Capítulo 2 – To The Sea With Everyone
Consegui convencer o Mestre Usagi a me deixar estudar e me preparar a sério pra prova, do jeito que eu queria. E hoje era o último dia das provas regulares.
— A-acabou!
A Kaede gritou numa voz que dava pra ouvir na sala inteira enquanto se espreguiçava com toda força depois de entregar a última prova. Enquanto ela fazia isso, tentei ao máximo desviar o olhar do peito da Kaede.
Quando olhei de perto, vi que os outros garotos estavam encarando a Kaede. Será que tá tudo bem olhar tanto assim pra ela…? Ela vai ficar brava…
Enquanto pensava nisso, a Rin se aproximou da Kaede.
— Ei, Kaede? Quer dizer, como já era de se esperar, seu “serviço” é bom demais, né?
— Fuee? Serviço?
— Seus peitos.
Como a Rin apontou, a Kaede checou devagar sua situação.
E então…
— ~~!
O rosto dela ficou vermelho vivo, e ela parou imediatamente de se espreguiçar. Vendo isso, dava pra ouvir as vozes descaradamente decepcionadas dos garotos ao redor.
— Ah…!
— Aquela Kanzaki, ela fez uma coisa desnecessária…!
— Foi um Shangri-lá momentâneo…
— ──Garotos, eu consigo ouvir tudo, sabia?
Assim que a Rin disse isso com as veias saltadas, todos os garotos endireitaram a postura na hora. E-eles são tão fáceis de entender…
A Kaede, que percebeu que eu tava observando a troca entre eles, veio até mim, ainda com as bochechas vermelhas.
— C-como foi sua prova, Yuuya-kun?
— Hã? Ah, é. Fiquei pensando se consegui refletir direito o que estudei…
— É assim? …Pedi pra Rin-chan me acompanhar nos estudos. E aí caiu um monte de questão que a Rin-chan previu!
— Eh, isso é ótimo!
Quando as palavras da Kaede me fizeram virar o olhar involuntariamente pra Rin, ela estava coçando a cabeça sem jeito.
— Não é grande coisa. Qualquer um consegue fazer previsões se souber as características do professor.
— …Isso definitivamente não é verdade.
— Eu também não acho que seja assim tão fácil…
Pra início de conversa, o que significa entender as características do professor?
Bem, eu não sou muito bom nisso pra início de conversa, então estudei toda a matéria da prova.
Ainda assim, talvez por ter subido de nível, minha memória definitivamente tava melhorando. Também, minha visão tinha ficado melhor. As coisas que eu tinha estudado fluíam instantaneamente pra minha cabeça… O que é isso? Essa sensação.
Antes de subir de nível, eu nem conseguia aprender nada estudando.
Enquanto pensava nisso, os outros que andavam comigo, tipo o Ryo e o Shingo-kun, se reuniram ao redor.
— Oh, todo mundo tá aqui.
— Ei, como foi a prova de todo mundo?
— Bem, acho que fui melhor do que esperava.
— Eu também não tive problema nenhum.
— Acho que tô bem, mas… não, eu quero pensar que tô bem.
— Não, eu ajudei você a estudar, então não fala umas coisas tão dó assim…
A Rin olhou pra cara relutante da Kaede com um olhar de espanto.
Enquanto eu sorria amargamente pra essa interação, percebi que a Yukine, que sentava do meu lado, tava meio zonza.
— Hmm? O que foi, Yukine?
— …Só tô cansada…
— É-é assim? …A propósito, como foi sua prova?
— …Eu só quero pensar nas coisas divertidas da vida agora.
Em outras palavras, não foi tão bem assim.
Enquanto tínhamos essa conversa, os outros alunos estavam indo pra casa ou pras atividades de clube.
— Ah, a propósito… a Kaede tá bem com as atividades do clube dela?
Quando o Ryo perguntou isso de repente, a Kaede assentiu.
— Sim. As atividades do clube começam amanhã mesmo.
— Ah é, e como tá sua atividade de clube, Yukine?
— Hã? A Hyoudou tem atividade de clube?
O Ryo olhou pra Yukine surpreso… a Yukine entrou pra um clube. Que tipo de clube é? Vai ser o clube de música leve?
— …Hmm. É o clube de pesquisa do oculto.
— Você foi pra um clube inesperado!
No entanto, a Kaede e a Rin pareciam já saber disso e não pareceram particularmente surpresas.
— …Hoje eu tô livre de qualquer atividade de clube. E também não trouxe nenhum livro de experimento hoje.
— V-você tem que ter muito cuidado com isso…
Por algum motivo, a Kaede disse isso pra Yukine com um tique na bochecha. Será que aconteceu alguma coisa com elas?
— Bom, é isso mesmo! Agora que a prova acabou, as férias de verão já tão chegando!
— Ah, é verdade.
— …Andei com a agenda cheia de provas ultimamente.
— É, isso aconteceu comigo também!
— …Kaede e Yukine, vocês deviam dedicar mais tempo aos estudos.
— Ahahaha…
Percebi pelas palavras da Kaede que as férias de verão realmente estavam chegando.
Dito isso, eu não tenho nenhum plano em particular… e se eu tivesse que escolher uma atividade, seria passar mais tempo no outro mundo. Quero conferir toda a área do Great Devil’s Nest o quanto antes.
Enquanto eu pensava nisso, a Kaede sugeriu com os olhos brilhando.
— Então por que a gente não se diverte todo mundo junto! Também tem o festival de verão, né?
— Tudo bem, mas você sabe que as férias de verão não são só sobre brincar, né?
— Hã? Não é?
— …Você tem um problema sério aí.
— U-um… a gente tem que fazer o dever de casa de verão também, né?
— ““Argh!””
— E ouvi dizer que tem bastante coisa.
— ““Uh!””
A Kaede e a Yukine ficaram pasmas com as palavras do Shingo-kun e da Rin. Eh, elas realmente achavam que não existia essa possibilidade? …Não, acho que algumas escolas não têm mesmo.
As duas perceberam que não ia ser só umas férias de verão divertidas. Enquanto ficavam brancas feito cinzas queimadas, a porta da sala abriu inesperadamente.
— ──Com licença, o Yuuya-san tá aqui?
— Hã? Ah, Kaori?
— Ah, Yuuya-san!
Quem veio até a sala foi a Kaori. Assim que a Kaori percebeu minha presença, veio direto até mim.
— Ainda bem que você não foi embora ainda.
— Bem, é. Precisava de mim pra alguma coisa?
— Isso mesmo! E já que todo mundo tá aqui… é perfeito.
Todo mundo parece estar curioso sobre isso.
Quando todo mundo inclinou a cabeça diante das palavras da Kaori, ela sorriu.
— Sim! Agora que a prova acabou, as férias de verão logo vão chegar. Então, se vocês não se importarem, pensei em convidar todo mundo pro meu resort de férias da família…
— Um resort de férias? — disseram todos em uníssono.
Ficamos surpresos com o convite inesperado, levantando a voz. R-resort de férias, ela disse? …A propósito, eu quase tinha esquecido que a família da Kaori é rica.
— O resort de férias da minha família tem uma praia perto, e fiquei pensando se vocês gostariam de vir comigo…
— Sério? Aay! É praia, praia!
— I-isso seria ótimo pra gente, mas…
— É isso mesmo!
— …Mas, tá tudo bem?
— Claro! Vocês têm me tratado tão bem…
— Como assim… te tratado bem?
— É-é. Eu nem lembro de ter feito muita coisa por você…
— Claro que não! Vocês todos me convidaram pra brincar com vocês, e agora eu quero convidar vocês pra brincar comigo também!
Não é que a Kaede e os outros tivessem algum motivo específico pra isso; eram só amigos normais e vinham convidando as pessoas pra brincar até agora. A Kaori nunca tinha tido a chance de sair com alguém da idade dela, então essa era uma experiência nova pra ela e a deixava feliz.
Então o Ryo, que observava a reação da Kaori e dos outros, coçou a bochecha como se estivesse encabulado.
— Ah…, um, tudo bem se a gente também for?
— Claro. A gente já brincou junto antes! Então por favor, venham também, Ryo-san e Shingo-san.
Em resposta às palavras da Kaori, o Ryo e o Shingo também foram convidados.
— Então, vou avisar vocês quando decidirmos os detalhes.
A Kaori disse isso e saiu da sala.
Quando a Kaede a viu partir, gritou de alegria.
— ~~! Aay! A gente vai todo mundo pra praia junto! Né?
— B-bem, eu não esperava que a Kaori-san fosse me convidar também…
— É verdade. Mas já que estamos aqui, vamos nos divertir!
— Isso!
Enquanto a Kaede ficava animada com as palavras do Ryo, a Rin deu um sorriso maroto.
— Mas vocês têm que fazer o dever de casa antes de poder brincar.
— ““Argh!””
As palavras da Rin pareceram ter efeito na Yukine também, que gemeu junto com a Kaede.
***
Depois de sermos convidados pro resort de férias da Kaori, decidimos uma data que funcionasse pra todo mundo, e finalmente entramos nas férias de verão.
E agora estávamos em frente ao resort de férias da Kaori.
— T-tão grande…
— Não, eu só conseguia imaginar do tamanho da escola…
— É-é. Quando vi pessoalmente, foi só…
O Ryo, o Shingo-kun e eu ficamos estupefatos ao ver o resort de férias onde ficaríamos hospedados.
O resort de férias pro qual fomos convidados era uma cabana de tronco construída cercada de natureza, num dos lugares mais populares pra gente rica construir resorts de férias. No entanto, a cabana tinha ar-condicionado completo, e até tinha lojas de conveniência e supermercados por perto, então acho que era um lugar maravilhoso pra ficar.
E, acima de tudo, tinha──.
— Uau! Praia, é a praia, Rin-chan!
— Sim, sim, eu vejo.
— …Hmm, a vista é linda.
Tinha uma praia de banho, a uma curta caminhada da cabana. Os olhos da Kaede brilharam olhando pra praia, e a Kaori, que estava preparando a cabana, veio com um sorriso.
— Fico feliz que vocês tenham gostado.
— Claro que sim!
— …Obrigada.
— Fufufu… vou mostrar os quartos de vocês, então por favor me sigam com a bagagem.
— Siiim! — disseram todos.
A Kaori nos convidou pra entrar na cabana.
Naturalmente, os quartos eram separados pra homens e mulheres, mas o quarto onde nós, garotos, dormíamos era tão espaçoso que tinha bastante espaço pra nós três dormirmos juntos. O quarto das garotas devia ser bem espaçoso também.
…Ou melhor, agora que percebi isso, não acredito que vou passar um tempo debaixo do mesmo teto com garotas…
Claro, tem a Yuti morando na minha casa agora, mas eu ainda nem me acostumei com isso.
Nessa situação, ainda não acredito que vou ter uma “pijama party” particular com outras garotas assim.
Enquanto eu colocava minha bagagem no quarto e dava uma respirada, a Kaede e os outros vieram pro quarto dos garotos.
— Vamos! Pessoal! A gente vai pra praia!
— V-você tá bem animada, hein, Kaede-san…
— Óbvio, Shingo-kun! Eu tava esperando esse dia!
— Bem, ela até se esforçou de um jeito incomum no dever de casa das férias de verão.
— …Não quero nem lembrar disso. Mas eu me esforcei ao máximo.
Como a Rin disse, cada um de nós terminou o dever de casa das férias de verão cedo pra esse dia.
Sempre fui do tipo que termina o dever de casa cedo, mas a Kaede e a Yukine eram diferentes; elas quase morreram fazendo o dever antes de vir pra esse lugar.
— Certo, então, vamos nos trocar rápido e ir brincar na praia logo, tá?
— Isso! É por isso que a gente vai trocar de roupa!
Depois de dizer isso, a Kaede e os outros voltaram pro quarto das garotas.
Então uma das garotas, a Kaori, ficou pra trás e me chamou.
— Um, Yuuya-san.
— Hmm? O que foi?
— Por falar nisso, tá tudo bem com a Yuti, o Ouma-san e os outros?
— Ah…
Sorri amargamente diante das palavras da Kaori.
— A Yuti disse que prefere não participar. Ela não gosta de ficar perto de muita gente.
— Isso também é verdade… Então, será que incomodou ela quando sugeri que ela se transferisse pra escola?
— Ah, sem problema! Aparentemente, ela tá se divertindo na escola e fazendo amigos.
— Fico feliz de ouvir isso!
Parece que a Yuti tinha feito amigos na escola, o que foi um alívio pra mim. Ela até prometeu sair com as amigas dela durante essas férias de verão.
— Também, o Ouma-san disse que tá se abstendo pelo mesmo motivo que a Yuti.
— É assim?
— É. Só que eu tenho que preparar comida pro Ouma-san, o Night e o Akatsuki, então tenho que voltar usando magia pra isso.
— …Sério, a magia do Yuuya-san é bem útil.
A Kaori sorriu amargamente diante das minhas palavras. Como a Kaori disse, a magia de teletransporte é bem conveniente. É por isso que preciso ter cuidado pra não ser visto por outras pessoas.
Depois de ouvir minha explicação, a Kaori voltou pra se trocar com a Kaede e os outros, e eu troquei pro maiô que tinha preparado pro dia e fui pra praia com o Ryo e os outros.
***
— Oh, tá tão cheio.
— É-é.
— Será que a gente acha um lugar?
O Ryo, o Shingo-kun e eu chegamos na praia antes dos outros, carregando guarda-sóis nas mãos e procurando um lugar vago. Mas como a temperatura tava alta e era um dia perfeito pra nadar, tinha muita gente.
— Hmm… Ah, tá um pouco longe, mas não seria um bom lugar ali?
O lugar que o Ryo apontou realmente ficava um pouco longe da multidão, e tinha um espaço disponível.
— Bom então, Yuuya. Tá um pouco longe, mas é um bom lugar.
— Hã? Claro, mas… precisam de ajuda?
— Eu e o Shingo conseguimos montar isso sozinhos.
— É-é. Então, Yuuya-kun, por que você não vai chamar a Kaede-san e os outros?
— Tá bom.
O Ryo e o Shingo-kun me pediram pra ir buscar a Kaede e os outros.
— Mesmo assim… será que eu tô estranho?
Quando disse isso, olhei pra minha aparência. O único maiô que já tive foi o que uso nas aulas da escola.
Quando conversei com o Ryo e os outros sobre isso, eles disseram que eu devia ter um maiô pra me divertir, então decidi exagerar um pouco e comprar um… Graças aos materiais que consegui no outro mundo, ganhei um dinheiro quando troquei por dinheiro de verdade. É meio que um luxo.
Enquanto checava minha aparência, de repente percebi que as pessoas ao redor estavam olhando pra mim.
— …Aquele cara não é bonito demais? Será que a gente vai falar com ele?
— É. Mas acho que já vi ele em algum lugar antes… Ah! Não é aquele cara que apareceu numa revista antes?
— Isso mesmo! Uau… eu achei que as fotos fossem editadas, mas ele parece muito bonito de verdade…
— Quer dizer, olha esse tanquinho! Não é incrível? Tá tão definido!
— Hmm, esses músculos são muito bons mesmo. Bem treinados de verdade.
— Esse tanquinho parece barra de chocolate! Dava pra ralar rabanete nesses oblíquos!
…Eu ouço umas vozes estranhas, mas provavelmente é só imaginação minha.
Enquanto me sentia estranhamente desconfortável e esperava a Kaede chegar, de repente ouvi uma voz me chamando.
— U-um…
— Sim?
Quando virei o olhar em direção à voz, vi várias mulheres desconhecidas paradas ali.
— P-posso ajudar?
Quando perguntei, fiquei tão nervoso que fiquei sem palavras, e elas se entreolharam.
— Eu sabia!
— Sim! …Um, você é aquele que apareceu na revista com a Miu-chan antes, né?
— Eh? Ah… sim. Isso mesmo, mas…
— U-um! Posso tirar uma foto com você?
— F-foto?
Por que elas querem uma foto minha?
Enquanto eu ficava em pânico, as mulheres encurtaram a distância entre nós e tiraram os celulares pra tirar uma foto comigo.
— Um, obrigada!
— Eh, não, é…
Depois de tirar as fotos, as mulheres saíram parecendo felizes, embora eu não fizesse ideia do porquê. Ah, acho que é isso que chamam de chegar feito uma tempestade e sair feito uma tempestade…
Enquanto as observava indo embora meio zonzo, ouvi a voz da Kaori.
— Yuuya-san!
— Hã? Ah, Kaori…!
Então vi a figura da Kaori e fiquei paralisado. Ela estava usando um maiô branco fofo e um moletom com capuz, e quando percebeu minha presença, desviou o olhar timidamente.

— U-um… meu maiô… não tá estranho…?
— Hã? N-não! De jeito nenhum! Fica ótimo em você! Combina muito com você!
Fiquei tão nervoso que nem sabia o que estava dizendo, mas a Kaori sorriu feliz diante das minhas palavras.
— É-é assim… Fico tão feliz que o Yuuya-san disse isso.
— …..
Isso não é bom. Até vir pra cá, eu tava completamente desatento ao fato de que… brincar na praia significa que todo mundo vai estar de maiô! Isso mesmo! Elas disseram que iam trocar de roupa, né?
Por causa das aulas da escola, eu não pensava nada sobre isso, mas depois de pensar bem, percebi que é assim que as mulheres se vestem com maiôs bonitos.
…Hã? Isso significa que───.
— Ah, Yuuya-kun! Ooii!
— Fuh… tá tão quente lá fora!
— …Sinto que tô derretendo.
Depois da Kaori, a Kaede e os outros vieram até mim, apesar do meu nervosismo e rigidez.
A Kaede usava um maiô fofo com babados e um short curto, a Rin usava um maiô esportivo preto, e a Yukine usava um maiô tipo jardineira e carregava uma boia.
Cada uma delas estava ótima… O-o que eu devo fazer? Não sei onde colocar os olhos. Todas são muito atraentes, então tive dificuldade em achar um lugar pra olhar.
— E-ei, olha ali…
— Uau! O nível delas é alto demais!
— Será que dá pra falar com elas?
— Não, elas são amigas daquele cara, né?
— T-tenho tanta inveja!
Os homens ao redor admiravam a Kaori e os outros de maiô. Quando olhei de perto, vi que algumas mulheres também as admiravam. Elas são bonitas até do ponto de vista de uma mulher…
A visão da Kaori e dos outros me fez sentir algo irreal, e não consegui evitar pensar isso enquanto olhava pra longe.
Então, a Kaede espiou meu rosto curiosa diante da minha situação.
— Yuuya-kun? O que foi?
— Hã? Ah, não, não é nada!
— Sério? Então, um… o que você acha de mim?
— Uee? Fica ótimo em você! É-é sério!
Quando a Kaede me perguntou isso, minhas bochechas ficaram vermelhas, e respondi com a voz rouca.
— É mesmo? …Entendi… Ehehehe…
— Mm…
Eu não sabia qual seria a resposta certa, já que só recentemente consegui ter uma conversa decente com o sexo oposto. No entanto, não havia indício de que a Kaede tava insatisfeita com a resposta, então acho que não cometi um erro fatal.
— …Yuuya. E eu?
Eu não sabia nada sobre esse assunto, mas, como se estivesse me perseguindo, a Yukine continuou a conversa me perguntando algo assim!
— Um…
Não sei o que dizer nessa situação. Será que basta dizer que ela também fica bem? O que a Yukine quer de mim, pra início de conversa?
Enquanto eu ficava confuso sobre como responder, a Yukine colocou a mão no peito e olhou pra Kaede por algum motivo.
— …Como esperado, são os peitos.
— Como você chegou a essa conclusão?
Eu não tinha pensado em nada em particular, e não disse nada, mas a Yukine encarou os peitos da Kaede com ressentimento e depois olhou pra mim com um olhar frustrado. Eu nem pensei nos peitos um segundo sequer, sabia? É uma acusação falsa!
Enquanto eu ficava confuso com as opiniões da Kaede e da Yukine sobre os maiôs delas depois do da Kaori, fiquei tão atrapalhado que nem percebi que as bochechas da Kaori estavam infladas. Mas vendo minha atrapalhação contínua, a Rin veio até mim com um sorriso maroto e me cutucou com o cotovelo.
— Oya? Oyaoya? Yuuya. Tá nervoso vendo a Kaede e os outros de maiô?
— Uh, i-isso… claro que tô…
— Ahahahaha! Isso é surpreendente. Você parece já tá acostumado com esse tipo de situação, no entanto.
Minha resposta fez a Rin rir alto.
Ela disse que eu já tô acostumado… De jeito nenhum. De onde ela tirou isso, aliás? Não sei…
— Bom, diferente de mim, a Kaede tem um estilo ótimo, a Kaori é linda, e a Yukine é fofa.
— Eh? Não, a Rin também é muito bonita, viu…
— Hã?
Porque ela disse algo estranho, não consegui evitar dizer o que eu tava pensando, e ela levantou a voz de um jeito incomumente indiferente.
Diante da reação da Rin, percebi que tinha acabado de dizer algo constrangedor.
Não, foi porque a Rin disse algo estranho que respondi por reflexo! Eu não sou o tipo de cara que consegue dizer uma coisa dessas sem hesitar. Quero conseguir dizer isso em voz alta algum dia, no entanto!
Quer dizer, a Kaori, a Yukine, a Kaede são todas lindas, mas a Rin também é bem esguia, tipo modelo, e fica ótima num maiô mais maduro. Não sei bem por que ela tava dizendo aquilo.
— É só que fico tão nervosa quando as pessoas se aproximam tão abertamente assim…
— É-é assim? Ahahahaha…
A Rin disse isso e se afastou rapidamente de mim.
Olhando de perto, é incomum ver que as bochechas da Rin estão tingidas de vermelho, e ela desvia o olhar sem jeito. I-isso me deixa mais constrangido ainda quando ela reage assim…
— B-bem, então vamos indo! O Ryo e o Shingo-kun já foram na frente e guardaram um lugar pra gente.
— Entendi… Se é assim, a gente devia chegar lá rápido e agradecer eles…
— Isso mesmo!
Eu não tava muito confortável com a situação, então contei pra todo mundo sobre o Ryo e o Shingo-kun. O clima voltou ao normal, então dei um suspiro. G-graças a deus… é estimulante demais lidar com todo mundo sozinho…
Assim que nos encontramos com o Ryo e o Shingo-kun, fizemos um aquecimento cuidadoso e depois fomos todos pra praia começar a brincar. O Ryo parecia conseguir fazer praticamente qualquer coisa, e mostrou seu atletismo na praia também, nadando bem longe e amplamente.
O Shingo-kun não era tão bom em natação, então brincava na água rasa com uma bola de praia que a Kaori e eu tínhamos trazido.
Então, quando o Ryo voltou da nadada longa, a Kaede sugeriu.
— Ei! Vamos todo mundo jogar vôlei de praia junto!
— Oh, isso parece bom!
Todos concordamos com a sugestão da Kaede, e na hora de dividir os times, o Shingo-kun se voluntariou pra ser o árbitro.
Então, decidimos formar três times: eu e a Kaori, o Ryo e a Yukine, e a Rin e a Kaede.
— Yuuya-san, vamos dar o nosso melhor!
— Sim, vamos dar o nosso melhor.
No momento em que assenti às palavras da Kaori, me lembrei do torneio de jogos de bola do outro dia. Naquele dia, por causa de um imprevisto, eu e a Kaori fomos colocados juntos pra jogar tênis… Foi aí que descobri que eu não devia deixar a Kaori jogar esportes.
No entanto, quando me lembrei disso, a partida já ia começar, e nossos adversários eram a Kaede e a Rin.
— A gente já vai logo enfrentar o Yuuya-kun e a Kaori, hein… será que a gente consegue ganhar?
— Não sei. Por favor vão fácil com a gente, tá?
— Bem…
Acho que eu ia ter que me esforçar mais em vez de pegar leve, no entanto.
Enquanto eu pensava nisso, a partida começou com o saque da Kaori…
***
— Eeii.
— Ah!
Deslizei o corpo pro lado em resposta à bola que vinha por trás. A bola de praia passou direto por onde eu estava um instante atrás, com bastante força.
— Ah! Desculpa, Yuuya-san!
— T-tá tudo bem.
Eu consigo desviar, mas se a Kaede e a Kaori estivessem em dupla, podia ter sido perigoso…
Enquanto eu pensava nisso, a Rin deu um sorriso maroto ao ver o saque da Kaori.
— Heh? Parece que a Kaori não é boa em esportes, hein? Vamos mirar nela.
— Eeh? C-como já era de se esperar isso é…
— Kaede. Isso é uma partida, sabia? É uma ótima estratégia pra ganhar.
E a Rin começou a mirar na Kaori no próximo saque, como tinha declarado.
— Soryaa!
— Eii!
A Kaori conseguiu lidar com o saque da Rin, mas a bola voou na direção errada. Aquela direção era pro mar. No entanto, achei que não devia deixar a bola sair. Corri pela superfície do mar sem pensar, alcancei a bola, e devolvi pro lado da Rin.

— Haah!
— Espera… como você consegue pegar isso!?
— Quer dizer, como você consegue correr na superfície do mar desse jeito?
— Eeh? V-vocês devem ter visto errado.
— Não, eu também acho isso, mas…!
Eu tava correndo atrás da bola, mas definitivamente não era normal correr na superfície da água! Ou melhor, eu mesmo tô surpreso que consigo correr na superfície do mar.
Parece que, durante meu treino com o Mestre Usagi, a força das minhas pernas ficou extraordinária. No entanto, depois que devolvi a bola pro lado da Rin, a Kaori era a única que sobrou no nosso lado. A Rin aproveitou isso e marcou um ponto.
Tentei voltar pra quadra, mas meus pés ficaram presos na areia. Bem… eu não tenho muita experiência me movendo na areia. É difícil de se mover, e gasta mais energia que o normal… Isso parece ser um bom treino pra mim.
Embora eu estivesse ali pra brincar, não conseguia evitar pensar nesse tipo de coisa por causa do meu treino com o Mestre Usagi.
Depois disso, a Kaori foi intensamente visada, e o time da Kaede derrotou o nosso time.
— Argh… Yuuya-san, desculpa… eu só tô te atrapalhando…
— Bem, não precisa nem falar.
Na época do torneio de jogos de bola, ainda era possível cobrir, já que jogamos tênis, mas não era tão fácil assim no vôlei de praia. Claro, a Kaori sempre tentava manter a bola em jogo com cortadas e recepções, mas todas voavam na minha direção com força letal.
…Por outro lado, se existisse uma competição onde aquela bola pudesse ser totalmente aproveitada, acho que a Kaori se sairia muito bem. Afinal, não era só imprevisível, mas também muito rápida, então até eu tive que correr pra desviar. Acho que é num nível que até os monstros que enfrentei no Great Devil’s Nest teriam medo. Fiquei realmente surpreso.
Depois disso, jogamos contra o time do Ryo também, mas o resultado ainda foi nossa derrota. O time da Kaede venceu no final.
— Argh… Yuuya-san, desculpa… a gente perdeu por minha causa…
— N-não! Você não precisa se preocupar com isso…!
Não sei bem o que seria certo dizer pra ela, então só entrei em pânico. Mas então, com um sorriso maroto no rosto, a Rin chamou a Kaori.
— O time da Kaori perdeu todas as partidas… isso não é sinal de desastre?
— V-você não precisa dizer isso!
A Rin riu alto diante da reação da Kaori.
Nos divertimos jogando vôlei de praia por um tempo e decidimos fazer uma pausa, já que jogamos por muito tempo.
— Vamos fazer uma pausa e comer em algum lugar, que tal?
— Sim!
Todos concordamos com a sugestão do Ryo e decidimos almoçar numa barraca de praia. O lugar onde estávamos ficava longe das multidões, então só tinha poucas pessoas na barraca de praia próxima.
Quando voltamos a atenção pra área mais cheia da praia, percebemos que as barracas de praia lá estavam bem movimentadas.
— Mesmo que pareça ter mais gente lá, essa barraca de praia tá bem com vocês?
— Acho que tá bem.
— É, acho que sim. Provavelmente só tá cheio lá porque é um lugar bom. O sabor não deve ter muita diferença.
Então fomos pra barraca de praia mais próxima──.
— Ah, Tenjou e os outros. Que coincidência.
— O-o quê?
— …Fiquei surpresa.
— O que a Sawada-sensei tá fazendo aqui?
Nossa professora titular, a Sawada-sensei, estava trabalhando como garçonete na barraca de praia pra onde estávamos indo!
E mais, ela estava usando um avental por cima de um biquíni preto. Diferente da blusa larga e do jaleco que ela usa normalmente. E-eu não sei pra onde olhar… não, eu sempre tenho dificuldade em olhar pra ela!
Ficamos surpresos, mas o Ryo, que se recompôs rápido, perguntou apressado.
— Sensei! O que você tá fazendo aqui? Você é professora, né? Hein…? Tá tudo bem ter um segundo emprego?
— Se você me perguntar isso…
Claro, fiquei surpreso porque não esperava encontrá-la num lugar desses.
Ela tinha uma imagem de alguém que não saía muito e talvez fizesse experimentos em alguma instalação, além de ser professora, mas agora, vendo que ela trabalhava como atendente, pensei que seria inadequado pra profissão dela ter um segundo emprego.
Além disso, a Kaori, filha do Tsukasa-san, presidente do conselho diretor, também estava presente agora, e senti que a Sawada-sensei não conseguiria dar nenhuma desculpa pra isso…
Então, a Sawada-sensei respondeu num tom sem nenhuma agitação em particular e sem hesitar.
— Não é um bico. Porque essa é a casa dos meus pais.
— Hã?
Enquanto eu ficava surpreso de novo com a resposta inesperada, um homem carrancudo saiu da barraca de praia. O homem usava o mesmo avental que a Sawada-sensei, mas tinha uma expressão muito dura no rosto, o que ficava meio incompatível. Ele também tinha uma grande cicatriz no rosto, e com o corpo grande e musculoso, era bem intimidador. Um… ele não parecia uma pessoa comum…
— Ei, Rie! Não enrola!
O homem provavelmente chamou a Sawada-sensei pelo primeiro nome e gritou com ela.
A voz alta dele, junto com a aparência, era bem intimidadora. Ficamos paralisados, mas a Sawada-sensei não pareceu se importar e respondeu no tom de sempre.
— Não, pai. Esses são meus alunos.
— Seus alunos?
— Pai?
Nós e o homem──o pai da Sawada-sensei──sobrepusemos nossas vozes surpresas. Eh, ele é o pai dela?
Mesmo sabendo que era falta de educação, não consegui evitar comparar os dois. E-eles se parecem em alguma coisa?
Ficamos pasmos, mas assim que a surpresa passou, a expressão do homem mudou, e ele falou conosco com um sorriso.
— Ah, não tem jeito se vocês, garotos, são alunos da Rie! Já que essa menina é assim, vocês devem ter uma vida difícil, né? Ela é uma boa professora?
— S-sim, ela é uma professora muito boa…
Quando a Kaori, a filha do presidente, respondeu confusa, a boca da Sawada-sensei se contraiu.
— Você não confia em mim, né? Eu sou uma professora excelente, sabia?
— Mesmo que você seja talentosa, não sei se isso te faz uma boa professora. Isso cabe aos alunos decidirem.
— Isso é um bom ponto, acho.
A Sawada-sensei riu e assentiu. O pai da Sawada-sensei nos olhou maravilhado.
— Oh? Quando olhei de perto, percebi que todas as garotas são lindas! E os garotos também são bonitos. O que é isso? Todas as crianças da sua escola são assim?
— Hmm. Todos os alunos são assim.
— Que tipo de escola de monstros é essa…?
Não, Pai-san. Eu também acho isso. Tem muitos alunos com boas personalidades e aparências bonitas ou legais como a Kaori e o Ryo.
— Bom, como vocês devem ter percebido pela conversa, eu sou o pai da Rie, o Ginji. Já que vocês estão aqui, vou pagar o almoço de todo mundo.
— Hã? N-não. Desculpa pelo incômodo!
— Não se preocupem com isso! Ei, Rie! Você não tá ocupada de qualquer jeito, né? Leva eles pra sala de tatame enquanto eu preparo a comida!
— Hmm, eu não tô ocupada, mas é porque não tem cliente nenhum.
— Cala a boca!
C-certamente, tem bastante gente na praia, mas não tem cliente nenhum aqui… Será possível que ficar só um pouco mais longe da praia faz tanta diferença assim?
O pai da Sawada Sensei… o Ginji-san gritou com ela, mas a Sawada Sensei saiu da recepção e veio até nós.
— Então é isso. A família da sensei toca essa barraca de praia. Foi assim que fui forçada a ajudar durante as férias de verão, se eu tivesse livre. Claro, eu não recebo nada por isso.
— E-entendi…?
Em outras palavras, não é remunerado já que é uma extensão de ajudar em casa, então não é um bico. Não sei se isso é verdade mesmo, mas não é algo que a gente pode questionar. A Kaori talvez pudesse dizer algo, no entanto.
A Sawada-sensei nos guiou até a sala de tatame, e depois de esperar um pouco, o Ginji-san trouxe comida pra gente.
— Ei, vocês ainda tão crescendo, né? Comam bastante, comam bastante!
— Sim!
O que apareceu na nossa frente foi uma tigela grande de yakisoba, o aroma do molho estimulando nosso apetite. Quando aproveitamos a gentileza do Ginji-san e experimentamos o yakisoba, ficamos surpresos com o sabor.
— Delicioso!
— Incrível… acho que nunca comi um yakisoba tão bom antes.
— …nhac nhac.
O yakisoba que nos serviram era delicioso. Claro, comer yakisoba numa barraca de praia, combinado com a situação, pode ter feito ter um gosto melhor que o normal. No entanto, o yakisoba feito pelo Ginji-san era ainda melhor que isso.
Enquanto todo mundo estava absorto comendo o yakisoba, a Kaede murmurou pra si mesma.
— Por que tem tão poucos clientes quando tá tão bom assim?
— Kaede.
— …Ah! D-desculpa!
A Kaede se desculpou apressada quando a Rin a avisou de um jeito espantado. Mas o Ginji-san não ficou bravo com isso e sorriu amargamente.
— Tá tudo bem, tá tudo bem. É a verdade de qualquer jeito.
— Bem, a localização é ruim. Fica na beira da praia, e quando você compara com a parte mais cheia da praia, tem bem menos gente aqui. É por isso que a gente não recebe muitos clientes.
— Além disso, tenho certeza que a loja lá tem uma variedade de comida melhor que essa aqui.
— Entendi…
De fato, quando olhei o cardápio da barraca de praia do Ginji-san, só tinha curry e cerveja no menu, além do yakisoba.
— I-isso é uma pena, quando a comida é tão boa assim…
— …É uma pena.
Quando o Shingo-kun e a Yukine disseram isso, a Sawada-sensei pareceu perceber alguma coisa e se levantou.
— Isso mesmo!
— Oh? O que foi, Rie?
— A sensei teve uma ótima ideia.
— Boa ideia?
Inclinamos a cabeça confusos, mas a Sawada-sensei assentiu com confiança.
— É, uma boa ideia.
***
— Certo, mesa três, dois yakisoba, por favor!
— Aqui, um copo de cerveja!
— U-um, duas porções de curry, por favor!
──Antes que percebêssemos, estávamos trabalhando temporariamente na barraca de praia do Ginji-san, diferente do nosso propósito original de brincar na praia.
A boa ideia da Sawada-sensei foi a gente trabalhar como ajudantes. De repente me lembrei do comportamento da Sawada-sensei naquela hora.
A Sawada-sensei disse: “Tem alguns dos homens e mulheres mais bonitos da escola aqui. Então gostaria de pedir pra vocês serem nosso pessoal de vendas.”
— P-pessoal de vendas?
— Claro, a gente vai pagar vocês.
──Com isso em mente, começamos nosso trabalho aqui. Além disso, o Ginji-san parecia meio incomodado com a falta de clientes, então quando ele nos pediu ajuda, aceitamos o trabalho.
Bem, o Ginji-san nos deu yakisoba de graça. Também tive a chance de provar o curry dele, que também era muito gostoso. Então, acho que a comida do Ginji-san vai atrair muitos clientes fiéis, e vou ajudar ele com isso.
Assim que começamos a trabalhar como garçons, muitos clientes homens vieram ver a linda Kaori e os outros, e graças ao bonito Ryo e ao fofo e animalzinho do Shingo-kun, muitas clientes mulheres vieram também.
Conforme o número de clientes aumentava, o Ginji-san cozinhava num ritmo incrível.
— Ahhhh! Esse é um grito de felicidade, oi!
— Ah, pai, continua com o bom trabalho!
— Rie, você devia pelo menos saber cozinhar também!
No entanto, como a Sawada-sensei não sabia cozinhar, ela não conseguia ajudar o Ginji-san. Em vez disso, ela se esforçava ao máximo lavando os pratos. O Ryo e eu nos oferecemos pra ajudar com a louça, mas o Ginji-san disse que ia cuidar disso sozinho, então colocamos todo nosso esforço em levar a comida.
— ───Dois yakisoba e duas cervejas, correto?
— “““…..”“”
— U-um?
— Por favor aperta minha mão!
— Sim?
— Ah, isso não é justo!
— Por favor tira uma foto comigo…!
…Recebi uns pedidos estranhos assim com bastante frequência, mas acho que as coisas estavam indo bem, no geral. Conforme o número de clientes aumentava, o boca a boca parecia se espalhar, e eventualmente, clientes suficientes vieram encher a barraca de praia do Ginji-san.
— As garçonetes aqui não são todas de nível alto?
— As garotas são super fofas!
— E os garotos também são incríveis!
— Quer dizer, isso é algum tipo de evento?
— O yakisoba é gostoso, no entanto!
— O curry também é bom!
Dava pra ouvir as várias vozes dos clientes, e parecia que eles não tinham nada de ruim a dizer. A comida do Ginji-san era gostosa, não era?
Agora eu não só tinha que levar a comida, mas também limpar os pratos depois que os clientes saíam, e tava ficando demais pra eu dar conta. Então aumentei a quantidade de pratos que eu carregava de uma vez.
— E-ei, isso é…
— Eh, incrível…
— Quantos ele consegue carregar…?
Coloquei bandejas nas mãos e nos braços, empilhei pratos em cima delas, além de empilhar na cabeça também, e carreguei uma quantidade considerável de pratos depois do jantar. É bastante trabalho, mas meu corpo aprimorado tinha o equilíbrio e a força pra carregar sem dificuldade. Fico feliz que sou útil nessas áreas.
— Tenjou. Preciso da sua ajuda.
— Sim? Qual é o problema?
— Estamos quase ficando sem comida, então preciso da sua ajuda pra comprar mais. Você parece ter mais força.
— É-é assim?
— Do que você tá falando? Você é o cara que lutou com um urso na excursão escolar, né?
Isso mesmo. Então, enquanto a Sawada-sensei me levava pra comprar comida, um incidente aconteceu.
***
— U-um, por favor não!
— Eehh? Vamos, vamos nos divertir juntos.
— Sim, sim, a gente vai mostrar como se divertir.
Um grupo de clientes homens bronzeados estava segurando os braços da Kaori. Vendo isso, a Kaede, que estava por perto, chamou a atenção deles.
— Um, será que vocês não podem parar com isso? Estão incomodando ela.
— Ah, você também é fofa!
— Sim, você também pode sair com a gente!
— Vem, vem, vamos trazer suas outras amigas também.
— P-por favor parem!
— Ei, vocês──.
O Ryo, que estava por perto, tentou impedi-los, mas um dos clientes homens, musculoso, ficou no caminho dele.
— Não atrapalha.
— Não tô atrapalhando; tô mandando parar.
— Se quer que a gente pare, vem tentar. O que você consegue fazer, seu desgraçado magrelo? Hein?
— Kuh…
Quando um dos homens que cercavam a Kaori e a Kaede empurrou o Ryo, ele cambaleou pesadamente.
O Ryo era bom em esportes, e de jeito nenhum era frágil. No entanto, todos os homens que cercavam a Kaori e os outros eram muito mais musculosos e altos que o Ryo, o que os tornava bem intimidadores.
Em termos de número de pessoas, a situação não era boa, e o clima da loja inteira ficava cada vez pior──.
— ───Ah, com licença, preciso passar.
— Yu-Yuuya-san!
O Yuuya, que tinha acabado de voltar das compras, voltou com as duas mãos cheias de sacolas de compras. No entanto, tendo acabado de voltar das compras, o Yuuya não conseguiu entender a situação e foi em direção à Kaori e aos outros sem hesitar, já que tinha algo pra fazer.
— Com licença. Por favor me deem licença um momento.
— Hã?
Um dos homens franziu as sobrancelhas com desagrado diante do Yuuya se aproximando descaradamente.
— Ei você, não tá vendo? A gente tá tendo uma conversa boa com essas garotas agora. Se manda.
— Hã? Ah, desculpa. Mas a gente tá meio sem funcionário, então preciso dessas duas pra ajudar a gente…
— Hã? Você não entende a situação, né?
— Mesmo que você diga isso…
Já que a Sawada-sensei, que tinha voltado antes com mais ingredientes, os pedidos que tinham sido interrompidos começaram a se mover de novo e a loja ficou agitada de novo.
— Por enquanto, essas duas têm trabalho pra fazer, então vou levá-las comigo. Vou ouvir o que vocês têm a dizer em vez disso…
— Você, seu…
Pra impedir o Yuuya de levar a Kaori e a Kaede embora, o homem agarrou o braço do Yuuya, mas ele não vacilou.
Então, a Kaori e a Kaede foram libertadas das mãos do homem e foram imediatamente pra loja do Ginji. Vendo isso, o Yuuya se sentiu aliviado por um momento, respirou, e tentou voltar também pra colocar as sacolas que tinha nas mãos no chão.
No entanto, os homens se moveram pra uma posição de cercar o Yuuya.
— Ei, você tá de brincadeira com a gente? Hein?
— E-eeh? O-o que───.
— Cala a porra da boca!
— Kyaaaaaaa!
As outras clientes gritaram pro homem que atacou o Yuuya de repente. Mas o Yuuya, que foi atacado pelo homem, estava em pânico com outra coisa completamente diferente.
(Atacar de repente assim… é perigoso pros outros clientes e vai destruir a propriedade da loja também!)
Sem entender o motivo de jeito nenhum, o Yuuya ficou tão confuso quanto por ser atacado, mas ele estava mais preocupado com os clientes ao redor do que com ser atacado, enquanto os homens ficavam descontrolados.
Enquanto desviava do ataque de um homem pensando nisso, os outros homens atacaram o Yuuya um atrás do outro. Pra fazer alguma coisa, o Yuuya tentou se mover, mas lembrou que ainda tinha a sacola de compras na mão.
Percebendo que não conseguiria se mover direito, ele jogou a sacola de compras no ar e gentilmente segurou os socos e chutes dos homens, depois os endireitou todos numa posição ereta e os manteve ali. Bem nessa hora, a sacola de compras voltou pra mão do Yuuya.
— Hã?
— O-oh?
Os homens não sabiam o que tinha acontecido e, por algum motivo, inclinaram a cabeça diante do fato de estarem em pé eretos. Quando o Yuuya confirmou que não havia dano aos objetos ou clientes ao redor, e que os homens não estavam feridos, ele respirou fundo.
— Um, por favor não sejam violentos. Tem clientes aqui…
Os homens voltaram a si quando o Yuuya falou com eles, atônitos, e tentaram atacá-lo de novo, mas…
— O-oi, vocês──.
— ──Achei que tava barulhento demais enquanto eu me concentrava cozinhando na cozinha… Vocês, o que estão fazendo? Hein?
— Ah? Hyii!?
O Ginji encarava os homens com raiva no rosto carrancudo. A expressão dele era tão aterrorizante que todos os homens, que estavam tão animados antes, ficaram apavorados.
— Vocês… vocês têm coragem, hein. Será que vocês tão prontos pra serem picados e usados de recheio de yakisoba? Hein?
— “““D-desculpaaaaa!”“”
Os homens saíram correndo da barraca de praia com lágrimas nos olhos por causa do Ginji, que não parecia uma pessoa normal. Todos, incluindo os clientes ao redor, ficaram estupefatos com a cena, e o Yuuya imediatamente curvou a cabeça.
— Desculpa, Ginji-san. Muito obrigado.
— Hmm? Eu não fiz nada. Vocês estão bem?
— S-sim! A gente tá bem!
— O Ryo-kun e o Yuuya-kun nos ajudaram…
— Não, eu não fiz nada. O Yuuya foi quem salvou vocês.
— Entendi… Yuuya, você é incrível! Quando olhei de perto, dava pra ver que você tem treinado igual um louco…
— O Tenjou é um dos alunos mais fisicamente talentosos da nossa escola. Todos os professores de Educação Física ficaram surpresos. Disseram que ele podia estar nas Olimpíadas.
— Isso é só…
As bochechas do Ginji se contraíram diante da informação fornecida pela Sawada-sensei. E então os clientes ao redor começaram a aplaudir.
— Isso foi incrível!
— É, é! Foi como assistir uma cena de filme!
— Quer dizer, só vi movimentos assim em mangá!
— Foi tão rápido; mal consegui entender!
— Um, bem, isso…
O Yuuya, que não esperava ser elogiado, ficou perplexo com a reação das pessoas ao redor.
O Ginji riu da situação e se virou pros clientes.
— Bom, nosso garçom é incrível, né? Bem, por favor continuem aproveitando a refeição.
…Assim, apesar dos problemas, a loja do Ginji, graças ao trabalho duro do Yuuya e dos outros, além do cozinhar do Ginji, alcançou as maiores vendas de todos os tempos.