Capítulo 33 – Uma Jovem Dama Animada
A aula prática conjunta de cerimônia do chá, envolvendo o segundo ano do ensino médio, foi realizada na forma de um chá da tarde, com várias mesas montadas no pátio.
Naquele chá da tarde, as convidadas a serem servidas relaxavam no primeiro andar do prédio da escola.
Para aquelas que tinham criadas, elas preparariam o chá ali, mas, no caso de Monica, ela precisava prepará-lo sozinha.
Como Monica seria a última a servir chá, ela precisaria sair no meio da cerimônia e preparar o chá naquela sala de preparo, mas não podia levar uma lata de folhas de chá para a cerimônia. Então, decidiu levar as latas até a sala de preparo antes.
Na sala de preparo, várias criadas já preparavam o chá. Quase ninguém usava uniforme.
Monica se infiltrou desajeitadamente na sala de preparo e procurou um lugar para colocar a lata de folhas de chá.
Er, algum lugar onde eu não vá misturar com as coisas de outras pessoas…
Enquanto ela se apressava pela sala de preparo, alguém tocou o ombro de Monica.
— Ei.
— S-S-Shim…?
Quando Monica se virou com uma expressão nervosa no rosto, uma das garotas a observava com um olhar um tanto surpreso. Talvez estivesse surpresa com a reação exagerada de Monica.
A pessoa que tocara o ombro de Monica era uma garota animada, de cabelos castanho-claros. Seu rosto era um tanto familiar para Monica.
Acho que ela é…
Enquanto Monica lutava para se lembrar do nome dela, o rosto da garota de cabelos castanhos se iluminou ao ver o rosto de Monica.
— Ah, eu sabia! Você deve ser a Senhorita Monica Norton, da turma ao lado. Eu sou Casey Groove. Estamos no mesmo grupo hoje. Você se lembra de mim?
Na verdade, Monica não conseguia se lembrar bem do nome dela, mas assentiu com a cabeça.
— P-Por favor, cuide de mim hoje, Senhorita Groove.
— Não precisa ser tão formal assim. Só me chame de Casey. Você se importa se eu te chamar de Monica também?
Enquanto Monica corava e assentia, Casey disse “Valeu!”, sorrindo agradavelmente, mostrando os dentes brancos.
Comparada às outras jovens damas, ela era muito mais franca e descontraída.
Casey voltou a atenção para a lata de chá nos braços de Monica.
— Você também veio deixar suas latas? Eu também.
Casey balançou de leve a lata azul-clara em sua mão. Dava para ouvir as folhas de chá farfalhando dentro dela.
— Acho que todo mundo manda as criadas prepararem o chá por elas, afinal. Minha família é uma família nobre pobre do interior, então eu não trouxe nenhuma criada comigo.
De fato, Casey não usava maquiagem, e o cabelo estava simplesmente preso em um coque. Seu lenço e luvas também eram simples e sem enfeites. Ela parecia quase igual a Monica.
Ela talvez não fosse incrivelmente bonita, mas tinha uma personalidade encantadora. Tinha um sorriso animado, pouco condizente com uma jovem dama, o que era agradável de se ver.
Casey colocou a lata de folhas de chá na prateleira e pôs um pedaço de papel com o nome escrito embaixo. Assim, não precisaria se preocupar com suas coisas sendo confundidas com as de outra pessoa.
— Quer um pouco, Monica? Ainda tenho papel sobrando.
— O-Obrigada…
Monica pegou o papel hesitantemente, pensou por um instante, e então dobrou as bordas do papel várias vezes, criando um vinco em forma de sanfona.
Dessa forma, mesmo sem escrever o nome como Casey fizera, a dobra característica na borda do papel serviria como marcador.
Monica colocou o pedaço de papel com as bordas dobradas embaixo e colocou três latas de chá em cima dele. Dessa forma, ninguém confundiria suas coisas com as de outra pessoa.
— Você preparou três tipos de folhas de chá?
Quando Casey olhou para a lata de Monica, arregalou os olhos.
Monica mexeu os dedos, nervosa, e então respondeu.
— E-Eu só não queria que minha escolha se sobrepusesse à de mais ninguém.
Casey bateu palmas, admirada com a resposta de Monica.
— Ah, entendi… eu nem tinha percebido que havia essa possibilidade. Ai, nem tinha pensado no que aconteceria se minha escolha se sobrepusesse. Você é muito esperta.
— N-Não sou…
Fora a Senhorita Isabelle quem lhe dera a ideia do que fazer se sua escolha se sobrepusesse.
Enquanto agradecia mentalmente à Senhorita Isabelle mais uma vez, Monica perguntou a coisa que vinha a incomodando.
— Ah, er, acho que tem outra pessoa no nosso grupo…
— Você quer dizer a Senhorita Claudia?
— S-Sim. Você sabe que tipo de chá ela preparou?
Ela já confirmara o chá de Lana com antecedência. Também conseguira confirmar o que Casey preparara naquele momento.
Isso deixava apenas uma pessoa restante. A Senhorita Claudia, de cabelos negros.
Como Claudia estava na mesma turma que Casey, Monica lhe perguntou, na esperança de saber que tipo de chá Claudia preparara, mas… Casey balançou a cabeça, desanimada.
— Bem, desculpa. Ela nunca fala nada na sala de aula. Então não faço ideia do que ela está pensando.
Interrompendo a fala ali, Casey franziu a testa e murmurou amargamente.
— Quer dizer, não tem ninguém na nossa turma que já tenha conversado com ela antes.
— …?
Sem entender bem o significado das palavras de Casey, Monica ficou preocupada, mas Casey lhe deu um sorriso encorajador.
— Bem, vamos dar o nosso melhor hoje!
— S-Sim… p-por favor, cuide de mim…
Casey era fácil de conversar, uma jovem dama simpática; ela poderia até ser uma boa amiga para Lana.
E, ainda assim, Monica sentia uma estranha ansiedade em relação ao chá da tarde que estava prestes a frequentar.
Que tipo de pessoa seria a Senhorita Claudia?
N-Não me diga… q-que ela é, como a Senhorita Isabelle disse… uma filha vilanesca…!?
Enquanto se perguntava o que aconteceria se desse uma risada aguda quando se encontrassem.
De qualquer forma, eu preciso encarar isso com um coração forte… pensou Monica, engolindo em seco secretamente.