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Isekai de Cheat Skill – Volume 6 Capítulo 3

Capítulo 3 – The Mysterious Shrine Maiden

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Capítulo 3 – The Mysterious Shrine Maiden

Depois de terminarmos nosso trabalho não planejado na barraca de praia da família da Sawada-sensei, voltamos pra praia pra nos divertir. Naquele momento, o Ryo e o Shingo-kun foram abordados por mulheres. Muita gente também se aproximou de mim, provavelmente porque eu me destaquei na barraca de praia do Ginji-san, e isso me deixou confuso.

No entanto, não precisamos nos preocupar com nada acontecendo com a Kaori e os outros de novo, como na barraca de praia, graças ao fato de termos ficado juntos o máximo possível.

Então voltamos pra cabana pro jantar e pra descansar.

Enquanto isso, me movi pra um lugar isolado e fui pra casa preparar o jantar do Night e dos outros. O Ouma-san parecia ter dormido o dia inteiro, e todo mundo ficou quietinho em casa.

Quando terminei de preparar a refeição do Night e dos outros e voltei escondido pra cabana, a Yukine trouxe um livro do quarto dela.

— …Pessoal, vocês têm um minuto?

— Hmm? O que foi? Yukine-san.

Quando a Kaori inclinou a cabeça, a Yukine estendeu o livro na mão e propôs pra gente.

— …Vocês querem fazer um teste de coragem?

— Um teste de coragem?

A Rin e a Kaede pareceram perceber alguma coisa — especialmente a Kaede, cujas bochechas tremeram.

— Yu-Yu-Yu-Yukine-chan? Você tá falando sério sobre isso… teste de coragem?

— …Tô falando sério.

— Nãaaaaão!

— Ka-Kaede-san?

Ficamos confusos com o grito alto da Kaede diante das palavras da Yukine. O-o que aconteceu com ela?

Então, a Rin sorriu amargamente e nos contou de novo sobre o clube de pesquisa do oculto do qual a Yukine é membro.

— Então, o teste de coragem… tá relacionado com essa atividade de clube?

— …Não é só por causa da atividade do clube. Mas quando eu tava pesquisando a área da cabana antes de vir pra cá, achei um lugar que parecia bom pra um teste de coragem. Então só sugeri.

— Um bom lugar pra um teste de coragem?

A Kaede continuou reagindo alto às palavras da Yukine. Talvez ela não seja muito boa com fantasmas e esse tipo de coisa… Felizmente, eu não sou tão ruim nisso, então tô bem.

No outro mundo, eu tinha lutado com um monstro tipo fantasma chamado “Wraith”. Não sei se os fantasmas desse mundo têm as mesmas características do monstro chamado Wraith, no entanto.

— Eu costumava vir muito aqui com meu pai, mas não sabia que tinha um lugar desses…

— …É. Parece que tem um santuário bem antigo.

Quando a Yukine respondeu à surpresa da Kaori, o Ryo teve uma dúvida de repente e perguntou.

— Eu entendo que o santuário é o melhor lugar pra testar nossa coragem, mas ele fica aberto de noite?

— …Parece que fica aberto. Mas vocês não devem fazer barulho. Só aproveitem a atmosfera.

— É, isso mesmo.

Mesmo estando aberto até de noite, causar um alvoroço tava fora de questão.

— …Então, todo mundo devia ir pro santuário.

A Kaede levantou a mão quando a Yukine disse isso com um bufo incomumente rude.

— Não, não! Eu não quero!

— …Mentira. A Kaede parecia gostar mesmo dizendo que não queria.

— Eu não sou tão estranha assim.

— É interessante, sabia?

— Ryo-kun?

— E-eu também tô um pouco interessado!

— Até a Kaori?

A Kaede olhou ao redor como se estivesse procurando uma amiga, como se não esperasse que tanta gente tivesse interesse num teste de coragem.

— I-isso mesmo! Shingo-kun? Você não quer fazer o teste de coragem, né?

— E-eeh? B-bem… desculpa por isso. E-eu também tô um pouco interessado nisso…

— N-não pode ser…

O rosto da Kaede ficou pálido de desespero. Ela parecia estar em estado de choque.

— Yu-Yuuya-kun, e você…?

— Eh, e-eu tava… desculpa, eu não sou tão ruim nisso, então…

— Uuugghh. Eu não tenho nenhum amigo!

A Kaede gemeu e ficou com os olhos marejados. D-desculpa pelo que eu disse.

Então, a Rin riu alto diante da cena da Kaede.

— Ahahahaha! Desiste logo, Kaede. Além disso, o lugar pra onde a gente vai é um santuário, sabia? Não é meio que seguro?

— S-seguro?

— Veja bem, um santuário é um lugar onde os deuses residem, né? Não vai ter nenhum demônio ou fantasma assustador lá, sabia?

— S-será que é…?

— Isso mesmo.

A Rin disse isso pra convencer a Kaede, mas será que é verdade mesmo que um santuário é seguro? Mesmo estando aberto de noite, um santuário é tipo a casa dos deuses, né? Até humanos não iam gostar se as pessoas entrassem nas casas deles sem permissão no meio da noite. Sinto que seria meio errado… Mas se for assim, não seria um incômodo fazer uma visita de Ano Novo ao santuário?

A Kaede tava quase sendo convencida pelas palavras da Rin, mas então percebeu alguma coisa e balançou a cabeça.

— Ha! M-mas se eu não for, eu vou tá segura pra início de conversa!

— Tsk…

— Rin-chan, por que você estalou a língua?

— Nossa,… então, você quer ficar aqui?

— Hã?

Quando as palavras inesperadas da Rin surpreenderam não só a Kaede, mas a nós também, a Rin deu um sorriso maroto.

— A gente vai simplesmente pro santuário testar nossa coragem. Se você tiver com medo, pode esperar a gente aqui, Kaede. Mas você vai ficar sozinha nessa cabana, sabia?

— Hyii!

A Kaede gritou diante do sorriso da Rin. Rin-san, você disse uma coisa terrível…

Então, a Kaede tremeu com lágrimas nos olhos e finalmente gritou.

— Ri-Rin-chan, você é um demôôônioo!

— Ahahahahahaha!

──Assim, a Kaede também vai participar do teste de coragem.

***

— T-tá tudo bem?

— E-e-e-eu tô bem!?

— …Não parece, mas…

Conforme nos aproximávamos do santuário, a Kaede parecia ficar cada vez mais assustada e agora se agarrava ao meu braço. No início, fiquei bem nervoso com a Kaede se agarrando em mim, mas o jeito que ela se agarrava ao meu braço e como me olhava me deixaram mais preocupado do que nervoso.

— Um… se você tá com tanto medo assim, quer voltar pra cabana?

— Não me deixa sozinhaaaaaa!

— Não, se você for voltar, eu fico com você…

Mas a Kaede não pareceu ouvir minhas palavras e continuou andando balançando a cabeça. No final, a gente vai junto com todo mundo…

Então percebi que a Kaori estava observando eu e a Kaede.

— …..

— Kaori? O que foi?

— Hã? N-não, não é nada!

— Sério?

Se não é nada, então provavelmente não é nada.

— Argh… eu devia ter ficado com medo desde o início também…

Com esse pensamento em mente, virei minha atenção pra Kaede, que continuava lutando contra os medos dela, e não percebi o murmúrio da Kaori.

— Yuuya. Você também é um homem pecador.

— Hã?

Inclinei a cabeça quando a Rin disse isso de um jeito significativo. Pecador, hein… Será que fiz alguma coisa pra ofender alguém?

Enquanto avançávamos seguindo a Yukine, paramos quando ela parou.

— …Esse é o nosso destino.

— Uau. É enorme.

— É-é. E é bem misterioso…

Como o Shingo-kun disse, o santuário à nossa frente parecia mais misterioso do que assustador, por estar no meio de uma floresta com o luar brilhando sobre ele.

A beleza do lugar nos fez admirá-lo por um tempo.

— Não sabia que tinha um lugar assim por perto…

— É um lugar legal, seja teste de coragem ou não. A Kaede também acha isso, né?

— U-Un. É lindo…

A visão mística do santuário pareceu fazer a Kaede esquecer os medos dela, mesmo que só temporariamente. E então a Yukine, que também admirava o santuário e a atmosfera ao redor, murmurou.

— …É lindo. Mas não era o lugar certo pra um teste de coragem.

— Bem, tá tudo bem. Foi assim que conseguimos ver essa cena linda──.

Foi o momento em que a Rin ia dizer isso.

— ──Sinto alguma presença misteriosa.

— !?

De repente, uma mulher surgiu devagar de dentro do santuário.

A mulher estava vestida com traje de miko. O cabelo preto brilhante dela estava preso dos dois lados, e a franja estava bem aparada. Os olhos dela eram erguidos, e ela parecia ter um espírito forte.

Ela parecia ter mais ou menos a nossa idade, mas parecia ter uma aura sagrada.

Quando todos nós ficamos surpresos com o aparecimento repentino da miko, a Kaede apontou pra essa mulher e exclamou.

— Fantaaaa… fantaaaaasmaaaaa!

— Eeeeehhh!?

— Cadê o fantasma?

As palavras da mulher foram recebidas com um olhar de descrença. Viemos aqui pra testar nossa coragem, então entendo por que a Kaede pode achar que ela é um fantasma. Mas de qualquer jeito que você olhe, ela é uma miko desse santuário.

A miko soltou um suspiro e olhou pra gente.

— Tem algo estranho acontecendo aqui, então vim ver o que é… o quê? Vocês não parecem fiéis, são?

A Yukine respondeu à expressão questionadora da miko de forma direta.

— …Viemos aqui pra testar nossa coragem.

— Testar sua coragem? Eh, você é…

— …? O que foi?

Assim que a miko lançou um olhar afiado pra Yukine, ela se afastou dela numa velocidade impressionante.

— ! Você tá possuída por algo escandaloso!

— ……? Algo escandaloso?

— Como você não percebeu isso? Ah, nossa! Vou te exorcizar agora mesmo!

A miko então puxou o que parecia ser um talismã do nada.

— ───.

Então, cantando algo numa voz que não conseguíamos ouvir, ela jogou o talismã na sombra da Yukine!

Ilustração

— Que diabos é você───?

— ───Gu-gugyaa, gugiiiiii!

— !?

Então, a sombra da Yukine inchou de repente, e uma névoa negra surgiu.

Que diabos é isso…? Isso não é o outro mundo.

— Yu-Yuuya-san, o que é isso?

A Kaori, que também sabe sobre outros mundos, arregalou os olhos, sem esperar ver um monstro desses na Terra.

Eu e a Kaori ficamos muito surpresos, mas a surpresa da Kaede provavelmente foi ainda maior.

— O-o quê…

— Não pode ser…?

— Hyiiii!?

— Yu-Yukine… você fez alguma coisa de novo?

Enquanto a Kaede e os outros ficavam pálidos e tremendo, a Yukine não parecia estar tão assustada assim. Será que é algo do dia a dia no clube de pesquisa do oculto?

Olhei pra Yukine, mas ela manteve o rosto sério e assentiu quietamente.

— …Isso me surpreendeu.

— Você não entende isso?

A Rin fez cara de espanto na hora. F-fico feliz de ouvir isso… Fiquei pensando o que eu faria se alguém me dissesse que isso era normal…

Com isso em mente, a miko, que jogou o talismã que talvez tivesse causado o aparecimento do monstro, empalideceu diante do monstro à sua frente.

— O-o que diabos é essa coisa…!

— Eh?

— Não é nem espírito maligno nem youkai… Nunca vi um ser maligno desses!

Parece que esse monstro foi inesperado até pra miko. Então a névoa negra começou a mudar de forma enquanto olhava ao redor. A criatura agora ficava em pé sobre duas pernas, o corpo inteiro pulsando de músculos.

As garras e presas eram afiadas, e a pele era negra, como se as sombras e a escuridão tivessem virado carne.

…Eh? Isso é…

— Gugi… gugigiiiiiiiiiiiiiii!

— O quê?

— Kuh?

— T-todo mundo!?

No momento em que o monstro soltou um grito que cortou o ar, a Kaori e os outros caíram de joelhos.

Tentei recolher todo mundo às pressas, mas o monstro me ameaçou, e não consegui me mover como eu queria. Que diabos é essa coisa…!

Então, a miko, que foi a única que ficou de joelho num só, olhou pra mim com dor, e abriu os olhos.

— C-como você consegue… nessa situação… ainda ficar imune…!? Ou melhor, tem um traço de maldade em você também…!

— O-o que você quer dizer com isso… não sei do que…!

— Gugigigigi…

Pra mim, foi como se todo mundo tivesse desmaiado de repente por causa do grito do monstro na minha frente. Não tinha nada de errado com meu corpo.

O monstro pareceu ficar ainda mais alarmado pelo fato de eu não ter sido afetado de jeito nenhum. Enquanto eu ficava confuso com a situação, o Kuro, que tava quietinho dentro de mim esse tempo todo, me chamou com um grande suspiro.

— Fuwahh… Tinha uma presença estranha, então vim conferir… Por que esse cara tá aqui? Ei, Yuuya. Esse é o lugar chamado Terra, né?

— Sim, mas… Eh, Kuro! Você sabe o que é esse monstro?

— Eu sei o que é; é uma existência… que falhou em virar Evil.

— Então, é um evil beast?

Quando escutei de novo aquelas palavras estranhas, não consegui evitar perguntar, e a miko, que gemia de dor, me olhou com uma expressão desconfiada.

— ? V-você… com quem diabos você tá falando…!

— Eh!? Ah, isso…

— …Você é bem descuidado, hein? Ah, deixa. Escuta sem falar. O evil beast na sua frente não é uma coisa boa nem pra você nem pra esse mundo. Não sei por que ele tá nesse lugar, mas… antes de mais nada, se você deixar ele quieto, vai ter uns problemas sérios — disse o Kuro.

Mesmo que você diga isso, vai causar um monte de problema…!

O evil beast é tão forte que é chamado de encarnação do mal. O Night e os outros não estão aqui agora… Será que vou conseguir lidar com isso sozinho?

Enquanto eu me sentia inquieto, o evil beast, que ficou de guarda por um bom tempo, me atacou como se tivesse perdido a paciência.

— Gugigigigi… Gugigigyaaa!

— Ugh? I-isso é perigoso!

— Gugiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

— Uh?

A miko tentou pegar algum tipo de talismã de novo, provavelmente pra me proteger de ser atacado, mas não conseguiu mover o corpo o suficiente e acabou deixando o talismã cair da mão.

Pensei em me apressar pra desviar, mas não consegui porque a Kaede e os outros estavam bem atrás de mim.

Então, meu corpo, que naturalmente se moveu pra revidar por causa do meu treino com o Mestre Usagi, chutou o evil beast na lateral da cabeça enquanto desviava parcialmente do ataque dele.

— Gugii?

O evil beast recebeu meu chute e foi arremessado longe, batendo numa árvore próxima e escorregando pro chão.

— Gu-gugii…

— Achei que foi um chute decente, mas você ainda tá de pé, hein…?

Mesmo eu tendo chutado com toda a força, o evil beast ainda tava vivo, tentando se levantar, embora parecesse estar com dor. Mesmo não sendo completo, ainda tem o poder do evil e provavelmente é bem forte.

— Se é assim…!

No momento em que o evil beast tentava apressadamente retomar a postura, a miko pulou pra frente inesperadamente. Ela lançou um talismã no evil beast.

— Sai daqui!

— Gugyiigugyaa!?

Quando o talismã tocou o evil beast, ele começou a sofrer. Então, tentou desesperadamente remover o talismã, mas não conseguiu. Finalmente desapareceu numa nuvem de fumaça.

E-esse talismã é… ou melhor, quem diabos é essa miko?

— Mais importante, como estão a Kaori e os outros!

Corri até a Kaori e os outros pra checar a condição deles. Então, parece que todos estão só dormindo, o que é um alívio.

— Graças a Deus…

— ──Ei, você.

— Hã?

Quando virei o olhar em direção à voz, vi a miko de aparência lânguida me encarando.

— Por que só você ficou seguro? E você pode me explicar esse poder… que dominou o monstro há pouco?

— Um…

Fiquei sem resposta, sem saber o que dizer.


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