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Silent Witch – Volume 5 Capítulo 35

Uma Xícara de Bebida Inadequada

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Capítulo 35 – Uma Xícara de Bebida Inadequada

Enquanto caminhava rapidamente pelo corredor, Monica apertou o coração, que disparava, por cima do uniforme.

Não me diga… não me diga que ela percebeu? Que ela percebeu que eu sou a Bruxa Silenciosa…

Desde que se tornara uma dos Sete Sábios, ela mantivera o rosto escondido na maior parte do tempo, então as únicas pessoas que conheciam o rosto de Monica eram seus colegas Sete Sábios.

Ou talvez fossem conhecidos de sua época na Minerva? Mas Monica, que era extremamente inábil socialmente, ficava praticamente confinada ao laboratório, e, se tivesse visto uma mulher tão marcante e bonita quanto Claudia em algum lugar, com certeza se lembraria dela.

É-É só uma coincidência… certo…?

Só aconteceu de ela trazer esse assunto à tona. Devia ser isso.

Dizendo isso a si mesma, Monica abriu a porta para entrar na sala de preparo. Comparado a antes de a cerimônia começar, havia menos gente. Quase todas as criadas provavelmente estavam servindo as convidadas na cerimônia do chá.

Um tanto aliviada pelo menor número de pessoas, Monica se virou para a prateleira onde colocara suas latas antes.

— Hã…?

Olhando para a prateleira, Monica se enrijeceu. As latas de folhas de chá de Monica haviam sumido.

A lata de folhas de chá de Casey estava na mesma posição que Monica se lembrava. Mas o espaço ao lado, onde Monica colocara suas latas, estava vazio.

Ela tinha certeza, porém, de que havia colocado um papel dobrado e três latas em cima dele.

Sentindo um mau presságio, o sangue se esvaiu do corpo de Monica.

Não era a primeira vez que Monica se via diante desse tipo de situação. Exatamente como ela suspeitara.

Com as mãos trêmulas, Monica ergueu a tampa da lixeira.

— …ah.

Misturadas às cascas de chá usadas e latas vazias, estavam folhas de chá intactas espalhadas por todo o lixo. Ela também encontrou seu papel dobrado.

— Como puderam com o meu…

Monica se agachou no lugar, desamparada. Sem as folhas de chá, ela não conseguiria preparar chá. Isso significava que não podia continuar a aula.

O que eu faço…?

Lágrimas lentamente se acumularam em seus olhos. Por mais boa maga que Monica fosse, ela não conseguia voltar no tempo.

Enquanto engolia um soluço e fungava, ouviu uma voz familiar atrás de si.

— O que houve, Monica? Você não está se sentindo bem?

Casey se ajoelhou ao lado de Monica e esfregou suas costas.

Quando Monica perguntou com voz fraca por que ela estava ali, Casey coçou a bochecha com uma expressão complicada.

— Fiquei preocupada porque você não tinha voltado, então vim ver como você estava… acho que não deu certo. Desculpa, para ser sincera, estava difícil ficar lá…

Bem, aparentemente ela não aguentava mais a atmosfera tensa entre Lana e Claudia, e escapuliu do lugar sob o pretexto de vir verificar Monica.

Casey olhou para as folhas de chá espalhadas na lixeira e pareceu compreender a situação. Franziu a testa e fitou a lixeira.

— Terrível… quem faria uma coisa dessas?

Casey então enxugou as lágrimas de Monica com um lenço e falou com ela em um tom gentil, como se fosse uma criança pequena.

— Ei, você tem alguma folha de chá sobrando no dormitório? Acho que você poderia servir algum chá que costuma beber…

— Não tenho nenhuma…

Como Monica não bebia chá em geral, nunca tinha estoque.

Se pedisse à Senhorita Isabelle, ela talvez estivesse disposta a compartilhar de novo, mas estava no meio da própria aula agora.

Enquanto Monica fungava baixinho, Casey pensou por um instante antes de pegar sua própria lata de chá.

— Só usa as minhas folhas de chá. Eu sei que isso significa que vamos servir o mesmo tipo de chá, mas é melhor do que acabar sem nada para servir.

— Mas… e-eu não posso te dar esse trabalho…

Se servissem o mesmo chá, seria avaliado como falta de preparação prévia.

Então, não só Monica, mas Casey também receberia dedução de pontos.

Mas Casey se manteve tão despreocupada quanto antes, balançando as mãos, dispensando a preocupação.

— Não se preocupe com isso. Não me importo com que tipo de chá é servido num chá da tarde, contanto que seja gostoso e agradável, isso é tudo o que importa.

Parando de fungar, Monica então olhou para as folhas de chá na lixeira.

Casey certamente tinha razão. Mais importante ainda, se voltasse ao chá da tarde sem conseguir preparar o chá, poderia reprovar na aula.

Mas…

Monica cerrou os punhos e se levantou com as pernas trêmulas.

Então se virou antes de sair correndo da sala de preparo.

— Monica! Aonde você vai?!

— D-Desculpa, eu volto logo!

Depois de dizer isso, Monica saiu correndo em direção ao seu quarto no dormitório.

* * *

Lana encarou Claudia com irritação enquanto mordia o bolo de manteiga.

Claudia parecia estar fitando Monica se afastar, mas a atmosfera voltou a ficar sombria assim que ela saiu de vista.

Seus longos cílios negros se baixaram enquanto fitava a xícara de chá, tornando sua beleza tão delicada. E, ainda assim, a melancolia e a inacessibilidade que exalava eram impressionantes à sua própria maneira.

O que é isso? O que é isso? O que é isso…?

Lana mordeu o lábio e então baixou o olhar para a xícara de chá que servira.

Embora rico, o pai de Lana não nascera nobre. Ainda que viesse de uma rica família de mercadores, por causa de suas contribuições para o desenvolvimento da cidade, recebera um título nobiliárquico pouco antes de Lana nascer.

Lana fora criada com os melhores luxos e vestidos na moda, desde que conseguia se lembrar.

Todos diziam que Lana era uma “jovem abençoada”.

Mas Lana era solitária.

Entre as crianças de famílias sem títulos, a abençoada Lana sempre se sentia deslocada. Ela não se encaixava bem com as outras crianças, e era acusada de se gabar de suas riquezas.

Foi por isso que ela pensou que conseguiria fazer amigos parecidos com ela se entrasse na Academia Serendia, onde a maioria das crianças nobres estudava.

No entanto, em uma escola onde linhagem e prestígio importavam, Lana era tratada como filha de uma família rica sem refinamento. Para completar, seu pai era acusado de ter comprado o título com dinheiro.

Você não tem senso de decência, não tem senso de boas maneiras, não entende as regras não ditas da nobreza… Quanto mais diziam essas palavras a ela, mais teimosa Lana se tornava.

Quando Lana se aproximou de Monica pela primeira vez, foi apenas por impulso.

Como Monica não era tão boa quanto ela e se destacava na turma, cuidar dela satisfazia um pouco o orgulho de Lana.

Acima de tudo, embora Monica tendesse a baixar a cabeça, quando Lana lhe oferecia uma pequena ajuda, ela sorria como uma pequena flor desabrochando. Essa sensação de cócegas fazia Lana não conseguir deixá-la em paz. Sempre que Monica olhava para Lana com respeito, o coração de Lana se enchia um pouco de alegria.

Na verdade, ela esperava pelo olhar de admiração de Monica naquele chá da tarde. Até escolhera as folhas de chá com grande entusiasmo, mas Claudia apontara que seu chá era mal combinado, despedaçando o orgulho de Lana.

Por que sempre acabava assim?

Tudo que eu queria era… dar à minha amiga o melhor chá que eu pudesse.

Isso trouxe de volta lembranças de sua infância, quando servia os melhores pastéis e chás aos amigos que convidava para sua casa, só para ser criticada por “se gabar de ser rica” pelas costas.

Lana simplesmente queria dar à amiga a coisa mais maravilhosa para comer.

— Bem, desculpa pela longa espera.

Casey, que estivera ausente, voltou rapidamente. Mas Monica não estava ao seu lado.

Lana perguntou com os olhos: “Cadê a Monica?” Casey coçou a bochecha com uma expressão vaga e se sentou.

— Hum, bem… acho que ela vem para cá logo.

— Você não estava ajudando a Monica a preparar o chá, estava?

Em resposta à pergunta de Lana, Casey murmurou secamente: “Não, é que…”

O que estava acontecendo, exatamente? Algo acontecera com Monica?

Enquanto Lana se endireitava, um cheiro suave e agradável fez cócegas em seu nariz. Mas não era cheiro de chá.

— O-Obrigada… por esperar…

Com seus pés instáveis e cambaleantes, quase de forma perigosa, Monica se aproximou da mesa. Na bandeja em suas mãos estavam uma xícara vazia e uma cafeteira desconhecida.

Monica colocou a bandeja na mesa e enxugou o suor da testa. Parecia que só carregar a bandeja até ali já fora uma tarefa e tanto para a nada atlética Monica.

Claudia, que parecia desanimada, lentamente ergueu a cabeça e fitou a cafeteira.

— …isso não cheira a chá.

— Isto… é café…

Olhando diretamente para Claudia, Monica disse com voz trêmula.

— L-Lady Claudia. Já que a senhorita disse que, se a gente começar o chá com algo de sabor forte, isso vai entorpecer a língua… Então, já que eu sou a última, ter café de sabor forte não deveria ser um problema.

— Café é uma bebida para homens. Não acho apropriado para um chá da tarde de mulheres.

O que Claudia dissera estava correto. O café, de fato, se tornara bastante popular naquele país, e, embora existissem cafeterias, eram principalmente os homens que o bebiam.

Acima de tudo, o café tinha um sabor amargo e ácido forte, o que dificultava agradar a todos. Embora Lana já o tivesse experimentado algumas vezes, não gostava muito dele.

Mas, ainda assim, Monica falou com firmeza, algo incomum para ela.

— N-Não se preocupe. Acho que vai ficar delicioso, então…

Em seguida, ela serviu o café da cafeteira nas xícaras, e acrescentou leite aquecido em três delas.

— C-Como é para ser bebido como um refrescante de paladar depois de uma refeição, eu realmente gostaria que bebessem puro, mas sei que muita gente não gosta de amargor, então coloquei leite nas suas xícaras. Podem colocar mais açúcar se quiserem.

Depois que as xícaras foram entregues a todas, Claudia foi a primeira a erguer a sua. Depois de sentir o aroma, bebericou.

— ……

A atitude sem reação de Claudia a assustou um pouco.

Tanto Lana quanto Casey colocaram açúcar nas próprias xícaras antes de bebericar timidamente.

— O que é isso… não tem amargor nem acidez nenhuma.

Murmurando, Lana bebericou o conteúdo da xícara mais uma vez. A suavidade do leite envolvia o amargor refrescante.

Aquele era um sabor que Lana jamais experimentara antes.

Casey também observava a xícara de perto, surpresa.

— Ei, eu nunca tinha tomado um café assim antes… será que é normal ser tão fácil de beber?

Era compreensível que Casey dissesse isso.

Falando em café, até muito tempo atrás, costumava ser feito fervendo os grãos moídos e depois adicionando açúcar. Mas, depois que sifões e outras ferramentas se popularizaram recentemente, muitos cafés saborosos começaram a aparecer.

Ainda assim, o café que Monica preparara era mais do que saboroso.

Claudia fitou a cafeteira prateada e então murmurou.

— …o café fica mais amargo quanto mais tempo é preparado.

— S-Sim… É por isso que uso esta cafeteira para fazer uma extração rápida. Ela usa a força do vapor para preparar o café em pouco tempo…

— …nunca vi este aparelho antes. Nem mesmo em um livro.

Diante do murmúrio de Claudia, Lana e Casey arregalaram os olhos.

Claudia provavelmente era a pessoa mais versada ali… não, talvez em toda a escola.

Tendo nascido na linhagem de uma família com uma quantidade tão vasta de conhecimento, era apelidada de “biblioteca ambulante”.

E, para alguém como ela, como podia haver algo que ela não conhecesse?!

Claudia bebeu o conteúdo da xícara por completo e olhou para Monica com olhos azuis ainda indecifráveis.

— Entendo, não é uma má forma de me pegar desprevenida. Mas isto é uma “aula de cerimônia do chá”, lembra? Uma bebida que nem sequer é chá está completamente fora dessa categoria.

— B-Bem, eu acho que sim… M-Mas…

Monica baixou o olhar e pegou sua própria xícara.

Sua xícara era a única que não tinha leite. Ela provavelmente estava acostumada a beber café amargo.

— Eu… eu queria que minha querida amiga bebesse o que eu mais amo… Então… Er…

Envolvendo a xícara com as duas mãos, Monica sorriu com amargura.

— …suponho que eu tenha sido a pessoa mais deslocada deste lugar.

Ilustração

A mente de Lana ficou em branco ao ver Monica rir “hehehe”.

Por que ela sorriu assim? Como ela conseguia sorrir assim?

Lana pensara que seu chá era o mais deslocado naquela mesa, mas agora Monica trouxera café, ainda mais deslocado para um chá da tarde. Ela provavelmente receberia dedução de pontos.

Lana engoliu o conteúdo da xícara de uma vez.

— Foi uma bebida agradável… combina com o meu paladar — disse Lana, tentando conter as lágrimas, olhando para o sorriso de Monica, que ainda parecia uma flor desabrochando.


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