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Silent Witch – Volume 1 Capítulo 5

A Aula (nada) Divertida do Professor Louis sobre a Nobreza

Capítulo 5 – A Aula (nada) Divertida do Professor Louis sobre a Nobreza

Enquanto a carruagem chacoalhava pelo caminho, Louis olhou para Monica, sentada à sua frente, e abriu a boca.

— Primeira pergunta: responda, em ordem do mais alto para o mais baixo, os títulos de nobreza do nosso reino.

— …B-Barão, Marquês, Duque, Conde?

Diante da resposta insegura de Monica, Louis lhe deu um belo sorriso e a chamou de “garota tola”.

— Não só nada disso está certo, como também: para onde foi o Visconde?

— Hiiin…

Naquele momento, dentro da carruagem, Louis dava uma breve aula sobre a nobreza.

Embora a aula fosse sobre a nobreza, ele não estava ensinando etiqueta nem comportamento.

Na verdade, antes de ensinar boas maneiras, ele preferia ensinar conhecimentos gerais.

——E tudo começou com uma simples pergunta de Monica.

* * *

— Agora vamos para a minha casa, na capital do reino. Lá, vamos nos encontrar com a filha do Conde Kerbeck, a Senhorita Isabelle Norton, para concluir os trâmites de matrícula…

Depois de entrarem na carruagem, Louis explicou a Monica o que fariam a seguir. Porém, Monica estava mais interessada no que Louis dizia do que no que ele fazia.

Desta vez, Isabelle Norton, filha do Conde Kerbeck, seria a colaboradora de Monica.

— Hã, eu achei que Kerbeck fosse um sobrenome?

— Como?

Monica disse isso enquanto remexia os dedos, para um Louis que parecia não entender o que ela queria dizer.

— Bem, eu achei que o nome dela fosse Isabelle Kerbeck, já que ela é filha do Conde Kerbeck.

— Kerbeck é o título deles. Quem tem um título acima de conde costuma ser chamado pelo título.

— ??

Quando os olhos de Monica ficaram vazios, Louis sentiu o rosto se contorcer.

— Minha colega, o quanto você sabe sobre a nobreza?

Monica balançou a cabeça em silêncio, e o sorriso finalmente sumiu do rosto de Louis.

Assim começou a aula (nada) divertida do Professor Louis sobre a nobreza.

* * *

— Primeiro, grave isto na cabeça. Em nosso reino, os títulos de nobreza são, em ordem do mais alto: duque, marquês, conde, visconde e barão. Também há semi-aristocratas abaixo desses, mas não vou entrar nesse assunto agora. De qualquer forma, se encontrar alguém da classe de duque, apenas considere que essa pessoa é parente da família real.

Com as palavras de Louis gravadas na mente, Monica deixou escapar:

— …Conde é uma posição surpreendentemente alta, não é?

Para falar a verdade, Monica pensava que o título mais baixo da nobreza era conde.

Diante do murmúrio de Monica, Louis arregalou os olhos ao máximo e a encarou como quem vê algo inacreditável.

— Minha colega? Você tem o seu próprio título, não tem?

Os Sete Sábios recebiam um status especial de conde da magia, equivalente ao título de conde.

Em outras palavras, Monica era membro da nobreza, e também uma das poucas mulheres no reino a deter um título nobiliárquico, mas… nos últimos dois anos, ela vivera trancada em sua cabana, alheia à própria condição de nobre.

Pensando bem, ela se lembrava de ter recebido um comprovante de nobreza, um anel, e outras coisas quando se tornou uma dos Sete Sábios, mas não fazia ideia de onde havia guardado tudo. Provavelmente estava soterrado em alguma pilha de papéis na cabana.

Quando Monica confessou isso honestamente, Louis passou os dedos pela ruga entre as sobrancelhas e soltou um suspiro profundo.

— Para começar, vamos falar sobre os condes. Em geral, um conde que possui um território recebe seu título diretamente daquele território. Por exemplo, o Senhor Azure Norton é o Conde Kerbeck, que governa o território do Condado de Kerbeck. O mesmo vale para duques e marqueses.

— Existem condes sem território?

— Existem. Aliás, nós somos um deles, garota tola.

Condes sem território próprio eram chamados de condes palatinos. E o conde da magia era um deles.

— No caso de um conde sem território, costuma-se acrescentar “conde” ao sobrenome da família. No seu caso, você seria chamada de Condessa Everett.

Mesmo pessoas nascidas plebeias podem receber um título nobiliárquico, dependendo de suas conquistas.

Entre elas, não seria exagero dizer que o conde da magia é a posição mais alta que poderiam alcançar.

— Para ser sincero, existem muitos tipos diferentes de conde. Há aqueles à beira da ruína, vivendo como plebeus. Podem ter o mesmo título de conde, mas sua influência é muito diferente.

Entre esses condes, dizia-se que o conde da magia ocupava uma posição muito elevada. Afinal, os Sete Sábios estavam numa posição em que podiam expressar suas opiniões diretamente a Sua Majestade o Rei.

Porém, Monica nunca havia se encontrado com o rei fora das cerimônias. Isso porque Monica, que basicamente vivia trancada em sua cabana nas montanhas, faltava à maioria das reuniões dos Sete Sábios onde o rei ocasionalmente aparecia.

Em princípio, os Sete Sábios não eram obrigados a comparecer a eventos sociais, mas… como a pesquisa mágica precisava de patrocinadores, a esmagadora maioria dos Sete Sábios se envolvia ativamente nos círculos sociais.

Uma reclusa como Monica era uma raridade.

— O conde da magia tem relativa influência entre os condes, mas é um título não hereditário e sem território. Assim que você deixa de ser um dos Sete Sábios, perde o título. É por isso que todo mundo se esforça tanto para manter a posição.

— O senhor também é assim, Louis?

— Isso não é óbvio?

Louis respondeu imediatamente e olhou para Monica com os olhos afiados, numa careta.

— Não tenho a menor intenção de jogar fora minha posição atual. Por isso preciso garantir que essa missão secreta seja um sucesso.

No meio do chacoalhar da carruagem, Louis esticou o braço sem perder o equilíbrio e colocou o dedo perfeitamente entre os olhos de Monica.

— O fracasso não é uma opção, minha colega.

Aquela única palavra pregou o caixão de Monica, que nem sequer era apegada à sua posição de conde da magia.

Se Monica falhasse em proteger o príncipe, seria também um fracasso para Louis.

Se isso acontecesse, o que Louis faria com ela era algo que ela não queria nem imaginar…

Só de pensar nisso já dá vontade de vomitar.

Enquanto Monica empalidecia e segurava o estômago, Louis disse, num tom preocupado: “Ah, está enjoada da carruagem?”

* * *

Quando Monica e o grupo chegaram à mansão de Louis, na capital do reino, depois de uma viagem de carruagem que começara de manhã cedo, o sol de verão já começava a baixar um pouco.

Depois de uma longa viagem de carruagem e de ser bombardeada por Louis com conhecimentos sobre a nobreza, Monica andava cambaleante atrás dele. Se não fosse pelo apoio de Lynn, já teria caído no chão fazia tempo.

— Rosalie, cheguei.

Assim que Louis disse isso com voz animada, sua esposa, Rosalie Miller, saudou o grupo imediatamente.

— Bem-vindo de volta.

Comparada ao deslumbrante Louis, ela parecia ser uma mulher de aparência bem modesta. Vestia roupas simples, com poucos ornamentos, e seus cabelos castanho-escuros estavam presos num único coque.

Diferente de Louis, que expressava com cada fibra do ser o quanto sentira falta da esposa, a atitude de Rosalie era indiferente.

Quando Louis depositou um beijo na bochecha de Rosalie, ela nem moveu uma sobrancelha, e ficou olhando para Monica.

— Essa é?

— Assim como eu, ela é uma dos Sete Sábios, a Bruxa Silenciosa, Srta. Monica Everett.

Rosalie ficou um pouco surpresa, olhando para Monica.

Ela era jovem demais para ser uma dos Sete Sábios, mas, mais do que isso, provavelmente era o traje de Monica o motivo de tamanha surpresa.

Com seu corpo pequeno e magro, o robe surrado, e as tranças desgrenhadas, ela poderia ser confundida com uma vagabunda, tamanho o descuido com a própria aparência.

Porém, Rosalie logo se recompôs e fez uma reverência para Monica.

— Minhas mais profundas desculpas, Senhora [Bruxa Silenciosa]. Sou Rosalie Miller, esposa do [Mago da Barreira], Louis Miller. Permita-me agradecer pelos cuidados que a senhora tem dado ao meu marido.

— P-Pra-Prazer… e-em… c-conhecê-la…

Monica também curvou a cabeça apressadamente, mas mal conseguiu dizer isso com voz tensa. Por ser tímida, cumprimentar pessoas novas sempre fora algo difícil para Monica.

Enquanto ela se curvava de forma rígida, Louis a segurou pela nuca e a forçou a erguer o olhar.

— Rosalie, peço desculpas por chegar tão cedo em casa, mas… você poderia transformar isto de volta num ser humano?

— E-Eu s-sou um ser humano.

Diante da réplica de Monica, com voz de mosquito, Louis riu baixinho enquanto a segurava pela nuca.

— Sabe, minha colega? Agora mesmo, você parece uma boneca de palha em trapos. Se ficasse de pé num campo de trigo, com certeza seria confundida com um espantalho.

— T-Tão cruel…

Enquanto Monica fungava, Louis lhe lançou um olhar frio e disse:

— Se você tem algum problema com isso, por que não evolui para um ser humano e volta depois? Não tenho o menor interesse em interrogar um espantalho.

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