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Silent Witch – Volume 5 Extra 1

Romance e Rabo

Extra 1 – Romance e Rabo

Sentada na cama mais fofa que já tivera, vestindo uma camisola de seda com a qual nunca dormira antes, Monica folheava as páginas do romance, sentindo-se incomodada com os olhares intensos que recebia.

Depois de chegar à última página do livro, Monica soltou o ar e esfregou os olhos cansados.

Naquele momento, Isabelle, que estivera sentada ao lado da cama o tempo todo, falou com um brilho nos olhos.

— O que achou? A obra-prima de Marrone Fillil, “A Donzela da Rosa Branca Dorme no Jardim”!

— B-Bem…

Monica não sabia o que responder, deixando o olhar vaguear ao redor.

— A-A forma de escrever é… bem única, não é?

— De fato, Marrone Fillil usa uma linguagem poética de forma belíssima, e, acima de tudo, suas descrições das cenas e da psicologia da heroína são maravilhosas. A história também é soberba. A cena de despedida no terceiro capítulo é inesquecível, e não dá para ler sem derramar lágrimas.

Monica, que lera exatamente aquele terceiro capítulo sem derramar uma lágrima sequer, sentiu muita pena de si mesma.

Monica, que não estava acostumada a ler histórias desde a infância, tinha dificuldade em entender esse tipo de expressão peculiar das histórias de ficção.

Por exemplo, pele branca e lisa como porcelana branca, cabelos negros como ébano derretido salpicado de joias, e lábios frescos como morangos silvestres — tudo isso poderia ser resumido simplesmente como “pele branca, cabelo preto e lábios vermelhos”.

Mas, ainda assim, ela não conseguia se trazer a negar o que lhe fora recomendado, então sorriu vagamente enquanto dava algum retorno.

Então a criada de Isabelle, Agatha, falou suavemente com ela.

— Minha senhora, já está quase na hora do jantar.

— Nossa, já é hora do jantar. Bem, então, Irmã Monica, eu vou até o salão de jantar daqui a pouco. Vou pedir para a Agatha preparar uma refeição para você.

— O-Obrigada.

Enquanto agradecia, Monica soltou um suspiro de alívio.

* * *

Depois de ser drogada pela Senhorita Caroline e enviada à enfermaria, Monica tirou alguns dias de folga das aulas para se recuperar no quarto de Isabelle.

Monica não se importava de ficar no sótão, mas Isabelle já trouxera uma cama para o próprio quarto para ela, então não conseguiu recusar.

Para ser sincera, Monica, que não estava acostumada a viver com outras pessoas, não conseguia deixar de se sentir inquieta, mas a criada, Agatha, lidava com a situação com habilidade. Sempre que Isabelle ficava animada demais, Agatha a corrigia sutilmente.

Até naquele momento, Agatha conduzira Isabelle até o salão de jantar e trouxera a Monica uma bandeja com comida.

— Vou deixar sua refeição aqui. Por favor, toque esta sineta quando terminar.

— O-Obrigada…

Agatha sorriu, fez uma reverência, e saiu do quarto.

Monica agradeceu a consideração, sabendo que ela não estava acostumada a comer em um lugar público.

Monica desceu da cama e se sentou em uma cadeira. Na mesa havia pão macio, queijo, peixe salteado, sopa cremosa, e maçãs adoçadas.

Agatha se dera ao trabalho de preparar tudo aquilo para Monica no salão de jantar. Grata pela consideração de Isabelle e Agatha, Monica cortou um pedaço de pão e o levou à boca. O pão branco e fofo era macio, com um leve toque de doçura.

Um pão macio como aquele não era algo que ela conseguia comer com frequência nas montanhas. O que Monica comia na cabana era pão preto, duro como pedra. Ainda assim, era delicioso quando comido com queijo.

Enquanto mastigava o pão e relembrava sua vida na cabana, ouviu o som de arranhões na janela. Olhando para lá, era mesmo Nero arranhando a janela.

Monica se levantou e abriu a janela, deixando Nero entrar facilmente no quarto, antes de ele contrair o nariz.

— Cheira bem.

— Eu tenho peixe. Quer um pouco?

— Eu não gosto de peixe, sabia. Prefiro carne. Gosto de aves, especialmente aves.

Assim que Nero saltou para a mesa e viu que não havia carne, franziu a testa de frustração e disse: “Esse queijo serve por enquanto.”

Assim que ela colocou um pequeno prato de queijo diante de Nero, ele deu uma mordida no queijo, parecendo realmente gostar do sabor.

— Está tão bom. Agora, se a gente só conseguisse um pouco de carne, seria perfeito. Ei, acho que vou caçar de novo hoje à noite.

— Depois de todo aquele alvoroço com o osso de pássaro entalado na sua garganta?

— Aquilo foi só uma indiscrição da juventude. Criaturas sábias crescem dia após dia repetindo erros como esse.

Nero assentiu de forma convincente e balançou o rabo ao notar que havia um romance na mesinha de cabeceira de Monica.

— É incomum você ler um romance… ah, já entendi. Foram os “cachinhos laranja” que recomendaram para você, não foi?

— Você está sendo grosseiro com a Lady Isabelle.

Os “cachinhos laranja” deviam se referir ao cabelo de Isabelle. Nero basicamente nunca tentava se lembrar do nome das pessoas.

Apesar dos protestos de Monica, Nero ainda fitava a capa do romance enquanto mordia um pedaço de queijo.

— Essa é uma escritora que eu não conheço. Ei, esse romance foi interessante?

— …eu não tinha certeza.

— Como é a história?

Olhando para os olhos curiosos de Nero, Monica arrancou um pedaço de pão enquanto ruminava sobre a história que acabara de terminar de ler.

— …Havia um homem e uma mulher.

— Certo.

— …um monte de coisas aconteceu.

— Oho…

— …eles vão se casar.

— E aí?

— …fim.

O rabo de Nero parou de se mexer, e ele encarou Monica.

— Agora entendi que você não ficou nem uuuum pouquinho impressionada com esse romance. Mas aquela parte de “um monte de coisas aconteceu” é a parte importante. Você omitiu centenas de milhares de palavras.

— Porque eu realmente não entendi nada disso…

Aquele romance contava a história da infortunada heroína, que conhece um jovem nobre perto de uma roseira e se apaixona por ele à primeira vista. No entanto, o jovem tinha uma noiva. Quando a noiva se recusa a aceitar o fim do noivado, ela trama para se livrar da heroína, mas os dois superam sua provação e acabam ficando juntos.

No entanto, Monica não conseguia entender por que a heroína e o jovem nobre haviam se apaixonado, para começo de conversa. O jovem tinha uma noiva, então esta tinha todo o direito de ficar furiosa.

— …como ela conseguiu se apaixonar tanto assim por alguém desse jeito?

Os personagens da história estavam apaixonados um pelo outro como se estivessem se afogando. Estavam loucamente apaixonados. Queriam amar e ser amados. Queriam escolher, ou queriam ser escolhidos… custasse o que custasse.

Isso parecia um tanto assustador para Monica.

— …Como alguém pode esperar tanto… de outra pessoa?

O rabo de Nero balançou em resposta ao murmúrio, e ele ergueu os olhos dourados para Monica.

— Acho que você é jovem demais para entender. Amor é tipo, quando você se apaixona, seu coração dá um pulo. Tipo, um choque.

Monica encarou Nero, que disse com uma expressão de quem sabia das coisas.

— …então, você sabe o que é “amor”, Nero?

— Claro que sei. A propósito, eu gosto de fêmeas com rabos sexy.

— …rabo?

— Eu não consigo desejar uma fêmea sem rabo, então você está fora do meu radar. Então não se preocupe.

Era um mundo que Monica, que não tinha rabo, não conseguia entender.

Talvez, assim como Monica não tinha rabo, ela também não tivesse nenhum interesse em amor, para começo de conversa.

Satisfeita com essa conclusão, Monica arrancou um pedaço de pão e o enfiou na boca.

É uma questão de não saber o que é amor. A tímida Monica não conseguia depositar esperança em ninguém nem em nada. Não conseguia esperar nada de ninguém. O que ela desejava loucamente era só um número que jamais a trairia.

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