrara antes, por causa da possibilidade de encontrar Felix, Monica se deslocou para um canto isolado do pátio dos fundos.

Então, certificando-se de que não havia ninguém por perto, tirou um pedaço de papel do bolso e o desdobrou.

No papel, ela anotara os passos básicos da dança de salão e o tempo da música. Monica revisara o que Neil lhe ensinara no dia anterior e registrara tudo em um pedaço de papel.

Depois de reler tudo com cuidado, Monica começou imediatamente a praticar os passos básicos.

— 1, 2, 3… 1, 2, 3…

Era só uma questão de repetir os mesmos passos, mas, quando Monica, com sua péssima habilidade atlética, fazia isso, a parte superior do corpo balançava instável. Até isso já era difícil para ela.

— Vamos ver… colocar o pé direito à frente, levar o pé esquerdo para o lado, trazer de volta, então… girar no sentido horário com o pé esquerdo como eixo.

Ao girar, perdendo o equilíbrio e tropeçando, ela ouviu uma risada estourar.

Seus ombros se sacudiram involuntariamente, e ela ergueu os olhos para ver um jovem alto olhando para Monica com um sorriso de escárnio no rosto, imaginando havia quanto tempo ele estava ali.

Ele tinha cabelos castanho-avermelhados e olhos caídos. O jovem que parecia tão amigável quando não estava falando era o secretário do conselho estudantil, Elliot Howard.

— Não é à toa que estava tão terrível assim. Sua dança quase parece a de um bêbado.

A postura de Elliot era amigável e descontraída, mas seus olhos claramente desprezavam Monica.

Embora fossem ambos membros do conselho estudantil, Monica não conversara muito com Elliot.

No entanto, ela tinha um vago pressentimento de que Elliot não nutria boas impressões por ela.

Se as palavras cortantes de Bridget eram como uma espada, então as palavras dessa pessoa eram como veneno. Ela conseguia sentir a intenção maliciosa dele atormentando Monica lentamente.

— Você nunca compareceu a um baile antes?

— Não, nunca…

— Haha, acho que é natural. Afinal, esse tipo de dança não poderia ser exibido em público.

Elliot cuspia seu veneno, com um tom suave e um sorriso suave, como se estivesse apenas batendo papo.

Monica ficou ali parada, encolhida, enquanto Elliot fechava lentamente a distância entre eles antes de olhar para baixo, para o rosto dela.

— Você não é nobre, é?

— ……

— Provavelmente você é uma filha nascida de uma amante de algum nobre, não é? …Acho que não estou muito longe da verdade, hein?

Ela se perguntou que tipo de história Louis havia inventado. Na verdade, era tão complicada que ela mal conseguia se lembrar de muita coisa.

Se bem me lembro… eu era uma órfã adotada pela ex-esposa do Conde Kerbeck… certo?

De qualquer forma, o melhor seria não dizer nada inapropriado. Quando Monica baixou o olhar em silêncio, Elliot pareceu interpretar isso como um acerto em cheio.

— A Academia Serendia se tornou uma extensão do círculo social. E os membros do conselho estudantil são a flor desse círculo social.

Como o segundo príncipe, Felix, escolhera os membros do conselho estudantil, não era exagero dizer que os membros do conselho eram seus futuros assessores ou potenciais esposas.

Em um lugar tão magnífico, Monica era um espinho que se misturava ali.

— Nobres têm seus próprios papéis e deveres. Para ser sincero, não gosto da ideia de uma plebeia sem ambições se metendo no meio.

Estendendo a mão, Elliot pegou o broche de Monica em sua lapela.

Em seguida, o arremessou bem alto para o ar.

O pequeno broche que comprovava sua filiação caiu com um baque na parte decorativa do telhado do prédio da escola. Estava alto demais para Monica alcançar.

— …ah.

Enquanto Monica ficava ali parada, Elliot zombou dela.

— Nunca ouvi falar de um membro perder o broche. Ser destituída do cargo talvez seja inevitável.

Elliot deu de ombros dramaticamente antes de olhar para baixo, com frieza, para Monica.

— Fico feliz em ver que você entende o seu lugar. Senhorita plebeia.

* * *

Depois que Elliot se afastou, Monica ficou olhando para o prédio da escola com uma expressão perturbada no rosto.

Seu broche, que caíra no telhado do prédio da escola, poderia ser recuperado usando magia de voo… mas seria difícil para Monica, que mal conseguia saltar alto o suficiente, fazer isso.

Acima de tudo, se alguém descobrisse, seria um desastre.

— O-O que eu faço?

Será que criar um vento forte com um feitiço de vento faria o broche cair do telhado? No entanto, se o vento acidentalmente o soprasse para longe do telhado também, seria um desastre.

Quando ela pensou em chamar Nero para pegá-lo para ela… alguém tocou o ombro de Monica.

— O que foi?

— Shim?!

Ao se virar, encolhida, Monica viu Glenn Dudley parado ali. Por algum motivo, Glenn segurava um espeto de madeira em uma das mãos.

Não me diga que ele vai me matar cravando esse espeto de madeira no meu pescoço…!? foi o que Monica pensou, enquanto fitava o espeto que Glenn balançava como uma batuta, antes de dizer.

— O que você está fazendo aqui fora?

— Er… Este…

Enquanto Monica não sabia o que dizer, Glenn fitou a lapela dela.

— Ei, sua lapela está meio solta, não está? Aaah! Cadê seu broche?! Você deixou cair?

Monica respondeu hesitante a Glenn, que começara a fazer um alvoroço.

— Er, meu broche… ficou preso… naquele telhado ali…

Foi uma desculpa bem esfarrapada. Mas Glenn não insistiu mais, colocou as mãos sobre os olhos e olhou para o telhado.

— Você quer dizer aquele telhado, com aquele enfeite ali?

— P-Provavelmente… em algum lugar por ali.

— Então é fácil!

Enquanto Monica arregalava os olhos, imaginando o que ele quis dizer com “é fácil”, Glenn disse “Segura isso para mim!” e lhe entregou o espeto de madeira que segurava.

Então, depois de estalar o pescoço, ele entoou um cântico curto.

Os olhos de Monica se arregalaram. O que Glenn entoava era um feitiço de magia de voo.

Quando Glenn deu um leve impulso no chão com um “Lá vamos nós”, seu corpo saltou imediatamente até a altura do telhado. Mantendo essa altura, o corpo de Glenn se moveu horizontalmente, aproximando-se do telhado.

— Achei!

Pegando o broche no telhado, Glenn desceu lentamente do prédio de mais de quatro andares e pousou na frente de Monica.

O feitiço de voo era um feitiço de alto nível, que só podia ser usado por um mago avançado. Acima de tudo, exigia tanto conhecimento mágico quanto habilidade física.

Monica se surpreendeu com a facilidade com que Glenn o usara, e ele colocou o broche na mão dela antes de levar o indicador aos lábios com um “psiu”.

— Não conta para os outros sobre isso, tá? Na verdade, me disseram para não usar magia sem permissão de um supervisor.

— Er… você é um mago… Glenn?

— Ainda sou só um aprendiz, só que sim!

Mesmo sendo apenas um aprendiz, ser capaz de usar um feitiço de voo significava que ele era tão habilidoso quanto um mago avançado.

Por que uma pessoa assim estaria na Academia Serendia?

Se ele conseguia usar um feitiço de voo com uma idade tão jovem, não seria surpresa se fosse recrutado pela Minerva, instituição especializada na formação de magos.

Incapaz de fazer essa pergunta, Monica viu Glenn pegar o espeto de madeira de sua mão.

— Ah, eu estava prestes a almoçar. Quer se juntar a mim?

Agora que ele mencionara, ela conseguia sentir o cheiro de algum tipo de carne sendo grelhada.

Balançando o espeto de madeira, de bom humor, Glenn caminhou mais para dentro do pátio dos fundos. Seguindo-o com receio, ela encontrou os restos de uma fogueira em uma área um pouco aberta. Sobre uma folha, que servia de prato, havia um espeto de carne assada. Aparentemente, os espetos de madeira eram usados para espetar aquela carne.

— Sabe, o refeitório desta escola é meio careta, e, além do preço alto, as porções são pequenas demais, então não era suficiente para encher minha barriga.

— É-É por isso… que você grelha carne aqui?

— Quando o assunto é carne, recém-abatida é o melhor! Além disso, eu não tenho energia se não comer carne até me fartar!

Com isso, Glenn ofereceu a Monica um de seus espetos.

Incapaz de dizer não, Monica agradeceu e deu uma mordida na carne sem hesitar. O frango estava grelhado no ponto certo, a pele crocante e a carne suculenta e macia. Os temperos também estavam bem distribuídos, o que era bom.

Mas de onde ele tirara aquela carne?

Antes, Glenn parecia ter dito algo como “recém-abatida”, mas ele não podia ter saído para caçar durante o intervalo, podia?

Em resposta à expressão intrigada de Monica, Glenn respondeu enquanto mastigava a carne.

— Minha família tem um açougue no centro. Eu voei com meu feitiço de voo para pegar a carne na casa dos meus pais! Ah, não conta pra ninguém que eu fui até a casa dos meus pais! Não conta pra ninguém, tá?! Não conta mesmo para ninguém, tá?!

Embora já suspeitasse disso há algum tempo, Glenn parecia realmente não ser de família nobre.

Mas por que o filho de um açougueiro, um mago aprendiz que não era da nobreza, se matricularia nesta academia?

— Er, por que você… decidiu se matricular nesta escola, Glenn?

— Hum, eu tenho um mestre que me ensina feitiços… Meu mestre disse que eu era inquieto demais, então minha matrícula nesta escola foi para eu aprender a me comportar.

Embora a Academia Serendia tivesse sido construída para os filhos de famílias nobres, não era incomum que famílias semiaristocráticas ou ricas matriculassem seus filhos na escola para aprenderem boas maneiras.

Ainda assim, se alguém tinha tanto talento para a magia quanto Glenn, estudar na Minerva, o ápice das instituições de formação de magos, deveria ser a escolha natural.

Quem será o mestre dele.

— Muito obrigada… obrigada por pegar o broche para mim, e também pela carne…

— Em momentos difíceis, todos devemos nos ajudar!

Glenn sorriu agradavelmente, mostrando os dentes brancos.

Ao ver seu sorriso despreocupado, ela sentiu que sua antipatia por ele diminuíra um pouco.

* * *

Hum?

Felix observou a troca entre Monica e Glenn no pátio dos fundos pela janela e estreitou os olhos um pouco.

Ele vira toda a interação — desde Monica praticando seus passos de dança escondida, passando por Elliot roubando o broche dela, até Glenn recuperando-o com magia de voo.

— …Vossa Alteza.

Will, o lagarto branco, espiou para fora do bolso do peito e sussurrou para ele.

— Estive ouvindo parte das conversas, e parece não haver nenhuma conexão entre Monica Norton e Glenn Dudley.

— É, acho que não mesmo. Ela ficou bem surpresa quando Glenn Dudley usou um feitiço de voo.

Depois de dizer isso, Felix soltou um suspiro, com uma expressão lânguida no rosto.

— Ainda assim, não teve graça. Por que todos estão se juntando para intimidar o meu esquilinho?

— Creio que seja porque Vossa Alteza também a está intimidando.

— Será que eu deveria colocar uma coleira nela, para que todos saibam que ela é minha? Talvez um laço bonito com algum bordado sirva.

— Acho que isso ficaria mal visto para o senhor.

— Tenho a mesma impressão.

Rindo baixinho, Felix cobriu o bolso do peito com a mão. Como sinal para se esconder, Will recuou para o fundo do bolso.

Depois de confirmar que Will se recolhera, Felix voltou o olhar para trás. A pessoa que caminhava em sua direção era o secretário do conselho estudantil, Elliot Howard. Fora ele quem acabara de tirar o broche de Monica.

Felix previra que ele passaria por aquele corredor para voltar à sala de aula, então se dera ao trabalho de esperá-lo ali.

Quando Elliot notou Felix, ergueu uma das mãos de forma amigável.

— E aí, Vossa Alteza.

— Ah, Elliot. Se divertiu brincando com o esquilinho?

Elliot não pareceu incomodado, e olhou para Felix com seu habitual sorriso frívolo estampado no rosto. Essa era uma atitude bem típica de um aristocrata.

— Escute, Vossa Alteza. Acho que já sabe que eu realmente odeio plebeus que não conhecem o seu lugar.

Elliot Howard podia fingir ser um homem frívolo, mas sua verdadeira natureza sempre fora mais aristocrática do que a de qualquer um.

Não era que Elliot desprezasse os plebeus. Era só que ele não suportava pessoas que não cumpriam seus deveres… fossem nobres ou plebeus.

Felix sabia que Elliot fora quem ficara mais incomodado do que qualquer um com as irregularidades contábeis anteriores.

— Você já disse isso antes, não disse, Elliot? Nobres têm seus papéis, plebeus têm seus papéis. Cada um deveria desempenhar seu papel de acordo com sua posição…

— É, eu disse. É por isso que estou te perguntando.

Elliot desfez o sorriso frívolo e encarou Felix com seus olhos caídos, de forma penetrante.

— Por que fez de Monica Norton a tesoureira?

— Porque eu não sei qual é a “posição” da Senhorita Norton.

Elliot argumentava que os plebeus deveriam desempenhar papéis condizentes com o status de plebeu. Felix, no entanto, não conseguia captar a “posição” de Monica. Foi por isso que a designara para o cargo de tesoureira. Ele pensou que, fazendo isso, talvez conseguisse compreender sua verdadeira natureza.

Elliot não pareceu satisfeito com a resposta de Felix. Ainda assim, não insistiu mais no assunto, e voltou seus olhos frios para Felix.

— Sabe o que eu odeio mais do que “plebeus que não conhecem o seu lugar”? Nobres que não cumprem seu dever… E isso vale para a realeza também.

Felix não se ofendeu com aquela atitude desrespeitosa em relação à realeza, e respondeu com um sorriso gentil.

— Claro, enquanto eu me chamar Felix Ark Ridill, cumprirei o dever do meu papel.

— Certo, enquanto eu carregar este nome.

Com olhos que pareciam olhar para algum lugar distante, Felix sussurrou baixinho para si mesmo.


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