Capítulo 38 – Ah, A Altura
Quando Monica relembrava as memórias do pai, a única coisa de que conseguia se lembrar era da figura de suas costas.
Sua figura voltada para a mesa, dia após dia, como pesquisador.
Pai… Pai…
Na esperança de que ele voltasse o olhar para ela, a jovem Monica só conseguia estender a mão em direção às suas costas… só para recuá-la em seguida.
Ela entendia que o pai fazia um trabalho importante, e era por isso que não queria incomodá-lo.
Mas, como se tivesse ouvido a voz interior de Monica, ele parou a mão que escrevia e voltou o olhar para ela.
Atrás dos óculos, em seu rosto cheio de barba, estavam os olhos calmos de uma pessoa inteligente. Seu pai sempre tinha uma postura serena.
Seu pai alcançou a mão que ela estava recuando, e a envolveu com as duas mãos. Isso deixou Monica tão feliz que não conseguiu conter a voz.
— …Ehe… Pai…
— Hum? Será que eu sou tão velho assim?
— Vossa Alteza, não há necessidade de escutar as bobagens dessa garotinha.
— Ah, achei que você fosse acordá-la com um tapa?
— B-Bem… quer dizer… essa garota está doente…
Uma voz familiar veio bem de cima dela.
Monica gemeu baixinho antes de abrir os olhos.
Aparentemente, estava em uma cama na enfermaria. Era o mesmo lugar para onde a haviam levado antes.
Monica encontrou duas figuras de pé ao lado da cama onde dormia. Brilhando na luz mais fraca, eram loiro cor de mel e loiro-platinado.
— Vossa Alteza e… o senhor Ashley…?
Felix Ark Ridill, o presidente do conselho estudantil, e Cyril Ashley, o vice-presidente.
Quem segurava a mão de Monica era Felix.
Por que essas duas pessoas estavam ali? Por que Felix segurava a mão de Monica?
A mente de Monica, que começava a despertar lentamente, se lembrava vagamente dos eventos que a haviam levado até ali.
Se bem me lembro, minha cabeça ficou tonta depois de beber aquele chá amargo…
A partir daí, o resto de sua memória era muito vago. Ela tinha a sensação de ter tido um pesadelo.
— Você foi drogada pela filha do Conde Norn no chá da tarde. Envenenada, você ficou em um torpor terrível.
— !!!
Monica empalideceu rapidamente e puxou a própria mão para longe da de Felix. Em seguida, rolou para fora da cama e forçou o corpo ainda fraco a colocar a testa contra o chão.
— Ei, garotinha, o que você está fazendo?!
Cyril pareceu surpreso e tentou fazer Monica se levantar.
Mas Monica permaneceu prostrada no chão, os lábios imóveis tremendo enquanto forçava as palavras para fora.
— …Peço desculpas… por qualquer inconveniente… que eu possa… ter causado.
Assim que disse essas palavras, sentiu náusea por causa delas. Sua cabeça girava e sentia tontura.
Ainda assim, sentia que precisava se desculpar. Porque Monica arruinara o chá da tarde e causara um alvoroço, só isso.
— Peço desculpas… por não conseguir estar à altura como membro do conselho estudantil…
Lágrimas se acumularam em seus olhos enquanto se desculpava. De alguma forma, o fundo dos olhos estava extremamente quente. Lágrimas transbordavam de suas glândulas lacrimais, que ficaram ainda mais soltas do que o normal.
— Senhorita Norton, por favor, erga a cabeça.
Felix se ajoelhou e acariciou o cabelo de Monica. Mas ela não conseguia erguer a cabeça.
Eles deviam estar tão decepcionados com ela, pensando que era uma pessoa ignorante, incapaz até de se comportar direito em um chá da tarde.
Havia tantas coisas pelas quais ela conseguia pensar em se culpar. Enquanto moía o próprio coração, pensando em palavras intermináveis para se culpar, uma mão mergulhou na axila de Monica.
Aquela mão ergueu Monica como quem ergue um gatinho.
— Ei! Como ousa fazer Sua Alteza se ajoelhar diante de você?!
Fora Cyril quem erguera Monica.
Ah, por causa de sua incapacidade de se comportar, o senhor Ashley ficara bravo com ela de novo… pensou Monica, soluçando, sendo respondida apenas por um resmungo de Cyril.
— Você foi a vítima! Por que uma vítima ficaria se desculpando?
— M-Mas…
— Uma pessoa doente com semblante mortal não deveria falar bobagem! Da próxima vez que sair da cama sem permissão, eu vou te amarrar nela com uma corda!
Cyril ergueu as sobrancelhas ao fazer uma declaração bastante assustadora.
— Nossa, o que você está delirando na enfermaria? …Meu. Que. Rido. Irmão?
A cortina que dividia a cama balançou, revelando nada menos do que um belo rosto.
Cabelos negros e lisos, e olhos de lápis-lazúli. Uma jovem dama de beleza notável e atmosfera sombria, era Claudia.
Irmão?
Cyril fitou Claudia com uma expressão assustada no rosto, e então curvou os lábios em um franzido e caiu em silêncio.
Felix, por outro lado, deu a Claudia um sorriso radiante.
— Senhorita Claudia Ashley, graças aos seus excelentes primeiros socorros, uma aluna foi salva. Como presidente do conselho estudantil, gostaria de agradecer do fundo do coração. Obrigado.
— …foi um prazer ajudar.
Por algum motivo, Claudia parecia desconfortável, mesmo sendo agradecida pelo príncipe daquele país.
Diante dessa atitude, que poderia ser interpretada como desrespeitosa, Cyril ergueu as sobrancelhas.
— Sua Alteza a honrou com os elogios dele. Você deveria demonstrar um pouco mais de gratidão.
— Nossa, você quer que eu balance o rabo como um cachorro bobo elogiado, igual alguém fez?
Claudia conseguiu executar um movimento astuto de riso sarcástico, com uma expressão vazia no rosto.
Como esperado, aquela atitude, que irritava a maioria das pessoas, fez as veias de Cyril saltarem.
— Quem você está chamando de cachorro?!
— Ninguém disse nada sobre você, meu querido irmão. Nossa, o que há de errado com o seu rosto? Eu tentei carregar a doente Monica Norton nos braços, mas, por causa da minha falta de força, no meio do caminho, fiquei sem energia, então pedi para o presidente assumir, foi isso. Meu. Que. Rido. Irmão.
Diante das palavras ditas em voz indiferente, Cyril ficou vermelho, depois pálido, e, por fim, seu rosto ficou completamente branco. Ele simplesmente se sentia patético.
— …Desculpa… se eu for pesada…
Enquanto Monica se esforçava para continuar a conversa, Cyril rangeu os dentes com força. Mas não disse nada.
O que eu faço?, pensou Monica, perturbada, e Felix acariciou a bochecha dela.
— Você não é pesada. Na verdade, estou surpreso de como é leve. Você precisa comer um pouco mais.
— S-Sim…
Depois que Felix recolocou o cobertor de Monica, voltou a atenção para Cyril.
— Bem, acho que não devemos ficar muito tempo na enfermaria feminina. Vamos sair logo.
A expressão de Cyril, que fora esticada por Claudia, voltou ao normal, e ele assentiu “sim” às palavras de Felix.
Então ele lançou um olhar para Monica e lhe disse.
— Monica Norton. Você não precisa vir à sala do conselho estudantil hoje. Se vier, considere que não há trabalho nenhum para você fazer lá.
— Você deveria voltar para o dormitório e descansar bem.
Com isso, Cyril e Felix viraram as costas para Monica.
Claudia tirou um lenço do bolso e o agitou no ar, para se exibir. Com uma expressão vazia, é claro.
Essa atitude descarada de Claudia fez as têmporas de Cyril se contraírem.
— Claudia. Fique de olho nessa garotinha para garantir que ela não escape da enfermaria para ir à sala do conselho estudantil.
— …Nossa, se você estava preocupado, por que não disse logo? Você olhou para o rosto adormecido de Monica Norton com grande preocupação, Meu. Que. Rido. Irmão.
Cyril tremia da cabeça aos pés, e Felix ria baixinho da interação entre os dois irmãos enquanto saíam da enfermaria.
Depois que saíram, a enfermaria ficou instantaneamente silenciosa. Monica reuniu coragem e falou com Claudia.
— Er… M-Muito obrigada pela sua ajuda com os primeiros socorros…
— …até onde você se lembra?
— Até o ponto em que bebi o chá…
Depois disso, tudo o que se lembrava era de estar tendo um pesadelo. A coisa seguinte que soube foi que estava em uma cama na enfermaria.
Claudia se sentou em uma cadeira próxima e jogou para trás os longos cabelos negros.
— O chá foi contaminado com um colírio dilatador de pupilas.
— …um colírio? …ah, é por isso que, mesmo em um lugar iluminado, as pupilas delas estavam…
Monica se sentira incomodada com Caroline desde que a confrontara no chá da tarde no pátio.
Normalmente, quando alguém está em um lugar bem iluminado, as pupilas encolhem para regular a quantidade de luz que entra nos olhos. No entanto, as pupilas de Caroline estavam bem abertas.
— Er, a Lady Caroline tinha alguma doença nos olhos?
— Esses colírios são para fins cosméticos. As idiotas que acreditam cegamente que, quanto maiores as pupilas, mais bonita você é, acabam se metendo com esses colírios sem saber os efeitos colaterais.
O colírio que Caroline carregava era originalmente destinado ao tratamento de doenças oculares. Contanto que usado na dosagem correta, não era um problema, mas, se usado de forma errada, podia ser venenoso.
E ela colocara na xícara de chá de Monica.
— Aquele colírio estava misturado com uma combinação de ingredientes que o deixavam muito amargo. Elas estavam planejando fazer de você motivo de riso, fazendo você engasgar ao beber o chá contaminado…
Foi por isso que Caroline escolhera o pátio mais cheio.
Toda a ideia era ridicularizar Monica diante da multidão, enquanto ela engasgava desconfortavelmente ao beber o chá.
No entanto, o que Caroline não calculara foi o fato de que Monica bebeu tudo de uma vez.
— Aquilo… uh… era amargo, mas não era intragável.
— Para que você acha que serve o paladar das criaturas? Não é para saborear comida deliciosa. É para distinguir sabores e evitar os perigos de toxinas.
Monica foi repreendida de forma indireta por não conseguir evitar o perigo, e caiu em silêncio.
Talvez não tivesse sido cuidadosa o suficiente, isso era certo. Mas o fato de Caroline e as outras terem más intenções para com ela era bastante óbvio, então ela nem deveria ter dito nada.
Claudia mencionou que Monica não conseguira vomitar o veneno direito, então a forçaram a beber água salgada diluída para induzir o vômito. Quando esvaziara o estômago, deram-lhe leite para proteger a mucosa estomacal.
— O conteúdo do seu estômago estava quase vazio quando te fiz vomitar. A julgar pela sua aparência, você está abaixo do peso para sua idade, e não sinto que esteja tentando manter sua saúde.
— Ugh…
O motivo de não ter conseguido almoçar naquele dia fora ter fugido de Claudia. Ainda assim, a forma como Claudia apontava a má nutrição de Monica, tão parecida com a de Rosalie, era dolorosa de se ouvir.
Olhando para Monica, que baixava a cabeça desanimada, Claudia falou com ela no mesmo tom indiferente.
— Quanto menor o físico da pessoa, menor a dose de veneno necessária para ser letal… Venenos que não são letais para uma pessoa de físico adulto normal podem ser letais para uma pessoa de físico infantil… Você quase perdeu a vida.
— …uma pessoa de físico infantil…
Deitada de volta na cama, Monica fixou o olhar em Claudia.
Ela era esguia, mas alta, uma bela mulher que exibia suas curvas. Era difícil acreditar que tinha a mesma idade que Monica.
Embora nunca tivesse tido muito complexo sobre o próprio físico, desde que fizera amizade com Lana e Casey, Monica passara a se preocupar com a aparência infantil, ainda que só um pouco.
Enquanto Monica se sentia secretamente derrotada, Claudia se inclinou para frente para olhar no rosto dela.
— …Nossa, o que foi, Garota Infantil? Você está me encarando tão intensamente, Garota Infantil. Só para você saber, não coma nenhum alimento sólido hoje. Você vai vomitar, Garota Infantil.
— V-Você não precisa ficar dizendo “Garota Infantil” “Garota Infantil” para mim…
— Porque eu não quero que você me agradeça por salvar sua vida…
Ao ouvir as palavras de Claudia, Monica arregalou os olhos.
Pensando bem, ela também parecera enojada quando Felix a agradecera.
Monica se sentia grata a Claudia, claro, e queria lhe agradecer. Mas a reação dela não era a de alguém escondendo o próprio constrangimento, e sim de desagrado.
— Er… é porque você não gosta de mim… que não quer ser agradecida…?
Ao ser perguntada com voz trêmula, Claudia endireitou a postura.
Sua expressão de boneca permaneceu inalterada. No entanto, havia uma emoção sombria, um pouco diferente de malícia, que oscilava levemente no fundo de seus olhos de lápis-lazúli.
— Não é que eu não goste de você… nem que eu goste.
Quando Claudia expirou com cansaço, Monica lhe perguntou corajosamente.
— E-Então… por que… você tem me seguido… na última semana…?
Monica sempre pensara que era porque Claudia suspeitava de sua identidade como a [Bruxa Silenciosa].
Mas Claudia — deslizando como uma cobra — fechou a distância sem fazer barulho, olhou no rosto de Monica e sussurrou baixinho.
— …É porque você seduziu meu noivo.
— ………..hã?
Com a boca de Monica escancarada, Claudia continuou falando sem hesitar.
— Se fosse só uma questão de estar no mesmo conselho estudantil, isso não me importaria, mas como eu permitiria que alguém sequer praticasse dança com ele? Nem eu mesma jamais dancei com ele.
Um membro do conselho estudantil, prática de dança.
Diante dessas duas palavras-chave, a primeira coisa que veio à mente de Monica foram Felix e Cyril.
Mas, como ela e Cyril eram irmãos, a resposta obviamente já estava restrita.
Não me diga, Sua Alteza é o…
Foi um alívio saber que Claudia não descobrira sua verdadeira identidade.
Mas ela jamais imaginara que a noiva de Felix a confundiria com alguém tentando seduzi-lo!!
Esse mal-entendido precisava ser resolvido o quanto antes. A única coisa que Monica pensava sobre Felix era que ele tinha um corpo com a proporção áurea.
Enquanto Monica ponderava como esconder o fato de estar em uma missão de escolta e esclarecer o mal-entendido de Claudia, ouviu a porta da enfermaria se abrir.
— Monicaaaa! Eu vim te visitaaar!
— Psiu! Psiu! Não grita na enfermaria!
Aquelas vozes familiares e agitadas eram de Glenn e Neil.
Sem pedir permissão, Glenn abriu as cortinas e se aproximou da cama com passos largos.
— Monica, você está bem? Seu rosto está tão pálido! Ah, eu vim te visitar. Tudo bem se eu trouxer um pouco de carne para você?
— Você não pode dar carne para alguém que acabou de ser envenenada.
Neil, que repreendeu Glenn, sorriu de forma um tanto desajeitada ao notar Claudia sentada ali, ao lado da cama.
— Ah, Senhorita Claudia, bom dia para a senhorita.
— ……
O rosto de Claudia estava sem expressão. No entanto, o ar que carregava mudara claramente. O ar deprimido e lânguido desaparecera por completo.
Neil pareceu ligeiramente perturbado diante de Claudia, que o fitava com uma expressão vazia.
— Bem, ouvi do presidente do conselho estudantil. Ele me contou que a senhorita deu os primeiros socorros à Senhorita Norton, Senhorita Claudia.
— ……
Como esperado, Claudia permaneceu em silêncio e sem expressão. Não tinha sequer uma única palavra a dizer.
Neil baixou as sobrancelhas, perturbado, mas se esforçou para continuar falando.
— A senhorita é realmente uma mulher notável, Senhorita Claudia! Isso é incrível!
— …é.
Naquele momento, Monica tinha certeza de que vira aquilo.
Murmurando com voz fraca, os cantos da boca de Claudia se ergueram… só um pouquinho.
Mesmo tendo parecido desconfortável quando Felix a elogiara, Claudia agora mostrava um leve traço de felicidade.
Será que… o noivo dela é…
Quando Monica finalmente percebeu esse fato, Glenn exclamou “Aah!” e encarou Claudia em voz alta.
— Essa mulher! Ela andou seguindo a Monica antes…
— Hã? Seguindo?
Diante do comentário de Glenn, Neil arregalou os olhos, surpreso.
Então Claudia — mais silenciosa que uma cobra — se levantou e deslizou até a cama de Monica.
— Isso é um mal-entendido. Afinal, somos amigas.
Isso era novidade para ela. Se muito, Claudia acabara de lhe dizer que nem gostava nem desgostava dela, ou que tinha um físico infantil.
Mas Claudia agilmente segurou a mão de Monica, que tinha uma expressão de espanto, e disse.
— …não é? Somos amigas, não é? Mô. Ni. Ca?
Que brilhante mudança de coração.
Enquanto Monica ficava atônita, Claudia a fitava com olhos de lápis-lazúli. Monica se sentiu esmagada pela pressão de seu silêncio.
— S-Sim…
Monica assentiu rigidamente, e Claudia disse “Viu?” e olhou para Glenn e Neil.
— …além disso, eu sou a noiva de Neil. Você está questionando a noiva do seu amigo?
— O quê?! Noiva?! Você é a noiva do Neil?!
Neil riu vagamente diante do grito alto de Glenn.
— Bem, o noivado foi só algo que nossos pais decidiram por conta própria…
— Ah, você não está satisfeito por estar noivo de mim?
Claudia virou o rosto de boneca para Neil. O fato de seu rosto ser tão bem definido lhe dava uma estranha sensação de intimidação, mesmo sem expressão.
O rosto de Neil se tensionou, e ele balançou a cabeça.
— Não, não, não é assim. Se muito, sinto que não sou bom o suficiente para a senhorita, Senhorita Claudia, mas… bem…
Os olhos de Neil continuavam olhando de relance para o topo da cabeça de Claudia.
Naquele momento, as vozes internas de Monica e Glenn se sobrepuseram.
Ah, a altura deles…
Neil era um pouco mais baixo do que a maioria dos garotos de sua idade. Claudia, por outro lado, era considerada alta para uma mulher… a diferença de altura entre eles era evidente para todos.
* * *
Caminhando pelo corredor, Felix desfez o sorriso incomumente suave. Ao fazer isso, seu rosto brilhante e extremamente belo se destacou ainda mais.
Sentindo uma irritação silenciosa vinda de Felix, Cyril, que caminhava atrás dele, também mantinha uma expressão calada no rosto.
Enquanto caminhava, Felix confrontava silenciosamente a frustração dentro de si.
Ah, que bagunça. Eu sou alguém que prefere não perder a paciência.
A emoção de raiva dentro dele deveria ser direcionada à pessoa certa, no momento certo. Não era algo que devesse ser extravasado ali.
Ainda assim, a imagem de Monica de mais cedo voltou a arranhar a mente de Felix.
— Peço desculpas… por não conseguir estar à altura como membro do conselho estudantil…
A figura da garota, tremendo um pouco com lágrimas nos olhos, se sobrepôs à de um garoto jovem.
— Peço desculpas por não conseguir estar à altura como membro da família real…
Sério, a figura daquela garota é parecida comigo…
Confirmando isso silenciosamente, Felix falou.
— Toda essa história está me deixando um pouco irritado.
A expressão de Cyril se contraiu diante das palavras incomumente frias de Felix.
— Tenho a líder, a filha do Conde Norn, e as outras duas esperando na sala de recepção para interrogatório. E…
Cyril interrompeu a fala e olhou ao redor, sussurrando para Felix.
— …a filha do Conde Kerbeck veio até a sala do conselho estudantil. Ela quer falar com a filha do Conde Norn.
— A filha do Conde Kerbeck? Ah, a irmãzinha do esquilinho?
— Ela é sobrinha dela, sem parentesco de sangue.
Murmurando um hmmm, o canto dos lábios de Felix se ergueu.
— Ótimo. Então deixe a filha do Conde Kerbeck presente também.
Sorrindo de forma gélida em seu rosto lindamente talhado, Felix declarou.
— Agora, vamos ter um bom chá da tarde.