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Silent Witch – Volume 2 Capítulo 14

Proporção Áurea

Capítulo 14 – Proporção Áurea

Pouco antes de seus pulsos serem presos pelas correntes de gelo de Cyril Ashley, Monica havia ativado sua magia sem cântico.

O feitiço continha uma barreira protetora muito fina, incorporada a um feitiço de ocultação para evitar que ele percebesse sua magia. Em outras palavras, Monica estava usando sua magia sem que ele notasse, para proteger seus pulsos, especialmente para não sofrer queimaduras de frio.

Essa pessoa provavelmente é, no mínimo, uma maga de nível intermediário… Não, talvez já tenha alcançado o nível avançado.

As correntes que prendiam os pulsos de Monica eram robustas e construídas de forma intrincada. Era um feito que nenhum mago de baixo nível conseguiria realizar.

A única coisa que incomodava Monica era o ar frio que Cyril emitia constantemente por todo o corpo. Enquanto estava ao lado dele, sentia um leve frio no ar; quando se afastava, o frio era fraco o suficiente para não incomodar. Essa pessoa seria muito útil para ter em uma sala em um dia quente.

— E-Er… h-hum… p-para onde… v-você vai me levar…?

Monica, que conhecera Cyril com essa atitude tão arrogante, tinha dificuldade para falar depois de encontrá-lo pela primeira vez.

Cyril olhou para Monica e franziu a testa, incomodado.

— Pare com essas bobagens. Cale a boca e me siga.

— D-Desculpa…

— Essa forma de falar tem a intenção de zombar de mim?

O ar frio ao redor de Cyril ficou um pouco mais forte. O ar era ao mesmo tempo intimidador e gélido, fazendo um arrepio percorrer seu corpo, e sua nuca sentiu um calafrio.

— A pessoa que você está prestes a encontrar é alguém nobre, que uma garotinha com ar de plebeia como você jamais teria a chance de encontrar, nem que desse voltas no jardim de cabeça para baixo latindo.

Quem iria querer encontrar uma aberração que dá cem voltas no pátio de cabeça para baixo latindo? Foi o que Monica pensou, mantendo a boca fechada.

Por fim, Cyril parou em frente a uma porta magnífica, no quarto andar.

Então ele estalou os dedos, fazendo as correntes de gelo que prendiam os pulsos de Monica se dissiparem, como se estivessem derretendo no ar.

— Por favor, evite demonstrar qualquer desrespeito.

Depois de avisar Monica, Cyril bateu na porta.

— Trouxe Monica Norton comigo.

— Entre.

Depois de recolher habilmente sua atitude arrogante de antes, Cyril abriu a porta de maneira graciosa e fez sinal para Monica entrar.

— C-Com licença…

Dentro daquela sala enorme, um tapete escarlate se estendia pelo chão. Todas as salas da Academia Serendia eram muito mais extravagantes do que as de escolas comuns, mas esta se destacava entre todas elas.

No fundo daquela sala, um aluno estava sentado diante da escrivaninha.

Era um jovem de cabelos loiros cor de mel, que brilhavam com a luz que entrava pela janela, e olhos bonitos, de um azul misturado com um pouco de verde.

— Peço desculpas por chamá-la sem aviso prévio, Senhorita Monica Norton.

— V-Você é… a pessoa… de ontem…

E aquele jovem que havia recolhido as castanhas de Monica no jardim antigo a observava com o mesmo sorriso gentil de antes.

Quando Cyril viu Monica atordoada de surpresa, ele a encarou com raiva.

— Como ousa se comportar dessa forma diante dele?! Você sabe quem é este homem?

— Cyril, você poderia nos dar licença por um momento?

O jovem loiro disse com calma, mas Cyril gritou: “Não pode ser!”, com voz urgente.

— Eu não poderia deixá-lo sozinho com essa garota estranha. Se algo acontecer com o senhor…

— Obrigado pela preocupação. Mas estou bem.

— Mas…

Enquanto Cyril continuava a insistir, o jovem estreitou os olhos só um pouco.

Sua expressão calma permaneceu intacta, mas só de estreitar levemente os olhos, fez Cyril sentir uma pressão invisível.

— Você não confia em mim?

— Isso não é verdade! Eu acredito no senhor mais do que ninguém!

— Então você levou em conta os meus sentimentos? Sabe, eu odeio perder tempo com essas discussões inúteis.

Em resposta ao apelo desesperado de Cyril, o jovem de cabelos loiros falou com calma. No entanto, ao dizer a última palavra, sua voz ficou baixa e pesada.

— Por favor, me perdoe, eu ultrapassei os meus limites.

Cyril fez uma reverência profunda e saiu da sala; um instante antes de fechar a porta… ele encarou Monica com olhos tão afiados que pareciam prestes a fuzilá-la.

Confirmando que a porta estava fechada, o jovem loiro sorriu para Monica.

— Você conseguiu almoçar direito, esquilinho?

— Er… M-Muito obrigada… p-por me ajudar naquele dia.

Consegui. Fui capaz de agradecê-lo direito.

O objetivo de Monica para aquele dia era agradecer a Lana e a esse jovem por ontem. Tendo alcançado esse objetivo tão rapidamente, ela ficou feliz por dentro.

Em resposta a Monica, o jovem sorriu gentilmente e ergueu uma pilha de papéis de sua escrivaninha.

— Peço desculpas por chamá-la sem aviso, mas havia algo que eu realmente queria conversar com você.

— O-O que seria?

Em sua mente, Monica temia que ele fosse perguntar como ela entrava e saía do jardim antigo, mas o jovem disse “aqui” e lhe mostrou um documento. Eram números que lhe eram familiares. Descobriu-se que era o documento que Monica havia recolhido no dia anterior.

— Você disse ontem que havia trinta e nove erros nisto?

Quando Monica assentiu fracamente, o jovem largou os papéis na escrivaninha.

— Você estava certa. Eu só consegui encontrar trinta e oito erros, mas, quando revisei com cuidado, descobri que há de fato trinta e nove, como você disse antes. Como presidente do conselho estudantil, gostaria de agradecer a você.

— N-Não. N-Não é necessário…

Ouvir seus elogios sinceros deixou Monica encantada. Enquanto se contorcia e apertava os dedos de vergonha, ela de repente notou a palavra inexplicável e lentamente ergueu a cabeça.

— Você… é o presidente… do conselho estudantil?

— Sim.

O jovem assentiu com um sorriso no rosto, se levantou calmamente e fez uma reverência graciosa diante de Monica.

— Peço desculpas pela demora em me identificar. Sou Felix Ark Ridill, o septuagésimo quinto presidente do conselho estudantil da Academia Serendia. É um prazer conhecê-la, esquilinho.

— ……

O rapaz gentil que havia recolhido as castanhas para ela no dia anterior era, na verdade, o presidente do conselho estudantil.

Em outras palavras, ele era o segundo príncipe, o alvo da proteção de Monica.

No momento em que Monica compreendeu esse fato, ela pensou…

— Que alívio…

Foi uma única palavra.

Mas, enquanto Monica batia de leve no peito, aliviada, uma dúvida surgiu na mente de Felix, e ele inclinou a cabeça.

— O que a deixa aliviada?

— Ah, bem, ontem eu vi o senhor saindo disfarçado do dormitório masculino… Achei que a pessoa que gentilmente recolheu as castanhas fosse alguém mau, que queria matar Sua Alteza, mas, se era o próprio Sua Alteza, então fico aliviada.

— ……

— …ah.

Monica tapou a boca o mais rápido que pôde, mas já era tarde demais.

Na mente de Monica, surgiu Louis Miller, dizendo: “Essa sua língua está bem soltinha, hein. Por que não muda seu título de [Bruxa Silenciosa] para [Bruxa Tagarela], minha colega?”, e então rindo alto. Foi o quão fatal seu deslize de língua tinha sido.

— Ei, onde será que você viu isso?

Diante das palavras de Felix, Monica sentiu uma onda de suor brotar por todo o corpo.

Seria outra história vê-lo durante o dia, mas observar as janelas do dormitório masculino a partir da janela do dormitório feminino à noite, sem luz nenhuma, era muito difícil. A menos que se tivesse visão noturna como Nero, ou lançasse feitiços de visão noturna e visão à distância como Monica, seria impossível.

— Posso interpretar suas palavras como uma indicação de que você tem saído escondida do dormitório feminino no meio da noite, vagando pelos arredores do dormitório masculino?

— Não, v-você entendeu errado. Eu só vi por acaso quando abri minha janela…

— Acredito que ontem à noite não havia lua. Graças a isso, as estrelas ficaram ainda mais bonitas.

De forma indireta, ele estava lhe dizendo que ela não conseguiria vê-lo da janela, porque estava escuro demais.

Enquanto a boca de Monica se abria e fechava repetidamente, Felix deu um passo mais perto, com um sorriso no rosto.

— Então você viu alguém saindo do dormitório masculino à noite? De fato, isso pode ter sido uma pessoa suspeita. Mas não fui eu, no entanto. Você poderia descrever a aparência dessa pessoa? Além disso, acho que precisamos reforçar a segurança da escola.

— Eu… eu não consegui ver o rosto dele porque estava usando uma capa com capuz. M-Mas eu vi de relance o cabelo escuro dele.

Diante das palavras de Monica, Felix riu baixinho e beliscou uma mecha de seu cabelo loiro cor de mel com os dedos.

Ou talvez o que ele quisesse fosse provar isso à maneira dos estudiosos.

— V-Você sempre pode tingir o cabelo ou usar uma peruca para disfarçar, mas…

— Mas?

Monica cerrou os punhos e assegurou a Felix, que calmamente a incentivou a continuar.

— O homem de cabelo escuro de ontem e Sua Alteza… t-têm as mesmas proporções corporais.

— Sabe, não é incomum que as pessoas tenham proporções corporais parecidas.

— Não é parecido, é a proporção áurea!

— …hã?

Assim que Monica se empolgava, em vez de recuar em sua gagueira, ela tinha o mau hábito de perder a noção do que a cercava. E agora era exatamente assim.

Bem a tempo, havia um quadro-negro móvel na parede, usado para reuniões. Monica desenhou nele uma figura humana simples e um retângulo na altura da cabeça.

— Eu confio na minha capacidade de estimar com precisão o comprimento da maioria das coisas que vejo. Para começar, o formato da cabeça de Sua Alteza tem uma proporção horizontal para vertical de 1:1,618. Esse número é a proporção áurea, que os seres humanos consideram a mais próxima do que existe de mais belo. O número mais preciso da proporção áurea é 1:1,61803398… Continua e continua, mas não vou entrar em detalhes aqui. A pessoa que vi ontem à noite estava com capuz, então não consigo medir o número exato, mas, se eu fizer um cálculo aproximado com base no que dá para ver acima do capuz, ele se encaixa nesse número!

— ……

Sem prestar atenção à reação de Felix, Monica desenhou uma linha horizontal na altura do umbigo da figura no quadro-negro. Em outras palavras, parecia um diagrama do corpo humano dividido em partes superior e inferior. Ela escreveu “1” acima do umbigo e “1,618” abaixo do umbigo.

— Mesmo com roupa, o comprimento das pernas pode ser usado para determinar a posição aproximada do umbigo. E a proporção entre a metade superior e a metade inferior do tronco da pessoa de ontem à noite e de Sua Alteza também seguia essa proporção áurea, quando o tronco é dividido na altura do umbigo. E tem mais! Quando o corpo inferior é definido como 1, o comprimento total do corpo superior e inferior é 1,618. É como se tudo tivesse sido calculado na proporção áurea! Pessoas assim não aparecem com frequência! Se eu conseguisse medir com uma fita métrica, minha teoria se provaria… cor… reta…

Monica, que estava respirando com dificuldade, finalmente recobrou os sentidos.

O que eu fiz…

Enquanto Monica cambaleava diante dele, ainda segurando o giz, Felix estava…

“Da última vez que fiz as medições, os números eram…” — murmurou displicentemente, e fez alguns cálculos.

Então, com uma expressão satisfeita no rosto, bateu palmas.

— Ah, realmente é 1:1,6.

— ……

— Já recebi muitos elogios sobre minha aparência, mas essa é a primeira vez que sou elogiado dessa maneira.

Ouvir que seu tom era mais divertido do que sarcástico deixou Monica extremamente perplexa. E então ela vasculhou desesperadamente a mente em busca de desculpas, tentando pensar e repensar, até que… depois de muita hesitação, ela veio com esta desculpa.

— A espiral áurea é baseada na proporção áurea, que tem um raio definido pela sequência de Fioretti. Essa é uma sequência numérica muito bonita, descoberta por um matemático chamado Fioretti há cerca de seiscentos anos! Como não seria bonita?!

Será que ela pretendia continuar com esse tipo de desculpa?

Se Louis Miller estivesse ali, ele estaria moendo a cabeça dela com um longo sermão, mas Felix apenas sorriu e olhou para Monica.

— Você elogiou mais a sequência do que a mim, não foi?

— D-D-Desculpaaaaaa!

— Então, você não vai negar?

Ela sabia que seria desrespeitoso se concordasse com a cabeça ali.

Ainda assim, Monica não conseguia trair os “números”.

— Eu não conheço nada mais bonito do que números…

Felix soltou um suspiro e ajeitou de leve sua franja um tanto comprida.

— Em honra ao seu entusiasmo pelos números, vou lhe dar uma resposta sincera. A pessoa de cabelo escuro que você viu ontem era eu. Eu estava saindo escondido da escola para me divertir à noite.

— D-Divertir-se à noite?

A ideia de Monica de diversão noturna era beber em um restaurante reluzente com uma bela dama. Será que Sua Alteza também fazia esse tipo de coisa?

Para ser sincera, Monica não tinha interesse em como o segundo príncipe se divertia, mas, como ele era o alvo de sua proteção, ela não podia simplesmente ignorar isso. Se alguém o atacasse enquanto estivesse se divertindo à noite, seria um desastre.

— Não seria um baita problema se o segundo príncipe fosse pego saindo escondido para se divertir à noite? Espero que consiga manter isso em segredo entre nós. Se conseguir, não vou perguntar de onde você estava me observando ontem à noite.

É claro que ela não tinha nenhuma intenção de contar a ninguém, então Monica assentiu vigorosamente.

Ah, que alívio. Parece que não vou ser culpada e expulsa da escola.

Felix segurou a mão de Monica, que batia secretamente no próprio peito, com um gesto muito natural. O corpo inteiro de Monica se retesou instantaneamente, e começou a tremer levemente.

— Er… h-há mais alguma coisa… que precise de mim?

— Sim, não tenho certeza se você merece compartilhar um segredo comigo, então… deixe-me ver se você é digna da minha confiança.

Com isso, Felix segurou a mão de Monica, enquanto seus olhos azuis brilhavam misteriosamente.

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