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Isekai de Cheat Skill – Volume 5 Capítulo 3

Capítulo 3 — Legendary Dragon

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Capítulo 3 — Legendary Dragon

Assim como nos disseram, levamos cerca de meio dia pra chegar na entrada do vale, já que fica a meio dia de caminhada da capital. A propósito, o tempo de viagem não foi a pé, mas passado numa carruagem.

Se eu já tivesse ido ao vale uma vez, teria levado um instante pra chegar lá… Infelizmente, é minha primeira vez lá, então isso não vai acontecer. Por isso, o Owen-san providenciou uma carruagem pra nos deixar perto do vale.

Certamente, andar essa distância teria sido difícil pra Kaori. Não é problema pra Yuti, Night, Akatsuki e eu, mas sou muito grato mesmo assim.

— Argh… nunca andei de carruagem antes; dói tanto o bumbum…

Eu já andei uma vez, e não senti a dor tanto quanto a Kaori sentiu. Isso provavelmente tem muito a ver com a diferença nos valores de status.

— Umm… você tá bem? Quer fazer uma pequena pausa?

A Kaori sacudiu a cabeça quando perguntei isso. Eu já tinha planejado seguir de acordo com o estado físico da Kaori.

— Não, tá tudo bem! Mais importante, vamos ver o dragão legendário o quanto antes!

Não consegui suprimir um sorriso amargo quando a Kaori apontou pro vale com os olhos brilhando. O que posso dizer? Eu não sabia que a Kaori tinha um senso de aventura surpreendentemente forte até a gente viajar até aqui.

Ela não é acostumada com esse mundo, nem na Terra, então ela deve estar bem interessada nesse tipo de experiência nova. Não, não é só a Kaori; eu também tô curioso sobre o dragão legendário.

Só que eu nem sei se ele é amigável ainda, então devíamos proceder com cautela aqui.

— Conselho. Kaori, fique perto de mim e do Yuuya.

— S-sim!

— O Night também devia cuidar da Kaori. E o Akatsuki devia… bem, é.

— Woof.

— Fugo?

O Night respondeu animado, enquanto o Akatsuki batia o pé no chão como se dissesse que ficou ofendido. Porque… bem, eu não consigo imaginar o Akatsuki lutando. Eu nunca vi ele lutar antes e…

— Não, Akatsuki, se a gente se machucar, garante que você vai nos curar bem, ok?

— Fugo? Buhi.

Quando rapidamente completei isso, o Akatsuki pareceu dizer que não tinha jeito e guinchou orgulhoso. Ele é fofo.

Assim, ficamos prontos pra ir e entramos no vale.

***

— ──Yuuya. Monstro. Vindo na sua direção.

— Certo…!

Como o Owen-san tinha descrito, monstros nos atacaram um atrás do outro pouco depois de entrarmos no vale. Também é bem diferente do [Great Devil’s Nest] onde eu costumo lutar. Os monstros eram todos tipos que eu nunca tinha visto antes.

Os monstros que tô lutando agora são os primeiros do tipo que já vi nesse vale; esses monstros em forma de lobo que babam são chamados de [Hungry Fang]s.

Esse monstro não tem tanto pelo quanto o Night, e é relativamente esguio, e ataca em bando. Só que, como o Owen-san mencionou antes, eles eram tão fortes quanto o Bloody Ogre em termos de poder de luta, então consegui lidar com eles com calma.

Terminei de derrotar a matilha de Hungry Fang que me atacava e respirei fundo.

— Fiu… parece que não tem problema em derrotar eles, mas a energia deles era assustadora…

— Afirmação. Hungry Fangs sempre tão com fome, então a energia deles enquanto caçam a presa é incrível.

— Entendo… ou melhor, o único item que dropou é uma pedra mágica…

A única coisa que ficou no lugar onde um Hungry Fang desapareceu foi uma pedra mágica classe B. Considerando que consegui a armadura que uso agora e outras coisas do Bloody Ogre, não compensa muito caçar isso, mesmo sendo o mesmo ranking.

— Sempre teve muitos itens dropados até agora, então fico tão desapontado quando não consigo, como agora.

— Negação. Sempre tem algo errado com o Yuuya quando o assunto é item dropado.

— Eh?

Será que é isso? Toda vez que eu derroto eles, o inimigo geralmente dropa algum tipo de item. Não, acho que os itens de drop raro não caem com tanta frequência, na verdade. Enquanto eu pegava a pedra mágica e ficava entediado, a Kaori, que tava sendo protegida pelo Night e pelo Akatsuki, se aproximou de mim.

— Obrigada pelo esforço. Desculpa, eu não consegui fazer nada pra ajudar…

— Não, não, não se preocupe com isso. A gente decidiu que você seria protegida desde o início.

— Afirmativo. Não se preocupe, Kaori. Cada um de nós tem seus próprios pontos fortes e fracos.

— Muito obrigada.

Dizendo isso, a Kaori abaixou a cabeça. Ainda assim… é difícil crer que a Yuti usou o poder do “Evil” pra nos atacar há alguns dias enquanto mostra tanta compaixão pela Kaori. Bem, a Kaori também cuidou da Yuti na Terra, então acho que é por isso que ela abriu o coração.

De qualquer forma, é um bom sinal, considerando como a Yuti disse que ia matar humanos.

— Bom, já faz um tempinho que entramos no vale, vamos fazer uma pausa e comer? É um lugar desconhecido, e acho melhor fazer uma pausa mais cedo.

— Concordo. É importante ser cuidadoso.

— Sim, acho que faz sentido!

Não só a Yuti e a Kaori, mas o Night e o Akatsuki também responderam às minhas palavras, então ativei minha magia de teletransporte de novo e me preparei pra voltar pra casa do Sábio-san quando a Yuti de repente me parou.

— Yuuya,

— Hmm?

— Sugestão. Vamos almoçar aqui.

— Eh?

— Motivo. Comer na natureza, muito bom. É tão bom aqui.

Assim como a Yuti disse, ao entrarmos no vale onde se diz que o dragão legendário dorme, cercado por montanhas rocosas escarpadas dos dois lados, a área ao redor da parte do vale era abençoada pela natureza. Repleta de plantas que eu nunca tinha visto nem no [Great Devil’s Nest], com muita umidade e musgo por causa do rio que corre pelo vale; era um lugar assim.

Se a gente for falar de tá no meio da natureza, o [Great Devil’s Nest] também é suficiente. Ainda assim, certamente não é possível fazer uma refeição perto de um rio correndo no [Great Devil’s Nest] como nesse vale.

— Hmm… será que tá tudo bem? Sabe, você não acha que o cheiro da comida vai atrair os monstros?

— Não se preocupe. Podemos lidar com eles. Se você ainda não tiver certeza, eu monto uma barreira agora.

— Eh?

Quando não consegui evitar responder à declaração estranha da Yuti, ela ficou meio zonza, como se estivesse olhando pra longe.

E então…

— …Consigo ver.

— O que você viu?

Sem responder às minhas palavras, a Yuti imediatamente ergueu o arco e soltou uma grande quantidade de flechas pro céu.

Ilustração

— Agora, vamos ficar bem.

— O quê?!

Eu não conseguia entender o significado das ações dela já que não fazia sentido nenhum, e só consegui ficar confuso. Não é só eu, mas a Kaori e os outros também, cada um olhando um pro outro, incapazes de discernir quais são as intenções da Yuti.

Então a Yuti percebeu nossa confusão e explicou.

— Consigo ver o futuro.

— Hã?

— Claro, não é perfeito. Mas é bem preciso. Então eu só disparei antecipadamente pra flecha atingir a presa bem quando ela sair, de acordo com essa previsão.

— …..

A Kaori ficou sem palavras com as palavras diretas da Yuti. É verdade… a Yuti conseguia fazer uma coisa tão absurda assim. É por isso que ela conseguiu prever que a barra de ferro ia cair na cabeça da mãe e do bebê quando fomos comprar roupa.

Não, não é só sobre prever o futuro, o que ela quer dizer com disparar uma flecha com antecedência pra combinar com esse futuro previsto…

Mas quando penso nisso, de repente lembro da vez que lutei com a Yuti, recebi um ataque tão inexplicável assim.

— Quando lutei com o Yuuya, também usei isso ──olha lá!?

— Eh?

Enquanto a Yuti virava o olhar pro mato da floresta, a Kaori e eu seguimos o olhar dela naquela direção também, e de repente um Hungry Fang, que tínhamos acabado de lutar, veio correndo de lá, babando.

— Uou!

Completamente pego de surpresa, tentei apressadamente erguer minha arma, mas uma flecha atingiu o Hungry Fang entre as sobrancelhas, mesmo sem a Yuti ter se movido. Então, o Hungry Fang se transformou numa partícula de luz e desapareceu.

— Essa é a barreira.

Foi seriamente irreal. Não, sério, qualquer existência que carregue o título “Holy” tá além do senso comum. Não, parece que a Yuti não é oficialmente “Holy”, mas discípula… mas se isso é feito por uma discípula, isso é ainda mais extraordinário…

De novo, tremi com a habilidade extraordinária da Yuti. A Yuti me olhou casualmente.

— Sem preocupação. Agora podemos comer comida deliciosa nesse lugar. Yuuya, cozinha.

— …Sim.

Enquanto isso, graças à Yuti, começo a preparar a comida sem problema nenhum, então ativo minha magia de teletransporte de novo e conecto o espaço distorcido à minha casa. Claro, todo o cozimento e tal são feitos na Terra, então eu teria que voltar de qualquer jeito. Mas consigo lidar com isso por conta própria.

— Agora, o que eu devo fazer.

Por algum motivo, quando pensei em comida pra comer ao ar livre, ou churrasco ou curry me vieram à mente, então decidi fazer curry dessa vez.

Quando terminei de fazer rapidamente e voltei pro vale de novo, o Night e o Akatsuki estavam rolando uma das pedras grandes que estavam espalhadas por ali. Quando olhei de perto, vi que a Kaori e os outros tinham preparado uma mesa e cadeiras simples usando essas pedras.

— Obrigado pelo preparo.

— N-não! O cozimento ficou por conta do Yuuya-san, afinal. A gente devia pelo menos fazer isso…

A Kaori sorriu enquanto dizia isso, e então notou o cheiro vindo da panela na minha mão.

— Esse cheiro é… curry!

— É. Não sei o que fazer, mas quando penso em comida ao ar livre, curry vem à mente.

Bem, na excursão do outro dia, eu não esperava ser encarregado de cozinhar curry, e também não pensei que teria que providenciar os ingredientes também.

— Concordo. Pra um piquenique, seria sanduíche e onigiri (bolinho de arroz), mas pra um acampamento, seria curry!

— …Curiosa. Nunca senti cheiro de nada assim. Esse cheiro, me dá fome…

A Yuti, que nunca tinha ouvido falar de curry, ficou curiosa com a minha panela e esfregou a barriga enquanto descrevia seus pensamentos. É verdade; o cheiro de curry dá água na boca, né?

Também tô com fome, então rapidamente servi o curry nos pratos que trouxe comigo. A Yuti pareceu ficar cada vez mais interessada no curry na frente dela.

— A cor também é estranha. A gente realmente consegue comer isso?

— Claro.

— …Hmm. Precisa de um pouco de coragem. Mas o cheiro é delicioso…

É verdade que a cor do curry, pra quem não conhece… bem, é uma cor bem desafiadora. Não é problema pra gente que já tá acostumada a comer. Mas quando a Kaori, o Night e o Akatsuki começaram a comer, a Yuti finalmente pareceu se decidir e deu uma mordida.

— Ah!

E enquanto os olhos dela se arregalavam, ela olhou pra mim e pra Kaori com um olhar animado.

— Isso, isso, isso é delicioso. É tão bom.

— É-é assim? Que bom ouvir isso. E fico feliz que você tá comendo por conta própria também.

— Hmm. Tô crescendo, afinal.

— Yuuya-san, você é muito bom em cozinhar… é muito delicioso!

O curry foi bem apreciado pelas duas, mas vamos dizer que tudo que fiz foi cortar legumes e cozinhar com um tempero de curry japonês comercial… Bem, não tô fazendo com um tipo de tempero de curry, mas uma mistura de dois tipos, então pode ter um gosto um pouco diferente. Eu não tinha esse luxo antes, mas agora que ganhei dinheiro convertendo coisas do outro mundo, expandi o alcance da minha cozinha, ou melhor, das coisas que consigo fazer.

— Waguwagu… Woof!

— Fugo. Fugofugo.

O Night e o Akatsuki também estavam gostando do curry deles, então é um alívio. Enquanto observava todo mundo comendo, levei minha porção de curry à boca e assenti uma vez. É, tá delicioso.

Enquanto cada um curtia seu curry desse jeito, de repente percebi uma coisa.

…Tava tão delicioso que tinha esquecido completamente disso, mas o cheiro não atraiu monstro nem nada, né? Mesmo com a barreira da Yuti, ainda tá tudo bem, né?

— Guooooooooooooo!

— “““?”“”

— Buhi!

──A voz, ou melhor, um rugido de algo que não parecia ser de um monstro, ecoou. Então, um pouco antes de o rugido nos alcançar, parecia que algum tipo de luz tinha se derramado do Akatsuki, como se a habilidade [Sanctuary] tivesse sido ativada, mas não tinha tempo pra checar.

Aquele rugido sacudiu as árvores e o solo ao redor, e fez a água do rio espirrar alto. O rugido misterioso fez a gente deixar cair o curry das mãos involuntariamente, e cobrimos os ouvidos, e seguramos a cabeça.

Enquanto aguentávamos desesperadamente o som, o impacto finalmente diminuiu. Começamos a nos mover, checando a situação.

— Que diabos foi esse ruído?

— Desconhecido. Mas é anormal.

Mesmo com os ouvidos cobertos, ainda fiquei tão sacudido que minha cabeça ficou zunindo.

— Kaori, você tá bem?

— S-sim… de algum jeito… porque, umm, o Akatsuki-san me ajudou…

— Buhi.

Como pensei, parece que eu não tava enganado sobre o Akatsuki ativar a habilidade [Sanctuary]. A Yuti, o Night, o Akatsuki e eu conseguimos aguentar já que temos algumas habilidades, mas a Kaori é diferente. Só que parece que o Akatsuki percebeu isso, e reduziu o dano aplicando a habilidade [Sanctuary] na Kaori.

— Obrigado, Akatsuki. Ajudou muito.

— Buhibuhi.

O Akatsuki assentiu como se dissesse que era óbvio, mas realmente ajudou a Kaori. Além disso, é fofo ver o Akatsuki parecendo tão convencido assim.

— Aaah… o curry que a gente tava comendo ficou totalmente arruinado, mas a porção na panela ainda parece estar segura.

— Pesar…

Na frente do curry que tinha caído no chão, a Yuti murmurou isso com uma voz triste.

— E o que foi aquele ruído de antes? Não é um som normal de jeito nenhum, na minha imaginação…

De qualquer forma, o solo e as árvores estavam tremendo — algumas não conseguiram aguentar o impacto do rugido, e até tinha árvores que quebraram. Ajudou muito o Akatsuki ter usado [Sanctuary] na Kaori. Se não fosse pela habilidade [Sanctuary], a Kaori certamente teria sido transferida de volta pra casa do Sábio-san.

Depois de confirmar que todo mundo tava seguro por agora, eu tinha que pensar sobre o som de antes, mas foi quando a Kaori abriu a boca.

— Bem, aquele som… me pareceu algum tipo de grito ou… um rugido.

— Rugido?

Rugido, você disse? Será que…

Tive um pressentimento horrível sobre isso, e de repente uma sensação de flutuação veio sobre a gente.

— Hã?

O que tá acontecendo… o solo tava tremendo ainda mais que antes, e percebi que, a cada impacto, a gente tava flutuando pra fora do chão. Assim como eu, cujo rosto ficou pálido, a Yuti também percebeu alguma coisa e murmurou consternada.

— Isso é imprevisível. Não consegui ver. Barreira, não serve pra nada…

É uma flecha que a Yuti previu o futuro e disparou antes, mas não ajuda na situação que tá acontecendo agora.

Porque──.

— Yu-YuYuYu-Yu-Yuuya-san…

— …..

Eu já adivinhei tudo, mas não consigo me mover agora. Porque conforme os sons e impactos que se aproximavam ficavam cada vez mais altos, eu não conseguia ficar de pé direito.

— O-o dragão…!

— Espantoso. Esse dragão parece exatamente com o dragão do livro de histórias antigo…

Virei com medo e vi na minha frente uma boca em forma parecida com os dinossauros que já vi em filmes e livros.

— …..

— …..

O roxo profundo das escamas dava ao dragão um ar fascinante no nosso primeiro encontro. A aparência do dragão, que tinha uma impressão um tanto afiada, era muito majestosa.

Quando eu tava quase sendo levado pela própria respiração dele, meu olhar se encontrou com o dono daquela boca.

Eu tava interessado no próprio dragão, mas não podia fazer nada sobre isso agora que ele apareceu na minha frente. E esse não é um dragão comum de jeito nenhum. Porque o tamanho dele é estranho. Ele é grande — grande demais.

Ele era tão grande quanto um prédio deitado de lado. Por causa do tamanho dele, o corpo dele tava completamente batendo nas rochas dos dois lados do vale, mas ele provavelmente forçou passagem já que até aquelas colinas rocosas tinham sido raspadas e estavam desmoronando.

Tudo tava fora do normal.

Não só o tamanho dele, mas também a atmosfera; tudo era avassalador. Até a Yuti, que é mais forte que eu, assim como o Night e o Akatsuki, ficaram rígidos e incapazes de se mover.

E…

— Guuoooooooooooo!

O dragão na minha frente ergueu a cabeça alto pros céus e soltou de novo o rugido que ouvimos antes.

Diante de uma situação tão absurda, só tive um pensamento.

Sim, eu vou morrer.

Porque não importa o que vem à mente, é impossível. Não, eu originalmente não tinha planejado lutar, já que o pedido do Owen-san era só pra investigar. Mas a gente acabou encontrando ele.

Enquanto minha mente ficava em branco e eu não conseguia soltar a voz, de repente ouvi uma voz diferente do bramido que tinha ouvido antes.

— Ei, você aí, humano insignificante!

***

— Ei, você aí, humano insignificante!

— ………., Hã?

Olhei em volta apressadamente ao ouvir de repente uma voz desconhecida, mas não tinha ninguém por ali que parecesse ser o dono da voz. Parecia que não só eu, mas também a Yuti e os outros conseguiam ouvir também, e todos tinham expressões confusas.

Enquanto todos nós procurávamos o dono da voz, ouvimos a voz de novo.

— Como um humano insignificante, como você se atreve a me ignorar?

— Eh?

Eu não achava que fosse possível, mas olhei pra cima, pro rosto do dragão. Fiquei olhando pra cima em direção ao céu até meu pescoço doer.

— Será que… você tá falando?

— De fato. Tô falando com você.

— O dragão tá faaalaaando!

— O que é isso, seus tolos. É tão estranho assim eu falar?

Eu não esperava que ele realmente conseguisse falar, então reagi desse jeito.

— N-não, umm… É porque essa é a primeira vez que encontro um dragão, então…

— Hmpf. Não quero ser comparado com esses dragões por aí, mas certamente consigo entender e falar sua língua. Você sabe o que isso significa?

— Hã? …I-isso significa que v-você trabalhou duro pra aprender a língua humana, né…?

— Que tipo de apreensão é essa?

Por algum motivo, o dragão tava fazendo tsukkomi com minhas palavras. Não, porque… é a única coisa que vem à mente quando me perguntam se eu sei o que isso significa…

— Eei! Isso significa que se eu consigo entender suas palavras, eu consigo entender todas as coisas insultantes que vocês humanos disseram sobre mim!

— E-entendo?

— Que falta de resposta!

Então, o que eu devia dizer? Porque eu de forma alguma tenho a intenção de tirar sarro do dragão na minha frente…

Vendo a troca entre eu e o dragão, a Kaori ficou abalada. mas por algum motivo, a Yuti me olhava como se quisesse me dizer alguma coisa. O quê? Minha reação é tão estranha assim?

Não é que eu não conseguisse aguentar os olhares de todo mundo, mas, por agora, vou fazer uma pergunta ao dragão.

— Umm, posso te perguntar uma coisa…? Ouvi dizer que você tava dormindo no início, mas tem algum motivo pra você ter despertado?

— Onde foi que aquele seu pânico de antes foi?

— Me senti melhor depois que essa conversa se desviou do assunto.

— Então você é um cara importante, hein?

No início, fiquei surpreso e pensei que era o fim, mas quando descobri que a gente conseguia se comunicar, me senti muito melhor. Se esse dragão tivesse a intenção de nos matar ou comer desde o início, a gente não estaria aqui conversando agora.

— Bem, tá tudo bem. Fui despertado pelo cheiro irritante do “Holy” e do “Evil”… E agora, pela primeira vez na minha vida… eu, que vivo desde a criação do mundo… nunca pensei que existisse um cheiro que eu nem sabia que existia. Esse cheiro me atraiu pra cá.

— Um cheiro, você diz?

— Quer fingir que não sabe, hein? Tem uma panela largada perto de você. Tava vindo de lá.

— Hã?

Olhei pra panela de curry que milagrosamente sobreviveu ao rugido do dragão de antes.

— Umm, você quer dizer esse curry?

— Curry, hein? O que é isso?

— Er, é a nossa refeição…

O dragão escutou minhas palavras e, por algum motivo, franziu a testa. Ou melhor, a expressão do rosto do dragão é tão fácil de entender.

— Hmpf, não fala bobagem. A comida humana não devia ser fervida ou grelhada? Você acha aceitável temperar com tanto sal e especiaria assim?

Assenti com a cabeça diante das palavras do dragão, que parecem meio ridículas. Será que ele tá dormindo há tantos anos que não sabe que o paladar e os temperos humanos mudaram?

Claro, pode ter sido verdade no passado, mas com o passar dos anos, os humanos também desenvolveram seus próprios métodos de cozimento e estudaram várias cozinhas. Bem, nesse mundo, as técnicas culinárias talvez não sejam tão desenvolvidas ainda.

— Hmm, nesse caso, já que você tá aqui, quer experimentar?

— Eh, meu curry…

Então a Yuti me deu um olhar triste com meu comentário.

— Aah, Yuti. Vou fazer outro logo depois de dar esse curry pro dragão.

— Hoo? Você acha que vai voltar pra casa em segurança antes de mim?

— Eh? Você não vai deixar a gente ir?

— …Você tá meio dessintonizado.

Por quê? Não fiz nem disse nada estranho, não foi?

— Mas mesmo que eu comesse essa coisa, eu não ficaria satisfeito com uma quantidade tão pequena e insignificante de comida. O que você vai fazer?

— O que eu vou fazer, você disse? Se você diz isso…

De fato, o dragão tinha razão; mesmo que fosse do tamanho de uma panela grande, a quantidade seria completamente insuficiente, considerando o tamanho do dragão na minha frente. Antes de tudo, é duvidoso se tem até o suficiente pro dragão sequer sentir o gosto.

Só que não tem jeito melhor de lidar com esse corpo enorme──.

— Ah. É isso.

— Mu? O que você quer dizer?

— Não, só pensei que encontrei um jeito de reduzir o tamanho do dragão-san, então pensei que…

— D-dragão-san? Quero dizer, você acha mesmo que tem um jeito de fazer isso?

— Sim.

Dizendo isso, tirei uma certa coisa da item box. Era o [Pill of Large and Small Changes] que dropou na hora que consegui o equipamento pra proteção da Kaori.

— O que, isso não é… venenoso ou algo assim, né?

— Não, não, é só uma pílula pra te deixar menor.

— Uma pílula que pode me deixar menor?

O dragão-san aproximou seu rosto enorme de lado e encarou o remédio com seus olhos grandes.

— Hmpf. Como algo assim pode me deixar pequeno…

— Bem, bem, não fala assim; você só precisa tentar.

— Onde foi que ficou a atitude que você tinha na primeira vez que me viu?

Quando você fica nervoso demais, fica desconfortável de falar, não acha? Bem, a razão de eu conseguir ficar despreocupado assim é que ficar nervoso não é prático. Além disso, eu realmente queria pedir a ajuda das empresas japonesas e ensinar o dragão-san que a comida humana também é maravilhosa.

Com isso em mente, joguei a pílula na boca do dragão, que ainda tava vigilante. A propósito, tinha muitas pílulas no frasco, e, pra ser sincero, eu não sabia quantas pílulas seriam necessárias pro efeito aparecer. Mas, como esperado, eu não podia usar mais sem saber os efeitos, então mantive em uma. Não, antes de tudo, se não foi usado, só tô dizendo que você devia usar em si mesmo primeiro.

— V-você! Você realmente me fez comer isso!

No momento seguinte, porém, o corpo do dragão começou a brilhar.

— O que é isso? O que tá acontecendo!

— Quem sabe…?

— Quem sabe?!

Bem, talvez seja como um sinal de que ele vai começar a encolher agora.

Quando o dragão-san ficou em pânico com o fenômeno estranho do próprio corpo, a Kaori, que tinha observado o curso dos eventos até agora, perguntou ansiosa.

— Q-que luz incrível… mas tá tudo bem?

— Acho que vai ficar tudo bem. Quando peguei o item, a descrição não mencionou nada que parecesse um efeito colateral.

Sim, essa foi uma das principais razões pelas quais usei isso no dragão-san sem hesitar.

Com a habilidade [Identification], se tiver algum efeito colateral, deveria ter sido explicado corretamente pra mim. Afinal, quando examinei a [Ichikoro Grass] que o Akatsuki me trouxe quando eu tava coletando ervas medicinais com a Lexia-san e a Luna, fui devidamente informado que era perigosa.

Eventualmente, a luz diminuiu, e tinha um dragão pequeno lá, do tamanho que eu conseguiria carregar nas duas mãos.

Ilustração

— T-terminou…? Por que vocês tão olhando pra mim de cima?

— É porque o dragão-san agora tá pequeno.

— O quê?!

O dragão-san recebeu minhas palavras e imediatamente olhou pro próprio corpo e ficou atônito.

— I-isso é ridículo… meu corpo realmente ficou menor…

— Agora, você pode realmente experimentar o curry.

— U-umu… Não, quero dizer, não é isso! É verdade que se eu ficar menor, isso vai me deixar experimentar o curry, mas eu não posso ficar assim!

— Tá tudo bem também. Talvez, a partir de agora, o dragão-san consiga mudar o tamanho do próprio corpo à vontade.

— O quê?!

Os olhos do dragão se arregalaram como se não pudesse crer nas minhas palavras, mas o corpo dele começou a brilhar de novo enquanto ele olhava pro céu como se tivesse se decidido sobre algo.

E quando a luz diminuiu, o dragão-san no tamanho original estava presente.

— E-eu realmente voltei ao normal…

— Você realmente conseguiu.

— Você não tinha certeza sobre isso?

Eu sabia que era possível mudar o tamanho do corpo graças à habilidade [Identification], então não achei impossível fazer isso. O dragão-san ficou espantado com minha reação, mas logo, quando seu corpo brilhou de novo, ele mudou pro corpo menor.

— …Bem, tudo bem. Não, não é realmente bom, mas não vamos nos preocupar com isso por agora. Agora o que tem naquela panela ali? Me dá logo.

Dizendo isso, o dragão-san arrancou a panela de curry que eu tava segurando. Então ele abriu a panela e respirou fundo.

— Suuuhh… U-umu, como eu pensava, é um cheiro indescritível. Mas pela cor, não consigo imaginar que seja muito bom.

— Discordo. Então me dá.

— O que é isso, garotinha? Isso é meu agora! Não vou te dar!

Nesse momento, a Yuti tentou pegar o curry, mas o dragão-san finalmente enfiou o rosto na panela!

— …..

Eu não esperava que ele fosse enfiar o rosto inteiro na panela, então fiquei um pouco preocupado com ele──.

— Zugogogo!

— Eh.

Ouvi o que parecia algo sendo sugado numa velocidade incrível.

E então…

— Delicioso! Isso é tão bom? O que é isso, que diabos é isso?

Essa foi uma vitória das empresas japonesas.

Respondi com poucas palavras e uma expressão orgulhosa: — Isso é comida humana. É curry.

— I-isso é…!

O dragão-san congelou por um instante, parecendo muito surpreso, mas então começou a comer de novo com seriedade.

Enquanto olhava aquela figura, de repente lembrei da nossa conversa com o dragão-san de antes e decidi perguntar a ele.

— Umm… falando nisso, antes você disse algo sobre o cheiro do “Holy” e do “Evil”, o que você quer dizer com isso?

— Haguhagu… Mm? Aparentemente… não significa nada. O cheiro nojento do “Holy” e do “Evil” começou a preencher o mundo, então meu nariz me despertou mesmo eu não querendo. Eles tão espalhando cheiros nojentos…

Será que o Mestre e os outros tão causando isso…!

Não sei bem o que dizer sobre esse fato, e enquanto ele comia, ele movia o nariz pra nos cheirar também.

— Acho que consigo sentir um pouco desse cheiro da garotinha aí e de você também… Mm? Vocês tão com um cheiro meio estranho. A garotinha tem cheiro de mistura de “Holy” e “Evil”. E de você, é…

Quando ele tava prestes a dizer aquilo, o dragão-san parou de comer o curry e abriu os olhos.

— R-ridículo… por que você tem cheiro daquele cara!?

— A-aquele cara?

— Para de fingir que não sabe! Se eu digo aquele cara, é aquele cara!

— Não, espera, isso não faz sentido pra mim…

— Por que é tão difícil de entender pra você? Os humanos não chamavam ele de Sábio?

— Eh!?

Fiquei tão surpreso com as palavras do dragão-san que meus olhos se arregalaram.

— Sábio, você disse? Você conhece o Sábio-san?

— Hã? Eu sei o que ele sabe, e ele devia saber o que eu sei, também.

— Não, tem muita coisa acontecendo comigo no momento…

Enquanto contava pra ele sobre a Terra, expliquei ao dragão-san que me tornei o novo mestre da casa do Sábio-san e que herdei o circuito mágico do Sábio-san.

Então, o dragão-san bufou alto.

— U-umu, entendo… Mas eu tenho que admitir que nunca ouvi falar da existência de um mundo diferente… mesmo tendo vivido desde a criação desse mundo… essa é a primeira vez que ouço falar disso. E criar uma conexão com ele… Como esperado do Sábio.

O dragão-san murmurou com um olhar meio distante.

— Umm… qual é a relação entre o dragão-san e o Sábio-san?

— Hm? É verdade… eu pensava que éramos amigos.

— Eh?

— Mas falhei em entender o sofrimento dele. Eu não tinha conceito de expectativa de vida e achava tolice morrer de velhice. Mas eu não pensei que fosse a única salvação dele…

Com um olhar um tanto triste no rosto, o dragão-san diz isso.

O livro do Sábio-san dizia que ele não tinha amigos próximos, mas ainda tinha quem se preocupasse com ele desse jeito…

Enquanto eu ficava triste com aquele mal-entendido, o dragão-san finalmente terminou o curry dele.

— Puhah! Isso foi bom!

— Ah, sim. Que bom saber──.

No momento em que eu tava prestes a dizer isso, uma mensagem apareceu na minha frente.

Você conseguiu domar o [Genesis Dragon]

***

Você conseguiu domar o [Genesis Dragon]

— ………..Eh?

— Mmm? O que foi?

Esfreguei os olhos involuntariamente com a mensagem que apareceu na minha frente. Mas não importa quantas vezes eu checasse, o conteúdo da mensagem não mudava.

Fiquei hesitante em contar ao dragão-san sobre isso.

— B-bem… dragão-san, umm, você… você foi domado por mim.

— Hã? O que você disse? …A comida humana que você me serviu foi de fato deliciosa, mas isso não significa que eu vou ser domado por──Isso já foi feeeitooo!?

O dragão-san pareceu ter checado seu status, e os olhos dele saltaram. Pelas palavras do dragão-san, parecia ser a verdade inegável que ele foi domado. A Yuti também congelou com os olhos arregalados.

A Kaori não entendeu o significado de domar, então só inclinou a cabeça confusa. O Night e o Akatsuki não pareciam estar fazendo nenhum ruído em particular.

— Por quê… por que isso aconteceu? O que vai acontecer comigo agora que fui domado?

— Err… desculpa?

— Não tô procurando desculpas! Você precisa me libertar agora!

— Eeeh!? Mesmo que você me peça pra te libertar, eu não sei como… Não, eu também tô incomodado por ter domado o dragão-san, sabe…

— Por que você me domou, antes de tudo?

Desculpa, tô honestamente surpreso também.

Se é um dragão, não importa o quanto eu tentasse, eu não conseguiria levá-lo pra fora na Terra. Ele poderia ser visto como um lagarto raro sem asas, mas o dragão-san tem asas magníficas e consegue voar. Não tem jeito de enganar os outros na Terra com relação a isso.

Além disso…

— Umm, falando de problema, a gente veio aqui originalmente porque ouviu que o dragão-san tinha despertado…

— O quê? O que você quer dizer com problema?

— Embora existisse uma lenda de que o dragão-san dormia nesse vale, ninguém acreditava. Mas recentemente, com os monstros do vale ficando de repente ativos como se estivessem fugindo de algo e, mais importante, com o rugido do dragão-san, as pessoas pensaram que a lenda podia ser verdade… E se a lenda fosse verdade, as pessoas ficaram preocupadas com que tipo de ação o dragão-san tomaria, além de vários outros fatores…

— Hmpf. Bem, não tem jeito se eles não sabem sobre mim hoje em dia… Afinal, já se passaram milhares de anos desde a última vez que fiquei acordado.

— M-milhares?

— Sim. Tenho certeza que foi o cheiro do “Holy” e do “Evil” que me despertou, mas, como você pode imaginar, dormir por tanto tempo me deixa com fome. Foi por isso que comi os monstros que estavam razoavelmente perto… e então os outros monstros fugiram de mim.

— E-entendo…

Tinha muita coisa que eu queria dizer, mas a parte mais importante era que isso aconteceu depois de milhares de anos, então o Sábio-san era uma pessoa de pelo menos milhares de anos atrás… Não é de se estranhar que as pessoas não soubessem sobre ele, como o dragão-san.

Embora o impacto das palavras do dragão-san fosse enorme, é difícil comentar sobre o comportamento do dragão-san, principalmente se parecia ser um incômodo. O dragão-san parecia despreocupado e se deitou.

— Hmpf… então o que você vai fazer agora?

— Eh? Bem… já que te domei, por agora, pensei que devia te dar um nome.

— Você tá começando com isso? Não, isso também é importante, mas…!

— Pessoalmente, sinto que te chamar de dragão-san vai servir bem…

— Isso não serve! Se você vai me dar um nome, devia ser um nome legal que combine comigo!

Já que o dragão-san pediu, fiquei pensando em ideias pro nome dele de novo. Mas, aliás, será que ele já tá aceitando que foi domado? Não, parece muito pior que isso.

Olhei pro dragão-san de novo e pensei.

O dragão-san é uma figura majestosa digna de ser um dragão legendário; suas escamas são uma mistura de roxo profundo, preto e vermelho, o que cria uma sensação de luxo.

— Hmm… então que tal Ouma?

— Ouma?

— Sim. Como eu digo isso… da aparência do dragão-san, a palavra “Oumagatoki” simplesmente me vem à mente…

(N/T: Oumagatoki significa crepúsculo, ou a hora dos desastres — parecido com a “hora das bruxas”, mas não é meia-noite.)

Se Oumagatoki é à noite ou não, é esse tipo de cor que me vem à mente, então só expliquei isso…

Então, o dragão-san murmurou o nome que sugeri e assentiu a cabeça algumas vezes.

— Ouma… Ouma… hã? É bom. Sou Ouma a partir de agora.

— Ah, sim.

— Aliás, qual é o seu nome? Embora eu ainda esteja relutante, você pelo menos se tornou meu mestre. Não é estranho não saber seu nome?

As palavras do dragão-san… não, do Ouma-san, nos lembraram que nunca nos apresentamos, então apressadamente dissemos nossos nomes. Depois de ouvir isso, o Ouma-san assentiu de novo.

— Yuuya, Kaori, Yuti. E então Night e Akatsuki, hã? …Quando olho de novo… tem alguns indivíduos incomuns aqui.

— É assim?

— Você não percebe? O Yuuya e a Yuti têm um cheiro estranho que é como uma mistura de “Holy” e “Evil”. Não sinto nenhuma ameaça da Kaori, então é um mistério por que ela tá aqui. Quanto ao Night e ao Akatsuki… U-umu. Olhando pra esses dois, não é estranho que você os tenha domado…?

— Eh? I-é assim?

— …Duvido muito, mas você sabe a raça do Night? O Akatsuki é um pouco especial, então não é de surpreender se você não sabe sobre ele…

— Eu sei a raça do Night, sabia? É Black Fenrir, né?

— Eh.

Então, por algum motivo, não foi o Ouma-san que congelou, mas a Yuti, que estava escutando nossa conversa atrás de mim.

— Yuti-san, o que foi?

— K-Kaori. O Yuuya acabou de dizer Black Fenrir?

— S-sim. Isso mesmo. O Night-san é esse tipo de lobo.

— Isso é duas espécies legendárias no mesmo lugar…

— Eeh?

Fico intrigado com a Yuti, que tá segurando a cabeça. Não entendo o que ela quis dizer. Então o Ouma-san me contou com um suspiro.

— Suspiro… Não é de se estranhar que a Yuti esteja assim. Embora o Night não seja de uma espécie que vive desde a criação do mundo. Mas quando o assunto é poder de combate, o Black Fenrir tá no mesmo nível que eu.

— Eh.

— O Night atual é só uma criança e tá se desenvolvendo… mas nunca ouvi falar de um Black Fenrir domado. Considerando como ele foi domado e criado pelas mãos do Yuuya… ele pode se tornar o Black Fenrir mais poderoso da história.

— Hã…

Eu não esperava que o Night ficasse tão forte quanto o Ouma-san. Bem, já que ele tava no [Great Devil’s Nest] quando criança, eu não esperava que ele fosse fraco.

— Night, você é um cara e tanto, né?

— Woof? Woof.

— Fugo! Fugofugo!

— Eh? É, eu sei que o Akatsuki também é incrível.

— Buhi? Fugo.

— Woof.

O Night mesmo não pareceu entender minha pergunta, e depois de inclinar a cabeça, se aconchegou na minha perna. O Akatsuki se esfregou na outra perna, mostrando que ele também é incrível. …Bem, eles são fofos, então tá tudo bem.

— Eles são fofos, então não é um problema.

— Eles são gente grande, sabia? É o mesmo que ter uma força infernal!

— Afirmação. Fiquei nervosa com a luta contra o “Evil”, mas com o Ouma na minha frente, e o Night crescendo, é seguro dizer que seria uma perda de tempo me preocupar com o “Evil”. Isso é praticamente tão forte quanto uma força de combate consegue ficar.

— É tanto assim…

— Claro. Quem você acha que eu sou? Normalmente, não tenho interesse em vocês humanos, então os ignoro, mas posso acabar com o conflito entre o “Holy” e o “Evil” instantaneamente se eu escolher.

— C-como?

— Explodindo esse planeta.

— Isso é exagero demais!

O que você quer dizer com destruir um planeta inteiro? Se você fizer isso, você não ficaria seguro também, né, Ouma-san?

Então, como se soubesse o que eu estava pensando, o Ouma-san bufou.

— Você pode estar preocupado com algo trivial, mas eu posso viver em qualquer lugar. Não tem mal nenhum em arrasar um planeta; é só uma questão de achar outro.

— Eh, terrível…

— Sim, eu sou! Sou alguém a ser temido! Não sou alguém pra ser domado de jeito nenhum!

— Mas você foi domado e…

— É por isso, que iiirritante!

O Ouma-san lamentou incessantemente. Nem eu sei, se você me perguntar isso.

— Gnunu… Se isso não pode ser revertido, então espero que seja mais divertido que antes. Se não, meu ser domado é só uma perda pra mim! Yuuya, você consegue me satisfazer?

— Err…? Talvez com a cozinha da Terra ou informações sobre a Terra?

— Eei, isso não é interessante…!

Vai ficar tudo bem. O Ouma-san pareceu frustrado por algum motivo, e ignorei isso internamente.

— Bem… então, vamos pra casa…? O dragão em questão, o Ouma-san, foi domado, e se o Ouma-san era a causa da atividade dos monstros, tudo vai voltar ao normal uma vez que ele se for…

— Hmpf. Se seu negócio era me investigar, então terminou aqui. Como o Yuuya diz, uma vez que eu me for, os monstros vão voltar naturalmente pra aqui.

— Então tudo tá bem. Vamos com isso.

Quando eu tava prestes a dizer “vamos pra casa”, a Kaori levantou a mão timidamente.

— Uh…

— Hmm? O que foi? Kaori

— Aquilo… Ouma-san? Só que a gente foi pedido pra investigar os problemas, e claro, o Ouma-san é a causa de todos esses problemas, né?

— Bem, acho que sim.

— Não sei muito sobre a situação do lado humano, de qualquer forma — disse o Ouma-san.

— Então, o que a gente deveria dizer pras pessoas na capital real… e principalmente pro Owen-san, que fez esse pedido pra gente? — disse a Kaori.

— Ah.

Congelei com as palavras da Kaori. É verdade. Originalmente, o despertar do Ouma-san foi a causa de muito problema, e o Owen-san nos enviou aqui pra descobrir se ele tinha despertado.

Mas o mais importante aqui é que eu não posso simplesmente dizer que trouxe o dragão legendário comigo de volta, né…?

— O-o que a gente faz…?

— B-bem, acho que a gente só vai ter que ser honesto com ele…

— Isso mesmo…

Não sei qual vai ser a reação. Mas não posso enganá-lo, então vou só ser honesto. Assim que penso que a gente finalmente pode ir pra casa, um novo problema surge. Mas não tem sentido ficar preocupado com isso, então tô arrastando meus pés pesados de volta pra capital.

***

— ──Umm, Yuuya-dono. Pode repetir isso?

— …Umm, esse aqui do meu lado é o dragão legendário. Sim.

Depois de voltar pra capital real, fui imediatamente relatar pro Owen-san. Mas por algum motivo, fui levado na frente do Arnold-sama.

Também é porque o Arnold-sama se sentiu mal por ter que pedir pra mim, uma pessoa de outro país, pra ajudar eles. Quando o conteúdo do relatório era sobre o dragão legendário, ele queria ouvir sobre isso pessoalmente. Isso é muito cortês, de fato.

Só que, por causa dessa situação, as únicas pessoas nessa sala de audiência agora somos nós, o Owen-san e o Arnold-sama.

Eu gostaria de dar um alô pra Lexia-san e pra Luna também, mas elas estão ausentes agora, em negócios oficiais ou algo assim. A princesa é bem ocupada, afinal.

Tô tentando escapar da realidade, mas já que eu tenho um dragão desconhecido comigo, o Owen-san parece ter adivinhado a situação e decidiu me perguntar sobre isso em detalhes com o Arnold-sama. Tô nervoso por ir na frente do Arnold-sama, talvez até mais nervoso que quando encontrei o Ouma-san…

Pode levar a um mal-entendido se eu deixar a situação pra interpretação deles, então relatei honestamente pra eles. Como esperado, tanto o Arnold-sama quanto o Owen-san acabaram com dor de cabeça.

Embora eu estivesse preocupado com o Arnold-sama e os outros, a Kaori também ficou bem nervosa porque tava na frente do Rei. Eu queria que ela relaxasse de algum jeito, mas na frente do Arnold-sama era só…

Pelo contrário, a Yuti, que tinha anteriormente tentado matar o primeiro príncipe, o Rhaegar-sama, só ficou parada distraída e não sentiu nenhuma tensão.

Enquanto eu ponderava o que fazer nessa atmosfera meio caótica, o Ouma-san, o centro desse caso, abriu a boca enquanto se deitava no chão, irritado.

— O que é, humano. O que tem de tão estranho eu ter sido domado assim? Hmm?

— N-não! Isso não é──.

— Claro que é estranho! — disse o Owen-san.

— Eeh…?

O Owen-san tentou interromper o bom humor do Ouma-san, e o Ouma-san não esperava ser cortado assim e ficou confuso.

— Eu também não entendo isso! Mas não posso fazer nada porque eu fui domado assim, do nada. Não sou eu que sou estranho, é ele.

— Eu só tava fazendo um curry…

— O que é culpado é a comida humana que tem um gosto tão bom!

Então não é minha culpa, afinal? Não, o curry também não tá errado.

Bem, tá tudo bem…

— Então, o que eu devo fazer?

— O-o que você devia fazer, você pergunta?

O Arnold-sama respondeu à minha pergunta com um tique na bochecha…

— Bem, esse alvoroço foi causado pelo Ouma-san… e foi esse dragão…

— O quê? Eu não fiz nada de errado!

— Mas você não devia ter causado problema pras outras pessoas, devia?

— Eu sou um dragão; eu não me importo nem um pouco com as circunstâncias humanas!

— Você consegue se comunicar tanto com dragões quanto com humanos, então… você precisa ser um pouco mais considerado com a situação deles.

— Gnununu!

Enquanto eu explicava isso ao Ouma-san, o Owen-san e o Arnold-sama nos olhavam com olhos distantes.

— …Owen. Meus olhos ficaram avariados? O dragão legendário tá sendo repreendido!

— …Não, Majestade. É real.

— Tá tudo bem. Também tô confuso com o que vejo.

— C-certo… espera, quem é você?

— Eu sou a Yuti.

— Yu-Yuti? Owen, você sabe quem ela é?

— Eh? Ah, bem… umm, é difícil explicar, eu acho que dá pra dizer…

— Rei. Não se preocupe com os detalhes.

— Você parece bem familiarizada!

— Yuti, fica longe! …Minhas desculpas. Ela é um tanto deslocada do mundo…

— Não, quero dizer, ela é bem animada… De qualquer forma, o dragão legendário não devia ser… maior? Não consigo imaginar ele soltando um rugido que faria o castelo inteiro tremer, vindo de um corpo tão pequeno assim…

— Eu não tinha ideia que ele era o dragão legendário até levá-los lá, mas o Yuuya-dono disse que tinha um item que permite mudar o tamanho do corpo à vontade…

— …Yuuya-dono, quem diabos ele é, afinal?

— …É uma pergunta que eu também adoraria saber a resposta…

Enquanto o Ouma-san e eu ainda discutíamos, o Arnold-sama soltou um suspiro e continuou.

— Então, o que você acha que devíamos fazer?

— Bem… primeiro de tudo, seria impossível eliminá-lo.

— T-tem razão. Não tenho certeza das habilidades dele, mas se a aparição de um mero dragão pode fazer a maioria das nossas tropas se perderem… Além de conseguir se comunicar com a gente, ele tá vivo desde a criação do mundo…

— Quanto mais tempo um dragão vive, mais forte e poderoso ele fica, tanto em magia quanto em corpo… Não importa como você olhe, isso não é algo que um país poderia enfrentar.

— Se é esse o caso, eu gostaria de manter o Yuuya-dono nesse país…

— Não é fácil. O Yuuya-dono é obviamente um nobre ou realeza estrangeiro…

— Mmmm… a gente realmente não tem escolha… Não, o Yuuya-dono pode ser considerado um benfeitor pro Rhaegar e pra mim mesmo. É por isso que é melhor não pedir cooperação à força…

— Se um país hostil ao nosso conseguisse controlar o dragão legendário à vontade, não teríamos nada que a gente pudesse fazer.

— Sim. Sou muito grato ao Yuuya-dono por nos ajudar com esse incidente… Não, não sei se o país do Yuuya-dono é amigável com a gente ou não, mas pelo menos o Yuuya-dono é muito amigável… com a Lexia…!

— Não desencadeia a tolice dos seus pais que mimam demais aqui… mas eu acho que a gente vai ter que deixar tudo pro Yuuya-dono. Desde o início, o Yuuya-dono é excepcional em termos de capacidade individual. Não seria surpresa se um dragão que poderia facilmente destruir o país se juntasse como companheiro dele depois de tudo isso. Do contrário, seria impossível pra ele continuar vivendo no [Great Devil’s Nest].

— Ele é realmente uma pessoa misteriosa. A única opção é se render ou ser destruído se o dragão legendário atacar. É inútil pensar demais nisso. …Yuuya-dono.

— Eh, sim?

Eu tava numa discussão acalorada com o Ouma-san sobre não incomodar os humanos. Inesperadamente fui abordado pelo Arnold-sama. Quero dizer, o que eu tô fazendo, negligenciando o Rei desse jeito? Eu não vou ser executado por falta de educação, vou?

O Arnold-sama abriu a discussão de maneira digna comigo, que tava internamente assustado.

— Yuuya-dono. Sobre esse dragão… vou deixar tudo com você, Yuuya-dono.

— …Eh?

— Não podemos tornar essa questão… o dragão… pública. Então sinto muito por não poder te recompensar pela sua investigação. Claro, também não exigimos nada de você. É por isso que deixamos isso com o Yuuya-dono.

— Deixando tudo pra mim…?

Enquanto eu ficava confuso com as palavras do Arnold-sama, o Owen-san também interveio.

— Yuuya-dono. Vou te dizer claramente. Vamos deixar isso inteiramente com você.

— Isso é bem claro mesmo!

Isso é bem claro mesmo! É verdade! Ninguém sabe o que fazer com esse dragão legendário, né?

No final, seguindo a decisão do Arnold-sama, não houve menção ao rugido do Ouma-san nem ao dano causado pelos monstros por causa da gula do Ouma-san, e essa audiência terminou.

Felizmente, não teve baixas incluídas nos danos causados pelos monstros que fugiram do vale, o que provavelmente foi significativo. Ainda assim, aconteceu coisa demais hoje, e então, no final, nosso objetivo original de mostrar a capital real pra Kaori não pôde ser alcançado.


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