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Silent Witch – Volume 1 Capítulo 3

As Coisas que Estão na Moda Hoje em Dia

Capítulo 3 – As Coisas que Estão na Moda Hoje em Dia

— Em um certo mosteiro na parte leste do Reino de Ridill, no território do Conde Kerbeck, havia uma garota pobre sem parentes. A antiga Condessa Kerbeck viu nessa garota pobre um vislumbre de seu falecido marido e a adotou como filha. Essa garota cresceu feliz e foi amada pela antiga Condessa Kerbeck, porém, esta adoeceu e morreu já idosa. Depois de perder sua protetora, a garota foi marginalizada pelas pessoas da família do Conde, e passou a servir a filha dele como criada. E então, quando a filha foi matriculada na Academia Serendia, uma escola para filhos de famílias nobres, a pobre garota também foi enviada para acompanhá-la como sua serva…

…e assim, seu papel é ser essa garota infeliz, Srta. Monica.

Depois que Louis relatou com toda seriedade esse pano de fundo ridículo, Monica ficou encharcada de suor frio e disse com voz fraca:

— C-Com licença, mas… eu não consegui entender nada da sua explicação.

Sinceramente, para Monica, que mal conseguiu processar a maior parte daquilo, Louis disse, com um sorriso astuto:

— Se você tiver esse tipo de história complicada, ninguém vai se dar ao trabalho de investigar mais a fundo. Aqui está o livro que usei como referência.

Atrás de Louis, Lynn, vestida de empregada, tirou um livro com um movimento suave.

O nome do autor era Dustin Günther. Ele vinha sendo o romancista favorito de Nero ultimamente.

Lynn ofereceu o livro a Monica, então falou com ela em tom respeitoso.

— Este é um romance sobre uma heroína que é maltratada pela filha de um conde, chama a atenção de um príncipe, e por fim vive um amor proibido com ele. As táticas insidiosas de bullying são retratadas com muito detalhe e são interessantes.

Diante da explicação de Lynn, Nero, na prateleira, abanou o rabo com uma expressão curiosa.

Havia vários livros de Dustin Günther naquela cabana, mas todos eram antigos. Já o livro nas mãos de Lynn era o seu trabalho mais recente. Não era de se admirar que Nero estivesse interessado.

Enquanto Monica ficava intrigada com o livro, Lynn o deixou em suas mãos com delicadeza.

— Vou emprestá-lo à senhorita. Sinta-se livre para usá-lo como referência.

Que tipo de referência ela esperava que Monica tirasse daquilo?

Monica folheou as páginas do livro com hesitação.

Quando se tratava de livros de magia, ela conseguia ler por horas, mas, como não estava familiarizada com esse tipo de romance de entretenimento, não conseguia absorver o conteúdo.

Folheando as páginas ao acaso, ela acabou encontrando a cena em que a heroína chorava escondida depois que sua saia foi rasgada pela filha vilanesca. A filha do conde no livro era uma mulher péssima. Tudo o que ela fazia era um absurdo.

— Hã… De acordo com sua ideia, eu vou me matricular junto com a filha do Conde Kerbeck, mas isso é…

— Ah, não se preocupe! Já contei os detalhes ao Conde Kerbeck e pedi à sua única filha, a Senhorita Isabelle, para ajudar.

Monica desviou o olhar.

— O-O senhor até incomodou o Conde da família Kerbeck!? C-C-Com esse pano de fundo absurdo, ainda por cima!?

De qualquer forma, se a história que Louis tinha em mente fosse seguida à risca, o Conde Kerbeck e a Senhorita Isabelle se tornariam os vilões.

Diante da preocupação de Monica, Louis disse isso com uma atitude tranquila:

— O nome Conde Kerbeck lhe soa familiar?

— Hã? Hum…

Embora Monica fosse bastante habilidosa em cálculos, ela não era particularmente boa em memorizar nomes de pessoas e lugares.

Ainda assim, o nome “Conde Kerbeck” ficou levemente gravado na memória de Monica.

— Ah… foi no extermínio do dragão…

— Isso mesmo. A região onde você derrotou o dragão negro Wogan três meses atrás… é o território do Conde Kerbeck. O Conde é profundamente grato a você. Ele até disse que estaria disposto a ajudar da forma que fosse possível, pelo bem da Senhora [Bruxa Silenciosa].

O Conde Kerbeck era muito grato à Bruxa Silenciosa e havia preparado um banquete para agradecê-la por derrotar o dragão.

Porém, Monica havia recusado e voltado para esta cabana para fugir. Por isso, Monica nunca havia conhecido nem o Conde Kerbeck nem sua filha.

Por dentro, Monica temia que sua decisão de faltar à festa o tivesse ofendido, mas o Conde Kerbeck interpretou isso como “Como a Senhora Bruxa Silenciosa é modesta!”

— Já informei o Conde Kerbeck e sua filha sobre isso.

— O-O senhor está falando sobre… e-esse pano de fundo, de que eu sou uma filha adotiva de uma ex-condessa, marginalizada pela família do conde?

— Sim, exatamente. Quando contei essa história a ele, o Conde Kerbeck ficou muito animado, dizendo: “Ora, isso não soa como uma balada?”

— E-Ele ficou animado?

— Aliás, os olhos da Senhorita Isabelle brilharam quando ela disse: “Então é essa a filha vilanesca que está na moda ultimamente!”

— N-Na moda?

O romance que Louis usara como livro de referência era, aparentemente, muito popular na capital do reino. Sendo uma das maiores fãs do autor, a Senhorita Isabelle chegou a ir até a capital especialmente para conseguir o romance mais recente.

— Nos últimos dias, a Senhorita Isabelle tem se esforçado bastante em seu papel de vilã que maltrata a senhorita.

— ……

— Por isso a senhorita vai se infiltrar na escola e se esforçar para proteger o segundo príncipe enquanto é maltratada pela Senhorita Isabelle. Aliás, você é boa em interpretar o papel da garota maltratada, não é?

— ……

Monica não conseguiu responder. Metade de sua mente já havia mergulhado na inconsciência.

Na verdade, no instante em que Louis obteve a cooperação do Conde Kerbeck, ele já não tinha nenhuma intenção de deixar Monica escapar.

* * *

Assim que Louis e Lynn se retiraram da cabana, Monica continuava desabada no chão, atordoada.

Louis havia dito para ela arrumar suas coisas, pois viria buscá-la no dia seguinte, na mesma hora, mas, sinceramente, ela não fazia ideia de por onde começar.

— Ei, Monica. Você está viva? Alô?

Enquanto Monica estava desabada, a pata de Nero bateu de leve em sua perna.

Em circunstâncias normais, Monica se sentiria reconfortada pela maciez daquelas almofadinhas, mas agora não tinha tempo para isso.

— O que eu faço… isso é impossível… ir para a academia dos aristocratas… dá medo… e ainda tenho que ser guarda-costas dele… não consigo…

Monica havia estudado numa escola chamada Minerva, a melhor instituição de ensino para magos.

No passado, as famílias nobres monopolizavam o conhecimento sobre o lançamento de feitiços, e mesmo hoje, a maioria dos aspirantes a mago era filha de famílias nobres. Na maior parte das vezes, eram os filhos segundos ou mais novos, que não podiam herdar a família.

Por isso, crianças plebeias que queriam se tornar magas eram usadas como mensageiras ou viravam alvo de bullying por parte das famílias nobres. E Monica se encaixava no segundo caso.

Monica, que era muito tímida e sempre nervosa e acanhada, era presa fácil para esse tipo de coisa.

Especialmente depois que passou a conseguir usar feitiços sem cântico, as coisas pioraram, misturadas com ciúme e inveja. Por isso, Monica passava muito tempo no laboratório do professor que sempre cuidava dela, dedicando-se ao estudo do lançamento de feitiços.

Monica se formara em Minerva aos quinze anos, mas passara a maior parte do último ano trancada em seu laboratório, sem frequentar as aulas.

Se seu professor não a tivesse recomendado como uma dos Sete Sábios, ela provavelmente ainda estaria trancada no laboratório.

Bem, mesmo tendo se tornado uma dos Sete Sábios, ela continuava trancada naquela cabana, do mesmo jeito.

— Não consigo… não consigo fazer isso… o que eu faço, Nero…

— Que tal fugir?

Diante da sugestão de Nero, Monica cambaleou e balançou a cabeça, quase se contorcendo.

— E-Eu vou ser… m-morta… s-se eu fizer isso…

— Tem certeza de que ele iria tão longe assim? Qual era o nome dele mesmo? Rurruru Luísus?

— Nero… se você chamar o nome dele assim… ele vai te transformar em sopa de gato.

Monica cobriu o rosto com as mãos e baixou a cabeça.

Louis Miller, o [Mago da Barreira], era um rapaz bonito, de porte bastante aristocrático, mas também era um dos magos de combate mais talentosos do país. Monica sabia que, por baixo daquelas luvas brancas, havia um braço com um soco formidável.

— Se eu fugir… o Louis com certeza vai me perseguir até os confins da terra…

— Esse cara é humano mesmo? Você não estaria enganada, e ele não seria na verdade um Guardião do Submundo em vez de um dos Sete Sábios?

— É o quanto ele é assustador!

Monica sabia que já não havia mais saída para ela. Mesmo assim, tinha medo.

Enquanto Monica fungava, Nero abanou o rabo e sugeriu:

— Vamos ver o lado bom disso. Você vai ser guarda-costas do príncipe. Ele é um príncipe, sabe. Ele deve ser legal, não é? Deve ser reluzente, não é? E toda fêmea humana ama esse tipo de príncipe, não é?

— Eu não sei…

— Como um dos Sete Sábios, você deve ter participado de algum tipo de cerimônia ou coisa assim, não? Então já deve ter visto o rosto do príncipe antes.

Monica balançou a cabeça, sem firmeza.

Monica, muito tímida e incomodada em lugares cheios, costumava manter a cabeça baixa, com o capuz do robe puxado por cima, durante as cerimônias, e prendia a respiração até que tudo acabasse. Ela nem sequer tinha visto direito o rosto do rei no trono.

— Escute, Monica. Eu estava pensando…

— ……

— Não conhecer o rosto do segundo príncipe que você vai proteger é bem grave, não é?

— O que eu faço agora…

Sinceramente, se ela dissesse que não sabia como era o rosto do segundo príncipe, Louis Miller provavelmente lhe daria um belo sorriso, enfiaria o punho na cabeça de Monica, e despejaria sobre ela todos os xingamentos que conseguisse pensar.

Imaginando essa cena, Monica desabou no chão e chorou lágrimas vazias.

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