Capítulo 15 – Pele de Cordeiro
Segurando o braço dela, Felix a conduziu até a sala de arquivos, bem ao lado da sala do conselho estudantil.
Eram belos armários trancáveis, com documentos densamente organizados em seu interior.
— O armário no fundo tem a lista de nomes dos ex-alunos, ao lado está a lista dos alunos atuais, e ao lado desse, a lista dos nossos professores. E isto aqui são todos os documentos relacionados a eventos.
Felix explicou o que estava guardado em cada um dos armários e parou em frente à prateleira mais à direita.
— Aqui é o armário de contabilidade.
Felix tirou um molho de chaves do bolso do paletó, destrancou um armário, e retirou alguns documentos.
Naquele lugar, algumas mesas e cadeiras haviam sido dispostas para trabalho. Felix colocou os documentos ali e olhou para Monica com um sorriso.
— Eu gostaria de lhe pedir para revisar nossos registros contábeis dos últimos cinco anos.
A maioria das pessoas teria franzido a testa para ele, se perguntando por que teria que fazer aquilo.
Mas Monica não conseguia deixar de sentir uma coceira de vontade diante daqueles registros contábeis.
Afinal, os trabalhos que se acumulavam em sua cabana na montanha estavam sendo atribuídos a outras pessoas por Louis Miller.
Então, naquele momento, Monica estava faminta por números.
— Er, e-eu realmente posso fazer isso…?
Ao ouvir sua voz ansiosa, com alegria mal disfarçada, Felix assentiu e disse “Claro” para ela.
— Se estiver preocupada com sua aula, posso falar com o seu professor. Espero que consiga terminar antes do almoço… então, tudo bem se eu deixar tudo isso com você?
— Sim!
Assim que respondeu, Monica começou a folhear os livros contábeis com entusiasmo.
Fazia muito tempo que ela não fazia algo assim, então seus olhos brilhavam intensamente naquele momento.
* * *
Muito bem, então…
Depois de observar de relance Monica, que começara a revisar os livros contábeis, Felix deixou cair casualmente o molho de chaves do bolso.
Houve um leve tilintar, mas Monica não pareceu notar. Mas ele pensou que, como o deixara cair no espaço entre a mesa de trabalho e os armários de arquivo, ela certamente notaria quando fosse até os armários.
Então Felix deixou a sala do conselho estudantil, deixando Monica sozinha nos arquivos.
No corredor, Cyril Ashley esperava com afinco bem em frente à porta.
A sala do conselho estudantil fora projetada para ser à prova de som, então bisbilhotar era difícil, mas, ainda assim, ele já esperava que Cyril soubesse parte da conversa, depois de colar o ouvido na parede.
— Vossa Alteza, aquela garotinha…
— Eu lhe atribuí uma tarefa.
No momento em que Felix disse essas palavras, Cyril se assustou, com os olhos arregalados ao limite. Quando Cyril não estava falando, ele era, na verdade, bastante charmoso, combinado com um rosto frio e inteligente, mas suas emoções eram voláteis demais.
— Vossa Alteza, se há um trabalho a ser feito, por que teve que pedir a uma garotinha dessas… Se me der uma ordem, eu, Cyril Ashley, certamente a cumprirei.
— Você tem confiança de conseguir revisar todos esses registros de cinco anos até a hora do almoço?
Cyril engasgou com as palavras, resmungando, mas logo respondeu com uma expressão tensa.
— Se é isso que Vossa Alteza ordena…
Tanto Felix quanto Cyril conheciam o volume descomunal daqueles registros. Se começassem a trabalhar agora, mal conseguiriam terminar até a hora do almoço.
Quem estivesse acostumado a gerenciar os documentos do conselho estudantil talvez conseguisse, mas, do contrário, precisariam de pelo menos mais meio dia.
— Vossa Alteza, será que… tem certeza de que quer que alguém de fora do conselho estudantil, como aquela garotinha, revise nossos registros contábeis?
A testa de Cyril se franziu em confusão, mas logo ele pareceu perceber algo, e seu rosto se iluminou.
— Entendi! Então isso é um castigo para aquela garotinha que desrespeitou o senhor, Vossa Alteza! Se ela não terminar a tempo, poderá ser punida por desobedecer suas ordens!
Felix não disse se estava certo ou errado, apenas instruiu Cyril com calma.
— Acho que ela não vai conseguir assistir às aulas da manhã. Você poderia avisar o professor titular da Senhorita Monica Norton de que vou tomar emprestado o tempo dela por um momento?
— Imediatamente!
Cyril, tendo recebido ordens para cumprir sua tarefa, seguiu para a sala dos professores com um andar tão ágil que parecia prestes a saltitar.
Enquanto Felix o observava partir com um sorriso, uma vozinha pequena veio de seu peito.
— Tem certeza disso?
Do bolso do peito de Felix, um pequeno lagarto espiou para fora, mostrando apenas a cabeça. O lagarto tinha escamas brancas com um leve tom azulado e olhos azul-escuros. Era uma coloração que jamais seria possível em um lagarto comum.
Movendo apenas os olhos, Felix olhou para baixo, para o lagarto em seu bolso do peito.
— Está tendo alguma dúvida?
O lagarto moveu a bochinha e sussurrou para Felix.
Felix riu baixinho, pela garganta.
— Will, o que você acha da Senhorita Monica Norton?
— Acho que ela é uma garotinha estranha.
— Bem, isso é verdade, mas… o que importa é de que lado ela está.
Monica Norton havia entrado no jardim antigo interditado e até vira Felix saindo escondido do dormitório masculino à noite. Era difícil acreditar que ela fosse apenas uma pessoa comum que por acaso estava ali.
— Consigo pensar em três possibilidades. A primeira é que meu avô a enviou para me vigiar. A segunda, que Sua Majestade a enviou para me proteger. A terceira, que ela é uma assassina enviada para me matar.
— Tenho minhas dúvidas quanto às duas primeiras opções. Além disso, o Duque Crockford e Sua Majestade não mandariam alguém assim para vigiar o senhor. Afinal, ela era… bem, o senhor sabe…
Sim. Qualquer um que a visse a consideraria uma pessoa desajeitada.
E o Duque Crockford jamais usaria alguém tão incompetente. Nem Sua Majestade, o Rei, tampouco.
Portanto, a mais plausível era a terceira opção — Monica Norton era a assassina que queria matar Felix…
— Para alguém que teria como alvo minha vida, o jeito como ela age é tosco demais.
— De fato…
— Ela nem sabia como eu era, para começar.
Se Monica Norton fosse uma assassina que queria matar Felix, ela deveria tê-lo atacado quando se encontraram no jardim antigo.
Para completar, quando Monica viu Felix saindo escondido do dormitório masculino, ela cometeu um grande deslize de língua e disse: “Achei que o senhor fosse um assassino tentando matar Sua Alteza.”
— Vossa Alteza, e se… ela for mesmo só uma colegial que não sabe de nada?
— No momento, ainda estou avaliando-a.
Se Monica Norton tivesse vindo a esta escola com algum propósito, certamente tentaria vasculhar os documentos nos arquivos usando a chave que Felix deixara cair.
— Todas as portas daqueles armários de arquivo estão cobertas com fios ultrafinos. Se ela tentar abrir uma delas, eu vou saber na hora.
Se Monica tivesse usado a chave que encontrara para vasculhar os documentos nos armários, Felix saberia imediatamente quais documentos ela procurava.
Foi por isso que Felix contara a Monica exatamente o que havia em cada armário.
— Bem, vamos esperar até a hora do almoço, não é? Assim que a hora do almoço chegar, poderemos arrancar a pele de cordeiro dela.
— E se não sair?
Quando o lagarto branco perguntou isso, Felix estreitou os olhos azuis e sorriu.
— Eu tenho um certo carinho por animais pequenos. Não seria divertido ter um na sala do conselho estudantil?
Era difícil dizer se Felix estava brincando ou falando sério ao dizer isso, mas o lagarto branco deslizou de volta para o fundo do bolso, então…
— …Talvez eu não consiga transformá-la em um animal pequeno. Mas vou fazer o meu melhor para transformá-la em algo parecido.
Felix riu alto, algo incomum para ele, e saiu do lugar com passos leves.