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Silent Witch – Volume 5 Capítulo 32

Para o Futuro que Um Dia Há de Chegar

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Capítulo 32 – Para o Futuro que Um Dia Há de Chegar

A Academia Serendia tinha vários currículos exclusivos para nobres, que não eram encontrados em escolas comuns.

Uma dessas aulas era o curso de “cerimônia do chá”, frequentado apenas por garotas.

Para as damas da nobreza, um chá da tarde não era apenas um momento de conversa agradável. Era também uma ocasião social em que a dignidade de alguém era testada por quão bem entretinha ou era entretida pelos convidados.

No curso de cerimônia do chá, as alunas eram minuciosamente treinadas na etiqueta antes de realizar as aulas práticas.

As aulas práticas eram realizadas no pátio, na forma de um chá da tarde.

Quatro ou cinco garotas da mesma série formavam um grupo e se sentavam a uma mesa. Cada aluna trazia uma xícara de chá para compartilhar com as outras, que então avaliavam o chá.

No entanto, como a professora definia doces específicos com antecedência, as alunas eram obrigadas a servir um chá que combinasse com eles; em outras palavras, o curso já começava desde o momento em que se preparavam.

No curso de cerimônia do chá, elas eram encarregadas de preparar suas próprias folhas de chá, mas, na maioria dos casos, deixavam suas criadas comprarem por elas.

No entanto, Monica não fazia a menor ideia de onde sequer comprar isso, então, depois de muita preocupação, decidiu recorrer à autoproclamada vilã, a Senhorita Isabelle Norton.

Assim que Monica foi ao quarto de Isabelle, esta a recebeu alegremente, oferecendo-lhe um lugar para sentar e preparando chá e doces para ela.

Quando Monica explicou a situação enquanto mastigava um biscoito com bastante açúcar polvilhado ao redor, Isabelle assentiu com a cabeça e bateu no próprio peito com confiança. Seu gesto foi bastante vigoroso, algo pouco condizente com uma jovem dama.

— Se é assim, deixe comigo, Irmã Monica! Farei o possível para ajudá-la a passar pela aula em segurança!

— M-Muito obrigada…

Enquanto Monica curvava a cabeça, Agatha, a criada de Isabelle, a interrompeu ao servir chá em sua xícara.

— Se é assim, permita-me ensiná-la a fazer chá. Na verdade, seria melhor se eu pudesse ir até o seu quarto e ensiná-la diretamente, mas… isso contradiria a história de que Lady Monica está sendo atormentada pela família Kerbeck.

As alunas tinham permissão para preparar o próprio chá, ou ter uma criada preparando por elas, no curso. No entanto, era prática comum, na maioria dos casos, ter uma criada preparando o chá. Quem preparava o próprio chá era visto com desdém, como nobre de terceira categoria, incapaz de trazer sua própria criada.

Mas, no caso de Monica, ela deveria estar sendo atormentada pela filha do Conde Kerbeck, então seria estranho se a criada de Isabelle fosse diretamente ajudá-la.

— P-Por favor, me oriente…

Monica fez uma reverência profunda a Agatha, que então disse “Está tudo bem, apenas erga a cabeça!”, interrompendo sua reverência com uma risada.

Isabelle, assim como Agatha, era uma jovem dama e uma criada muito atenciosas. Embora fosse um pouco difícil se aproximar delas quando estavam encenando o papel de vilã.

— Nesse caso, que tipo de chá você gostaria de servir, Irmã Monica? Definiram algum tipo específico de confeitos?

— S-Sim… É-É bolo de manteiga.

Isabelle assentiu com a cabeça e colocou os dedos no queixo, pensando em algo.

Escolher o chá certo para combinar com os confeitos também fazia parte das lições. No entanto, Monica não estava acostumada a tomar chá ou comer confeitos. Estava mais acostumada a beber café, por causa da influência do pai.

— Er… você tem alguma sugestão de chá que combine com o bolo de manteiga?

— Se for só um bolo simples com manteiga, a maioria dos chás básicos vai funcionar bem. Pode ser melhor apreciar o bolo com um sabor levemente adstringente ou salgado, em vez de um leve. Chá com leite também não é uma má ideia, mas… deixe-me lhe dizer uma coisa, Irmã Monica…

Isabelle interrompeu a fala e olhou para Monica com o rosto sério, e então disse com firmeza.

— A combinação de chá e confeitos é uma questão de preferência pessoal, e não existe uma resposta certa definitiva. No entanto… algumas combinações definitivamente vão dar errado!

O que significava dizer que não existia resposta certa, mas que algumas dariam errado?

Enquanto Monica ficava confusa, Isabelle falou.

— Isso… seria servir a mesma coisa na mesma mesa…

— Ah…

A aula prática era realizada em grupos de várias pessoas, e cada uma trazia seu próprio chá. Certamente não era uma boa ideia servir o mesmo tipo de chá na mesma mesa.

— É especialmente ruim se você servir a mesma coisa que alguém em posição mais alta do que você. Estritamente falando, o vestido, o penteado e os acessórios que você usa para o chá da tarde deveriam estar na moda, mas ser diferentes, então você deveria pensar um pouco nisso também… Mas, já que vocês vão usar uniforme na aula, vamos pensar só nas folhas de chá por enquanto!

Eu tinha que pensar até nisso…? pensou Monica, estremecendo.

Como uma dos Sete Sábios, a única reunião que Monica frequentava era a Assembleia dos Sete Sábios, realizada exclusivamente para os Sete Sábios, e o código de vestimenta era basicamente vestes oficiais, então ela só precisava usar as vestes fornecidas pelo reino. Convenhamos, Monica nunca se preocupara com as próprias roupas em eventos sociais.

Aquele chá da tarde para damas aristocráticas provavelmente era mais estressante do que Monica havia imaginado.

— A melhor forma de fazer isso é investigar as pessoas do seu grupo antes de pensar no chá que vai servir nas aulas… Então, quantas pessoas tem no seu grupo, Irmã Monica?

— Er… incluindo eu, somos quatro pessoas… uma delas é da minha turma… é a Senhorita Lana Colette… quanto às outras duas… são da outra turma… então eu não as conheço muito bem…

Durante a prática conjunta com outras turmas, as alunas eram designadas para formar grupos com aquelas mais próximas delas.

No entanto, a natureza pouco sociável de Monica tornava impossível conversar com qualquer pessoa além de Lana. Quanto a Lana, que também era tratada como um pouco de fora na turma, ela não tinha outras garotas próximas a ela.

Como resultado, foram colocadas no mesmo grupo que as alunas restantes pela professora.

Uma delas era Casey, uma jovem dama de cabelos castanhos, com um ar vivaz.

Enquanto a outra era Claudia, uma bela jovem calma, de cabelos escuros.

Depois de uma breve saudação no primeiro dia, o encontro foi encerrado, e elas mal tiveram chance de conversar.

— Então, decidir o chá com antecedência vai ser mais difícil.

— D-Desculpa…

Lana provavelmente conseguiria lhe dar os detalhes, mas Monica não tinha coragem alguma de perguntar diretamente às duas garotas, que mal conhecia.

Além disso, ela não sabia a posição familiar das duas garotas, então, se Monica falasse com elas, poderia ser vista como mal-educada. Entre a nobreza, era tabu uma pessoa de posição inferior falar casualmente com uma de posição superior.

— Nesse caso, vou lhe fornecer vários tipos de chá. Em um chá da tarde, quem tem o status mais alto é servido primeiro, então é provável que você seja servida por último. Assim, você pode facilmente garantir que sua escolha de chá não entre em conflito com a de ninguém.

— M-Muito obrigada…

Monica curvou a cabeça, deixando os ombros caírem, e soltou um suspiro profundo.

— Esse negócio de chá da tarde é tão difícil, não é…

Quando Monica pareceu insegura, Isabelle também soltou um suspiro, com uma expressão perturbada.

— Eu gostaria que meu conhecimento fosse útil para você… peço desculpas pela minha inexperiência… mas, se quiser aprender a agir como uma vilã, eu poderia te ensinar tudo o que precisa saber!

— E-Estou bem assim…

Mesmo que isso lhe fosse repassado, ela jamais teria chance de usar. Jamais mesmo.

Monica deu um sorriso amarelo, e Agatha, a criada de Isabelle, a aconselhou com uma expressão muito séria.

— Minha senhora, pode haver uma ocasião no futuro em que a Senhorita Monica precise enfrentar uma vilã que não seja a senhora. Para essa ocasião, que tal ensiná-la agora sobre o comportamento de uma vilã?

— …ahn?

Enquanto Monica se contorcia com uma expressão rígida, Isabelle levou as mãos ao rosto, dizendo “Maravilhoso!”

— Sim, é uma boa ideia! Irmã Monica é a minha heroína! Tenho certeza de que vai chegar o momento em que alguma outra vilã vai convidá-la para chás da tarde e atormentá-la!

Ela desejava sinceramente se poupar de um futuro desses. Por mais que quisesse, sabia que não podia dizer isso, na situação atual.

Afinal, tendo sido eleita para o conselho estudantil assim que se transferira para a escola, e tendo seus ensaios de dança observados pelos próprios membros do conselho, Monica fizera inimizade com a maioria das alunas. As únicas pessoas de sua série que a tratavam normalmente eram Lana, Glenn e Neil.

Agora, os olhares das pessoas ao redor de Monica podiam ser divididos, de modo geral, em dois tipos.

Aqueles que desprezavam Monica e demonstravam hostilidade contra ela, e aqueles que a observavam de longe como uma espécie de pessoa esquisita.

Ninguém a chamara para os fundos do prédio da escola ou escondera seus pertences ainda, mas muitas vezes ela recebia comentários sarcásticos ao passar, ou risadinhas de longe.

— Agora. Vou explicar a você os padrões de comportamento das vilãs, caso um dia você se depare com uma vilã de verdade.

Dizem que o primeiro passo para combater o inimigo é entendê-lo.

Saber o que uma vilã faria em uma situação dessas talvez fosse útil algum dia.

Se possível, eu realmente não quero que esse dia chegue…

Enquanto Monica endireitava as costas para escutar atentamente o discurso de Isabelle — em um instante.

— Ohohoho!

Isabelle colocou a mão sobre a boca, estufou o peito, e sorriu com arrogância.

Ao ouvir sua voz, os ombros de Monica se sacudiram, e Isabelle interrompeu a risada aguda e endireitou a postura.

— Primeiro de tudo, este é o movimento básico de uma vilã. Uma risada aguda. Rindo assim, você consegue intimidar e avaliar o oponente, e, ao mesmo tempo, retomar o controle da situação!

— U-Uma risada aguda consegue ter esse efeito?

Para a grande surpresa de Monica, Isabelle assentiu de forma convincente.

— No entanto, se você usar com muita frequência, o efeito vai desaparecer, então use só no momento certo.

Certo, o momento de usar movimentos especiais era importante, aparentemente.

Enquanto Monica assentia com a cabeça, Isabelle abriu o leque diante de si.

— E o movimento básico número dois! “Rir baixinho, sorrateiramente”!

Em um movimento fluido, Isabelle levou o leque à boca, de forma a mostrar ao outro que estava rindo dele, como se estivesse zombando.

Não importava por qual ângulo se olhasse, aquela risada arrogante, que mostrava o quanto ela desprezava o outro, envergonharia até a atuação de uma atriz em um palco.

— Normalmente, cobrir a boca com o leque ao rir é a etiqueta apropriada, mas, neste caso, eu abaixei o leque um pouco de propósito, para mostrar a boca ao outro. Fazendo isso, consigo demonstrar descaradamente que estou zombando da pessoa!

Que detalhado, pensou Monica, chocada.

Ela jamais imaginara que detalhes tão pequenos teriam efeitos como esses!

— Claro, você também pode esconder a boca com o leque e rir baixinho, para criar um efeito sarcástico. Você deveria usar métodos diferentes de acordo com a personalidade da jovem dama.

— E-Entendo… i-isso é tão profundo.

— Sim, quanto mais tento dominar isso, mais percebo o quão profundo é.

Só para deixar claro, elas estavam falando sobre vilania.

Assim, o curso de vilania, muito mais intensivo do que o curso de preparo de chá, continuou até tarde da noite.

Vale acrescentar aqui que a Senhorita Isabelle Norton era a melhor aluna no curso de chá da tarde do primeiro ano do ensino médio.


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