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Kuma Kuma Kuma Bear Volume 5 – Capítulo 108

A Urso Come Panquecas

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VÁRIOS DIAS SE PASSARAM desde que retornei a Crimonia.
Milaine e Cliff estavam correndo de um lado para o outro para organizar… bem, tudo. Eles conseguiram a cooperação da guilda dos aventureiros para abater os monstros perto do túnel e tinham trabalhadores preparando o terreno para um caminho que levasse até ele. Eles encomendaram gemas de mana e contrataram operários para instalá-las. Recentemente, Cliff até tinha ido à capital e voltou parecendo exausto. Não é minha culpa, a propósito. De qualquer forma, acho que é o carma pegando ele por ter nomeado o lugar de [Bear Tunnel]. (Sério? [Bear Tunnel]?)
Tanto faz, ia ficar tudo bem. Eu estava varada de fome, então fui direto para o [Bear’s Lounge].
Os ursos cartunescos estavam lá para me cumprimentar. Eles tinham se tornado o assunto da cidade recentemente, e as crianças especialmente os adoravam. Parte disso foi propaganda da Helen, da guilda dos aventureiros, e a Milaine também espalhou a notícia, mas o pão em si atraía as pessoas pela pura gostosura.
Um bando de clientes passou enquanto eu inspecionava a loja, entrando para provar mais do pão quentinho e fresco da Morin-san.
Nosso campeão de vendas mais recente eram as panquecas positivamente mergulhadas em mel, algo que eu e a Morin-san bolamos juntas. Em termos de ingredientes puros, nossas panquecas nunca venceriam as do meu antigo mundo, mas eram saborosas o suficiente.
Meu objetivo hoje… era comer essas panquecas eu mesma. Quando entrei, encontrei um monte de ursinhos minúsculos apressados pela padaria.
Aquelas crianças com uniformes de urso vieram no segundo em que me notaram. Dei tapinhas na cabeça delas e disse para voltarem ao trabalho — se uma criança se aproximasse, as outras tendiam a se reunir e parar tudo, o que as meteu em encrenca com a Karin-san uma vez. Os tapinhas pareceram suficientes para evitar isso — elas voltaram ao trabalho, satisfeitas.
Ah, as caudas de urso das crianças balançando de um lado para o outro enquanto se afastavameram tão adoráveis.
Digo, eu sou uma adulta aqui, então esse tipo de fofura simplesmente não combina comigo. Ficava muito melhor nas crianças, e as meninas pareciam especialmente boas em sustentar o visual.
Mas as roupas estavam começando a ficar um pouco preocupantes. Um tempo atrás, vi as crianças da loja andando pela cidade com seus uniformes. Perguntei à Tiermina-san sobre isso, e ela me disse que as roupas eram tão confortáveis que as crianças estavam começando a usá-las o tempo todo. Eu até dei ordens para dar dinheiro às crianças para comprarem suas próprias roupas. No fim, porém, Tiermina-san me disse que era “boa publicidade” para a loja e ficou por isso mesmo.
Claro, não eram macacões inteiros, mas eu não queria acidentalmente tornar os cosplays de animais moda neste mundo. Implorei para Tiermina-san fazer isso parar, embora não tivesse ideia de como as coisas terminariam.
— Todo mundo te ama, então é claro que querem te imitar, Yuna. Apenas deixe — disse ela, mas meus instintos me diziam que essa era uma linha que eu não podia deixar cruzarem. Se eu deixasse pra lá, poderia ser a paciente zero de um apocalipse de macacões de urso.
Enquanto eu caminhava pelo restaurante procurando um bom lugar, vi um rosto familiar fazendo uma refeição: a aventureira Rulina-san, comendo panquecas sozinha.
— Yuna, faz tanto tempo!
Não tínhamos nos esbarrado há um tempo, parcialmente porque eu não tinha ido à guilda dos aventureiros ultimamente.
— Rulina-san, você não precisa trabalhar? — perguntei, sentando-me à frente dela.
— Ah, eu acabei de terminar um trabalho ontem, então pretendo descansar por um tempo. Você vai comer também?
— Eu estava ficando com fome, sim.
Chamamos uma garota em um traje de urso que passava e pedimos algumas panquecas e batatas fritas. Deveríamos pedir no balcão, mas ser a dona do lugar tem suas vantagens.
— Ah, certo, Yuna… posso te perguntar uma coisa?
— O que foi?
— Aquele [Bear Tunnel] tem alguma coisa a ver com você?
Ah, não.
— P-Por que você está perguntando para mim, logo para mim?
— Tem o nome, para começar, e a [Bear Statue] na frente do túnel se parece muito com a que está na frente desta loja.

 

— Você viu a estátua?
— Como eu disse, acabei de voltar de um trabalho. Eu estava abatendo os monstros perto do túnel.
Ah, esse era aquele projeto que o Cliff mencionou para limpar os monstros. Imagino que a Rulina-san fizesse parte disso. É claro que ela teria visto a estátua.
— Então… tem algo a ver com você?
Uhh. Uhh? Hmm. Eu não queria que se espalhasse que eu estava ligada ao túnel, mas como eu poderia sair dessa?

 

— Você não precisa me contar — acrescentou ela —, mas todo mundo acha que você está envolvida.
Ah, cara, é claro que achariam — como eu me enganei pensando que não? O nome do túnel, a [Bear Statue]… a coisa toda simplesmente gritava “Yuna”. Isso tudo era culpa do Cliff.
Bem, não havia outra opção: tentei a jogada que combinei com o Cliff e a Milaine-san antecipadamente.
— Não saia espalhando por aí, mas eu sou a descobridora do túnel. — Não era como se eu pudesse dizer a alguém que eu realmente o cavei.
— Um túnel secreto? — Rulina-san estreitou os olhos para mim ceticamente. — Descoberto recentemente, logo depois que você apareceu, localizado inteiramente na cidade em que você por acaso acabou de aparecer?
— Sim? — respondi, desviando os olhos lentamente.
— Haha! Tudo bem, eu não quis te deixar nervosa. Vamos dizer que você o encontrou.
O que isso deveria significar? Bem, tanto faz — pelo menos ela parecia ter parado de me acuar sobre o assunto. Passamos para coisas triviais e, no meio disso, as panquecas cheias de mel, as batatas fritas e as bebidas chegaram.
— Obrigada — eu disse à garota com nossa comida. Ela sorriu feliz e voltou ao trabalho. As panquecas frescas e as batatas fritas estavam alinhadas diante dos meus olhos, apenas esperando para serem devoradas…
— A comida aqui é realmente ótima.
Rulina-san estendeu a mão para pegar minhas batatas fritas, e eu decidi (em minha infinita sabedoria) permitir isso. Ela sacou que havia algo estranho com o túnel, então poderíamos considerar isso um pequeno suborno: comprando o silêncio com batatas fritas. E ei, se eu ficasse sem batatas, era só pedir mais.
Eu estava ocupada aniquilando aquelas panquecas doces mergulhadas em mel, e estava no meio do nirvana de carboidratos açucarados quando Tiermina-san veio até nós.
— Ah, Yuna, você estava mesmo aqui!
(Eu não deveria estar? Comi outro pedaço de panqueca.)
— Graças a Deus — disse Tiermina-san. — Havia algo que eu queria te perguntar. Você tem um momento?

 

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei. Tiermina-san olhou em volta.
— Você não pode falar sobre isso aqui?
— Não é isso, não exatamente. — Ela parecia um pouco perdida nas palavras.
— Bem, então, eu vou lá para trás. Rulina-san, você pode ficar com minhas batatas em troca de… — Fiz um sinal de zíper nos lábios. Com isso, deixei minhas batatas na mesa, levando minhas panquecas meio comidas e a bebida comigo para a sala dos fundos.
Na sala de descanso agora, coloquei as panquecas na mesa para voltar a comer e esperei Tiermina-san começar. (Tão bom com uma porção generosa de mel…)
— Então, algo está errado?
— Essas panquecas que você está comendo podem ser algumas das últimas que venderemos. — Fiz uma pausa no meio da segunda mordida. Como é?
— O preço do mel — continuou ela — subiu muito.
— Mas… mas por quê? — Eu não conseguia nem imaginar panquecas sem mel.
— O motivo é simples, Yuna: não conseguimos mais mel.
— E por que isso?
— O lugar de onde o mel local é colhido está… indisponível.
— Indisponível?
— Cheio de monstros — disse Tiermina-san. Tentei imaginar que tipo de monstro espreitaria perto de colmeias, e tudo o que consegui pensar foi em outro urso, um carinha amarelo com uma fome de cem acres por mel.
— Se o preço continuar aumentando nesse ritmo, não poderemos pagar por ele. Isso ou teremos que aumentar o preço das panquecas e de qualquer pão que use mel.

 

— Então… você quer que eu vá abater os monstros?
— Hein? Não, estou falando da loja. Quanto ao abate de monstros, deve haver uma missão na guilda dos aventureiros para isso. Você é a dona da loja, então deveria realmente pensar em todas essas coisas.
Certo, por isso pensei que ela estivesse me dizendo para abater os monstros para conseguirmos aquela substância dourada. Imagino que ela não estivesse, então? Talvez eu estivesse ficando mais impulsiva… sim, se eu não parasse e deliberasse de vez em quando, acabaria em apuros.
— Temos que descontinuar temporariamente os produtos que usam mel ou aumentar os preços — disse ela.
— Realmente conseguiremos vender nosso estoque se aumentarmos o preço?
— Talvez não tanto quanto o normal, mas acho que ainda faríamos vendas. Por outro lado, as coisas que usam mel são populares com as crianças, então eu preferia não aumentar os preços.
— Então essa é a situação?
— Sim. O que devemos fazer? — Basicamente, tínhamos três opções: parar as vendas, preparar-se para vender coisas com prejuízo ou atrelar nossos preços ao custo do mel.
— O que a Morin-san teve a dizer sobre isso?
— Ela não gosta de lidar com dinheiro; disse que deixaria isso para mim.
Assenti. Sim, muito a cara da Morin-san.
— Ela disse que se não formos conseguir mais mel, terá que mudar o cardápio, então preferia saber o quanto antes.
— Como está nosso estoque atual?
— Temos feito muitas vendas… — disse Tiermina-san pensativa. — Então… eu diria que temos dois ou três dias. Não é muito tempo, e eu só queria saber o que fazer.

 

Hmm, nada bom, mas… se fosse apenas um pequeno prejuízo, eu poderia lidar com isso.
— As panquecas são realmente tão populares?
— Tudo é popular. É por isso que não acho que nossas vendas gerais diminuirão se perdermos todos os nossos produtos que usam mel, mesmo que tenhamos alguns clientes decepcionados… e teremos, especialmente as crianças.
Ugh, eu realmente precisava descobrir o que estava acontecendo com o mel então.
— Você acha que a guilda comercial sabe o que está acontecendo?
— Duvido. Perguntei a eles outro dia, mas não ouvi um pio ainda.
— Saquei. Assim que eu terminar isso — eu disse, levantando o pedaço de panqueca no meu garfo —, vou até a guilda comercial. — Ahh. Coisa boa.
— Tem certeza?
— Sim, eu tenho deixado tudo sobre a loja com você. Tenho que agir como a dona da loja de vez em quando. — Além disso, eu tinha passado tempo mais do que suficiente vivendo aquela vida de preguiçosa depois de voltar de Mileela. Se eu não trabalhasse às vezes, que tipo de exemplo isso seria para as crianças pequenas?

 


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