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Silent Witch – Volume 1 Capítulo 4

Implicando com os Fortes

Capítulo 4 – Implicando com os Fortes

Louis Miller, o “Mago da Barreira”, que havia forçado Monica a trabalhar como guarda-costas do segundo príncipe, estava hospedado numa vila perto da cabana onde Monica morava.

Afinal, levaria um dia inteiro de carruagem para ir dessa vila até a capital. Louis soltou um suspiro: “Mal posso esperar para voltar para casa, onde minha amada esposa me aguarda.”

Não era que ele não gostasse de comer num restaurante público, mas não queria chamar muita atenção no momento, então mandava trazer suas refeições para um quarto privado da estalagem.

Do outro lado da mesa, seu espírito contratado, Lynn, lia um livro em silêncio. Ela era um espírito sem paladar, então não podia acompanhá-lo nas refeições.

A bela e fria mulher de uniforme de empregada lia sem nenhuma expressão, mas por fim fechou o livro com um estalo e abriu a boca.

— Senhor Louis, tenho uma pergunta.

— O que é? Ainda estou comendo.

— Por que o senhor pediu à Senhorita [Bruxa Silenciosa] para proteger o segundo príncipe?

Louis esperava uma pergunta sobre o conteúdo do livro, então semicerrou os olhos e limpou a boca com um guardanapo.

— Me dê sua opinião, Lindsberghfield.

— Na minha opinião, Senhor Louis, depois que a ferramenta mágica na qual o senhor se esforçou tanto foi destruída em três dias, o senhor ficou tão furioso que tentou descontar a raiva em cima de uma pessoa de espírito fraco, que é a Senhorita [Bruxa Silenciosa].

— Que tipo de homem você acha que é o seu mestre?

— Ouvi dizer que ele tem um transtorno de personalidade e gosta de intimidar os fracos.

Sem hesitar um segundo, seu espírito contratado disse isso, e Louis sorriu com a têmpora franzida.

— Traga aqui a pessoa que soltou essa avaliação para você. Vou pisotear esse alguém até a cabeça afundar no chão.

— Essa pessoa foi o seu mentor, o Senhor Gideon Rutherford.

Seu mentor, Gideon Rutherford, era uma das poucas pessoas com quem nem o orgulhoso Louis conseguia lidar.

Louis estalou a língua sem nenhuma elegância e balançou a cabeça num gesto dramático. Seu rosto elegante exibia uma expressão triste, mas sua fala anterior já havia estragado tudo.

— Ah, que lamentável. As pessoas andam me interpretando mal.

A palavra “mal interpretando” que Louis disse a Lynn foi dita num tom severo.

— É sempre mais divertido implicar com os fortes do que com os fracos, não é?

A ideia era rebuscada demais. Além disso, ele nem sequer negava a parte do transtorno de personalidade.

Lynn inclinou a cabeça com uma expressão vazia. No livro que acabara de ler, todos os personagens questionados inclinavam a cabeça dessa maneira. Esse gesto, que ela apenas copiava, combinado com seu rosto inexpressivo, fazia com que parecesse uma boneca de pescoço quebrado.

— Senhor Louis, quando o senhor estava intimidando a Senhorita [Bruxa Silenciosa], tinha o rosto de um canalha que adora oprimir os fracos.

— Você está dizendo que a Senhorita [Bruxa Silenciosa] é fraca? De quem você está falando?

Louis bufou diante da réplica de Lynn, como se fosse motivo de zombaria.

Ele lhe deu um sorriso gracioso… mas os olhos por trás dos óculos brilhavam intensamente, com um quê de beligerância.

— No passado, fui completamente derrotado por essa garotinha no duelo mágico de seleção dos Sete Sábios.

Naquela época, Louis Miller já tinha mais experiência como comandante do Corpo de Magos, especializado em combate com lançamento de feitiços.

Tendo derrotado inúmeros dragões e enterrado mais de uma centena deles, ele era um dos dois magos de combate mais fortes do país.

Mas, num duelo mágico, ele foi completamente derrotado pela [Bruxa Silenciosa], que tinha 15 anos.

— Eu, Louis Miller, o [Mago da Barreira], garanto a você. Aquela ali é um monstro.

Louis proclamou com ênfase que aquela garotinha, incapaz de olhar as pessoas nos olhos, sempre de cabeça baixa e apavorada, era um “monstro”.

Louis entrelaçou os dedos, apoiou o queixo fino sobre eles, e semicerrou os olhos.

— Sua Majestade me ordenou proteger o segundo príncipe em segredo, mas eu não posso simplesmente levar as palavras de Sua Majestade ao pé da letra.

— Como assim?

— Vigiar de perto o segundo príncipe… é o que acredito que Sua Majestade quis dizer de verdade.

O segundo príncipe sempre fora uma pessoa excelente. Tinha excelentes habilidades acadêmicas e de esgrima, e mesmo ainda frequentando a escola, sua alta capacidade diplomática já lhe rendera a confiança de nobres tanto do reino quanto do exterior.

Acima de tudo, sua bela aparência e seu sorriso gentil, herdados da mãe, tinham fama de encantar todos que o viam.

Ele administrava tudo sem o menor obstáculo, e era muito bom em controlar a mente das pessoas.

Ele, cujo avô era o Duque Crockford, o nobre mais poderoso do país, era Felix Ark Ridill.

Mas ninguém conhecia sua verdadeira natureza.

Por baixo de seu sorriso gentil e amigável, algo terrível se agitava.

— Essa era o tipo de sensação arrepiante que Louis pressentia em Felix.

Porém, sempre que Louis tentava descobrir o que era esse desconforto, Felix sempre o desviava suavemente com um sorriso gentil.

— O segundo príncipe é um predador muito astuto. Uma abordagem direta não vai fazê-lo recuar.

Por isso Louis escolheu Monica como sua ajudante.

Aquela garota, que possuía um talento extraordinário que não combinava em nada com sua personalidade tímida, tornava tudo um pouco fora do lugar.

— Já lhe disse. Gosto de implicar com os fortes.

— Então o que o senhor quer dizer é que quer intimidar o Segundo Príncipe e a Senhorita [Bruxa Silenciosa] ao mesmo tempo, já que ambos pertencem aos “fortes”?

Sem corrigi-la, Louis apenas lhe deu um belo sorriso.

Era um sorriso tão bonito que a maioria das mulheres ficaria encantada, não menos que o do segundo príncipe, mas… Lynn não se impressionou muito, e disse com naturalidade:

— Entendido. Vou revisar minha avaliação do senhor para “a pessoa com transtorno de personalidade que gosta de intimidar os fortes”.

— Você devia corrigir também a parte do transtorno de personalidade.

* * *

A história volta a dois dias antes de Monica Everett, a [Bruxa Silenciosa], desabar em lágrimas após ser forçada a aceitar a missão de proteger o segundo príncipe.

No quarto do dormitório da Academia Serendia, uma das escolas mais prestigiadas do Reino de Ridill, Felix Ark Ridill, o segundo príncipe do Reino de Ridill, recostou-se no sofá e observou preguiçosamente enquanto seu camareiro desembrulhava um presente.

O presente estava embrulhado num pacote com o brasão da família real. Em outras palavras, era um presente de seu pai, Sua Majestade o Rei. Porém, o olhar que Felix lançou à embalagem era frio.

Além de Felix, a única pessoa no quarto era um rapaz, seu camareiro. Ele tirou do pacote um broche envolto em seda, inspecionou-o, e o apresentou respeitosamente a Felix.

— Qual é a ocasião desta vez?

— É um presente pela sua promoção para a série seguinte.

— Ah…

Murmurando sem muito interesse, Felix pegou o broche com a mão enluvada e o ergueu contra a luz.

Olhando através da luz da grande safira no centro do broche, era possível ver o mais tênue vestígio de escrita mágica por trás do azul-royal.

— Como eu pensava, era uma ferramenta mágica. Will, sabe que tipo de fórmula mágica foi embutida nisso?

Felix então colocou o broche que tinha na mão sobre a mão do camareiro atrás dele.

O rapaz, um camareiro chamado Will, moveu os olhos de um azul muito claro para observar a fórmula mágica na safira.

— Acredito que esta ferramenta mágica continha uma barreira defensiva para proteger Vossa Alteza.

— É esse o único efeito que ela tem?

— Na verdade, há outras fórmulas embutidas aqui. Talvez, quando a barreira defensiva for ativada, ela transmita a localização atual de Vossa Alteza para algum lugar distante.

Quando Will explicou isso, Felix passou a mão de leve pelos cabelos loiro-mel e soltou um suspiro, com uma expressão bastante incomodada.

— Isso seria um problema. Seria terrível se fosse ativado sem querer no meio das minhas atividades noturnas.

— ……

— Então vamos fazer assim.

Felix prendeu o broche no peito de Will.

Em seguida, puxou de debaixo da cama uma espada de autodefesa e a girou direto contra a cabeça do camareiro perplexo, parado ali.

Uma camada de luz branca se formou entre Will, de olhos arregalados e paralisado, e a espada que Felix baixara, interceptando-a.

Assim que a camada de luz desapareceu, a safira no peito de Will rachou com um estalo suave.

— Ah, então é assim que funciona.

Felix guardou a espada, murmurando com uma voz que não parecia nem um pouco interessada naquilo.

Will retirou o broche quebrado do peito e tirou a safira rachada de seu suporte. O suporte estava gravado com uma fórmula mágica muito detalhada.

— Esta é uma combinação de fórmulas avançadas de barreira. Não é algo que um mago comum conseguiria criar. Acho que só Louis Miller, o “Mago da Barreira”, seria capaz de criar algo assim.

— Ah…

Dos Sete Sábios, Felix se lembrou de que Louis Miller pertencia à facção do Primeiro Príncipe.

Por que o rei daria a Felix, como presente de promoção, uma ferramenta mágica feita por Louis Miller, da facção do Primeiro Príncipe?

— Pensando bem, havia alguns membros do Corpo de Magos misturados entre o pessoal da cantina e os zeladores… Imagino que sejam peões de Louis Miller.

— Gostaria que eu me livrasse deles?

— Sim, só cuide para que seja resolvido direito. Tenho certeza de que eles chamam isso de proteção, mas… se começarem a bisbilhotar demais, deixe claro que estarão fazendo um inimigo da Casa Crockford.

Esta escola estava sob o poder do avô de Felix, o Duque de Crockford. Nem mesmo Sua Majestade o Rei podia interferir facilmente.

— Provavelmente foi por isso que o rei decidiu enviar Louis Miller.

Felix arrancou o broche da mão de Will e o girou entre os dedos, com um sorriso tênue.

— Parece que Sua Majestade tem me vigiado de perto.

— Então, por favor, evite se divertir à noite — essas eram palavras que Will jamais lhe diria.

Para Will, Felix era seu mestre, e isso era certo.

Então, mesmo que seu mestre tivesse prendido nele um broche mágico sem saber ao certo qual seria seu efeito, e tivesse baixado a espada contra ele, jamais reclamaria.

Felix voltou a se sentar no sofá e cruzou as pernas com elegância, jogando a safira estilhaçada sobre a mesa displicentemente.

— Parece que esta aqui veio com defeito.

— Vou informar isso a Sua Majestade.

Will recolheu os restos do broche e os embrulhou novamente.

Observando aquilo se desenrolar, Felix soltou um pequeno suspiro. Em seguida, tirou o lenço do pescoço e afrouxou a gola. Sua nuca branca ficou exposta, revelando as marcas vermelhas de seu caso noturno.

— Ainda estou com sono depois de voltar tarde ontem. Vou tirar uma soneca. Me acorde na hora do chá da tarde. A Srta. Bridget vai dar um chá hoje, e seria problemático se eu a deixasse na mão.

Sem esperar pela resposta de Will, Felix fechou os olhos.

Quanto a Will, ele fez uma reverência e disse “Certamente”, então voltou a recolher em silêncio os pedaços do broche.

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