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Isekai de Cheat Skill – Volume 6 Capítulo 1

Capítulo 1 – The Sword Saint

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Capítulo 1 – The Sword Saint

───A [Orz Forest] ficava perto do Regal Kingdom. Era um lugar transbordando de natureza rica, e a floresta trazia muitos recursos e benefícios pro Regal Kingdom.

Ao mesmo tempo, essa floresta era conhecida no mundo inteiro como uma das zonas perigosas.

O nível de perigo era menor que o do Great Devil’s Nest, porque o Great Devil’s Nest, onde o Yuuya mora, tinha sido designado como uma zona super perigosa, ainda mais perigosa que essa floresta.

No entanto, como essa [Orz Forest] tinha recursos valiosos mais acessíveis que o Great Devil’s Nest, muitos aventureiros e outras pessoas iam e vinham, e os monstros naturalmente foram se rareando, então era seguro pras pessoas viverem numa cidade perto da floresta.

Além disso, havia um motivo pelo qual o Regal Kingdom era um lugar mais seguro agora do que nunca.

Isso é───.

— Grrrr…

— Guruahh!

— Guruaaaah!

— …..

Uma mulher estava parada ali, cercada por vários monstros. Ela tinha um corte de cabelo estilo “wolf cut” na cor pêssego e olhos rosados e rasgados. Vestia uma couraça prateada, uma capa preto-fosco e uma única espada.

Esse lugar era perigoso demais pra uma pessoa visitar sozinha, e mesmo assim, a mulher estava cercada por uma matilha de tigres negros, um monstro classe B com pelagem preta e listras brancas.

Se fosse um único tigre, um aventureiro de classe B ou superior conseguiria derrotá-lo, mas o número de tigres negros cercando a mulher agora passava de uma dúzia.

Normalmente, seria necessário um grupo de aventureiros de nível A ou nível S pra derrotá-los. No entanto, os tigres negros, apesar de serem bestas tão perigosas, mostravam um grau incomum de cautela em relação à mulher à frente deles e relutavam em atacar.

— Grrrr… Gaaaaaaaaah!

Então um dos tigres negros ficou impaciente e finalmente atacou a mulher.

Clank───.

— Gah───.

Mas no momento seguinte… com um som metálico nítido, a cabeça do tigre negro se soltou do corpo e caiu, sem saber por quê. Os outros tigres negros ficaram mais cautelosos por causa da morte do companheiro. Ainda assim, a raiva pela perda de um companheiro não diminuiu, e por fim atacaram a mulher juntos.

— Gaaaaaaaahhhhh!

— Gaaaaaaaaaaaaaah!

Apesar de estar sendo atacada pelos rugidos ensurdecedores que fariam uma pessoa comum desmaiar, a mulher continuou parada ali, como se nada estivesse acontecendo.

E então───.

Clank───.

— Gugahh───.

— Gaah───.

Os tigres negros atacaram todos de uma vez, suas cabeças e corpos cortados no ar, e caíram.

— …..

A matilha de tigres negros se transformou em partículas de luz e deixou um item de drop no local. A mulher que tinha sido atacada olhou calmamente pra ele, e logo em seguida, guardou a espada na bainha.

— Ufa… nesse ritmo não vai dar pra treinar muito.

A mulher que disse essas palavras inacreditáveis era a “Sword Saint”───Iris Knowblade, que atualmente residia no Regal Kingdom.

— …Quer dizer, não faz bem, por causa das coisas que eu falo…

A Iris soltou um grande suspiro, enojada com suas próprias palavras, ações e pensamentos.

Isso é porque───.

— Suspiro… sou a única das minhas colegas de classe que ainda não casou… e não consigo parar de treinar com minha espada… então o que eu devia fazer…?

A “Sword Saint” mais forte e famosa estava preocupada por estar chegando ao fim da idade de se casar.

A Iris ficou fascinada por espadas desde que se lembra, e aprimorou suas habilidades pra se tornar uma cavaleira eventualmente. No entanto, a Casa Knowblade, onde a Iris nasceu, era uma grande família nobre com o título de duque, e o pai da Iris não permitia que ela se tornasse cavaleira.

Por isso, embora a Iris originalmente quisesse frequentar uma escola de cavaleiros, o pai dela a forçou a frequentar uma escola de moças pras filhas de famílias nobres. Naturalmente, a Iris se rebelou contra a decisão do pai. Mas com a pressão da família Knowblade, e com a persuasão das pessoas ao redor, ela relutantemente entrou na escola de moças.

— Fui mandada pra uma escola de moças, mas isso não significou muita coisa pra mim.

— Gaaaaaah!

De repente, lembrando de como era antes, a Iris cortou os novos monstros que a atacavam. No entanto, a Iris parece nem ter puxado a espada, e só um som metálico nítido ecoa.

───Os pais dela pretendiam que ela entrasse numa escola de moças pra aprender a se comportar como uma dama e se preparar pra se casar eventualmente com outra casa nobre ou realeza.

Mas como ela se interessava mais por espadas do que por romance, e como não tinha dominado nenhum dos comportamentos esperados de uma nobre, o pai dela não conseguia encontrar um noivado adequado pra filha, nem mesmo arranjar um compromisso, com nenhuma família nobre.

Houve até algumas propostas de nobres que poderiam ser uma ótima conexão pra família Knowblade, mas a família Knowblade perderia a dignidade e a confiança se enviasse a inexperiente Iris pro casamento, então recusaram as conversas de noivado, chorando.

— ───Guruahh!

— G-gaaaaah!

A Iris derrubou os monstros um atrás do outro, mostrando uma tranquilidade que fazia difícil acreditar que ela estava sendo atacada por monstros. Ela era tão bizarra que até os monstros tentaram fugir, mas não conseguiram escapar da lâmina da Iris.

— Eu queria desistir do caminho da espada, mas não apareceu nenhuma proposta de casamento arranjado pra mim. É estranho quando penso nisso… será qual foi o motivo disso…?

A Iris, que não fazia ideia das intenções dos pais, cresceu fazendo o que quisesse, mesmo não conseguindo largar a escola de moças no meio do caminho.

No entanto, a Iris nunca abandonou a espada, independente da escola que frequentasse.

Além disso, a escola em que ela entrou não era uma escola normal, mas a prestigiada Artemia Girls’ Academy, e a diretora era uma bruxa lendária que já tinha trabalhado como aventureira classe S, apesar de ser uma nobre.

Por isso, mesmo sendo uma academia feminina, havia aulas pra aprender a se defender, e a Iris não deixava de praticar voluntariamente. Como resultado, a Iris adquiriu habilidades muito superiores às das colegas de classe e obteve um poder que superava até os professores.

Então, a diretora da escola, interessada nas habilidades da Iris, apresentou uma certa pessoa a ela. Essa pessoa era a antiga “Sword Saint”, que se tornaria mestra da Iris.

— Gu-guaaaa!

— Guooooo!

— Quando penso nisso agora, é por causa daquele encontro que eu me tornei a pessoa que sou hoje.

Relembrando sua predecessora, a antiga “Sword Saint”, a Iris cortou os monstros que fugiam.

───Como sua predecessora também era mulher, ela se interessou pela Iris, que também queria seguir o caminho da espada. A Iris tinha talento pra esgrima, então oficialmente se tornou aprendiz, e a partir daí, se dedicou ainda mais à espada.

No entanto, ela não podia negligenciar os estudos, então relutantemente continuou frequentando a escola de moças.

Embora se dedicasse inteiramente à espada, ela foi abençoada com muitas amigas.

As outras estudantes eram todas garotas comportadas que pareciam ter dificuldade com as aulas de autodefesa, mas eram surpreendentemente compatíveis com a Iris. As garotas aprendiam autodefesa com a Iris, e a Iris aprendia a se comportar como dama com elas.

Aos poucos, a mentalidade da Iris começou a mudar. No início, a Iris não tinha interesse em nada além de espadas, mas quando estava perto de se formar, já estava tão interessada quanto qualquer mulher em assuntos como romance e casamento.

Era comum que a existência de conto de fadas de um Holy fosse temida mais do que o necessário pelas pessoas ao redor, mas talvez por ter sido abençoada com o ambiente da academia feminina, a Iris ficou cercada de muitas amigas, o que era incomum pra um “Holy”.

E quando a Iris finalmente se formou na academia, o pai dela não pôde fazer nada a respeito, já que ela tinha superado sua predecessora e assumido o título de “Sword Saint”.

Por mais influência que a família Knowblade tivesse como casa ducal, um “Holy” que lidava com o “Evil”, inimigo do mundo, era tratado com mais importância em alguns países, então o pai da Iris não tinha mais poder ou força pra controlar a vida dela.

Foi por isso que o pai da Iris tinha desistido dela. Ele abandonou a ideia de casá-la com outra família e decidiu não interferir. Isso era exatamente o que a Iris queria.

No entanto, depois da formatura, suas amigas foram se casando uma atrás da outra, e ela se tornou a única solteira restante da turma. Foi aí que ela começou a pensar em casamento pela primeira vez.

Só que, como nunca tinha se apaixonado antes do casamento, ela precisava aprender sobre amor primeiro.

— Não é certo… não era pra ser assim…!

A Iris tinha chegado à virada dos vinte anos. Nesse mundo, era normal que as pessoas se casassem no máximo até o início dos vinte. A Iris não tinha se casado, nem mesmo tido um relacionamento com um homem.

— Fui abordada tantas vezes antes, mas agora ninguém fala comigo… Por quê… por que ficou assim…?

A Iris encarou o chão, num clima sombrio.

Como a Iris disse, ela era abordada com frequência por homens quando era estudante da escola de moças, na rua. Mesmo estando no fim dos vinte anos agora, não havia como a Iris, com sua beleza esmagadora, não ser abordada.

Mas a Iris tinha estabelecido condições pro homem com quem queria sair: ele tinha que ser mais forte que ela, tinha que ter estabilidade financeira, e tinha que ser bonito. …Ela tinha estabelecido essas condições.

Por isso ela recusava todos os homens que a paquerava ou a abordava diretamente sobre um noivado, já que não atendiam a todos os requisitos. E, como resultado──ninguém mais falava com ela, já que ela ficou inabordável.

— E-eu sei que fui muito rigorosa com meus requisitos. Então agora eu mudei de ideia…!

A Iris disse isso num tom impaciente, se justificando pra ninguém em particular.

Então, atrás dessa Iris tão desprevenida, um único monstro se aproximava silenciosamente.

Era uma cobra negra chamada “Assassin’s Snake”, um monstro rank A com um corpo enorme de até cinco metros de comprimento, mas suas habilidades tinham bloqueado completamente o som e a presença dela enquanto se aproximava rastejando.

Era difícil de detectar porque ela usava habilidades pra esconder até o corpo enorme, e muitos aventureiros já tinham caído vítimas dos ataques-surpresa dela.

A Assassin Snake mirava calma e silenciosamente na Iris───.

— Shh!

— Eu não preciso de um homem rico ou bonito; só quero alguém mais forte que eu!

Clank───.

Ilustração

Quando o som metálico nítido foi ouvido de novo, o pescoço e o torso da assassin snake se partiram, e ela morreu. Na mão da Iris, ela segurava a espada de novo.

— Será que existe alguém mais forte que eu…

Embora a Iris tivesse julgado completamente errado qual das condições dela deveria afrouxar, pra ela, querer alguém mais forte que si mesma era inevitável.

Ela cresceu sem saber nada sobre romance, e conforme desenvolvia devaneios de estar apaixonada, ansiava por um príncipe que pudesse protegê-la e salvá-la. A Iris não conseguia abandonar essa fantasia que um dia tinha almejado.

A um tanto decepcionante “Sword Saint” Iris era esmagadoramente forte, mas lutava contra um inimigo poderoso chamado casamento.

***

Depois da luta com o Fist Saint, o Mestre Usagi tinha se recuperado completamente dos ferimentos, em parte graças à habilidade [Sanctuary] do Akatsuki. No entanto, a força física que ele tinha perdido não podia ser recuperada tão facilmente, então ele deu uma pausa no treinamento comigo e foi descansar em algum lugar.

Mesmo assim, eu não podia pular meu treino regular, então continuei meu próprio treinamento com a ajuda da Yuti e do Night.

Se precisasse, eu poderia ter pedido ajuda ao Ouma-san. Ainda assim, como havia uma diferença grande demais de habilidade entre nós, não teria ajudado no meu treino. Mais importante, o Ouma-san não estava muito interessado em me ajudar, pra início de conversa.

Não tô dizendo que ele devia ser meu parceiro de treino, mas teria sido bom se ele pudesse ao menos me dar um conselho sobre onde eu poderia estar deixando a desejar… mas forçá-lo a ajudar também não é uma boa ideia.

Então, depois da luta com o Fist Saint, fui recuperando gradualmente minha compostura e vivendo uma vida equilibrada com a escola. Depois de muito tempo, o Mestre Usagi me visitou.

(Faz tempo.)

— Ah, Mestre Usagi! Faz tempo mesmo. Como você tem passado?

(Sem problema. Meus ferimentos já tinham sarado, pra início de conversa. Só precisava descansar pra recuperar minhas forças.)

— Se for assim, que bom, mas…

Enquanto eu me preocupava se a força dele voltaria tão facilmente assim, a Yuti saiu pro jardim da casa do outro mundo.

— Não se preocupe. Um Holy não é tão fraco assim. Acima de tudo, eles têm um presente do planeta.

— P-presente do planeta?

[N.T.: não sei se devia traduzir como planeta ou estrela, o kanji é Hoshi (星)]

Eu já lido com o Holy e o Evil há um tempo, mas, tendo chegado a esse ponto, dava pra perceber pelo que a Yuti disse que ainda havia algumas habilidades das quais eu não tinha conhecimento. Mas, pra mim, eu prefiro viver em paz sem me envolver.

Lembrei que, quando conheci o Mestre Usagi pela primeira vez, ele me explicou que o título de “Holy” era concedido pelo planeta.

O Mestre Usagi assentiu em resposta às palavras da Yuti.

(Isso. Eu mencionei brevemente quando te conheci. Nós, os “Holy”, somos escolhidos pelo planeta e recebemos o título. E ser escolhido como Holy vem com a obrigação de criar um sucessor. Ao deixar esse sucessor herdar o título, o Holy continua… Bem, alguns não encontraram um sucessor e desapareceram no passado. Assim como o Gilbert, com quem você lidou recentemente… ele não tem discípulos.)

— E-então não vai ter um próximo Fist Saint?

(Não. O Fist Saint desaparecido será selecionado pelo planeta de novo, e o título será dado a essa pessoa. Não sei se alguém vai ser selecionado agora, no entanto.)

— E-entendi…

Enquanto eu assentia às palavras do Mestre Usagi, ele continuou.

(Como você deve imaginar pelo que eu disse até agora, existe uma relação próxima entre nós, os Holy, e o planeta. Por exemplo, recebemos apoio do planeta, ou melhor, benefícios especiais… Um desses benefícios é que a gente recupera nossas forças mais rápido que outros seres vivos. Isso é porque o planeta precisa de nós, os Holy, pra derrotar o Evil. Então, não se preocupe com minha força — ela já voltou ao normal.)

— Entendi…

Fiquei aliviado ao ouvir as palavras do Mestre Usagi, mas então percebi de repente uma coisa.

— …Hã? Nesse caso, que tipo de existência são o Fist Saint e a Yuti, que nos atacaram? Embora a Yuti ainda não tenha se tornado a Bow Saint, ela ainda tem o poder do Evil. E quanto ao Fist Saint, ele tem tanto o poder do Holy quanto do Evil, né? Isso não é uma situação ruim pro planeta?

O Mestre Usagi fez uma expressão amarga diante da minha pergunta ingênua.

(…Seu ponto está correto. Essa situação é perigosa pro planeta. Os Holy, que deveriam combater o Evil, agora estão se voltando contra o planeta e a humanidade.)

— Se for assim, o título de Holy não vai ser retomado pelo planeta?

(Isso é impossível. O planeta pode dar os títulos, mas não pode tirá-los. Eu já te disse isso antes, não disse? Nós, os Holy, somos como os faxineiros desse planeta. E casos como o do Fist Saint são os chamados surtos dessa função. É incontrolável.)

— Eeh…?

Que existência tão inconveniente.

Um portador de Holy é uma força poderosa quando está do seu lado, mas um incômodo quando é inimigo, e você nem consegue tirar o título dele.

— …Também, eu tava pensando numa coisa, quando o Holy luta contra o Evil, os status dobram, né? Quando você lutou com o Fist Saint, seu status aumentou?

Diante da minha pergunta, o Mestre Usagi soltou um suspiro cansado.

(Eu queria que fosse esse o caso…)

— Hã?

(…Em outras palavras, meu status ficou pela metade.)

— Eeehhhh?

Fiquei surpreso ao ouvir a observação inesperada do Mestre Usagi.

Então, a Yuti inclinou a cabeça, intrigada.

— Pergunta. Isso também é igual a quando você lutou comigo?

(Sim, isso mesmo. Nós, os Holy, só temos nosso status desbloqueado quando lutamos contra o Evil. Em outras palavras, se nosso oponente for um Holy, ou se ele adquiriu só uma parte do poder do Evil, nosso status não será desbloqueado. A única vez que ele pode ser desbloqueado é quando eu tô lutando contra o Evil de verdade.)

— …..

Eu não conseguia dizer mais nada. Embora seja possível ganhar poder do planeta, ainda é muito difícil, né…?

Não, sem esse tipo de restrição, quando alguém como o Fist Saint aparece com o status desbloqueado, não tem como alcançar o nível dele.

O motivo pelo qual o Mestre Usagi foi derrotado pelo Fist Saint provavelmente foi que o status do Mestre Usagi ficou pela metade, enquanto o Fist Saint conseguia emprestar o poder do Evil.

O Mestre Usagi me olhou com olhos sérios enquanto eu pensava que seria ruim se houvesse cada vez mais situações em que um ser Holy como o Fist Saint ganhasse o poder do Evil.

(E também, Yuuya)

— S-sim.

(──Então você obteve o poder do Evil de verdade.)

— Hã?

Fiquei surpreso com a afirmação inesperada. A Yuti também ficou espantada com as palavras do Mestre Usagi.

— Negação. Isso não está certo. O poder do Evil dentro do Yuuya era originalmente meu. Em outras palavras, é só uma parte do poder do Evil.

(…Eu também pensei isso. No entanto, o poder que emanou do Yuuya naquela hora era tão denso e poderoso que não podia ser descrito como só uma parte emprestada do Evil. Dá pra dizer que o poder do Evil se assimilou completamente com ele.)

— Hmm…

(Em outras palavras, é um poder da mesma qualidade do Evil que eu enfrentei uma vez. No caso com a Yuti, era como se o poder do Evil estivesse misturado. Mas no seu caso, seu corpo inteiro estava preenchido com o poder do Evil.)

Eu tinha ouvido sobre o que aconteceu, pela Yuti e pelo Mestre Usagi, durante o ataque do Fist Saint.

É difícil de acreditar, mas parece que eu, com o poder do Evil descontrolado dentro de mim, derrotei o Fist Saint. Mesmo que tenham me contado a situação, eu não me lembro de nada daquela hora…

E esse poder descontrolado era o próprio poder do Evil. E parece que o poder do Evil que eu tirei da Yuti tinha ficado mais forte. Mesmo que isso tenha sido explicado pra mim, não fazia sentido.

Então, de repente, ouvi a voz do Evil dentro de mim, que eu não ouvia desde a luta com o Fist Saint.

— Fuwahh… dormi bem…

— Ah!

— ?

(O que foi?)

Ao levantar a voz, a Yuti e o Mestre Usagi me olharam curiosos.

Contei a eles que o Evil dentro de mim tinha acabado de acordar, e o Mestre Usagi sugeriu que eu perguntasse a ele sobre minha luta com o Fist Saint.

— Hum, bom dia.

— Ah? Ohh. Achei que você ia tá mais exausto! Hahaha. Então, o que foi? Agora que eu olho de perto, vejo que o Kicking Saint e até meu antigo hospedeiro estão aqui.

— Não, outro dia, o Fist Saint me atacou, né? Parece que o poder que se manifestou naquele momento não era igual ao que foi com a Yuti; era mais parecido com o próprio poder do Evil do que com o seu poder. Você sabe alguma coisa sobre isso?

— Ah, é disso que se trata… É simples. O motivo é que seu coração era branco demais.

— Hã?

Essa é a primeira vez que ouço uma coisa dessas.

— O-o que você quer dizer com “branco demais”…?

— Eu não disse isso antes? Eu tentei tomar seu corpo, mas seu coração era branco demais pra eu conseguir. Mas aí você viu aquele desgraçado do Kicking Saint apanhando do Fist Saint, e você ficou com raiva.

— Eu fiquei com raiva? Aquilo foi imperdoável na hora, então…

— A raiva que você sentiu naquele momento era tão negra que superou até o desejo de vingança da Yuti. Aquele coração negro até me engarrafou e certamente criou o poder do Evil em você. Em outras palavras, você é a causa. No entanto, uma pessoa comum nunca conseguiria criar o poder do Evil só com raiva. É aí que minha existência entra como catalisador.

— Eeh?

— E também é ótimo que você tenha essa aptidão pro Evil. É incomum uma pessoa gerar esse tipo de emoção e ser compatível com o Evil, sabia? Na maioria dos casos, você acabaria tendo o coração engolido pelo Evil, do jeito que está.

— S-sério…?

Aparentemente, o poder do Evil residindo dentro de mim e minha raiva causaram uma reação química que resultou numa manifestação completa do Evil. Além disso, parece que eu consegui me adaptar ao Evil.

Mas por que eu era compatível com o Evil?

Enquanto pensava nisso, de repente me lembrei da habilidade [Endurance] que eu tinha originalmente. Fiquei imaginando se isso era um efeito dessa habilidade.

Quando o Mestre Usagi ouviu minha explicação, ele franziu o rosto.

(…As coisas ficaram complicadas, não é?)

— Então… o que eu devo fazer?

(Você não tem escolha a não ser dominar esse poder. Se não, você vai virar um alvo pra nós, os Holy, derrotarmos.)

— Eeh? Isso seria um problema!

Não tem graça nenhuma me ver envolvido nesse conflito, e depois ser derrotado.

O Mestre Usagi soltou um grande suspiro diante da minha reação em pânico.

(Suspiro… O treino de agora em diante vai ser pra você dominar esse poder. Uma das tarefas é interagir com o Evil dentro de você… mas parece que você já consegue lidar com isso, aparentemente.)

— Bem, sim, acho que sim. Né?

— Keh… você tem conversado sozinho comigo o tempo todo, não é?

O poder do Evil, chamado por mim, respondeu de um jeito indiferente. O Mestre Usagi e os outros estão observando a conversa entre mim e o poder do Evil. Bem, eu sou o único que consegue ouvir a voz do poder do Evil, no entanto.

— Hmm… mas o Mestre Usagi tem razão, se eu vou me comunicar com você, eu preciso de um nome pra você também, né?

— Oh? Um nome?

— Sim. Bem, não é certo ficar te chamando de poder do Evil toda hora, né?

Como entidade, é um pedaço do poder do Evil dentro de mim, mas contanto que a gente consiga se comunicar assim, acho melhor ter um nome.

Vai facilitar a comunicação…

— Então, você se importa se eu te der um nome?

— …Keh. Fica a seu critério.

Continua indiferente, mas não me rejeita, então talvez não me odeie tanto assim.

Agora, quando se trata de dar um nome… vai ser aquilo.

Eu tive uma imagem forte dele quando o vi pela primeira vez. Fiquei incomodado com várias coisas, mas ainda não conseguia tirar aquela primeira imagem da cabeça.

— Hmm… que tal Kuro?

— Hã? Kuro?

— Sim. Porque quando te conheci pela primeira vez, você era uma versão negra da Yuti.

Quando eu disse isso, tanto a Yuti quanto o Mestre Usagi me olharam surpresos. Ha-hã?

— Surpresa. É simples demais.

(…Como esperado, isso é um absurdo.)

— I-isso é só isso mesmo!

…Não, a reação deles é normal. É simples demais, e é só uma cor.

— Desculpa, acho que é──.

— Tá bom assim. Kuro, hein? É fácil de entender.

— Eeh? Tem certeza?

— …É decisão sua, não minha.

Não acredito que o poder do Evil──o Kuro, aceitou de um jeito tão direto assim.

Então, o Kuro disse com uma cara de espanto.

— É melhor do que receber um nome pomposo. Isso me enjoa.

— É-é assim?

Enquanto eu inclinava a cabeça confuso, a Yuti e o Mestre Usagi abriram a boca.

— Sugestão. O nome deveria ser “Toto Schwarzer”. Está decidido.

(Ha. Você não sabe do que tá falando, né, garotinha? Claro, eu prefiro Jiromaru.)

— …Kuro é a escolha perfeita — disse o Kuro imediatamente.

— S-sério?

Parece que o Kuro não gostou dos nomes que a Yuti e o Mestre Usagi propuseram. Acho que os dois são mais elaborados que o meu, no entanto. Não tenho certeza de qual é o significado do nome que a Yuti deu.

(Hmm. Tô um pouco insatisfeito, mas parece que um nome foi decidido.)

— Ah, sim.

(Então, vamos começar o treino agora mesmo. Libere o poder do Evil.)

— Hã?

Soltei uma exclamação boba diante da observação inesperada do Mestre Usagi. Quando olhei de perto, vi que a Yuti também estava surpresa.

— Aviso. O poder do Yuuya é perigoso. Se você liberar sem cuidado, vai…

(É por isso que você tem que se acostumar com regularidade. Não sou só eu agora; você também tá aqui. A situação também é diferente de quando o Fist Saint atacou, então não vai chegar a uma liberação completa como daquela vez.)

— É-é assim?

Enquanto eu inclinava o pescoço, o Kuro me elogiou preguiçosamente.

— Não se preocupe. Diferente daquela vez em que você me aceitou, você já deve conseguir usar um pouco do poder do Evil até certo ponto agora. Naquela hora, eu era o catalisador, e foi como se você mesmo tivesse criado o Evil. Se é um poder que você mesmo criou, seu corpo vai naturalmente saber como liberá-lo.

— É-é assim…?

— E mesmo se você liberar, você não tem nenhuma emoção negativa em você agora que possa ser usada como energia pro Evil. Não vai sair do controle.

Além de liberar o poder do Evil à vontade, parece que não preciso me preocupar com ele saindo do controle.

— Nesse caso, por favor me ajude no treino.

(Hmm. Deixa comigo. Vou com mais força que antes.)

— Por favor, vai com calma comigo…

Com a ajuda do motivado Mestre Usagi e da Yuti, comecei a treinar a sério pra dominar o poder do Evil.

***

— …Agora, eu me pergunto quanto tempo vai levar pro Yuuya dominar o poder do Evil.

Quando o Yuuya começou a treinar com o Mestre Usagi, o Ouma, que tirava uma soneca na casa na Terra, abriu um olho e murmurou.

— Nossa… Holy, Evil, e toda essa bobagem. É problema demais pro Yuuya, que tem que treinar pra lidar com o poder extra que adquiriu.

— Woof?

O Night, que também descansava na casa na Terra, inclinou a cabeça em resposta ao murmúrio do Ouma.

— Tô com pena do Yuuya, que ficou enrolado nessas coisas no outro mundo, mesmo pertencendo a esse mundo chamado Terra, onde não existe Holy nem Evil.

— Woof… woof.

O Night fez um pequeno gesto pensativo e depois assentiu em concordância com as palavras do Ouma.

— Não acha, Night? Os Evil também são existências problemáticas. Se eles tão atacando pra tentar controlar o mundo… vamos só destruir o planeta inteiro.

— Woof.

Enquanto o Night latia com força como se quisesse dizer que isso não presta, o Ouma soltou um suspiro de aborrecimento.

— Não fica tão bravo assim. É só uma brincadeira. O Yuuya não ia querer isso… e, mais importante, aquele cara também não ia querer.

Dizendo isso, o Ouma olhou pra longe, pensando no Sábio, que não estava mais nesse mundo.

Então, interrompendo a conversa sombria, o Akatsuki, que dormia, acordou com a barriga exposta.

— Fugo… fugo?

— Hmm? Então você também acordou, Akatsuki?

— Fugo… Buhi. Buhi…

O Akatsuki acordou e pensou que devia se levantar, mas então percebeu que o Yuuya não estava em casa e voltou a dormir.

— …Esse aqui realmente tem o próprio ritmo, hein. Não seria melhor se o Yuuya fosse um pouco mais como o Akatsuki?

— W-woof…

O Night não conseguiu dizer nada às palavras do Ouma.

— Bom, tudo bem. O Yuuya também acabou de começar o treino dele, então eu também vou tirar outra soneca──.

No momento em que o Ouma ia dizer isso.

— ───Hmm?

— Woof?

O Ouma de repente se sentou, com uma expressão inexplicável no rosto, e encarou a porta da frente. Mas os olhos dele pareciam fixos na própria Terra, mais do que na porta da frente.

O Night inclinou a cabeça intrigado com o comportamento do Ouma.

Ilustração

— Você não percebeu, Night?

— Woof…

— …Hmm. Deve ser difícil pro Night de agora. Acho que você vai descobrir quando crescer…

Dizendo isso, o Ouma voltou a atenção pra Terra.

(…Senti uma presença fraca de Evil vindo desse mundo chamado Terra… mas não parece ser o poder do próprio Evil… De qualquer forma, é estranho que um ser desses esteja nesse planeta. Nunca senti nada assim antes.) — disse o Ouma pra si mesmo.

O Ouma tinha sentido uma presença fraca de Evil vinda da Terra.

Por que existe uma presença de Evil vinda da Terra? Além disso, de onde veio essa presença de Evil…? Foi um evento instantâneo, então nem o Ouma sabia.

(Eu não imaginei isso… senti de verdade, mesmo que fracamente. Mas a presença dela já desapareceu completamente agora… Hmm. Não entendo.) — continuou o Ouma.

Embora tenha pensado nisso, o Ouma não tinha como confirmar a situação, já que o Yuuya tinha dito pra ele não sair de casa, porque não existem dragões na Terra.

— É bem inconveniente em horas assim. Por que eu não saio sem contar pro Yuuya?

— Woof!? Woof!

O Night, assustado com as palavras do Ouma, correu pra impedi-lo, e o Ouma soltou um suspiro.

— Suspiro… Brincadeira, brincadeira. Não vou fazer nada do tipo. Mas você também devia estar ciente da minha vontade de sair pra lá.

— W-woof.

Diferente de si mesmo, o Ouma não tinha permissão de sair livremente da casa na Terra, então o Night não conseguiu dizer mais nada. Não é culpa do Night, mas vendo que ele estava emburrado, o Ouma sorriu amargamente.

(Nossa… ele é tão fofo e obediente, mesmo sendo um Black Fenrir, uma raça lendária que rivaliza com a minha. Mas… será que eu devia contar pro Yuuya que senti uma presença de Evil vinda da Terra?) — disse o Ouma.

Esse foi o momento em que o Ouma pensou isso.

Blim, blim

— Mmm! Hora de comer!

O relógio tinha acabado de tocar pro almoço, e a atenção do Ouma foi direto pro almoço.

Pro Ouma, que não conseguia dar uma volta pela Terra, comer era uma das poucas coisas que permitia experimentar o outro mundo, e por isso ele esperava a hora da refeição mais do que qualquer outra coisa.

Por causa disso, os pensamentos sobre a presença de Evil que ele tinha sentido na Terra escorregaram completamente da mente do Ouma. Do ponto de vista do Yuuya, isso era um grande problema, mas do ponto de vista do Ouma, não importava onde o Evil aparecesse; ele estava mais interessado na comida.

Essa era a diferença de prioridades entre o Yuuya e o Ouma, que era um poderoso absoluto.

— Fumu. Qual é a refeição de hoje? Quero comer curry depois de tanto tempo.

O Ouma disse isso e foi apressar o Yuuya a cozinhar com um olhar animado.

──Como isso vai afetar o Yuuya… ninguém sabe ainda.

***

Fazia alguns dias desde que comecei a treinar o poder do Evil com a ajuda do Mestre Usagi e da Yuti. Era verdade que eu conseguia liberar o poder do Evil, como o Kuro tinha dito. Ainda assim, não era fácil ajustar a potência como eu queria, ou melhor, ajustar o poder.

Quando eu liberava o poder do Evil, meu status certamente aumentava, e eu conseguia soltar ataques com um poder tremendo.

Mas era poderoso demais, e eu ficava sobrecarregado por ele. Se eu fosse lutar na cidade, como da vez que conheci a Yuti, o dano pras pessoas ao redor seria tremendo.

Além disso, o poder do Evil não podia ser liberado por um longo período. Durante o treino, quando estávamos treinando em dupla, o poder do Evil era cortado de repente, e a luta terminava de repente num estado normal.

Quando eu tinha o poder do Evil, conseguia lutar de igual pra igual com o Mestre Usagi, mas eu apanhava sem dó assim que perdia meu poder.

A propósito, quando perguntei ao Mestre Usagi se ele podia dobrar o status dele quando lutava comigo, porque meu poder vinha do Evil. Ele disse que conseguia ajustar o status dele, então quando lutava comigo, lutava com o status normal.

O motivo pelo qual ele ainda assim me batia era puramente por causa da enorme diferença de nível e da grande diferença de status entre nós.

E mesmo agora, usando o poder do Evil, eu estava num confronto equilibrado com o Mestre Usagi.

— Haah!

(Hmph!)

Meu chute, revestido pelo poder do Evil, foi varrido pelo chute do Mestre Usagi como um salgueiro macio, e ele contra-atacou.

A propósito, quando eu usava o poder do Evil, uma aura negra transbordava do meu corpo, e meus olhos mudavam pra vermelho.

— Ei, ei, ei, você tá conseguindo.

— Eu sei!

E quando eu uso o poder do Evil, peço ajuda ao Kuro. O Kuro controla o poder do Evil dentro de mim, então de alguma forma eu consigo controlá-lo.

Ou como eu devia dizer isso? O Mestre Usagi é um monstro. Afinal… todos os meus ataques são bloqueados! No entanto, observando os movimentos do Mestre Usagi, tenho conseguido me adaptar às técnicas dele aos poucos.

Não tenho certeza, mas ultimamente tenho conseguido acompanhar os movimentos do Mestre Usagi e da Yuti com os olhos. Será por quê?

Enquanto eu continuava esses treinos, de repente senti como se tivesse esquecido de algo importante.

Hã? O que era?

Então, o Mestre Usagi, percebendo que eu estava distraído, intensificou os ataques.

(Pensar em outra coisa enquanto você tá treinando, que audácia a sua, hein…!?)

— Hã? I-isso… Uou!?

Enquanto lidava com o ataque do Mestre Usagi, meus pensamentos ainda lutavam pra lembrar o que eu tinha esquecido.

O que… eu tô esquecendo?

Conforme minha mente trabalhava freneticamente, finalmente me lembrei do que tinha esquecido!

— Ah…. aaaaah! Eu vou ter uma prova em breve!

Isso escapou completamente da minha cabeça! Eu tenho me preparado e revisado todo dia, mas…

— N-não é bom! Eu tenho que estudar pra minha prova…!

(Concentre-se no seu treino.)

— M-mas, se eu não estudar pra prova, não vou conseguir me concentrar no treino──.

(Cala a boca.)

— Guh?

Por fim, fui atacado pelo Mestre Usagi e arremessado longe.

— Eu… eu tenho que estudar…

Ao dizer isso pela última vez, perdi a consciência.

──Não sei se posso dizer que as coisas estão indo bem… mas meu treino pra lidar com o poder do Evil continua.


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